Leitura da Torá: Mensagem da Parashá Matot (18/07)

 
 

 

Números  30:2-32:42

 

Matot (Bamidbar 30:2 – 32:42) inicia-se com uma discussão das leis sobre nedarim (promessas) e shevuot (juramentos). A Torá então descreve a batalha do povo judeu e a vitória sobre Midyan, seguida por uma narrativa detalhada da distribuição dos despojos de guerra. 

Antecipando a próxima chegada à Terra de Israel, as tribos de Reuven e Gad adiantaram-se para requerer que sua herança fosse a leste do Rio Jordão, ao invés de exatamente na Terra Santa, pois a margem leste seria mais apropriada para seus abundantes rebanhos. 

Após alguma discussão, Moshê concorda, mas apenas sob a condição de que ajudassem o restante da nação a conquistar toda a Terra de Israel, antes de retornarem para estabelecer-se no seu legado.

 

Mensagem da Parashá

 

Assassino impiedoso
Por Ranon Cortell 

Duas porções atrás, ao final da Parashá Balac, uma praga terrível e destruidora assolou os filhos de Israel, devido aos pecados instigados por nossos inimigos, os Moavitas e Medianitas. 

Na mesma porção, toda nossa existência foi também perigosamente ameaçada por um hábil e poderoso feiticeiro não-judeu, Bilam, que foi contratado pelas forças conjuntas de Median e Moav para amaldiçoar o povo judeu, esperando torná-lo uma vítima indefesa para seus selvagens inimigos. Mesmo assim, na porção desta semana, quando D’us decide que chegou a hora de vingar a honra de Israel e destruir seus inimigos, Ele ordena a Moshê que destrua apenas os medianitas, permitindo que os moavitas escapem ilesos. 

Por que os medianitas foram escolhidos para a destruição, enquanto que os moavitas, que lideraram a extrema intrusão, foram poupados?

Para responder esta questão, Rashi explica que os moavitas agiram puramente por razões de auto-defesa contra um inimigo avultado e potente em suas fronteiras, enquanto que os medianitas haviam se engajado em uma disputa que não lhes dizia respeito, pois não foram ameaçados pelos judeus por viverem longe da rota para a Terra de Israel. Foi pela ação de ódio infundado dos medianitas que D’us quis vingança. 

Rashi explica que tal ódio e envolvimento nas disputas de outro povo é especialmente perigosa espiritualmente porque mesmo quando as partes chegam a um acordo, o ódio daquele que está de fora da disputa conservará seu vigor pois, afinal, não era baseado em coisa alguma.

Esta mensagem é especialmente fundamental para nossa geração, para quem ódio infundado é um de nossos maiores erros e desafios. O Talmud (Tratado Yoma 9b) exorta-nos que no caso do insuportável pecado de ódio fútil e infundado para com um irmão judeu, a esposa e o filho de quem odeia morrerá, D’us não o permita. Rashi explica que esta punição é midá k’neged midá, pois assim como a pessoa falhou em amar o próximo, aqueles que ama serão tirados de seu convívio. Portanto, devemos enxergar este pecado de ódio injustificado como um assassino impiedoso, e combatê-lo com fervor.

Rabi Yechiel Weinberg relata uma conversa que teve com o Alter de Slabodka. Certo dia, o Alter estava falando sobre as "Três Semanas", o período de luto pela destruição dos Templos. Resumindo, ele explicou que a razão para a instituição deste período de luto foi despertar-nos de nossa rotina de pecado e incitar-nos ao arrependimento, para que possamos nos tornar merecedores da reconstrução do Templo. A destruição do Primeiro Templo foi devida ao envolvimento do povo judeu em assassinato, idolatria e relacionamentos imorais, e mesmo assim o exílio durou apenas setenta anos. O Segundo Templo, por outro lado, apesar do envolvimento dos judeus na Torá e boas ações, foi arrasado principalmente por causa do pecado ameaçador do ódio infundado, e infelizmente ainda não merecemos vê-lo reconstruído.

"Fique atento," ordena o Alter, "esta influência sinistra ainda espreita entre nós, e infelizmente não temos o nível de boas ações e Torá que envolveu nossos antepassados." " Honestamente," 
pergunta ele, "quantos de nós, ao ver um colega elevado a uma posição de honra que acreditamos ser nossa por merecimento, não fervemos face a tão horrível insulto, e imaginamos porque nossos amigos não correram a defender nossa honra? E mesmo assim, quantos de nós simplesmente passam pelos impulsos e leis deste período sem agir sobre sua mensagem essencial – erradicar o ódio injustificado de nosso coração?"

Devemos instilar esta mensagem dentro de nós, arrepender-nos de nossos pecados cometidos, e aprendermos a praticar o amor injustificado. 

Quando conseguirmos isso, e com a ajuda de D’us, o Templo será reconstruído. 

Que seja brevemente em nossos dias.

 

 Seleções do parashá Midrash Matot

 

Anulação de promessas 

A última parashá terminou com as leis das sacrifícios de Yom Tov, e esta começa com as leis sobre promessas. A justaposição ensina que quem promete oferecer um sacrifício está obrigado a cumprir sua promessa no Yom Tov vindouro, quando visitar o Bet Hamicdash. 

Às vezes achamos que as palavras que dizemos não são importantes. Afinal, não podemos vê-las ou tocá-las, por isso parecem que não deixam marcas.

A Torá nos ensina o contrário. Palavras são importantes, e um judeu deve sempre ser cuidadoso com as palavras que usa. Deveria ser especialmente cauteloso sobre fazer promessas, porque será responsável por cumpri-la. A pessoa jamais deve fazer um juramento descuidadamente. Aquele que os faz sem a devida atenção e mais tarde falha em cumpri-los, é comparado ao indivíduo que pega uma espada para golpear a si mesmo; está propenso a ferir-se.

É uma boa idéia, quando dizemos que cumpriremos uma mitsvá, adicionar as palavras: "bli neder – não é uma promessa." Se alguém declara: "Amanhã pretendo visitar meu amigo doente," ou, "Darei R$ 100,00 para tsedacá," deveria completar: "bli neder" para evitar que torne-se uma promessa.

Se alguém faz um juramento ou promessa e então percepe que será muito difícil cumpri-los, pode dirigir-se a um talmid chacham, perito em halachá (Lei Judaica), ou a três leigos. Eles poderão absolvê-lo, com base em sua declaração que quando fez a promessa, não estava plenamente consciente de todas suas implicações. Se tivesse percebido todas as dificuldades de mantê-la, não teria agido desta forma. Por isso, a promessa foi um erro de sua parte. Explica os detalhes de sua promessa ao juiz (ou juízes) que então determina se as circunstâncias permitem que seja absolvido. Se o juiz encontra um pormenor que o incomode do qual a pessoa não tenha se apercebido quando fez a promessa, pode absolvê-la. 

"Teria feito esta promessa se soubesse que mais tarde se arrependeria?" pergunta-lhe o juiz.

"Não," responde a pessoa que fez a promessa.

"Mutar lecha – você está livre dela", declara o juiz.

Isto se chama em hebraico "Hatarat Nedarim", anulação das promessas.

A Guemará nos dá o seguinte exemplo sobre como anular uma promessa:

Uma história: 

Rav Manna aborrece seu pai

Rav Manna certa vez fez uma promessa: "Nunca beberei o vinho de meu pai."
Quando o pai soube da promessa do filho, ficou aborrecido. Por sua vez, Rav Manna sentiu-se mal por entristecer o pai e arrependeu-se da promessa.

O pai perguntou-lhe: "Se você tivesse pensado que eu ficaria aborrecido por causa de sua promessa, ainda assim a faria?"

"Não.",replicou Rav Manna.

"Neste caso, está livre dela," declarou o pai. Este era um talmid chacham. Por isso, podia liberar o filho da obrigação de cumprir a promessa, porque achou uma boa razão para cancelá-la.

Validade

Antes da idade de bar ou bat-mitsvá, não é preciso ir ao Bet Din se alguém fez uma promessa descuidada da qual se arrepende. Estas promessas não têm validade.
Mesmo assim, é uma boa idéia treinar a criança a não fazer promessas.

Quando podem ser feitas

Há algumas situações em que nossos sábios recomendam que se faça promessas. Por exemplo, se uma pessoa encontra-s em extremo perigo ou desgosto, D’us não o permita, pode prometer dar tsedacá ou cumprir alguma mitsvá na esperança de que D’us a salve. 

Exemplos de pessoas renomadas que fizeram promessas e seus motivos:

Chana – Na época posterior aos juízes, havia uma mulher justa chamada Chana. Não tinha filhos. Sempre que seu marido viajava ao Mishcan em Yerushalayim, ela o acompanhava. Lá, rezava a D’us, implorando-Lhe que lhe desse filhos. 

Quando Chana completou dez anos que estava casada, fez uma promessa a D’us: "Se Tu me deres um filho, não o guardarei para mim mesma, mas ele Te servirá por toda a vida."

Chana teve um menino, a quem chamou de Shemuel. Ela manteve a promessa. Levou Shemuel ao Cohen Gadol no Mishcan, quando ele estava com dois anos de idade e havia acabado de amamentá-lo.

"Eis aqui o filho pelo qual rezei a D’us," disse. "Deixe-o ficar aqui e servi-lo."
Desde então, Chana via seu filho apenas uma vez ao ano quando ia ao Mishcan em Yerushalayim. O menino cresceu e tornou-se o famoso profeta Shemuel, líder de Benê Yisrael.

O Rei David – David não tinha desejo maior que o de construir o Bet Hamicdash para D’us. Fez uma promessa: "Não dormirei mais que o absolutamente necessário até que encontre o lugar apropriado para construir a Casa de D’us."

David cumpriu sua promessa. Quando visitou o profeta Shemuel, estudou com ele os versículos que falam da localização do Bet Hamicdash. Após passar muito tempo estudando, o Rei David concluiu que D’us queria que o Bet Hamicdash fosse construído numa colina na cidade de Jerusalém.

David Hamelech manteve sua promessa. Tinha esperança de que lhe seria permitido construir o Bet Hamicdash. Mas primeiro tinha que livrar a nação judaica dos inimigos ao seu redor. Passou muitos anos envolvido nestas guerras, até que finalmente a paz chegou para os judeus.

"Agora," pensou David, "está na hora de construir o Bet Hamicdash! Como posso viver em um lindo palácio, enquanto a Shechiná de D’us mora numa tenda?"
A arca de D’us ainda estava no Mishcan, uma tenda, assim como havia estado quando Benê Yisrael caminhava pelo deserto.

Naquela noite, D’us enviou um profeta para contar ao Rei David: "D’us não quer que você construa o Bet Hamicdash. Seu filho Salomão o construirá. Você não é a pessoa certa para construir o Bet Hamicdash, porque derramou tanto sangue durante as guerras que travou com seus inimigos."

Isto deixou David preocupado.

"D’us," pediu ele, "sou culpado por ter lutado em tantas guerras?"

"Não tema, David," D’us assegurou-lhe. "Você derramou sangue apenas em nome dos céus. A Meus olhos, suas batalhas valem tanto como se você tivesse feito oferendas no altar." 

"Então, por que não tenho permissão para construir o Bet Hamicdash?" perguntou David.

D’us replicou: "Um Bet Hamicdash construído por você seria tão sagrado que Eu jamais poderia destruí-lo."

"Ótimo," disse David. "Deixe que permaneça para sempre."

D’us explicou: "Sei que no futuro os judeus cometerão pecados. Ou Eu os destruirei, ou destruirei o Bet Hamicdash, deixando-os sobreviver. Se você construir o Bet Hamicdash, jamais poderei destruí-lo. Terei que aniquilar os judeus em vez disso."

O Rei David então entendeu que não poderia realizar seu sonho de construir uma Morada para D’us. Assim mesmo, devotou o resto da vida a conseguir ouro, prata e os outros materiais necessários para a construção do Bet Hamicdash. Seus esforços foram tão grandes que D’us considerou como se ele tivesse de fato o construído!

Outra maneira de cancelar uma promessa

Aprendemos há pouco que somente um talmid chacham ou Bet Din podem cancelar a promessa de alguém se encontrarem para isso uma razão válida.

A Torá nos ensina uma outra maneira de cancelar uma promessa: Se um pai escutar a filha de doze anos, ou doze anos e meio, fazer uma promessa que ele não aprove, pode dizer: "Sua promessa é inválida." Isto cancela a promessa.

Um pai pode anular a promessa da filha apenas até o pôr-do-sol do dia em que ele a ouve. Se esperar além disso, será tarde demais.

Um marido também pode cancelar algumas das promessas de sua esposa. Ele deve também fazê-lo no mesmo dia em que a escutou. Se esperar até depois do pôr-do-sol, ela é obrigada cumprir a promessa.

Benê Yisrael e a guerra contra Midyan

D’us ordenou a Moshê: "Chegou a hora de punir os midianitas que maldosamente enviaram suas filhas para que Benê Yisrael pecasse. Vá à guerra contra eles. Após está batalha chegará o dia de sua morte."

Por que D’us não ordenou uma guerra contra Moav, também? Não foram os moavim que contrataram Bil’am para amaldiçoar os judeus, e suas filhas também não persuadiram os judeus a pecar?

Há duas razões pelas quais D’us não ordenou uma guerra contra Moav:

1. Os Moavim tinham um motivo para tentarem prejudicar os judeus. Tinham medo que Benê Yisrael roubasse suas riquezas e os expulssassem de seu país. Os midianitas, entretanto, sabiam que Benê Yisrael não viajaria através do país deles. Não estavam em perigo. Fizeram o mal a Benê Yisrael apenas porque os odiavam, sem motivo.

2. D’us previu que certo dia uma tsadeket, mulher sábia, chamada Ruth nasceria em Moav. Ela se tornaria judia e seria a ancestral do Rei David. Por causa dela, D’us ordenou a Moshê que não prejudicasse os moavim.

Moshê tinha ouvido claramente de D’us que morreria tão logo a batalha terminasse. Mesmo assim, começou imediatamente a preparar-se para a guerra.

D’us ordenou: "Não envie o exército inteiro! Apenas 12.000 soldados, mil de cada tribo, deverão atacar Midyan."

Os midianitas eram muito fortes. Por que D’us queria apenas um pequeno exército? Não teria sido melhor enviar centenas de milhares de soldados judeus para combatê-los?

D’us não permitiu que um judeu previamente associado às filhas de Midyan fosse para a guerra. Apenas aqueles que fossem perfeitos tsadikim estavam aptos a lutarem contra os medianitas. 

Quando Moshê tentou convocar os soldados ao dever, eles se recusaram a cooperar. Todos os soldados protestaram: "Não quero tomar parte nesta guerra! D’us disse que você morrerá logo depois. Por que deveria ajudar a trazer e apressar sua morte?!"

Todo o Povo de Israel amava Moshê (mesmo aqueles que freqüentemente discutiam com ele). Moshê não sabia o que fazer. D’us ordenou: "Faça um sorteio. Qualquer soldado cujo nome seja sorteado, deve ir para a guerra."

Contra a vontade, os soldados se alinharam para a guerra. Geralmente, os líderes das tribos marchavam à frente de sua própria tribo. Nesta guerra, entretanto, Moshê não chamou os nesi’im para tomar parte. Não queria constranger a tribo de Shimon.
Pois seu nassi, Zimri, estava morto. Moshê chamou Pinechas, o filho de El’lazar, e disse-lhe: "Você será o cohen mashuach milchama (o cohen ungido para a guerra) quando lutarmos contra Midyan. Você deu início à mitsvá de kidush D’us 
(santificação do Nome de D’us) por matar Zimri. Agora, complete a mitsvá vingando-se dos midianitas."

Como sempre, antes da batalha começar, os cohanim tocaram as duas trombetas de prata para Moshê.

A guerra

Moshê ordenou a Pinechas: "Quando for para a guerra, leve a arca onde estão colocados os luchot quebrados. [Benê Yisrael possuiam duas arcas: uma continha as tábuas e permanecia no Mishcan. A segunda guardava as tábuas quebradas e era levada para as guerras]. Pegue também o tsits, a faixa sagrada do cohen gadol."

Quando o exército dos judeus aproximou-se de Midyan, os soldados viram um mensageiro se aproximando deles. Era ninguém menos que Bil’am, o mágico.

O malvado soubera que seu conselho perverso tinha causado uma peste entre o povo de Israel. Estava indo a Midyan para exigir de Balac que o pagasse, por ter ocasionado a morte de 24.000 judeus.

Quando Bil’am ouviu que Benê Yisrael estava avançando para Midyan, correu em sua direção para desencorajá-los de atacar.

"Acreditam realmente que seu pequeno exército de 12.000 soldados tem alguma chance de derrotar o forte exército midianita?" zombou ele. "Nem tentem, pois serão todos mortos!"

Os soldados judeus continuaram marchando, indiferentes à zombaria de Bil’am.
Pinchas e os generais deram o sinal de atacar. Bil’am percebeu que estava em perigo.

O fim de Bil’am

Antes que qualquer soldado judeu pudesse pegá-lo, Bil’am ergueu os braços. Com seus poderes de tum’á, transportou-se pelo ar, alto demais para que uma flecha pudesse atingi-lo. 

Quando percebeu que os cinco príncipes midianitas também estavam em perigo, rapidamente ensinou-os a voar através de magia. Todos levantaram vôo.
Pinechas viu como Bil’am voava mais e mais alto. Gritou para os soldados: "Algum de vocês pode voar atrás dele e apanhá-lo?"

Um homem da tribo de Dan, Tzelaya, elevou-se voando, e apanhou Bil’am.

Tão logo Bil’am percebeu que estava sendo perseguido, mudou de direção. Acelerou para cima como uma flecha, desaparecendo da vista. Tzelaya ficou desapontado, pois era incapaz de segui-lo.

Agora o próprio Pinechas resolveu agir. Localizou Bil’am e seguiu-o. Pinechas virou o tsits na direção de Bil’am. Isto fez com que Bil’am caísse; a santidade do tsits era maior que os poderes mágicos de Bil’am.

Pinchas prendeu Bil’am e levou-o a Moshê no Bet Din. Foi condenado à morte.
O corpo de Bil’am não foi enterrado. Apodreceu e transformou-se em serpentes venenosas. D’us o puniu mesmo após a morte, por suas más ações.

Pinechas também trouxe para baixo os cinco príncipes de Midyan, levantando o tsits em sua direção. Foram mortos por soldados judeus. Os judeus mataram os homens midianitas e fizeram prisioneiras as mulheres e crianças.

Nem um único judeu pereceu na guerra. Era verdadeiramente um milagre, pois o inimigo era mais numeroso e muito mais forte. D’us tinha protegido cada soldado judeu, porque cada um deles era um tsadic.

O retorno do exército e as leis de kehilim

Os soldados judeus voltaram com uma grande quantidade de despojos – ouro, prata, recipientes, roupas e animais. Levaram as mulheres e crianças medianitas ao acampamento judaico, como prisioneiros.

Moshê, que se aproximara com Elazar para encontrar o exército, viu os prisioneiros e ficou irado.

Repreendeu os generais: "Como puderam deixar estas mulheres vivas? Elas incitaram os judeus a pecar e provocaram uma peste que matou 24.000 judeus!"
Moshê ordenou que as mulheres midianitas fossem assassinadas.

Os soldados que voltavam da batalha haviam tocado nos corpos dos mortos. Por isso, estavam impuros. Receberam a ordem: "Não entrem no pátio do Mishcan (o acampamento da Shechiná) por sete dias. Nesse ínterim, purifiquem-se com água misturada às cinzas de uma vaca vermelha."

Hag’alat kelim 

Entre os despojos dos midianitas havia panelas, potes e outros tipos de vasilhas. Haviam sido usados pelos midianitas para comida não-casher. Como os judeus poderiam usá-los?

O filho de Aharon, El’azar, ensinou o povo as leis aplicadas à estas vasilhas. 
El’azar ensinou: "Se um judeu quiser usar uma vasilha que foi utilizada previamente para comida quente e não-casher, deve primeiro casherizá-la." É possível casherizar vasilhas feitas de todos os tipos de metal (prata, ouro, cobre e assim por diante), mas não louça. Se vasilhas de louça foram usadas para comida quente e não-casher, um judeu jamais poderá usá-la.

Como se "casheriza" um utensílio?

Primeiro, deve ser completamente lavada, até que esteja livre de toda sujeira. É colocada então num caldeirão com água fervente. Imergir a vasilha em água fervente a casheriza. Entretanto, se for um objeto usado diretamente sobre o fogo, como uma grelha ou espeto para assar carne, deve ser colocada no fogo para tornar-se casher.

Tevilá 

El’azar ensinou também:

"Todas as panelas de metal, travessas, xícaras, copos ou talheres que foram fabricados por um não-judeu ou comprados dele, devem ser mergulhados num micvê. Isto faz com que o utensílio mude de um estado original para um de kedushá (santidade)."

Nossos sábios decretam que vasilhas de vidro também necessitam de imersão num micvê. Por isso, sempre que comprarmos utensílios, devemos mergulhá-los num micvê antes de usá-los.

Os despojos de guerra são divididos

Os soldados, após a guerra, deram uma porção aos cohanim, e Benê Yisrael aos levitas. Por isso, D’us ordenou a Moshê: "Divida os despojos entre os soldados e o restante de Benê Yisrael."

Tanto os soldados como Benê Yisrael mais tarde deram uma parte de sua cota aos cohanim e aos levitas.

A terra e as tribos de Gad e Reuven 

Benê Yisrael possuía terra a leste do Rio Jordão, após conquistar os poderosos reinos de Sichon e Og. As tribos de Gad e Reuven possuíam grandes rebanhos de ovelhas. Estas tribos enviaram mensagens a Moshê, solicitando: "Por favor, deixe-nos assentar aqui, à margem leste do Rio Jordão, em vez de cruzá-lo até Erets Yisrael. Os campos aqui são largos e abertos. Serão excelentes para pastagens de ovelhas.

"Moshê, sabemos que não nos levará até Erets Yisrael. Você morrerá do lado leste do Rio Jordão. Deixe-nos ficar aqui, também."

Ouvindo este pedido, Moshê sentiu-se infeliz. Respondeu: "Vocês são duas tribos fortes. Se ficarem a leste do Rio Jordão, Benê Yisrael pensará que vocês estão temerosos de lutar com os canaanitas. Isto os desencorajará de conquistar o país. Podem também pensar que Erets Yisrael não é especial se vocês não desejam um pedaço da terra. Estão repetindo o pecado dos espiões! Como eles, estão desencorajando benê Yisrael de conquistaar Erets Yisrael!"

Os emissários de Gad e Reuven responderam: "Não permaneceremos aqui enquanto Benê Yisrael luta com os canaanitas. Deixe-nos construir abrigos para nossos rebanhos e cidades para nossas famílias. Deixaremos nossas mulheres e crianças neste lado do Jordão enquanto nós – os homens – marcharemos com vocês até Erets Yisrael para lutar. Estamos preparados para marchar à frente do exército. Permaneceremos não apenas até que a guerra tenha fim, mas até que a terra seja dividida entre Benê Yisrael."

Quando Moshê ouviu estas palavras, concordou. Disse-lhes: "Construa cidades para suas famílias e abrigos para os rebanhos a leste do Rio Jordão."

Moshê primeiro mencionou as cidades para o povo e somente então, os animais. Benê Gad e Benê Reuven tinham posto o gado em primeiro lugar. Moshê insinuou a eles que estavam pensando mais sobre o rebanho que sobre os seres humanos.

Moshê continuou: "Se vocês mantiverem sua palavra e ajudar Benê Yisrael a lutar até que a conquista seja efetuada, receberão suas porções a leste do Rio Jordão. Mas se quebrarem sua promessa, não receberão nenhuma terra a leste do Jordão.

Não temam perder, ao ajudar Benê Yisrael. Serão mais rico do que se tivessem permanecido a leste do Jordão durante a conquista de Erets Canaã."

Quando Moshê concedeu o território a Gad e Reuven, percebeu que era grande demais apenas para as duas tribos. Por isso procurou outra tribo para morar com eles. Escolheu metade da tribo de Menashê.

Por quê? 

Dessa maneira, D’us acertou com Menashê um antigo débito.

Menashê, filho de Yossef, (e fundador da tribo que leva seu nome) fez com que os seus tios (e fundadores das demais tribos) rasgassem suas vestes. 

No livro de Bereshit, na parashá de Mikets, a Torá nos relata como Menashê, incógnito, e a mando de seu pai, perseguiu as tribos para exigir de volta a taça de Yossef, então o vice-rei do Egito, supostamente "roubada" por eles. Desesperados por serem acusados falsamente pelo roubo, rasgaram suas vestes. Portanto, a porção da tribo de Menashê na Terra Santa foi dividida. Metade de sua herança estava em Erets Yisrael e a outra metade na margem leste do Jordão. 

As tribos de Gad e Reuven estavam certas ao requisitar terra a leste do Rio Jordão?
Quando as duas tribos requisitaram terra a leste do Jordão, cometeram um erro. Pensaram que não haveria pasto suficiente para seu rebanho em Erets Yisrael. Isso não era verdade. D’us criou Erets Yisrael de forma tal que fosse grande o suficiente para o povo judeu e seus pertences. Poderia ter "esticado" Erets Yisrael para incluir estas duas tribos e seus rebanhos.

Gad e Reuven abriram mão de viver em um país de kedushá (Santidade). O lado leste do Jordão não possui o mesmo nível de santidade que Erets Yisrael. A Shechiná não repousa lá, e o Bet Hamicdash não pode ser construído naquele local.

Estas tribos se separaram do restante de Benê Yisrael. No outro lado do Jordão, havia o perigo de que abandonassem a Torá e imitassem as nações que os rodeavam. De fato, a tribo de Menashe percebeu isso.

As duas tribos e meia mantiveram sua palavra. Eles e seus descendentes seguiram a Torá. Para os dias santificados, viajavam ao Bet Hamicdash em Jerusalém. Entretanto, como viviam tão afastados do restante de Benê Yisrael, seu cumprimento da Torá tornou-se mais fraco que o da maioria dos judeus vivendo em Erets Yisrael. Quando mais tarde a nação judaica pecou e foi levada ao exílio, estas tribos foram exiladas em primeiro lugar.

Dos fatos sucedidos às duas tribos e meia, aprendemos como é importante associar-se com judeus verdadeiramente cumpridores de Torá. 

Todos nós somos influenciados pelos que nos cercam. Se estivermos próximos a judeus que são Benê Torá, nos fortalecemos e crescemos em nossa observância da Torá.

Comentário

Promessas

No começo dessa Porção lemos sobre as leis de votos e promessas, e como anulá-los quando impossibilitados de serem cumpridos. Nossos sábios ressaltam que é melhor não fazer votos para que não seja necessário cancelá-los, mesmo por motivo justo ou por força maior.

Na segunda parte desta Porção lemos como as tribos de Reuven, Gad, e metade de Menashê prometeram a Moshê ser a vanguarda do exército judaico que avançava para a Terra Prometida. Este voto foi considerado satisfatório.

Por que no primeiro caso, o voto pode ser anulado, e o das tribos foi aceito por Moshê como um pacto de compromisso? Por que não deviam os votos ser efetivamente usados para incentivar as práticas de um indivíduo indeciso?

Há uma diferença fundamental entre os dois tipos de promessa. A primeira é individual. Uma pessoa não deveria confiar na muleta de um voto para mantê-la de pé. Há sempre a possibilidade de que transgrida o voto que fez. Deveria cultivar um estilo de vida produtivo e livre de armadilhas.

Por outro lado, o progresso de uma nação depende dos compromissos para o futuro. Uma nação está em movimento quando tem consciência de um destino pela frente. Todos os grandes momentos da nossa história foram projeções para o futuro. Por esse motivo, este tipo de voto foi aceito.

História chassídica  relacionada à parashá Matot

Versículo 32:22

"Você deve ser puro perante D’us, e perante Israel "

A audiência
Rabi Z. M. Steinmetz (o poeta hebraico Zvi Yair) relatou:

Uma crise familiar ocorreu e fui envolvido por.primos que moravam na América do Sul. A filha deles havia conhecido um homem e se apaixonado por ele, e os dois desejavam casar-se. Mas os parentes da jovem opunham-se à união, pois o pretendente não levava uma vida observante de Torá. Embora o rapaz declarasse sua vontade de começar a seguir as leis e costumes da Torá, toda a família era contra a escolha da moça, declarando que seu envolvimento para o resto de sua vida comprometeria todos seus ideais de vida judaica.

Esta sofria pelo fato de que todos aqueles a quem amava houvessem cerrado fileiras contra ela. Sentia que o mundo inteiro estava conspirando para privá-la de sua felicidade. A situação continuou a piorar. Finalmente, fizeram um acordo: o caso seria levado ao Lubavitcher Rebe. 
Embora a família não estivesse entre os chassidim do Rebe, tanto a jovem como seus pais o admiravam e confiavam muito em sua opinião. Ambas as partes concordaram em seguir seus conselhos. Como eu era o ‘Lubavitcher’ da família, pediram-me que acompanhasse a jovem a uma audiência com o Rebe.

Naquela época, o Rebe recebia as pessoas três vezes por semana, começando no final da noite e se estendendo pela madrugada. Freqüentemente, o visitante partia ao raiar do dia.

Entramos na sala do Rebe às 3 horas da madrugada. Primeiro, o Rebe e a jovem fizeram uma breve pesquisa quanto ao idioma que usariam: tentaram yídiche, hebraico, inglês e francês, e finalmente concordaram em usar o alemão. Podia-se sentir a frustração na voz da moça enquanto contava sua história: ‘Não entendo o que querem de mim," disse ela. "Meu amigo prometeu levar uma verdadeira vida de Torá. Sei que ele é sincero. Por que todos estão contra nós?"

"Talvez ele seja sincero," disse o Rebe, "mas de que vale sua declaração se ele não sabe o compromisso que está assumindo? Você sabe, segundo a lei, um cheque assinado em branco não tem valor algum, mesmo se o portador o preencher com um único centavo – não se pode obrigar a pessoa a pagar sem saber no quê consiste a obrigação. Viver a vida segundo os preceitos da Torá é um desafio muito difícil para qualquer um, porém é ainda mais difícil para alguém que não foi criado desta forma."

"Mas ele está disposto a aprender," disse a jovem. 

"Aprender apenas não é o suficiente," replicou o Rebe. "A pessoa pode estudar e aceitar a Torá com a melhor das intenções, mas aplicá-la na vida cotidiana é outra história. Eis minha sugestão: deixe seu amigo morar com uma família observante de Torá por vários meses. Deixe-o estudar, mas deixe-o também sentir em primeira mão o que tal comprometimento envolve no dia-a-dia, desde a prece Modê Ani quando se abre os olhos pela manhã, até a leitura do Shemá antes de dormir. Se ele ainda declarar seu desejo de levar uma verdadeira vida de Torá, de todo o coração darei minha bênção à sua vida juntos."

A moça saiu do escritório do Rebe com o coração mais leve, e eu permaneci para discutir alguns assuntos pessoais com ele. Mas o Rebe logo mandou-me chamá-la de volta, explicando: "Não desejo que ela pense que estamos falando dela pelas costas."

Eram três horas da manhã, e o Rebe havia visto dezenas de pessoas no transcorrer da noite. Mesmo assim, estava sintonizado com os sentimentos da moça o bastante para discernir como ela deveria estar se sentindo abandonada e afastada, e entender sua noção de ‘uma conspiração’ contra ela. Portanto, embora o assunto tivesse sido resolvido de forma a satisfazê-la, e embora ela de qualquer forma não pudesse entender o yídiche que ele falava comigo, ele recusou-se a conversar comigo sem que ela estivesse presente na sala.

Versículo 31: 1-3

"D’us disse a Moshê: ‘Vinga os filhos de Israel dos Midianitas…’

E Moshê falou ao povo, dizendo: "Armai-vos, alguns de vós, para um exército, e estes que saiam contra Midian, para fazer a vingança do Eterno contra Midian." 

O Todo Poderoso vê a guerra sobre Midian como a vingança da honra de Seu povo, mas Moshê e o povo judeu estão preocupados apenas com a honra de D’us.

Uma questão de oportunidade

O velho cantor em Chernigov passou a seu descanso eterno, e o rabi da cidade, Rabi Nachum, precisava designar outro para substituí-lo. 

Um candidato promissor foi arranjado, mas Reb Nachum hesitou, explicando:

"O finado cantor era um homem devoto, que chorava ao liderar as preces. Este camarada também chora, mas a diferença entre eles está no senso de oportunidade: o velho cantor derramava lágrimas quando proclamava: ‘Eu [D’us] sou o primeiro, e Eu sou o último, e além de mim, não há deuses.’ Mas este aqui fica mais tocado por ‘o homem veio do pó e ao pó retornará…’"

 

Fonte: http://www.chabad.org.br/

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