Leitura da Torá: Porção Semanal: Parashá Devarim (25/07)

 

 
 
Deuteronômio  1:1-3:22
 
Esta semana começamos o quinto e último livro da Torá, Devarim (Deuteronômio), conhecido na literatura rabínica como Mishnê Torá, a revisão da Torá. Seu conteúdo foi falado por Moshê ao povo judeu durante as cinco semanas finais de sua vida, enquanto o povo se preparava para entrar na Terra de Israel. Nele, Moshê explica e comenta muitas das mitsvot outorgadas previamente e outras que aqui aparecem pela primeira vez. Ele também os adverte continuamente a permanecer diligentes e fiéis às leis e ensinamentos de D’us.

A Parashat Devarim (Devarim 1:1-3:22) começa com a velada censura de Moshê, na qual faz referência aos numerosos pecados e rebeliões dos quarenta anos anteriores. Prossegue então relatando vários dos incidentes mais significativos que ocorreram com o povo judeu no deserto, lançando uma luz sobre as narrativas prévias da Torá. 

Moshê fala da malograda missão dos espiões: dez dos doze homens enviados para vigiar a terra tinham voltado com um relatório negativo, e devido à falta de fé do povo, D’us condenou toda a nação a vagar por quarenta anos no deserto, tempo durante o qual a geração do êxodo morreu. Moshê então avança para discutir a conquista dos Filhos de Israel da margem leste do Rio Jordão. A Porção da Torá conclui com palavras de encorajamento para o sucessor de Moshê, Yehoshua.

 
Mensagem da Parashá
 
 
Repita o que eu disser
Por Benyamin Cohen

O Livro de Devarim contém as palavras de Moshê aos Filhos de Israel; é basicamente um sumário dos primeiros quatro livros da Torá. De fato, a palavra "Deuteronômio", tirada da palavra grega Deutronomion, na verdade significa "Segunda Lei", basicamente uma repetição da Torá. Isso nos faz pensar. Por quê? Por que razão D’us incluiu na Torá todo um quinto livro que consistia basicamente de uma revisão? Os primeiro quatro livros não foram suficientes?

Compreensivelmente, podemos extrair um lição significativa da inclusão deste quinto livro, aparentemente supérfluo. Talvez a seguinte intrigante declaração, conforme relatada no Talmud, possa lançar um pouco de luz na situação. O Talmud enfatiza que quando uma pessoa está revisando algo, deveria fazê-lo por 101 vezes. Qual a diferença entre 100 e 101 vezes? 

Os comentaristas do Talmud explicam que, sob uma observação psicológica, a pessoa revisará um conceito 100 vezes simplesmente para alcançar um objetivo elevado. A verdadeira revisão é superada pela conquista manifesta da pessoa. Em termos bem simples, 100 é um belo número redondo. Revisar 101 vezes demonstra a suprema natureza do caráter da pessoa envolvida. Ao revisar 100 vezes, dirá talvez: "Completei minha missão. Posso sair e me divertir agora." Revisar 101 vezes, no entanto, diz que você está acima e além do chamado do dever.

Quantas vezes ao final de uma palestra declaramos: "Puxa, isso foi incrível. Pretendo aproveitar estas lições em minha vida cotidiana." Quantas vezes aprendemos algo em uma aula que realmente nos inspira? Quantas vezes lemos um artigo sobre as lições da Torá pensando como ele é esclarecedor? Porém, apenas um dia depois, as lições e inspirações simplesmente desaparecem. Voltar aos nossos empregos e rotinas diárias simplesmente apaga aquilo que aprendemos apenas um dia antes. 

Se pudéssemos separar o curto tempo necessário para revisar, imagine como seria mais duradouro o impacto que teriam estas lições. Ao implementar até mesmo o mais brando regime de revisão, podemos usar as lições que aprendemos na aula ou lemos em um livro para elevar-nos a níveis mais altos na compreensão e prática da Torá, sem ao menos percebermos isso. Pense nos resultados! Serão literalmente espantosos.

Se está pensando em revisão, leia este artigo uma vez mais.

 
 
Seleções do Midrash
 

 

Moshê reúne a nação

Benê Yisrael atingiram o final de seus quarenta anos no deserto. Todos os homens da geração de Moshê haviam morrido, e seus filhos agora eram adultos. Acamparam nas planícies de Moav. Esta era a última parada antes de Êrets Yisrael.

Aharon e Miriam não eram mais vivos. Apenas Moshê sobrevivera: tinha 120 anos de idade. Mas parecia um homem jovem! Suas faces não eram encovadas, e não era enrugado. Seu rosto brilhava com os raios da Shechiná. Era forte e caminhava com os passos largos de um homem jovem.

Porém, Moshê estava ciente de que não cruzaria o Rio Jordão e não entraria em Êrets Yisrael. "Preciso falar com Benê Yisrael pela última vez," pensou ele. "Repetirei a eles a Torá e as mitsvot, para me certificar de que as aprenderam bem. Também os ensinarei novas mitsvot que ainda não aprenderam."

"Primeiro discutirei os pecados que seus pais cometeram no deserto. Isto os ajudará a fazer teshuvá e evitar transgressões similares. Sabendo que logo morrerei, certamente eles me darão ouvidos."

A primeiro de Shevat, em 2.488 (trinta e seis dias antes de sua morte), Moshê anunciou: "Todo o Povo de Israel deve se reunir e escutar minhas palavras!"

Por que Moshê desejava que cada judeu ouvisse seu discurso? Ele pensou: "Se alguém estiver ausente agora e mais tarde ouvir minhas palavras repetidas através de outros, poderá discordar de algumas partes. Isso de forma alguma deve acontecer! Deixe que todos estejam presentes agora e ouçam o que tenho a dizer. Se alguém achar que estou errado, poderá falar agora e esclarecerei minhas palavras!"

É difícil imaginar isto, mas o último discurso de Moshê durou trinta e seis dias! A cada dia, Benê Yisrael se reunia e escutava as palavras de Moshê e seus ensinamentos. Todo o Livro de Devarim é o discurso de Moshê!

Moshê começa a falar

A voz de Moshê não era alta o suficiente para atingir 600.000 pessoas, mas ocorreu um milagre, e ele pôde ser ouvido por todos os judeus presentes.

Moshê Rabênu começou: "Falarei a vocês sobre seus pecados no deserto. Devem entender que a única razão pela qual lembro estes episódios é porque eu os amo. Quero ajudá-los a refinar-se e a fazer teshuvá."

"Um mês depois de começarmos a viajar no deserto, a massa que trouxemos do Egito acabou. Vocês se queixaram: ‘No Egito sempre tínhamos bastante para comer. Morreremos todos de fome! Queremos pão e carne!’

"Embora reclamassem ao invés de confiar em D’us, Ele foi misericordioso. Fez cair o maná do céu e também forneceu carne fazendo cair pássaros. D’us fez o maná cair diariamente por quarenta anos."

O povo ouviu estas palavras. Pensaram: "Como Moshê tem razão! Não confiamos em D’us. Em vez de reclamar, deveríamos ter tido fé. No futuro não mais reclamaremos, mesmo se as coisas ficarem difíceis."

Moshê esperou. Alguém iria discutir? Alguém o contradiria? Mas todo o Povo de Israel permaneceu em silêncio. Concordaram com Moshê e fizeram teshuvá.
Isto é verdadeiramente espantoso. Se nós tivéssemos estado lá, certamente teríamos feito uma objeção: "Moshê, não reclamamos pela falta de comida. Nossos pais o fizeram!"

O pecado mencionado por Moshê havia acontecido quarenta anos antes, no início da caminhada pelo deserto. Naquela época, a geração que agora escutava Moshê ainda não havia nascido ou então eram criancinhas.

Mesmo assim, ninguém falou: "Não somos culpados!" Isto demonstra que a nova geração era de verdadeiros tsadikim. Grandes tsadikim aceitam a responsabilidade até pelos erros de seus pais, como se fossem os seus próprios. O povo estava envergonhado e fez teshuvá pelas falhas dos pais. 

Moshê continuou: "Lembram-se do que aconteceu nas planícies de Moav?"

Benê Yisrael curvou a cabeça, sentindo vergonha. Lembraram-se do pecado em Chitim, nas planícies de Moav, apenas uns poucos meses antes. Na maioria, apenas os membros da tribo Shimon havia pecado com as filhas de Moav. Haviam também servido ao ídolo Ba’al Peor. Os pecadores foram condenados por Moshê, e uma praga havia irrompido. Esta cessou apenas após Pinechás matar Zimri e rezar a D’us.Os ouvintes fizeram teshuvá por isto, também, embora não tivessem participado, e os verdadeiros culpados já tivessem morrido.

Novamente, foi ouvida a voz de Moshê:

"Como vocês se comportaram nas praias do Mar Vermelho, quando viram o exército do Faraó se aproximando de nós? Entraram em pânico! Alguns de vocês gritaram de medo: ‘Se ao menos tivéssemos morrido no Egito, ao invés de sermos mortos aqui pelo exército do Faraó!’

"Mesmo depois que D’us afogou o exército do Faraó, vocês não confiaram n’Ele. Pensaram que os egípcios tinham escapado do Mar Vermelho assim como vocês! Para provar que estavam errados, D’us ordenou que o mar jogasse os corpos dos egípcios nas praias. Apenas então acreditaram no milagre."

Novamente, Benê Yisrael concorda com Moshê e aceita os erros dos pais como se fossem seus.

Moshê continuou. "E recentemente – após a morte de Aharon – vocês reclamaram sobre o maná! D’us disse-lhes que deveriam se aprofundar no deserto, à terra de Edom. Vocês objetaram: ‘De volta ao deserto outra vez? Estamos fartos de sempre comer maná.’"

Uma vez mais, os ouvintes aceitaram as duras palavras de Moshê. Esta era de fato uma geração notável! Ninguém gritou: "Pessoalmente, não tenho culpa!"

Moshê ainda não terminara com a lista dos erros: "Todos se lembram do que aconteceu no deserto de Paran! Vocês enviaram espiões! Mais tarde, quando se aproximaram de Chatserot, Côrach se rebelou!"

Finalmente, Moshê falou sobre o pecado mais grave de todos: o bezerro de ouro.
"Vocês estavam ricos com ouro quando saíram do Egito!" Moshê disse: "Porém, usaram-no para fazer um bezerro de ouro. Ao invés de terem sido destruídos, D’us ordenou que construíssem um Mishcan e perdoou-os pelo mérito do Mishcan."
Novamente, Benê Yisrael aceita a admoestação de Moshê. Fizeram teshuvá pelo pecado do bezerro de ouro. 

O quê a Torá nos diz sobre estas falhas

Se você abrir o Livro da Torá nesta parashá e tentar encontrar o discurso de Moshê, ficará surpreso. Não está lá!

Tudo que se pode encontrar na Torá são estas poucas palavras: "Moshê falou a Benê Yisrael sobre o que aconteceu nas planícies de Moav, no Mar Vermelho, no deserto"… E assim por diante. A Torá apenas menciona o nome de cada local onde um pecado aconteceu. Por que não há mais detalhes?

D’us queria poupar o povo judeu da vergonha de ter um grande número de falhas enumeradas no início de um novo Livro da Torá. Por consideração para com os judeus, a Torá Escrita apenas dá indícios do discurso de Moshê.

Moshê abençoa Benê Yisrael

Moshê descreve o que acontecera no início da jornada pelo deserto:

"Fui designado não apenas como seu professor de Torá, como também para ser seu juiz. Como eu estava ocupado! Havia tantas discussões e disputas entre vocês. Eu me sentava e julgava por boa parte do dia, enquanto vocês freqüentemente esperavam por horas para ver-me. Vocês cresceram até tornarem-se uma imensa nação, e hoje são tantos como as estrelas do céu. Que D’us os multiplique mil vezes mais, dando-lhes filhos que sejam tsadikim como vocês. Que Ele os abençoe como prometeu a seus antepassados!"

Por que Moshê subitamente abençoou Benê Yisrael no meio de seu discurso? 
Uma explicação seria:

Moshê havia reclamado sobre como era difícil lidar com um povo tão numeroso. Mas não queria que o povo pensasse que estava infeliz por eles serem tantos. Por isso, rapidamente acrescentou uma bênção para que se tornassem ainda mais numerosos!
O Midrash fornece outra explicação:

D’us disse a Moshê: "Veja como Benê Yisrael é justos! Poderia ter reclamado quando você lembrou de seus erros. Porém, aceitaram suas palavras e fizeram teshuvá. Por isto, mereciam ser abençoados." E assim, Moshê deu-lhes a berachá.

O Midrash nos diz:

Benê Yisrael é comparado às estrelas, areia e pó

Moshê comparou Benê Yisrael às estrelas, mas na verdade D’us fizera uma promessa diferente a cada um dos antepassados:

• A Avraham: "Olhe para o céu. Tente contar as estrelas! Assim como esta tarefa é impossível, da mesma forma será impossível contar seus filhos!"

 A Yitschac: "Seus filhos serão tão numerosos como os grãos de areia na praia!"

• A Yaacov: "Seus filhos serão como o pó da terra."

Tentemos entender como os judeus são comparados – as estrelas, areia e pó:

• Estrelas – Cada estrela é importante para o universo. Se apenas uma estiver faltando, a criação de D’us é imperfeita. Da mesma forma, cada judeu também é de suma importância.

• Areia – Embora ondas poderosas quebrem contra a praia arenosa, a delicada areia é uma forte barreira. A água não pode passar por ela e carregá-la para longe. 
Similarmente, o povo judeu repetidamente sobrevive aos ataques das nações do mundo.

• Pó da terra –
 Plantas e árvores não cresceriam sem o solo. Benê Yisrael pode ser comparados à terra porque, pelo seu mérito, todas as nações são abençoadas.
Na época de Moshê, D’us já tinha completado Sua promessa de que Benê Yisrael seriam como as estrelas. Apenas na época de Mashiach todas as promessas que D’us fez aos patriarcas serão totalmente cumpridas.

Como Moshê escolhia os juízes

Moshê continuou seu discurso:

"Disse-lhes que trouxessem a mim os homens justos que sejam sábios e compreensivos. Eu os escolheria como juízes.

"Ao ouvir este pedido, vocês deveriam ter respondido: ‘Moshê, preferimos que sejas nosso único juiz! Tu é quem recebeste os mandamentos diretamente de D’us. Os outros juízes são apenas teus alunos; não possuem todo o teu conhecimento.
"Mas vocês concordaram imediatamente. Pensaram: ‘Entre tantos juízes, alguns aceitarão suborno e nos favorecerão!’"

"Eu disse aos novos juízes: ‘Julguem todos os casos que puderem. Se um caso for muito difícil, tragam-no a mim.’"

Embora Moshê assim falasse, D’us mostrou-lhe que mesmo ele não conseguiria cuidar sozinho de todos os casos difíceis. Quando as filhas de Tselofchad (na parashá de Pinechás) vieram perguntar a Moshê se a herança paterna deveria ser-lhes concedida, Moshê não respondeu de imediato, consultando primeiro D’us. Moshê então repetiu ao povo as regras que havia ensinado aos juízes.

As regras para os juízes judeus

• O mesmo tipo de problema pode ser trazido a vocês mais de uma vez. Da primeira, será novo para vocês, assim estudarão cuidadosamente a solução. Da segunda vez, vocês não estudarão tão detalhadamente. Quando ouvirem o problema pela terceira vez pensarão: "Por que deveria eu escutar estas leis novamente? Já conheço este caso." Mas estão errados! Devem revisar cuidadosamente cada caso antes de tomar uma decisão, mesmo se acharem que lhes é familiar. 

• Pode acontecer de lhe perguntarem sobre um caso a respeito de alguns centavos. Mais tarde, um caso envolvendo uma fortuna pode lhes ser apresentado. Não adiem a questão a respeito da pequena quantia, julgando o segundo em primeiro lugar. Devem ambos ter a mesma importância para você.

• Quando duas pessoas entrarem para julgamento, não pensem: "Esta pessoa parece ser um vigarista. O outro aparenta ser uma pessoa decente!"

Ao contrário, ambas as partes devem parecer igualmente culpadas para vocês. Após aceitarem a decisão da justiça e saírem, ambos devem ser como tsadikim a seus olhos.

• Um pobre e um rico têm uma disputa. Não pensem: "Esta é uma boa oportunidade de ajudar o homem pobre! Farei com que o rico perca o caso, para que pague dinheiro ao outro. Desta maneira, ajudarei o homem pobre!" Isto não é permitido! Não podem também favorecer o homem rico. Ambos devem ser iguais para vocês.

• Nunca temam pessoa alguma. Se um rufião ameaçar: "Não ouse fazer-me perder, ou porei fogo em sua casa!" – não se deixem intimidar.

• Vocês devem ouvir cada caso diretamente das pessoas envolvidas e não através de um tradutor. Por esta razão, para ser um membro do Sanhedrin (Suprema Corte) era preciso saber muitos idiomas.

• Assuntos financeiros devem ser decididos por três juízes. Uma sentença de vida ou morte, porém, deve ser decidida por pelo menos vinte e três juízes.
o Uma sentença de morte jamais pode ser pronunciada em um único dia. A decisão final deve ser tomada no dia seguinte.

Moshê fala sobre os espiões

Moshê continuou suas palavras de admoestação a Benê Yisrael:

"Dois anos após deixarmos o Egito, poderíamos ter entrado em Êrets Yisrael. Mas devido ao espiões, D’us nos manteve no deserto por mais 38 anos.

"Na Outorga da Torá, vocês se comportaram respeitosamente. Mas quando vieram me falar sobre o envio de espiões a Êrets Yisrael, empurraram uns aos outros. As crianças abriam caminho empurrando os adultos, e os adultos eram desrespeitosos com os líderes, empurrando-os para o lado. 

"Em seguida agiram enganadoramente. Pediram que ‘mandássemos espiões para preparar o caminho para nossa conquista do país’. Mas esta não era a sua verdadeira intenção. Queriam evitar a luta com as nações que lá estavam. "Não confiaram na promessa de D’us de ajudá-los a conquistar as sete nações. Embora eu acreditasse em vocês, D’us entendeu suas verdadeiras intenções.

"Escolhi doze dos melhores homens entre vocês. Eram tsadikim. Mas ao começarem a viagem, maus pensamentos perturbaram suas mentes. Começaram a planejar um relatório falso. Temiam lutar contra os canaanitas. Por isto, tentaram impedir que Benê Yisrael se envolvessem numa guerra. 

"Quando retornaram, apenas Yehoshua e Calêv louvaram Êrets Yisrael. Os outros falaram lashon hará sobre essa terra.

"Novamente agiram de forma imprópria. Em vez de cerrar fileiras com Yehoshua e Calêv, acreditaram nos dez espiões. D’us havia nos falado sobre como a terra era boa. Por que não acreditaram n’Ele?

"Vocês tinham medo de lutar contra as nações de Erets Yisrael. São realmente guerreiros poderosos, vivendo em cidades fortificadas até o céu. Há inclusive gigantes entre eles.’

‘Mas disse a vocês para não sentirem medo – D’us lutaria por vocês! Viram como Ele cuidou de vocês amorosamente no deserto? Por que, então, não crêem que Ele lhes concederia mais bondade? 

"Após todo este comportamento impróprio, D’us ficou aborrecido: ‘Os homens desta geração não verão a boa terra que prometi aos seus antepassados’, prometeu Ele. ‘Apenas Yehoshua e Calêv terão este privilégio’"

Moshê continuou:

"Após o pecado dos espiões, D’us ficou descontente comigo também. Pelos próximos 38 anos, a profecia de D’us não foi transmitida com o mesmo amor, como antes do incidente dos espiões. Este acontecimento também causou minha morte no deserto. Porque golpeei a rocha em Mê Meriva, D’us disse-me que Yehoshua lideraria Benê Yisrael à Terra Prometida."

Os judeus e a conquista da Êrets Yisrael

"Embora D’us tivesse falado que traria apenas a próxima geração a Terra Prometida, alguns entre vocês disseram: ‘Não queremos esperar. Queremos entrar em Êrets Yisrael agora! Pecamos quando nos recusamos a lutar contra os canaanitas. Agora compensaremos por isto.’

"Vocês prepararam suas espadas, e estavam prontos a escalar a montanha na fronteira de Êrets Yisrael. Mas D’us advertiu: ‘Diga-lhes para não escalar! Não estou com eles! Serão derrotados!’ Mas vocês não deram ouvidos e mesmo assim foram para a batalha. Os emorim, que viviam na montanha, perseguiram e feriram vocês. Então aconteceu um milagre: qualquer emori que tocasse em vocês morria instantaneamente. Isto demonstrou como D’us controlava a situação."

Benê Yisrael não conquistaram três nações

Benê Yisrael estavam proibidos de conquistar três nações que faziam fronteira com Êrets Yisrael. As três nações eram: 

1 – Seir, onde os descendentes de Essav viviam. Um outro nome para este país é "Edom";

2 – Moav;

3 – Amon.

Por que Benê Yisrael foram proibidos de conquistá-los?

Benê Yisrael e Seir (Edom)

Moshê disse:

"Ao final de nossa caminhada, D’us nos ordenou rumar para o norte, em direção a Êrets Yisrael, e passar pela terra de Seir. D’us advertiu: ‘Os descendentes de Essav são seus irmãos! Não os ataquem. Nem ao menos passem pela terra deles sem permissão. Se quiserem alimentos ou água, paguem por eles. Dei a terra de Seir a Essav até a era de Mashiach.’"

D’us não permitiu que os judeus conquistassem Seir porque este país era a recompensa de Essav por honrar seu pai, Yitschac.

De que modo Essav se destacou por honrar seu pai?

Rabi Shimon ben Gamliel explicou:

"Quando servi meu pai, vestia roupas comuns. Quando estava pronto para sair, me trocava e vestia roupas melhores. Quando Essav servia seu pai, usava as melhores roupas. Considerava seu pai um rei. Aprendi com Essav o quanto deve-se honrar os pais."

Para não dar a Essav um espaço no Mundo Vindouro, D’us propositadamente concedeu a Essav a recompensa total por sua mitsvá neste mundo.

Moshê continuou: "Enviamos mensageiros ao rei de Seir, pedindo-lhe que nos deixasse passar através de seu país. Ele recusou. Então, passamos ao redor do país de Seir."

Benê Yisrael e Moav

"Então nos aproximamos de Moav. Novamente, D’us advertiu: ‘Não podem conquistar Moav. Eu o dei aos descendentes de Lot até a era de Mashiach.’ 

Mesmo assim, D’us nos permitiu recolher os despojos deles. Foram eles que haviam contratado o mágico Bil’am para nos amaldiçoar e enviaram as suas filhas para nos fazer pecar (Parashat Balac)."

Por que D’us ordenou aos judeus que não atacassem Moav?

D’us previu que uma mulher notável nasceria em Moav. Tornar-se-ia judia, desposaria Boaz e seria mais tarde a avó do Rei David. Por causa dela, o povo de Moav não foi destruído.

"Enviamos mensageiros ao rei de Moav, pedindo permissão para passar pelas suas terras. Mas ele também recusou, e então viajamos ao redor de Moav."

Benê Yisrael e Amon

"Quando nos aproximamos de Amon, D’us ordenou: ‘Benê Yisrael não podem lutar com os amonim. Nem ao menos lhes será permitido recolher os despojos deles. São descendentes de Lot, e receberam o país até que chegue a era de Mashiach.’"

Por que Amon foi poupado?

D’us previu que do povo de Amon nasceria uma mulher importante: Na’ama. Ela se tornaria judia e seria a mulher do Rei Shelomô. Seu filho, Rechavam, seria coroado rei após a morte de Shelomô.

Há uma outra razão pela qual D’us proibiu a conquista de Moav e Amon:

D’us poupou-os como recompensa pelo silêncio de Lot. Qual foi o mérito de Lot?

No livro de Bereshit, na parashá de Lech Lechá a Torá nos relata o seguinte: Quando Avraham viajou ao Egito, fingiu que Sara era sua irmã. Lot, o sobrinho de Avraham, os acompanhou nesta viagem e sabia a verdade: Sara era a esposa de Avraham! Ele podia ter contado ao Faraó que Sara era a mulher de Avraham. O que poderia acontecer a Avraham? O Faraó o teria matado para ficar com Sara. Quando Lot ficou em silêncio, salvou a vida de Avraham. Como recompensa, D’us poupou as vidas de seus descendentes, os moavim e amonim.

Por que Moshê lembrou aos judeus que D’us havia proibido a conquista de Seir, Amon e Moav?

Benê Yisrael poderiam perguntar um dia: "Será que o exército de Moshê era muito fraco para derrotar aquelas nações?" Moshê deixou claro: "Embora D’us tivesse prometido a Avraham que vocês conquistariam dez nações, Ele está dando a vocês agora apenas sete nações. As outras três – Seir, Amon e Moav – serão dadas a vocês apenas na era de Mashiach. Não porque sejam muito fracos para sobrepujá-los, mas porque D’us assim o ordenou. Ele está esperando o momento certo para entregar estas três nações em suas mãos."

Benê Yisrael vencem Sichon e seu exército

Moshê continuou: "D’us não nos permitiu conquistar Edom, Amon e Moav. Mas Ele deixou-nos conquistar a terra de Sichon, rei dos emorim."

Os emorim tinham tentado impiedosamente aniquilar os judeus. Ordenaram a seus soldados que se escondessem em cavernas na montanha, e atirassem suas flechas em Benê Yisrael enquanto estes estivessem passando por um estreito vale Emorita. Os judeus teriam sido destruídos se não fosse pela ajuda de D’us (veja Parashat Chucat). 

Moshê disse: "Enviei mensageiros a Sichon, pedindo: ‘Por favor, deixe-nos passar por seu país! Se precisarmos de comida, a compraremos de vocês.’
"Sichon recusou-se a nos deixar passar. Mesmo assim, senti que havia agido corretamente em enviar-lhe mensageiros. Aprendi de D’us que mesmo aos perversos deve-se dar uma chance."

"Sichon mobilizou ser exército. Deixou a capital e marchou para atacar. Esta foi uma bondade especial de D’us. A capital de Sichon estava tão bem guarnecida que teríamos tido problemas em conquistá-la. Não tivemos que enfrentar diversos grupos de soldados espalhados em locais diferentes. O exército estava todo agrupado. Por isso, o capturamos rapidamente.

"Matamos Sichon, o poderoso gigante e seu filho. Desta maneira, conquistamos a terra dos Emorim."

A derrota de Og

O gigante Og era meio-irmão de Sichon. Governava o reino Emorita de Bashan. Quem era Og?

O Midrash nos relata:

Como Og sobreviveu até a época de Moshê

Todos os gigantes poderosos que viviam ao tempo de Nôach se afogaram no dilúvio. Apenas Og sobreviveu. Subiu por uma escada até a arca e implorou a Nôach: "Por favor, salve-me! Serei seu escravo para sempre,"

Nôach refletiu: "Tantas pessoas tentaram salvar-se subindo na arca, mas nenhuma delas conseguiu. Como Og teve sucesso em chegar aqui, D’us provavelmente deseja que ele sobreviva!"

Assim Nôach fez um pequeno furo na arca e passava comida a Og todos os dias. Só esta tarefa já mantinha Nôach e seus filhos muito ocupados! Nossos sábios dizem que Og devorava incríveis quantidades de comida, e que bebia galões de água. Mesmo assim, Nôach o alimentou, e Og sobreviveu.

Por que D’us permitiu que vivesse? 

D’us desejava que o mundo visse um gigante da época anterior ao dilúvio. O mundo aprenderia então que D’us destruiu até mesmo esta raça de gigantes, porque rebelaram-se contra Ele.

Og ainda estava vivo ao tempo de Avraham. Quando Lot, sobrinho de Avraham, foi capturado numa guerra, (Parashat Lech Lechá) Og pensou: "Vou correr e dizer a Avraham que seu sobrinho foi preso. Quando Avraham for resgatá-lo, será morto pelos captores de Lot. Poderei então casar-me com a linda Sara!"

D’us imediatamente prometeu: "Pelos esforço que fizeste para trazer a Avraham a mensagem, terás vida longa. Mas como desejaste que Avraham fosse morto, serás destruído pelos seus descendentes!"

Og era uma das pessoas convidadas ao berit milá de Yitschac. Os reis de Cnaan haviam sido convidados também. Os reis disseram a Og, "Você sempre chamou Avraham de ‘mula,’ dizendo que ele é como uma mula que não pode dar cria. Porém, veja, ele tem um filho, Yitschac!"

Og olhou para o bebê de Avraham, um menino. Naquela época, os bebês nasciam tão grandes que mesmo os recém-nascidos precisavam de uma cama de adulto. Yitschac foi o primeiro bebê a nascer pequeno e fraco, como os bebês atuais.

"Este bebê é tão pequeno que precisa de um berço!" – zombou Og. "Eu poderia matá-lo com um dedo!"

"É assim que você fala do filho que dei a Avraham?" D’us disse. "Você viverá para ver dezenas de milhares de descendentes deste bebezinho! E você cairá em suas mãos."

Quando Yaacov chegou ao Egito, Og estava visitando o Faraó. 

O Faraó disse a Og: "Você sempre afirmou que Avraham nunca teria filhos! Mas aqui está o neto de Avraham, Yaacov, e ele trouxe setenta dos descendentes de Avraham com ele!"

Og ficou furioso. Desejou que todos os descendentes perecessem!

"Seu malvado!" – disse D’us. "Por que lhe deseja mal? No fim, você será destruído!"

Moshê contou a história: "Og tornou-se o governante de Bashan. Quando ouviu que havíamos conquistado Sichon, preparou seu exército para a guerra.

"Chegamos perto de Edrê, a cidade fortificada de Og. Lá acampamos para passar a noite e preparamo-nos para invadir a cidade pela manhã. 

"D’us disse-me: ‘Veja Og sentado sobre a muralha!’ Ele era tão imenso que quando sentava-se sobre a muralha, seus pés tocavam o solo.

"Eu estava com medo. Pensei: ‘Este é o malvado que zombou de Avraham e Sara. Disse que eles eram como árvores próximas da água, mas que não dão frutos.’ ‘Não o tema,’ disse-me D’us.

"Og apanhou uma enorme pedra para jogar em cima de nós. Mas D’us transformou-a em pedaços. Enquanto isso, apanhei um machado e atingi Og no calcanhar. Caiu para trás e morreu."

"Enfrentamos o exército de Og. D’us fez o sol ficar imóvel até que a batalha terminasse. Assim, o mundo inteiro soube desta guerra e de nossa vitória."

Derrotamos o exército emorita. Agora possuímos enormes lotes de terra a leste do Rio Jordão.Dividi a terra entre Reuven, Gad, e metade de Menashê. Ordenei então: ‘Embora já tenham recebido seu quinhão, devem acompanhar Benê Yisrael até Êrets Yisrael e ajudá-los a lutar. Depois, podem retornar à sua terra.’
"A Yehoshua, eu disse: ‘Você viu como D’us destruiu os poderosos gigantes Sichon e Og. Assim Ele destruirá todos os reis que vivem em Êrets Cnaan. Não tenha medo, pois D’us está lutando por você!’"

Um conceito importante a aprender

Sabemos que todo o livro de Devarim é um longo discurso. Benê Yisrael não contradisse Moshê. Aceitaram cada palavra e fizeram teshuvá.

Tomemos nós mesmos como exemplo. Como reagimos quando um amigo nos repreende? É desagradável. Às vezes, podemos negar que agimos errado. Outras vezes tentamos justificar nossas ações com desculpas. É normal esquecer e não nos preocuparmos após ouvirmos admoestação.

Nesta parashá, aprendemos que há um modo melhor. Há um versículo em Mishlê (9:8) que diz: "Não diga mussar a um tolo, pois ele o odiará. Diga mussar a uma pessoa sábia, e ela o amará."

Qual o significado disto?

Um tolo não suporta aquele que lhe diz que está errado. Não está interessado em aperfeiçoar-se. Quer ser da maneira que deseja e que lhe convem.

O sábio pensa: "D’us trouxe-me a este mundo com um objetivo em mente: Devo me esforçar para me tornar uma pessoa melhor. Deixe-me aceitar a ajuda dos outros para alcançar isto!"

A pessoa que possui sabedoria ouve suas falhas com gratidão. Tenta aprimorar a si mesmo se seus atos não foram muito sérios ou se não foi tão culpado.

Nossos sábios chamam a geração de Moshê "dor de’a", uma geração sábia. Ficaram envergonhados por suas falhas, quando foram enumerados em voz alta. Perceberam que Moshê apontava seus erros e pecados somente porque os amava profundamente e se preocupava com eles.

D’us proclamou: "O mussar de Moshê Me é tão caro como todas as mitsvot que dei a Benê Yisrael!"

 

Fonte: http://www.chabad.org.br/

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