Leitura da Torá: Porção Semanal: Parashá Pinechas (11/07)

 
 

 
Bamidbar 25:10 – 30:1
(Números 25:10 – 30:1)
 

A Parashá Pinechas começa com D’us concedendo sua bênção de paz e sacerdócio a Pinechas, o neto de Aharon, por assassinar um príncipe da tribo de Shimeon e uma princesa medianita enquanto estavam envolvidos em um ato licencioso em público (ao final da Porção da Torá da semana passada).

A reação zelosa de Pinechas salva o povo judeu de uma peste que havia irrompido no campo. D’us ordena a Moshê e Eleazar (filho e sucessor de Aharon como Sumo sacerdote) a conduzir um novo recenseamento de toda a nação, o primeiro feito em quase trinta e nove anos.

A Torá então relata a reivindicação feita pelas cinco filhas de Tslofchad por uma parte da herança na terra de Israel, pois não tinham irmãos e o pai morrera no deserto. D’us concorda, e pelo mérito destas mulheres justas muitas das leis sobre herança são ensinadas. Depois que D’us mostra a terra de Israel do topo de uma montanha, Moshê recebe ordens de transmitir seu manto de liderança a Yeoshua, colocando a mão sobre sua cabeça, pois Moshê não entraria no país.

A porção da Torá conclui com uma completa descrição dos corbanot, sacrifícios, especiais a serem ofertados nos vários dias festivos durante o ano, acima e além do sacrifício (corban tamid) que é trazido toda manhã e tarde. Estas seções são também lidas na Torá por todo o ano, nos dias festivos apropriados.

Mensagem da Parashá

Ao final da Porção da Torá da semana passada, aprendemos sobre as mulheres medianitas que tentaram seduzir os homens judeus a adorar Ba’al Peor, um abominável ídolo pagão. A estratégia para seduzir os homens surtiu efeito e já provocara a morte de 24.000 pessoas por uma peste divinamente enviada. A história tem seu clímax quando Zimri, um príncipe da tribo de Shimeon, é flagrado tendo relações pecaminosas com Kazbi, uma princesa Medianita, bem no meio do acampamento israelita. Pinechas, o neto de Aharon, reage tomando de uma lança e golpeando os dois parceiros pecadores, pondo um fim à praga.

E assim iniciamos a porção desta semana da Torá, que recebe o nome de Pinechas por seu ato destemido. Aqui lemos sobre a recompensa de D’us a Pinechas – uma bênção de paz e eterno sacerdócio. Estranhamente, embora esta discussão ocupe apenas parte de uma curta seção da Porção da Torá, mesmo assim a porção inteira recebe o nome de Pinechas. Não somente isso, se a porção da Torá tem de receber o nome de uma pessoa, aparentemente faz mais sentido incluir todo o episódio de Pinechas – de seu ato heróico até a recompensa de D’us – tudo em uma porção. Por que seu ato corajoso foi discutido na semana passada na Parashá Balac e sua recompensa descrita esta semana na Parashá Pinechas?

Talvez, a divisão da Torá do episódio em duas porções seja uma tentativa de ensinar-nos uma lição. Pinechas matou Zimri por uma razão e apenas por uma razão – ele sabia que era a coisa certa a fazer. Alguém tinha que tomar uma atitude e impedir que as mulheres medianitas causassem a morte de toda a nação judaica. A ação de Pinechas foi motivada no mais alto nível. Pinechas não agiu por auto-gratificação. Não o fez porque desejava que uma Porção da Torá recebesse seu nome. Ele o fez apenas pela santificação do nome de D’us e Seu povo. Ao separar a ação de Pinechas de sua recompensa, a Torá está nos ensinando que Pinechas não previu, ou mesmo se preocupou, em receber uma recompensa de D’us. Sua ação foi realizada por si, por seu próprio mérito.

Quantas vezes achamo-nos fazendo algo não porque é a coisa certa a se fazer, mas porque desejamos receber algum tipo de recompensa? Quantas vezes fazemos algo apenas para destacar nosso ego? O que a Torá está nos ensinando através de Pinechas é que devemos tentar fazer as coisas com mais empenho e simplesmente porque sabemos que isso é o certo. Nossa recompensa virá na hora certa. Não devemos fazer boas ações apenas para ver nosso nome brilhar.

Seleções do Midrash Pinechas

D’us recompensa Pinechas

Será que os judeus apreciaram a coragem de Pinechas quando matou Zimri, por este haver trazido uma mulher midyanita ao acampamento? Será que ficaram admirados com seu heroísmo?

Ao contrário, maldosos rumores sobre Pinechas começaram a se espalhar por todo o acampamento.

Os mais contrariados eram os membros da tribo de Zimri, a tribo de Shimon. Afinal, Pinechas havia assassinado seu líder!

"Quem deu a Pinechas o direito de matar um líder do povo judeu? Quem ele pensa que é para cometer tal ato?" Os companheiros da tribo de Zimri reclamaram ao restante dos judeus.

"A mãe de Pinechas descende de Yitrô. Yitrô costumava ser um sacerdote de ídolos antes de tornar-se judeu! Onde Pinechas arrumou a coragem para matar um chefe de uma tribo?"

Pinechas foi desprezado por causa de sua origem humilde, e D’us defendeu sua honra:

D’us ordenou a Moshê que anunciasse em Seu nome: "Se Pinechas não tivesse matado Zimri, Eu teria destruído todos judeus! Foi Pinechas que salvou o povo da destruição."

"É verdade que ele é descendente de Yitrô pelo lado materno. Porém, ao mesmo tempo, seu pai é Elazar filho de Aharon. Pinechas é um neto digno de Aharon! Assim como certa vez Aharon impediu a peste de se espalhar quando ofereceu incenso, assim Pinechas impediu a peste de aniquilar os judeus."

"Pinechas é um tsadic, filho de tsadic. Ele é um valoroso descendente de seu avô Aharon, e do fundador de sua tribo, Levi. Seu antepassado Levi arrasou a cidade de Shechem porque era um zelote da imoralidade. Pinechas agiu da mesma maneira. Seu ato inspirou-se pelos mesmos motivos nobres que inspiraram as ações de seu pai Elazar, e as de seu avô Aharon."

Aharon destacou-se na realização de atos de bondade e em estabelecer a paz. Aharon jamais proferiu uma palavra áspera. Mesmo sua censura era gentil. Superficialmente, pareceria que Pinechas agira de maneira diametralmente oposta à filosofia de seu avô, pois certamente assassinato é algo indiscutivelmente cruel de se fazer. Portanto, D’us explicou que Pinechas na verdade realizou um ato de bondade, parecido com os atos misericordiosos de seu avô Aharon. Ao matar Zimri, resgatou o povo inteiro da morte através das mãos celestiais, pois eram todos culpados por tolerarem o mal em seu meio. Daqui, que o ato de Pinechas beneficiou o povo inteiro.

D’us continuou: "Pinechas merece uma grande recompensa. Não pensou em sua própria segurança ao matar Zimri, o líder, e Cozbi, a princesa midyanita, porque seu único objetivo era em pôr um fim a profanação do nome de D’us.

"Recompensá-lo-ei neste mundo e no Mundo Vindouro. Até agora, Pinechas foi apenas um levi. Tornar-se-á um cohen a partir de hoje."

Antes de matar Zimri, Pinechas não era cohen, apesar de ser neto de Aharon. D’us nomeou como cohen apenas Aharon, seus filhos e futuros descendentes. Os netos de Aharon nascidos antes da unção dos cohanim não estavam incluídos. Agora, Pinechas tornava-se cohen por seu próprio mérito.

D’us completou: "Muitos Sumo-sacerdotes originar-se-ão de Pinechas."

A promessa de D’us tornou-se realidade. Na época do Primeiro Templo, dezoito Sumo-sacerdotes descendiam de Pinechas, e na época do Segundo, oitenta.

D’us também prometeu: "Pinechas terá uma vida muito longa." De fato, sabemos que Pinechas ainda vivia na época dos Juízes, quase quatrocentos anos após os judeus entrarem em Israel!

Nossos sábios explicam que a promessa de D’us significava: "Pinechas jamais morrerá." Pinechas transformou-se num anjo e viveu para sempre. Conforme os ensinamentos da Cabalá, Pinechas e Eliyahu o Profeta são a mesma pessoa. Eliyahu não morreu. Foi levado vivo para os céus.

Em sua morte, Eliyahu não despiu-se completamente de seu corpo físico, todavia reteve alguns atributos físicos de forma sublimada, a fim de poder visitar esta terra de tempos em tempos.

D’us proclamou: "Mais que isso, porque Pinechas trouxe paz entre os judeus e seu Pai no Céu, ele estabelecerá a paz no futuro. Aparecerá como o profeta Eliyahu, de quem está escrito (Malachi 3:23): "E ele transformará os corações dos pais através dos filhos, e os dos filhos através dos pais."

Sua recompensa foi moeda por moeda. A ira Celestial acendeu-se contra os judeus ao ponto de aniquilá-los. Ao atenuar a ira do Todo Poderoso, Pinechas assegurou a sobrevivência do povo judeu. Por conseguinte, ele mesmo sobreviveu para sempre.

A Torá especifica a ascendência de Pinechas, para enfatizar que este seguiu seus passos. Também menciona a ancestralidade de Zimri e Cozbi. Por quê?

O elevado status de líder de Zimri é citado para tornar público que ele trouxe vergonha eterna sobre si e sua tribo. Apesar do fundador de sua tribo, Shimon, destruir zelosamente a cidade de Shechem pelo crime de imoralidade, Zimri afastou-se das nobres sendas de Shimon, agindo, em realidade, de maneira oposta.

O grau de princesa de Cozbi é motivo para vergonha e desgraça eternas. Seu pai, o maior dos reis midyanitas, ofereceu sua filha à prostituição.

Diz-se em louvor a Pinechas que ele não deteve-se de matar Zimri e Cozbi por causa de seus status elevados.

D’us instruiu Moshê a atacar Midyan

Imediatamente depois da praga que abateu os judeus que pecaram com as filhas de Midyan, D’us deu a Moshê instruções concernentes a guerra contra Midyan, dizendo:

"Os midyanitas estão furiosos porque a princesa Cozbi foi morta. Estão tramando perversas vinganças. Uma vez que planejam trazer mais destruição sobre você, levante-se e ataque-os, a fim de protegerem-se."

Esta guerra será regida por leis extraordinárias:

1. Não lhes dê opção de fazerem paz. Apesar de outras nações não poderem ser atacadas sem aviso prévio, ataque os midyanitas imediatamente.

2. Ao sitiar suas cidades, destrua as árvores frutíferas.

A Torá proíbe os judeus de cortarem as árvores frutíferas dos inimigos, ao sitiarem uma cidade (Devarim 20:19). Os territórios pertencentes a Midyan são exceções.

3. No tocante a Midyan, D’us fez outra exceção às regras de combate, dizendo: "Na Torá, Eu ordenei que vocês sitiem uma cidade apenas de três lados, deixando o quarto para escapar. Na guerra contra Midyan, contudo, seus exércitos devem sitiar as cidades completamente."

Por que a Torá ordenou leis excepcionais para Midyan?

Enquanto outras nações aspiravam exterminar os judeus fisicamente, essa nação tentou destruir a alma judaica seduzindo o povo a pecar.

Induzir outros a pecar é um crime pior que assassinato. Um assassino priva outrem de vida física. Aquele que leva outros a pecar, contudo, priva-os da vida no Mundo Vindouro.

A Torá proíbe o casamento com homens descendentes de convertidos de Amon e Moav, enquanto permite o casamento com descendentes de egípcios e edomitas convertidos. Os últimos ameaçaram os judeus apenas com a espada, enquanto os anteriores colocaram em perigo nossa existência espiritual, um crime muito mais sério.

Apesar de D’us ter declarado estado de guerra contra Midyan imediatamente depois da morte de Zimri, Ele não ordenou a mobilização do exército judeu até que os judeus tivessem sido contados.

D’us advertiu Moshê para que não participasse da batalha contra Midyan. "Este país outrora já te acolheu," disse-lhe, "Não atire pedras num poço do qual bebeu."

D’us não declarou guerra contra Moav, apesar de também serem culpados (por terem contratado Bilam e incitado os judeus a pecarem).

D’us poupou-os agora porque:

1. Os moabitas tentaram exterminar os judeus pois temiam que os judeus os roubassem, enquanto que os midyanitas não tinham razões para prejudicarem os judeus.

2. D’us poupou-os em prol de uma preciosa alma, Ruth, que viria a descender dos moabitas.

A última contagem dos judeus no deserto

Conforme explicamos na Parashá Bamidbar, o povo judeu foi contado um mês após a consagração do Santuário. Agora, quase quarenta anos depois, D’us novamente ordenou a Moshê: "Conte o povo de Israel!"

Quais eram Suas razões para este censo?

1. Este censo aconteceu pouco antes do falecimento de Moshê.

Um fazendeiro contratou um pastor para cuidar de seu rebanho. Contou suas reses ao confiá-las ao pastor, e contou-as novamente antes de serem devolvidas.

Similarmente, Moshê foi encarregado de cuidar dos judeus no deserto, espiritual e fisicamente, exatamente como um pastor guarda os rebanhos.

Ao contar os judeus antes de seu falecimento, Moshê demonstrou a todas as futuras gerações que ele não falhou em sua tarefa. Deixou seiscentos mil homens, todos fiéis a D’us e Sua Torá.

2. D’us conta os judeus depois de cada praga.

Um rebanho de ovelhas foi certa vez atacado por um lobo. A fera conseguiu matar inúmeras ovelhas. Após livrar-se do lobo, o pastor queria saber quantas ovelhas haviam restado, porque eram-lhe tão caras. Assim, contou-as.

Da mesma forma, "lobos" como os perversos Bilam e Balac fizeram o povo judeu pecar. Por causa disso, muitos judeus acabaram morrendo.

Agora D’us desejava estabelecer quantos judeus sobreviveram à peste. Estes judeus estavam livres do pecado, por isso eram preciosos para D’us. Foram, então, contados.

3. Os judeus estavam quase na fronteira de Israel. Logo a terra seria dividida entre eles. A contagem era necessária para saber quantas pessoas receberiam um pedaço de terra. As porções foram distribuídas apenas aos que atingiram a idade de vinte anos na época deste censo.

D’us ordenou a Moshê e Elazar, o filho de Aharon, para efetuarem a contagem. Todos os homens entre as idades de vinte e sessenta anos foram contados, cada um entregando uma moeda de meio-shekel. Os levitas foram contados separadamente; a partir de um mês de idade.

O que ficou demonstrado pela contagem

Elazar somou os números de cada tribo. O total foi de 601.730 homens. Este número foi um pouco mais baixo que o da Parashá Bamidbar.

A tribo Shimon totalizou 59.300 homens na contagem de Bamidbar. Agora restavam apenas 22.000. Muitos membros de Shimon morreram na peste após o pecado de Zimri. D’us os punira por terem servido ao ídolo Báal Peor.

A tribo que mais crescera era Menashê, e os levitas ainda eram poucos. Apenas mil homens a mais que na primeira contagem.

Apesar de serem contados apenas os homens, uma mulher é mencionada pelo nome na lista da família da tribo de Asher: "O nome da filha de Asher era Serach."

Esta mulher é citada por causa de sua integridade e bons atos. Serach mereceu entrar em Israel e lá viveu por muitos anos.

Como a terra foi distribuída

D’us ordenou a Moshê: "A Terra de Israel deverá ser dividida em doze porções, cujo tamanho é determinado de acordo com seu valor. Uma porção pequena e fértil equivale a uma porção maior, porém menos produtiva.

"As tribos de Menashê e Efrayim receberão duas porções. (A tribo de Levi, contudo, não receberá nenhuma.)

"Dê mais terra às tribos que são mais populosas, e menos às que são em número menor.

"Não obstante," acrescentou D’us, "o sorteio Divino também funcionará para a indicação dos lotes."

O sorteio decidia que região cabia a qual tribo, e a locação exata de cada família numa determinada tribo. O líder de cada tribo era responsável pela distribuição de terras de sua tribo.

Na época de Yehoshua, quando a Terra foi realmente dividida, o procedimento deu-se como se segue:

Yehoshua e o Sumo-sacerdote, Elazar, reuniam o povo.

O espírito de profecia pairava sobre Elazar, e este declarava profeticamente que território caberia a qual tribo. Ele proclamava, por exemplo: "A tribo de Zevulun receberá a área de Aco."

Em seguida, Yehoshua realizava um sorteio. À sua frente havia duas urnas, uma contendo inscrições dos nomes de cada uma das doze tribos; e a outra, com inscrições das doze porções. Com uma mão, Yehoshua puxava um cédula da primeira urna, e com a outra, uma cédula da segunda urna. Miraculosamente, a tribo e sua devida porção sempre correspondiam ao que Elazar predissera. Além disso, D’us investiu a própria porção com o poder da fala. Essa gritava: "Estou destinada a ser a porção de tal tribo."

Ao testemunharem esses milagres, as tribos percebiam e se conscientizavam de que as porções eram determinadas por Vontade Divina, e aceitavam seus territórios sem reclamações.

As filhas de Tselofchad pedem seu quinhão da Terra

Um homem chamado Tselofchad faleceu no deserto, deixando cinco filhas: Machla, Chagla, Noa, Milca e Tirtsa. Todas as cinco eram virtuosas, inteligentes e estudadas. À época do falecimento de Aharon, depois do qual ocorreram os acontecimentos relatados, tinham quase quarenta anos e eram solteiras, uma vez que não conseguiram encontrar maridos valorosos.

Ao ouvirem Moshê explicar que a Terra de Israel seria distribuída de acordo com o número de varões, discutiram o assunto entre si.

"O nome de nosso pai será esquecido," disseram umas às outras, "porque nenhum herdeiro homem receberá uma porção em Israel que esteja associado a seu nome. Uma vez que não temos irmãos, reivindiquemos a porção da Terra de nosso pai, de maneira que seu nome seja perpetuado."

Aproximaram-se dos juízes responsáveis pelas dezenas e apresentaram a reivindicação. Sendo esta uma questão legal sem precedentes, os juízes não puderam decidir. Levaram a questão das filhas de Tselofchad aos juízes responsáveis por cinqüenta pessoas.

"Deixaremos a decisão aos maiores que nós," disseram também estas autoridades mais elevadas. As filhas de Tselofchad, então, aproximaram-se dos juízes centuriões; porém, de lá, foram enviadas aos juízes responsáveis sobre os milhares. Nenhum juiz sentia-se competente para decidir o assunto.

Uma das irmãs visitava a Casa de Estudos todos os dias para ouvir os ensinamentos de Moshê. Certo dia, disse às irmãs: "Hoje Moshê ensinou as leis de yibum (levirato). Se um homem morre sem deixar filhos, sua mulher casa-se com o irmão do marido. O filho que nascer deste casal é uma lembrança para perpetuar o nome do primeiro marido."

As outras irmãs sugeriram: "Nosso pai morreu sem deixar um filho. Deixe que nossa mãe se case com nosso tio! Se nascer um filho homem, este herdará a propriedade de nosso pai, e o nome dele não será esquecido."

"Nossa mãe não poderá fazer isto," explicou a irmã instruída, que havia ouvido a palestra de Moshê. "Apenas uma mulher que não tem filho algum pode casar-se com o irmão do marido. Como nossa mãe teve filhas, não poderá casar-se com nosso tio!"

As outras irmãs retrucaram: "Se somos consideradas descendentes de nosso pai, assim como filhos varões, então devemos receber nosso quinhão da terra, também!"

Decidiram todas: "Vamos falar com Moshê."

As filhas de Tselofchad foram à Casa de Estudos. Os líderes da nação – Moshê, Elazar, o Sumo-sacerdote (que ocupou o lugar de Aharon após a morte do pai), e os juízes do San’hedrin estavam todos lá. As moças estavam constrangidas por falar diante dos ilustres líderes. Mas isso não as refreou. Superaram seu recato natural, pois a questão era fundamental. Apresentaram-na de maneira estudada e acadêmica.

A filha mais velha principiou: "Nosso pai faleceu no deserto (e não no Egito. Já que faz parte da geração que deixou o Egito, tem direito a uma porção em Israel.)"

A segunda filha continuou: "Não fez parte da perversa congregação de seguidores de Côrach (todos eles perderam suas porções de terra)."

A terceira tomou a palavra: "Não induziu outros a pecar, o que o faria perder sua porção, porém morreu por causa de seu próprio pecado."

Tselofchad era o homem que profanou o Shabat recolhendo gravetos, na parashá Shelach.

A quarta filha concluiu: "Por que o nome de nosso pai deveria se esquecido por não ter deixado filhos? Que nós, suas filhas, herdemos as porções que lhe são devidas!"

Moshê replicou: "A terra será dividida apenas entre homens."

As filhas de Tselofchad então argumentaram: "Permita então que nossa mãe faça um casamento levirato com nosso tio. Se tiverem um filho, ele herdará a terra de nosso pai."

"Isto não pode acontecer," respondeu Moshê. "Sua mãe não pode casar-se com seu tio. Ela tem filhas."

As moças replicaram: "Se as filhas carregam o nome do pai, não deveriam também receber sua herança?"

"Espere até que eu pergunte a D’us," respondeu Moshê.

Imediatamente, Moshê voltou-se para consultar D’us que confirmasse a reivindicação das filhas de Tselofchad.

Por que Moshê não reconheceu, ele mesmo, a veracidade dos argumentos, preferindo esperar pela decisão de D’us?

Moshê sabia a decisão haláchica correta. Contudo, quando ouviu que os juízes sobre as dezenas deferiram a causa a uma autoridade superior, e que cada tribunal, sucessivamente, evitou expedir uma decisão, Moshê pensou: "Que eu aja da mesma forma. Há Um maior que eu. Que eu Lhe pergunte."

Assim, Moshê ensinou a todos os juízes de todas as futuras gerações a não hesitarem em consultar uma autoridade maior, quando necessário.

D’us então respondeu a Moshê: "As filhas de Tselofchad estão certas! Esta lei está escrita na Minha Torá no céu, exatamente como elas disseram. Dê-lhes a porção do pai em Israel – a porção dupla que ele merecia como primogênito."

"Esta é a lei para todas as gerações: se um homem não tem filhos, suas filhas herdarão a propriedade."

D’us também disse a Moshê que aconselhasse as filhas de Tselofchad a casarem-se com membros da sua própria tribo, a tribo de Menashê. Assim as terras herdadas permaneceriam propriedade desta tribo.

Com o passar do tempo, todas encontraram maridos dignos, se casaram e tiveram filhos. Geralmente, uma mulher que não teve filhos antes dos quarenta anos tem mais dificuldades em tê-los depois. D’us realizou um milagre com essas tsidcaniyot, mulheres justas, e todas foram abençoadas com filhos.

A história das filhas de Tselofchad nos mostra o quanto todas as mulheres da geração de Moshê amavam a Terra de Israel. Por isso, D’us recompensou não apenas estas moças, mas todas as mulheres, concedendo-lhes o mérito de entrarem na Terra Santa. Ao contrário dos homens, as mulheres da geração de Moshê não morreram no deserto.

D’us ordenou a Moshê que ensinasse aos judeus as leis de herança que ouvira de D’us no Monte Sinai.

As leis básicas da Torá sobre heranças são:

• Os filhos do falecido dividem suas posses igualmente; o primogênito, todavia, recebe uma porção dupla.

• Se há herdeiros, as filhas não têm direito a um quinhão. Todavia, se não houver filhos, as filhas herdam as posses do pai.

• Se não há filhos vivos, porém estes deixaram descendentes, os descendentes herdam da mesma maneira que a descrita acima. Por exemplo, se há descendentes homens e mulheres, os homens herdam as posses do ancestral.

• Em seguida, o parente mais próximo, primeiro o ancestral paterno; depois os irmãos paternos, então os tios paternos, e assim por diante, são os próximos a terem direito à herança.

Moshê ascende o monte Nevo para fitar a Terra de Israel

Após Moshê bater na rocha em "Águas de Discórdia", D’us disse-lhe que ele deveria morrer no deserto; não entraria em Israel. Mesmo assim, quando D’us falou a Moshê sobre as filhas de Tselofchad, instruiu-o: "Dê a elas a parte que lhes cabe na terra."

Moshê refletiu: "Será que D’us quis dizer que eu darei literalmente a elas sua porção? Ele me permitirá entrar na terra?"

"Não, Moshê," falou D’us. "Meu decreto não mudou. O que eu quis dizer é que você ajudará os judeus a conquistar Israel fitando-a e abençoando-a."

"Ascenda o monte Nevo, e veja a terra. Depois, você se juntará aos seus antepassados através de um beijo Divino, da mesma forma que faleceu seu irmão, Aharon."

Moshê obedeceu a ordem de D’us. Ele subiu ao topo do monte e observou as fronteiras das doze tribos, irradiando bênçãos sobre a Terra de Israel.

D’us nomeia Yehoshua sucessor de Moshê

Ao tomar conhecimento de que as filhas de Tselofchad herdariam a propriedade de seu pai, refletiu: "Chegou a hora de fazer meu pedido a D’us: que meus filhos herdem minha posição."

Moshê rezou: "Mestre do Universo, nomeie meu sucessor antes que eu morra. Não deixe que a comunidade fique como um rebanho sem pastor. Gostaria que um de meus filhos tomasse meu lugar."

"D’us, sabes que o temperamento das pessoas varia imensamente – alguns ficam irados facilmente, enquanto outros são calmos ou reservados. Dá-lhes um líder que possa dirigir cada um desses tipos com sabedoria, sem perder a paciência com os que o provocam.

"Não apenas isso, mas ele precisa também liderar pessoalmente o exército para as batalhas; diferentemente dos reis não-judeus, que ficam sentados em casa e enviam seus generais à luta."

O próprio Moshê liderou as guerras contra Sichon e Og; e similarmente, seu sucessor Yehoshua, cavalgou à testa do exército na conquista de Israel. O Rei David também encabeçou cada uma de suas campanhas militares.

Moshê continuou: "D’us, escolha um líder que se devotará a satisfazer as necessidades comunitárias com precisão e zelo, um líder que tenha grandes méritos próprios, e que rezará pelo bem do povo."

D’us replicou: "Já escolhi o futuro líder: ‘Aquele que guarda a figueira comerá seus frutos, e o que serve seu mestre será honrado.’ (Mishlê 27:18). Apesar de seus filhos serem tão sábios quanto Yehoshua, e apesar de tampouco poderem te substituir (e já que ninguém atingiu seu nível de sabedoria, você crê que seus filhos podem preencher sua posição tão bem quanto qualquer um); não obstante, seus filhos não são iguais a Yehoshua em seu amor pela Torá. Yehoshua investiu cada suspiro de suas forças para adquirir sabedoria, pois ama tanto a Torá. Sua devoção à Torá é insuperável. Agora, colherá os frutos de seu amor à Torá. Liderará o povo judeu."

A nomeação de Yehoshua demonstra que uma pessoa não pode receber recompensa completa se meramente acumula sabedoria em Torá. Apenas aquele que se une à Torá com grande devoção colherá os frutos.

Yehoshua era conhecido como "Yehoshua bin Nun," que significa Yehoshua, o filho de Nun.

Há uma explicação mais profunda para este nome: A palavra "Nun" em aramaico significa "peixe". Assim como o peixe nunca abandona a água, assim Yehoshua nunca deixou a Casa de Estudos, mantendo-se imerso nas águas da Torá.

Nosso Patriarca, Yaacov, já sabia com espírito de profecia que Yehoshua, "o peixe," descendente de Efrayim, lideraria os judeus à Terra Santa. Deu a seus netos Menashê e Efrayim a seguinte bênção: "Que se multipliquem na Terra como os peixes [na água]."

As palavras também podem significar: Aquele cujo nome é "peixe" – Yehoshua da tribo Efrayim – liderará os judeus até a Terra Prometida.

D’us tinha ainda outra razão para escolher Yehoshua como líder: ele era o mais humilde dos alunos de Moshê.

D’us disse a Moshê: "Yehoshua entra na casa de estudos cedinho pela manhã e sai tarde da noite. Ele arruma os bancos para os professores e as cadeiras para os alunos. Como ele serviu a você com todas suas forças, tornou-se maior que todos os outros eruditos de Torá. E será recompensado com a liderança."

D’us consolou Moshê: "Muito embora seus filhos não se tornarão líderes, Yehoshua honrará à sua família. Ele virá até seu sobrinho Elazar, para consultar os urim vetumim."

O urim vetumim continha o sagrado nome de D’us dentro do peitoral portado pelo Sumo-sacerdote. Isso fazia com que as letras da placa acendessem em resposta às perguntas feitas.

"Yehoshua possui todas as qualidades para tornar-se um líder. Está imbuído de espírito de profecia, sabedoria, compreensão e temor a D’us. Não perderá a paciência se as pessoas discutirem com ele, mas sim as guiará gentilmente com sabedoria para que enxerguem a verdade.

"Uma vez que Yehoshua ainda não atingiu seu nível de sabedoria, transfira-lhe algo de sua sabedoria. Desta maneira, você o imbuirá da sabedoria de que necessita como líder."

D’us ordenou que Moshê invista Yehoshua com sabedoria adicional em vez de dá-la, Ele Próprio, como uma demonstração pública de que Yehoshua era o escolhido sucessor de Moshê.

Na frente de Elazar e do San’hedrin (Tribunal Superior), Moshê pousou ambas as mãos sobre Yehoshua, e através disso a glória de Moshê foi transferida duplamente a Yehoshua:

1. Externamente – Da mesma forma que a face de Moshê era iluminada pelos Raios da Glória da Shechiná (Divindade), a face de Yehoshua começou a brilhar com os raios da Shechiná. O brilho de Yehoshua, contudo, não podia ser comparado ao de Moshê; era apenas um reflexo, assim como o luar é meramente o reflexo dos raios brilhantes do sol.

2. O ato de Moshê fez com que alguma de sua sabedoria e espírito de profecia passasse a Yehoshua. Também nesse aspecto, Yehoshua pôde receber apenas uma diminuta fração da grandeza de Moshê.

Apesar de D’us ter dito a Moshê que colocasse a mão direita sobre Yehoshua, ele generosamente pousou ambas as mãos sobre o aluno. Nomeou Yehoshua de boa vontade, com espírito alegre e elevado, não tendo rancor algum pelo fato de que nenhum de seus filhos ou sobrinhos fossem seus sucessores.

D’us ordenou a Moshê que Yehoshua ensinasse o povo em público enquanto Moshê ainda estava vivo, para que depois ninguém pudesse reivindicar: "Yehoshua não ousaria ensinar enquanto Moshê estava vivo."

O propósito das oferendas, e por que a Torá acrescenta aqui as leis dos sacrifícios

Ao final desta parashá, são explicadas as leis dos sacrifícios diários e as oferendas adicionais (Mussaf). Por quê este assunto foi inserido aqui?

Uma esposa incomodava o marido freqüentemente. Sempre que percebia que seu marido ficava aborrecido, chamava o casamenteiro, que era um cavalheiro idoso. Este costumava ir àquela casa e sempre conseguia restaurar a paz.

Quando o casamenteiro ficou mais velho e sentiu que seu fim estava próximo, convocou o marido e implorou-lhe: "Seja complacente com sua esposa! Breve não estarei mais aqui para estabelecer a paz entre vocês. Por isso, imploro que releve os defeitos de sua esposa."

O marido replicou: "Em vez de convocar-me, você deveria ter chamado minha esposa. Se você puder ensiná-la a comportar-se de maneira respeitosa comigo, não haverá necessidade de futuras reconciliações."

Similarmente, Moshê implorou ao Todo Poderoso que nomeasse um novo líder antes de seu falecimento, alguém que rezasse em prol do povo e defendesse-os se pecassem.

Disse-lhe o Todo Poderoso: "Em vez de preocupar-se com a falta de um líder aos judeus após sua morte, assegure-se de que eles Me sirvam bem. Ensine-lhes as leis dos sacrifícios Tamid. Estes sacrifícios os unirão, pois cada judeu doará uma moeda de meio-shekel para adquiri-los, e trará uma radiação e esplendor de bênção sobre eles."

D’us disse a Moshê: "Enfatize ao povo que Eu não necessito de sacrifícios. O mundo todo é Meu. Eu criei todos os animais que oferecem para Mim. Além disso, tampouco necessito de comida e bebida. Sou totalmente afastado do mundo físico e não necessito de oferendas terrenas como nutrição."

"Mesmo se Eu necessitasse de alimentos, não confiaria Meu sustento a seres cruéis." (Todos os seres humanos são considerados cruéis, comparados a D’us, a Fonte de Misericórdia).

"Por quê, então, Eu ordenei que vocês oferecessem sacrifícios? Desejo seu doce aroma, a satisfação de que vocês cumprem Minha mitsvá. Ao cumprirem as leis de sacrifício, vocês se unem a Mim."

D’us ordenou as oferendas diárias como Seu "pão." Isto significa que em mérito de nossos sacrifícios a Ele, Ele nutre o mundo. Nossos presentes de alimentos abrem as fontes Celestiais de nutrição e trazem um superávit ao mundo. Alguém que dá tsedacá (caridade) para sustentar uma alma, concomitantemente, abre as fontes Celestiais de abundância.

Os sacrifícios diários de Tamid

D’us ordenou: "A cada manhã, os cohanim devem oferecer um cordeiro sobre o altar. Após ser abatido, o cordeiro é completamente queimado. Deve ser acompanhado de uma oferenda de farinha (minchá) e oferenda de vinho (nessech). Esta é a oferenda Tamid da manhã."

"Os cohanim oferecem outro cordeiro com minchá e nessech à tarde. Esta é a oferenda de Tamid da tarde".

Estas duas oferendas eram oferecidas sobre o altar todos os dias, incluindo Shabat. A comunidade pagava pelo Tamid com moedas de meio-shekel, que eram coletadas uma vez ao ano.

O que as oferendas de Tamid nos lembram

Nosso patriarca Avraham quis sacrificar seu filho Yitschac no monte Moriyá, como D’us lhe havia ordenado. Mas ao final ele não teve de abater seu filho como uma oferenda. Procurou por um animal para tomar o lugar de Yitschac.

D’us tinha preparado um cordeiro numa moita próxima. Avraham o encontrou e ofereceu-o sobre o altar. Enquanto o abatia, rezava: "Por favor, D’us, considere-o como se eu tivesse abatido meu filho." Ao queimar o cordeiro, rezava: "Por favor, D’us, considere como se eu tivesse queimado meu filho."

Naquela época, D’us disse: "Ordenarei ao povo judeu que ofereça dois cordeiros diariamente como sacrifícios. Assim, lembrarei o mérito do sacrifício de Yitschac e perdoarei o povo judeu por seus pecados."

O Tamid matinal reparava os pecados que os judeus tinham cometido na noite anterior. O Tamid vespertino expiava os pecados cometidos durante o dia.

Maamadot – os enviados que permaneciam ao lado quando os sacrifícios eram oferecidos

D’us ordenou que alguém que ofereça um sacrifício esteja presente enquanto este é elevado ao altar.

Uma vez que era impossível que a nação inteira estivesse presente às oferendas dos sacrifícios comunitários, em vez disso nomeavam-se representantes da comunidade.

Os primeiros profetas, Shemuel e David, dividiram os cohanim e levitas em vinte e quatro grupos, bem como escolheram vinte e quatro grupos de israelitas que representavam a nação inteira. A cada semana um grupo diferente de cohanim e levitas viajava a Jerusalém para oferecer os sacrifícios diários, e para cantar durante as oferendas, respectivamente. Representantes dos israelitas, que moravam em Jerusalém, faziam turnos ficando de pé ao lado das oferendas diárias observando-as. Ao mesmo tempo, grupos adicionais de representantes de cidades de todo Israel participavam dos sacrifícios diários, reunindo-se para ler a Torá e rezar para que D’us aceitasse as oferendas.

Os sacrifícios de Mussaf

Agora a parashá explica as leis dos sacrifícios de Mussaf. O termo "Mussaf" significa "adicional". Além dos sacrifícios diários de Tamid, a Torá ordena que sacrifícios adicionais sejam oferecidos em Shabat e Yom Tov (Festividade).

Esses sacrifícios especiais fazem com que nos lembremos e apreciemos a santidade do Shabat, Yom Tov e Rosh Chôdesh.

Moshê disse aos judeus: "Antes de cada Yom Tov vocês devem estudar as leis daquele Yom Tov. Devem ter o cuidado de oferecer os sacrifícios apropriados. Através destas oferendas, D’us lembra-Se de seus méritos."

O Mussaf de Shabat

Além dos sacrifícios de Tamid, mais dois carneiros eram oferecidos como sacrifício de Mussaf de Shabat.

O Shabat reclamou a D’us: "Por que minhas oferendas de Mussaf consistem de apenas dois carneiros, um número menor de animais que os que são oferecidos em todas as outras Festas?!"

D’us respondeu: "O número dois lhe é apropriado, pois todos os assuntos relacionados a você têm duplo significado:

• Seu cântico tem nome duplo, pois é denominado mizmor e shir. (Tehilim 92:1)

• Seu prazer é dobrado, como está escrito: "E você chamará o Shabat um deleite, um dia sagrado…" (Yeshayáhu 58:13)

• Em Shabat recita-se uma bênção sobre dois pães inteiros.

"Por isso, o sacrifício de mussaf mais apropriado a você consiste de dois carneiros."

Todos os assuntos concernentes ao Shabat são duplos, como indicação de seu duplo caráter. Apesar do Shabat ser um dia de descanso físico e deleites culinários, este aspecto representa apenas metade de seu significado. O feriado físico deve ser conjugado e conectado à outra metade, seus conteúdos espirituais – descansar e deleitar-se em honra a D’us, e estudar Torá. Mencionamos o caráter duplo do Shabat quando rezamos na Amidá de Minchá: "Um dia de descanso e santidade deste a Teu povo."

O Mussaf de Rosh Chôdesh, início do Novo Mês

Rosh Chôdesh, o começo do mês judaico, é considerado um feriado menor. Apesar de não possuir a mesma santidade que Shabat e Yom Tov, os judeus costumavam tratar este como um dia especial, no qual reuniam-se para estudar Torá.

D’us disse: "Originalmente, Eu fiz o sol e a lua de tamanhos iguais. A lua reclamou: ‘É impossível a dois reis reinarem simultaneamente.’ Ordenei então à lua: ‘Se é assim, diminua sua luz. Mais ainda, todo mês você diminuirá e depois se renovará.’"

Ao ouvir a censura de D’us, a lua compreendeu seu erro e ficou envergonhada. A fim de enaltecê-la, D’us decretou: "Sua luz será vista tanto de dia quanto à noite. Não apenas isso, como também os judeus fixarão o calendário baseados em você."

A lua ainda se sentia inferiorizada. D’us acrescentou: "Ordenarei aos judeus a oferecerem um sacrifício todo mês, quando você estiver renovando-se."

Ao ouvir que seria tão honrada, a lua ficou radiante.

A fim de que não nos equivoquemos pensando que esses sacrifícios são oferecidos à lua, a Torá declara explicitamente que o cabrito é oferecido a D’us (28:15).

O Mussaf de Pêssach e Shavuot

D’us ordenou que os sacrifícios de Mussaf fossem oferecidos durante todos os sete dias de Pêssach.

Em Shavuot também oferecem-se sacrifícios de mussaf.

Uma oferenda especial de Shavuot de Dois Pães de Trigo

Em Shavuot além da oferenda costumeira de Mussaf, levavam-se ao Templo dois pães fermentados, assados do trigo da nova colheita.

A oferenda adicional de Shavuot consistia de trigo. Por outro lado, a oferenda ômer, oferecido em Pêssach, consistia de cevada. Cevada é comumente utilizada como alimento para animais, enquanto o trigo é o alimento do homem por excelência. Por conseguinte, o trigo, na linguagem de nossos sábios, representa o conhecimento e a sabedoria.

Quando os judeus deixaram o Egito, pareciam-se com os egípcios com os quais viviam, pois haviam adotado seus costumes idólatras. Por isso são comparados a jumentos.

Nas sete semanas que se seguiram ao Êxodo, os judeus refinaram seus traços de caráter e lutaram para libertarem-se de quaisquer resquícios de idolatria. Ao chegar Shavuot, o povo inteiro alcançara o nível espiritual requerido para receber o conhecimento da Torá.

Este processo espiritual é simbolizado pelas oferendas de Shavuot dos Dois Pães de Trigo.

O Mussaf de Rosh Hashaná

Em contraste com o sacrifício de Mussaf de todas as outras Festas, a Torá não diz sobre o Mussaf de Rosh Hashaná: "e vocês o oferecerão," mas sim "e vocês o farão."

D’us declara aos judeus: "Se através de arrependimento vocês alcançarem perdão para os pecados em Rosh Hashaná, Eu considerarei como se vocês tivessem se refeito. Vocês então se parecerão com criaturas puras, recém-nascidas."

Uma vez que Rosh Hashaná ocorre no primeiro dia de Tishrei, além do sacrifício de Mussaf referente à festa, oferecia-se também um Mussaf relativo à Rosh Chôdesh.

Rosh Hashaná e a mitsvá de tocar o Shofar

A Torá ordena com relação a Rosh Hashaná: "E será para vocês um dia de tocar [um instrumento]." (29:1)

Nossa tradição ensina que em Rosh Hashaná D’us passa o mundo inteiro à Sua frente em julgamento. Decide então que países estão destinados a terem um ano de paz, de guerra, de fome, e que países terão abundância. Cada indivíduo é escrutinado pelo Tribunal Celeste, e tem sua sentença de vida ou morte pronunciada.

Adam (Adão), o primeiro homem, foi julgado por seu pecado no primeiro dia de Tishrei, e D’us tratou-o de maneira benevolente. Por isso, D’us ordenou que, anualmente, nesta data, os descendentes de Adam fossem julgados, e Ele adoçaria Seu julgamento com Misericórdia.

Somos ordenados a ouvirmos o som do Shofar (chifre de carneiro) em Rosh Hashaná.

Quando D’us ouve o soar do Shofar, levanta-Se de Seu Trono do Julgamento e senta-Se em Seu Trono de Misericórdia.

D’us disse: "Toquem um chifre de carneiro em Rosh Hashaná para que Eu possa, assim, recordar o sacrifício de Yitschac (que estava pronto a sacrificar-se e foi substituído por um carneiro), e Eu considerarei como se vocês tivessem se sacrificado."

"Seus toques repetidos também confundem o anjo acusador. No Dia do Julgamento o promotor celestial tem permissão de percorrer o mundo, apontar os pecados das pessoas e apresentar acusações perante o tribunal Divino. Contudo, ao ouvir os diversos toques do Shofar soarem durante as várias preces, ele é silenciado. É obrigado a concordar que os judeus cumprem os mandamentos de D’us com grande devoção e cuidado."

Apesar de ser um Dia de Julgamento, Rosh Hashaná também é celebrado como Yom Tov, completado com refeições festivas e roupas finas.

Que motivo há para júbilo neste dia tão solene?

Duas pessoas pediram um empréstimo a um homem milionário. A cada um concedeu um empréstimo substancial a longo prazo.

Passou-se um ano, e nenhum dos comodatários pagou um centavo sequer. Sendo que um dos comodatários era um velho conhecido, o emprestador decidiu telefonar-lhe lembrando-o de seu débito: "Sabe que você me deve uma soma enorme?" – perguntou. "Aconselho-o a pagar ao menos uma parte. Assim não ficará sobrecarregado ao expirar o prazo."

Grato pelo lembrete, o amigo prometeu remeter-lhe parte de seu débito. Com grande dificuldade conseguiu juntar algum dinheiro e pagou seu credor parcialmente.

Um ano depois o credor percebeu que não recebera mais nenhum pagamento. Ligou ao amigo novamente. O comodatário apertou-se e devolveu mais uma parte do débito. À sua maneira, no decorrer de vários anos, conseguiu pagar o débito inteiro.

O que aconteceu ao outro comodatário? Não ensaiou tentativa alguma de reembolsar o empréstimo. Finalmente, o prazo expirou e o credor exigiu o pagamento. O comodatário precisou declarar falência e, segundo as leis do país, foi preso.

Agradecemos e nos alegramos com a misericórdia do Todo Poderoso em conceder-nos Rosh Hashaná como uma oportunidade de quitar nossos débitos para com Ele. No decorrer do ano, uma pessoa acumula diversos maus hábitos e pecados. Se essa jamais tentar purificar-se deles, pode ser merecedor de alguma punição severa. Rosh Hashaná é a Festa na qual os judeus revalidam a autoridade de D’us sobre si e retornam a Ele. Ficamos felizes com o lembrete anual e com a oportunidade de aceitarmos novamente o Reinado de D’us.

Além disso, nossa felicidade origina-se da convicção de que D’us, após testemunhar nossa teshuvá, anulará os maus decretos contra nós e nos inscreverá para um ano bom.

 

Fonte:http://www.chabad.org.br/

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