Leitura da Torá: Porção Semanal: Balac (04/07)

 

 
 
Bamidbar 22:2 – 25:9
Números  22:2 – 25:9
 

 

A Parashá Balac muda das viagens do povo judeu no deserto para contar a história de Bilam, o profeta pagão que tentou amaldiçoar os Filhos de Israel.

Contratado por Balac, o rei de Moav, Bilam concorda em embarcar numa jornada até o acampamento israelita; entretanto, primeiro pede permissão a D’us, e vai com a condição de que falaria apenas aquilo que D’us colocasse em sua boca.

Durante a viagem, um anjo brandindo uma espada bloqueia o caminho de Bilam, fazendo que sua montaria desvie-se repetidas vezes da estrada. Incapaz de ver o anjo, Bilam reage golpeando o jumento desobediente por três vezes. Milagrosamente, D’us faz com que o animal fale com Bilam, e D’us desvela os olhos do humilhado profeta, para que possa ver o anjo de pé em seu caminho. O anjo então lembra a Bilam uma vez mais que ele pode apenas falar as palavras que o Criador colocar em sua boca.

Chegando próximo do acampamento dos judeus, Bilam tenta amaldiçoá-los repetidamente; todas as vezes D’us o impede, e em vez disso ele termina por pronunciar várias bênçãos e preces, para consternação de Bilam.

A Porção da Torá termina com a licenciosidade dos homens judeus com as filhas promíscuas de Moav e Median, e o indecente ato público de Zimri, um príncipe da Tribo de Shimon, com uma princesa medianita. Pinechas, neto de Aharon, reage zelosamente furando-os até a morte com uma lança, detendo uma peste que D’us havia feito irromper no acampamento.

Mensagem da Parashá

O Talmud (Tratado Berachot 12b) declara que os Sábios queriam incluir a porção Balac desta semana da Torá em nosso recital diário da prece fundamental Shemá. A questão, é claro: por que? O que há de tão especial na Porção Balac da Torá para justificar que seja recitada diariamente em uma de nossas preces mais importantes? A resposta pode ser encontrada em um versículo em particular – "Eles são uma nação que se levanta como um jovem leão" (Bamidbar 23:24).

O Sfas Emes explica que os rabinos consideraram este versículo tão importante porque representa uma das mais elevadas aclamações do povo judeu. Como o leão, somos uma nação que sempre se levanta; não importa o quanto caímos, sempre nos levantamos. Isso é o que são os judeus, e é o traço de caráter do qual mais nos orgulhamos. Somos um povo que se ergue das cinzas. Essa é uma qualidade expressa por qualquer um que tenha alguma ligação com uma família que passou pelo Holocausto, e sobrevive hoje para chamar-se judeu.

Nos campos de concentração, Eichmann tirou a cortina de uma Arca Sagrada e colocou-a sobre a entrada da câmara de gás. Sobre ela estava escrito o versículo: "Este é o portão para D’us; os justos passarão por ele." Fez isso como zombaria – zombando de D’us, do povo judeu, e de tudo aquilo além do reino deste mundo físico. Porém a mensagem era bem verdadeira – os judeus que passaram por aquela cortina tornaram-se justos.

Eichmann e os nazistas desapareceram há muito tempo, mas colocamos de volta aquela cortina em nossas arcas. Erguemo-nos novamente como um leão, e existem agora mais cortinas e mais sinagogas para colocá-las do que jamais houve antes. Não importa quantas vezes possamos cair, sempre nos levantamos novamente. Esta é a característica do povo de Israel. Os profetas chamam-nos de "uma nação de sobreviventes."

O Rei Salomão escreveu: "Um justo que cai sete vezes e se levanta novamente" (Mishlê 24:16). O que é, exatamente, um justo? Um indivíduo justo não é necessariamente quem jamais comete pecado, mas sim a pessoa que peca e levanta-se novamente.

Esta é a mensagem que Rabi Yitschac Hutner escreveu a um de seus alunos que estava desanimado sobre sua aparente falta de conquistas e desenvolvimento espirituais. Rabi Hutner disse-lhe: "Não desista. É disso que trata a vida – as batalhas, os conflitos. Nossos sábios dizem que o único modo de tornar-se um indivíduo justo é após a queda. Isso é o que o torna melhor. O crescimento vem apenas com conflito. Não é automático. Às vezes você precisa perder algumas batalhas antes de vencer a guerra."

É disso que trata a teshuvá, retorno ao caminho de Torá e mitsvot. Haverá batalhas, retrocessos, conflitos e perdas. Mas temos de nos levantar outra vez. É uma lição na história judaica e uma lição a cada um de nós. Às vezes, nós, como judeus, podemos estar dormindo. Podemos passar anos sem cumprir mitsvot. E então despertamos como um leão e mudamos. Somos uma nação que não é derrotada, uma nação de sobreviventes. É devido a esta característica que ainda estamos aqui hoje.

 

Midrash Balac

 

Os moabitas escolhem Balac como líder contra o povo judeu

Quando os judeus chegaram às imediações de Moav, os residentes locais tremeram. O rei de Moav ouvira a notícia de que os judeus derrotaram as nações que não lhes deram passagem, vencendo os poderosos gigantes Sichon e Og. Moav também negara permissão para os judeus passarem por suas terras, e era uma nação ainda menor que aquelas já conquistadas pelos judeus.

Apesar deles saberem que a chegada do povo judeu não representava perigo a suas vidas (pois ouviram que D’us proibira Moshê de travar guerra contra Moav), ainda assim, os moabitas apavoravam-se que sua terra fosse saqueada. Também temiam que o povo judeu exterminasse todos os vizinhos a sua volta.

Sobretudo, os moabitas portavam o antigo ódio contra o povo judeu.

O que podiam fazer frente a esse "perigo"? Primeiro, fizeram as pazes com seus vizinhos midyanitas, fazendo uma coalizão para lutar contra os judeus. Depois, elegeram um novo rei, Tsur, que era uma pessoa sábia e forte. Uma vez que Tsur não era de estirpe real, porém um mero nobre, tampouco um moabita nativo, mas um midyanita, não seria elegível para o cargo em tempos normais. Agora, no entanto, sua reputação como poderoso herói de guerra e um mágico superior compeliram sua escolha. Eleito, seu nome passou a ser Balac, e sua tarefa, encontrar uma maneira de vencer os judeus.

Apesar dos moabitas esperarem que organizasse um exército para guerrear, Balac anunciou: "Não faz sentido lutar contra os judeus, porque perderemos. Suas vitórias são extraordinárias! Enquanto lutavam contra Sichon, seu líder conseguiu deter o sol em sua trajetória. Descubramos onde reside seu poder secreto!"

Os moabitas sabiam que Moshê passara anos em Midyan, na casa de Yitrô. Enviaram mensageiros aos sábios de Midyan, indagando: "Revelem-nos como os inimigos podem vencer os judeus. Moshê viveu muitos anos aqui, talvez vocês conheçam o segredo de seu sucesso."

Os sábios responderam: "De fato, Moshê foi nutrido em nosso seio. Um midyanita convidou-o a sua casa, concedeu-lhe a filha em casamento e proveu-lhe dinheiro. Depois de deixar a casa de seu sogro, Moshê destruiu a nação do Egito inteira! Os judeus não precisam de armas ou de um grande exército. Seu poder está em sua palavra. Simplesmente, Moshê pronuncia o Nome de D’us, e seus inimigos morrem. Os judeus vencem as guerras porque oram pela vitória."

"Combata os judeus exatamente com o mesmo método. Nosso conselho é que convoque Bilam, cujo poder da fala iguala-se ao de Moshê."

Os poderes mágicos de Bilam

A fama de Bilam como profundo filósofo e intérprete profissional de sonhos era internacional. Mais tarde, também se tornaria conhecido como mágico de poderosos efeitos. Reis de perto e de longe pagavam-lhe somas fabulosas para pronunciar maldições sobre seus adversários, ou outorgar-lhes bênçãos de sucesso.

Balac estava pessoalmente convencido do poder de Bilam, por que há anos Bilam profetizara que Balac tornar-se-ia rei, e agora, as palavras de Bilam tornaram-se realidade. Além disso, desde que o rei Balac era melhor mágico que todos os habitantes de Moav (que eram todos proficientes nesta arte), ele, mais que qualquer outro, apreciava o domínio de Bilam sobre as forças da impureza.

Balac escolhera convidar Bilam para amaldiçoar os judeus, pois acreditava que estes estavam sujeitos às forças naturais (mazal), como todas as outras nações. (Não se dava conta de que os judeus estão sob a Providência direta de D’us.)

Se o próprio Balac era feiticeiro, por que precisava de Bilam?

De fato, a perícia de um completava a do outro. Balac era instruído em assuntos práticos; por exemplo, podia determinar exatamente onde alguém deveria postar-se para amaldiçoar efetivamente. Bilam possuía as chaves interiores, as palavras apropriadas com as quais amaldiçoar.

A quem os dois podem ser relacionados?

Um (Bilam) era como um cirurgião que podia manejar o bisturi, mas não estava familiarizado com as partes do corpo. O outro (Balac) era como um anatomista que consegue identificar o órgão doente, porém não pode realizar a cirurgia. Juntos, poderiam empreender uma operação.

Similarmente, Bilam sabia a hora exata em que uma maldição pode ser efetiva, e Balac sabia o local de onde deveria ser pronunciada.

O Talmud relata que, todos os dias, há um momento em que D’us fica irado. Isto significa que é justamente nesta hora que Ele julga os pecadores. Evidentemente, aquele que é culpado de transgressão, fica mais vulnerável nesta hora. Bilam tinha o dom de saber exatamente quando ocorriam estes momentos. Uma maldição proferida nestes instantes poderia expor sua vítima ao julgamento Divino.

Balac concluiu: "Que eu convoque Bilam! Juntos, sobrepujaremos o povo judeu."

A magia pode prejudicar um judeu? O Talmud nos conta a seguinte história:

Certa vez, uma bruxa queria matar Rabi Chaniná com magia. Para que a magia surtisse efeito, ela precisava pegar o pó de sob os pés de Rabi Chaniná.

Sem medo algum, Rabi Chaniná disse: "Pegue o pó e comprove! A magia não fará efeito. Sei que "Não há outro, só D’us!" Uma vez que Rabi Chaniná tinha plena certeza de que a magia não podia mudar o que D’us ordena, a feiticeira foi incapaz de prejudicá-lo.

Balac envia mensageiros a Bilam

Balac requisitou que os homens sábios de Midyan se unissem à delegação que estava enviando a Bilam.

Os midyanitas consentiram, e apesar de estarem em guerra com Moav, os dois antigos inimigos aliaram-se por causa de seu ódio comum aos judeus.

Temendo que Bilam se esquivasse por não ter seus instrumentos de magia à mão, os delegados levaram consigo um jogo, para esse caso.

Chegaram na cidade natal de Bilam, a cidade de Petor em Aram Naharayim, e disseram a Bilam em nome de Balac: "Uma nação de 600.000 homens escapou do Egito. Você, Bilam, não nos garantiu que enfeitiçou todas as fronteiras do Egito, para que os judeus jamais pudessem sair? Bem, eles o fizeram, apesar de jamais haverem tido seu próprio rei ou terra, mataram os poderosos gigantes Sichon e Og.

"Não responda que nada disso é de nossa conta, pois os judeus estão agora às nossas fronteiras!"

"Nunca vi um povo mais estranho! Não podemos vê-los, pois estão ocultos pelas Nuvens de Glória, enquanto nos observam. Eu, Balac, requisito que venha ao meu auxílio. Esta nação batalha com palavras. Você também possui o poder das palavras. Se vier e amaldiçoar esse povo, nós os demoliremos.

"Recompensar-lhe-ei generosamente por seus serviços. Se vier conosco, será um convidado de honra numa grande festa em sua homenagem."

Geralmente, Bilam demonstrava pouco interesse nos destinatários de suas bênçãos e maldições. Era um profissional que trabalhava pelo dinheiro. De fato, contanto que o trabalho fosse lucrativo, amaldiçoaria alguém que abençoara anteriormente, e vice-versa.

Não obstante, a oferta de Balac despertou forte interesse pessoal por parte de Bilam. Não desejava nada além de prejudicar os judeus.

Bilam era neto de Lavan, sogro do patriarca Yaacov. Acreditava na calúnia dos filhos de Lavan: "Yaacov roubou e despojou nosso pai de todas as suas posses." Bilam, portanto, odiava os descendentes de Yaacov com todo seu coração. Enquanto servia como conselheiro do Faraó no Egito, Bilam aconselhou o rei egípcio a banhar-se no sangue das crianças judias. Também instigou o Faraó a lançar os meninos judeus recém-nascidos ao Nilo. Bilam era especialmente hostil a Moshê, uma vez que sentia que sua própria sabedoria igualava-se a de Moshê.

Bilam respondeu: "Fiquem aqui esta noite. Preparar-me-ei para receber uma profecia de D’us, que me dirá o que fazer."

Os mensageiros surpreenderam-se, porque Bilam não concordou imediatamente.

Os representantes de Midyan, ao contrário dos moabitas, não queriam esperar. Por quê? Os midyanitas eram sábios, e ao ouvir que Bilam precisava da autorização de D’us pensaram: "Nossa causa já está perdida. Se Bilam precisa da permissão de D’us para maldizer os judeus, devemos ir embora, pois os judeus são como os filhos de D’us; e que pai permite que alguém amaldiçoe seus filhos?"

D’us fala com Bilam

À noite, D’us apareceu a Bilam e falou com ele.

Em honra aos judeus, Bilam recebeu uma profecia, mesmo sendo um perverso. Geralmente, Bilam percebia D’us através de seus poderes de feitiçaria. Agora, pela primeira vez, D’us concedeu-lhe uma visão profética através do espírito sagrado de profecia. Apesar do impuro Balac não ser merecedor de elevação, D’us concedeu-lhe uma visão profética em honra aos judeus. Às vezes, D’us revela-Se aos perversos por causa dos tsadikim. Assim, Ele falou a Lavan num sonho profético em prol de Yaacov; e ao rei filisteu Avimêlech pelo mérito de Avraham.

Mesmo assim, D’us não falou com Bilam da mesma forma como falava com os profetas judeus. Mandou uma nuvem que O separava de Bilam, que não podia ver o esplendor da Shechiná (Presença Divina).

D’us perguntou a Bilam: "Quem são esses (perversos) homens que estão com você?"

Esta pergunta era um teste para Bilam, que deveria ter respondido: "Mestre do Universo, Você é Onisciente; Você não precisa me perguntar quem são."

Porém, fervia de desejo de amaldiçoar os judeus, Bilam interpretou mal a pergunta de D’us, como uma indicação de que Ele não está sempre consciente do que acontece nesta terra. "Nesses momentos," pensou, "minhas maldições podem realizar-se."

Respondeu arrogantemente: "Balac filho de Tsipor, rei de Moav, enviou-os a mim para pedir-me que amaldiçoe os judeus. (Veja como até mesmo os reis procuram minha ajuda!)."

D’us desorientou Bilam propositadamente, colocando-lhe uma pergunta ambígua como punição, por Bilam ter desviado sua geração.

Bilam, entre outros males, inovou antros de apostas e casas de prostituição.

Antes da época de Bilam, as nações gentias mantinham oficialmente um certo padrão de decência, reconhecendo que imoralidade fora uma das razões para que o Dilúvio destruísse o mundo. Bilam, ele próprio entregando-se as mais baixas formas da lascívia, ensinou à humanidade como indulgir na imoralidade.

Na noite em que os sábios de Moav hospedaram-se em sua casa, apresentou-os à suas práticas imorais. Assim sendo, D’us retribuiu a Bilam desencaminhando-o.

D’us replicou a indagação de Bilam: "Você não deve ir com esses homens!"

O ardiloso Bilam pensou: "Talvez Ele não queira perturbar-me, um justo, a viajar para um país distante." Indagou, esperançoso: "Devo então amaldiçoar os judeus estando aqui?"

"Não," replicou D’us, "você não deve amaldiçoá-los de lugar algum."

Bilam indagou: "Se assim é, deixe-me, em vez disso, abençoar os judeus" (e uma bênção em momento não oportuno equivale a uma maldição).

"Eles não necessitam de sua bênção," respondeu D’us. "São abençoados através de seus patriarcas, e Eu os abençôo diariamente, sancionando a bênção sacerdotal."

Na manhã seguinte, Bilam anunciou: "D’us não me permite ir com vocês". Bilam queria dar a impressão de que D’us havia lhe proibido ir porque era abaixo de sua dignidade acompanhar pessoas de tão pouca importância; ele só podia viajar com ministros ou reis. Ele não admitiu que D’us havia lhe proibido de amaldiçoar os judeus.

Quando Balac ficou sabendo da resposta de Bilam, disse: "Bilam não está satisfeito com minha oferta. Devemos oferecer-lhe mais riquezas e honras!"

O rei Balac escolheu uma nova delegação. Estes eram príncipes de alta estirpe real. Instruiu-os a dizer a Bilam: "Por favor, não se recuse a vir! Balac lhe pagará quantias mais altas pelos seus serviços."

Desta vez, Bilam confessou aos mensageiros: "Não posso transgredir os comandos de D’us, mesmo se Balac oferecesse-me todo o ouro e prata de seus tesouros." De fato, o ladino Bilam estava indicando a exorbitante taxa que exigiria – toda a fortuna de Balac. "Esta soma não é exagerada," refletiu o ganancioso Bilam. "Muito pelo contrário, sou uma mão de obra barata. Balac contratou-me para aniquilar uma nação inteira. Se não fosse por mim, teria mobilizado e financiado um exército inteiro, o que lhe custaria muito mais que seu tesouro inteiro. Além disso, seu exército poderia não vencer a guerra, enquanto que o êxito de minhas maldições é garantido."

"Pernoitem aqui hoje," disse Bilam aos príncipes moabitas. "Deixem-me ver o que mais D’us me dirá."

Apesar de ter ouvido claramente D’us proibi-lo de amaldiçoar os judeus seu desejo de unir-se a Balac era tão ardente por causa da sua avidez por dinheiro e honra, que fez outra tentativa de obter permissão.

Ao ver a insistência de Bilam, D’us aquiesceu, uma vez que "todo homem é levado pela senda que deseja trilhar."

Uma pessoa deve implorar constantemente a D’us para mostrar-lhe o caminho apropriado a seguir. Não deve presumir que seu caminho atual é necessariamente correto, pois pode jamais descobrir a verdade. Em vez disso, uma pessoa deve buscar esclarecimentos consistentes em todos os assuntos. Se for sincero em seu desejo, receberá ajuda de Cima.

D’us disse: "Perverso, sabe por que Eu quis impedi-lo de unir-se a Balac? Desejei impedir sua morte. Não desejo a morte nem mesmo de um perverso. Se insistir em seguir a trilha da destruição, então vá."

D’us também permitiu a Bilam que vá para que depois não dissesse: "D’us está com medo de minhas maldições. Portanto, Ele não me deixa amaldiçoar Seu povo."

Bilam ficou satisfeito com a resposta de D’us: "Assim como Ele mudou de idéia deixando-me ir," pensou, "Ele ainda mudará de idéia sobre eu amaldiçoar os judeus."

Os estranhos e miraculosos acontecimentos ocorridos durante a viagem de Bilam

Levado por um fanático ódio aos judeus, naquela manhã Bilam levantou-se mais cedo que de costume. Ele mesmo selou sua mula, apesar deste serviço subserviente ser, em geral, designado a seus servos.

D’us disse: "Perverso, você pensa que sua devoção a sua missão ganhará superioridade para as forças da impureza? Há outro antes de você, o patriarca dos judeus, Avraham, que agiu com avidez similar e devoção a um propósito sagrado. Ao ser ordenado a sacrificar seu filho Yitschac, também ele levantou-se cedo e selou, ele próprio, seu burro; implantando, desta forma, uma dedicação que é mais forte que a sua."

Bilam partiu, acompanhado por dois servos e seguido pelos príncipes de Moav. D’us preencheu a rota de Bilam com obstáculos, a fim de adverti-lo de que estava prosseguindo em direção a sua própria destruição. Ele enviou o Anjo da Misericórdia para obstruir seu caminho, porém Bilam escolheu ignorar um sinal após o outro.

D’us fez com que a mula de Bilam sentisse a presença do anjo, de modo que Bilam pudesse sentir-se humilde ao perceber que seu animal sabia mais que ele.

Quando a mula sentiu que tinha um anjo diante de si, ameaçando-a com uma espada, não se atreveu a continuar. O caminho era ladeado de campos abertos, e a mula correu para as planícies.

Bilam não sabia explicar o estranho comportamento do animal. Contudo, recusava-se a refletir sobre o significado dos extraordinários eventos, apenas ficou cada vez mais irado e golpeou sua besta. O animal, voltou então para o caminho, de onde o anjo já havia desaparecido. Imediatamente, o anjo reapareceu, e a mula o viu de novo. Com receio de continuar, a mula foi para a beira do caminho, onde havia um montículo de pedras. A mula pressionou o pé de Bilam contra as pedras, machucando-o. Desde então, Bilam passou a mancar.

Por que Bilam foi ferido?

Nosso patriarca Yaacov chegou a um acordo com Lavan: "Nem nós nem nossos descendentes atravessarão este lugar para prejudicar uns aos outros." Selando o acordo, erigiram um monte de pedras (Bereshit capítulo 32:44-54). Este era o mesmo monte de pedras no qual Bilam, descendente de Lavan, esbarrou, passando por ali com o objetivo de prejudicar os descendentes de Yaacov. Ele estava violando o acordo. Como castigo, o monte de pedras feriu seu pé.

Porém isto não o dissuadiu de continuar a viagem. Quando a mula quis dar a volta, evitando o anjo, Bilam chicoteou-a novamente.

Pela terceira vez, a mula ficou parada no meio do caminho. Só que agora, o caminho estava cercado dos dois lados, e a mula não podia se desviar. Encolheu-se sob Bilam, negando-se a se mover.

Bilam deveria ter refletido. Já possuía a mula por muitos anos, e ela nunca havia se comportado daquele jeito. Deveria ter percebido que D’us o impedia de prosseguir. Ao invés disso, Bilam enfureceu-se, dando uma terrível surra na mula.

Por quê o anjo apareceu três vezes?

Da primeira vez que o anjo apareceu, havia campo aberto dos dois lados do caminho. D’us mostrava: "Se você pretende maldizer os filhos de Avraham, só pode maldizer os descendentes de Yishmael, que são perversos e merecem uma maldição. Mas não se atreva a amaldiçoar os filhos de Yitschac, pois são tsadikim."

Na segunda aparição, só podia escapar por um lado, simbolizando: "Se você quer maldizer os descendentes de Yitschac, só pode maldizer os filhos de Essav, o perverso, mas jamais os filhos de Yaacov."

Da terceira vez, o asno não podia se mexer nem para a direita, nem para a esquerda, mostrando a Bilam: "Se você quer maldizer os descendentes de Yaacov, o caminho está bloqueado de ambos os lados. É impossível. Os doze filhos de Yaacov são tsadikim, e seus descendentes são santos."

D’us realizaria agora um milagre cujo potencial Ele estabelecera durante os seis dias da criação – fazer a mula conversar com Bilam em linguagem humana.

Este milagre tinha como objetivo incutir em Bilam a impressão de que a fala é um dom de D’us. Exatamente como Ele pode investir uma besta muda com o poder da fala, assim Ele impediria Bilam de fazer quaisquer declarações não favoráveis contra os judeus.

A mula reclamou a Bilam: "O que fiz a você para merecer apanhar três vezes?"

Bilam deve ter ficado assombrado e aterrorizado ao ouvir a mula falar. Todavia, estava tão obcecado em atingir seu perverso objetivo que estava insensível sequer às mais bizarras ocorrências.

Replicou a sangue frio: "Você me fez de bobo! Se apenas tivesse uma espada em minhas mãos, te mataria agora!" Começou a procurar uma arma para matá-la.

A mula comentou: "Aparentemente, você não pode destruir-me sem uma espada, não obstante está a caminho de erradicar uma nação inteira com palavras?!"

Os príncipes de Moav, cavalgando com Bilam, ficaram sem palavras. Jamais testemunharam algo tão extraordinário quanto uma conversa entre um ser humano e um animal. Além disso, as palavras da mula faziam sentido.

"É verdade," os príncipes começaram a rir. "Vejam, este homem proclama que pode destruir um povo inteiro apenas com palavras, e agora está procurando freneticamente uma espada para matar sua mula!"

Essa ridicularização foi um golpe devastador para o orgulho de Bilam.

"Por que você está montando uma mula que não lhe obedece?" – perguntaram os príncipes.

"Ela não me pertence, tomei-a emprestado," explicou Bilam.

"Não é verdade," desmentiu-o a mula, "Sou sua mula."

"Contudo," continuou Bilam, "ela não está acostumada a transportar pessoas, apenas cargas."

"Não," objetou a mula. "Estou acostumada a que me monte."

"Talvez eu a usei uma vez," desconversou Bilam.

A mula corrigiu-o: "Você sempre montava em mim durante o dia, e à noite usava-me para seus baixos propósitos! Alguma vez já agi de maneira similar desde que me conhece?"

"Não, não agiu," confessou o envergonhado Bilam.

Somente depois é que D’us abriu os olhos de Bilam, que de repente notou o anjo a sua frente, brandindo a espada.

Bilam compreendeu que fora ameaçado de morte. Ajoelhou-se e prostrou-se ao solo, em sinal de reverência.

O anjo censurou-o: "Por que bateu na mula três vezes? Se ela não tivesse se desviado de mim cada vez, eu teria te matado. No entanto, não fui enviado para cá para defender sua mula. Vim para avisar você a não prosseguir com seus planos perversos. A nação que você procura exterminar é tão amada pelo Todo Poderoso, que Ele ordenou a todos os seus varões que viessem visitá-Lo três vezes por ano no Templo Sagrado (para as Festas)."

Temendo por sua vida, Bilam tornou-se submisso e fingiu remorso.

"Pequei," confessou impetuosamente, esperando que o anjo poupasse sua vida. "Deveria ter percebido, pelos acontecimentos extraordinários, que D’us estava tentando impedir-me de seguir meu curso. Agora, se você desaprova que eu continue viajando, voltarei."

As palavras: "Se você desaprovar," que Bilam dirigiu ao anjo, eram insolentes. Implicavam: "D’us permitiu-me partir, e agora Ele envia um anjo para relembrar Suas palavras. Se Ele quer que eu volte, Ele Mesmo deveria ter me dito. Também no passado D’us foi inconsistente. Primeiro, Ele ordenou a Avraham que oferecesse seu filho em sacrifício, e depois Ele ordenou que um anjo contradissesse Sua Palavra."

Bilam era astuto. Intencionalmente, disse: "Pequei." Sabia que se alguém confessa seu pecado, o anjo não tem poder de tocá-lo. Em seu coração, porém, continuava o mesmo perverso de antes sequioso por maldizer os judeus. Por isso, D’us permitiu que ele continuasse na vereda do mal que ele próprio escolhera.

O anjo respondeu: "Você pode prosseguir viagem. Mas saiba que será capaz de dizer apenas o que colocarei em sua boca."

Bilam montou alegremente, esperando "persuadir" o Todo Poderoso a deixá-lo amaldiçoar os judeus.

Bilam é recebido por Balac, e ambos preparam-se para maldizer o povo judeu

De acordo com instruções anteriores de Balac, ao chegarem às proximidades de Moav, os delegados notificaram o rei, que saiu para prestar a Bilam a honra de uma recepção real.

"Por que não aceitou minha oferta imediatamente?" Balac reprovou Bilam. "Você acha que sou incapaz de honrá-lo?" (Involuntariamente, uma faísca de profecia escapou de seus lábios. Na verdade, não seria capaz de honrar Bilam.)

Bilam explicou a Balac que ele não concordara imediatamente porque D’us proibiu-o de partir. "Agora também tenho poder para falar apenas as palavras que D’us coloca em minha boca."

Não obstante, ambos confiavam em que Bilam seria capaz de enfraquecer os judeus com seus poderes e prejudicá-los através de seu mau olhado.

Conforme Balac e Bilam cavalgavam ao longo do rio Arnon em direção aos subúrbios da capital, o rei mostrou a Bilam, à distância, faixas de terra que os judeus conquistaram de Sichon e Og, terras que originalmente pertenceram a seu próprio país.

Ao chegarem à capital, Bilam percebeu que era densamente populosa, e fervilhava de atividade. Antes da chegada de Bilam, Balac ordenara a todas as grandes lojas e mercados dos subúrbios de Moav que se transferissem para o centro da capital. Esperava que a visão da cidade agitada com vida e atividade despertasse a simpatia de Bilam. Desta maneira, cheio de compaixão por uma população inocente de homens, mulheres e crianças ameaçadas por uma invasão, Bilam esforçar-se-ia ao máximo para incapacitar os judeus.

Bilam e os príncipes de Moav instalaram-se em alojamentos pré-determinados. O rei Balac enviou-lhes uma refeição de sua cozinha, porém a despeito de suas grandes promessas, era realmente escassa. Naquele dia, Balac abateu muito gado para seu próprio banquete suntuoso; para Bilam, contudo, enviou de má vontade não mais que um bezerro e um carneiro, ambos pequenos e defeituosos. Bilam ficou ultrajado, e jurou furiosamente: "Eu o ensinarei a não ser tão avarento. Amanhã, mandarei erigir sete altares em sete lugares diferentes, e oferecer um touro e um carneiro em cada um. E deverá repetir as oferendas cada vez que eu estiver pronto para maldizer os judeus. Que isto lhe sirva de lição."

Na manhã seguinte, Balac e Bilam encontraram-se a fim de começarem os preparativos necessários para amaldiçoarem os judeus. Bilam esperava reconhecer o minuto exato de ira de D’us, para aproveitar a oportunidade e pronunciar a maldição.

Balac, que era superior a Bilam no conhecimento de onde uma maldição deve ser pronunciada, levou Bilam a uma colina de onde podiam observar a Tribo de Dan.

Balac sabia que os judeus eram uma nação bendita por D’us. Não obstante, propunha-se a aniquilar os judeus que cometiam pecados. Se os encontrasse, D’us teria que cumprir a maldição, pois esses judeus mereciam uma punição.

No futuro, alguns homens da tribo de Dan erigiriam um ídolo; Bilam exultou quando viu a tribo que pecaria, pois acreditava que sua maldição faria efeito sobre esta tribo.

Bilam instruiu Balac: "Construa sete altares neste local, e ofereça um novilho e um carneiro a D’us."

Bilam esperava encontrar graça aos olhos de D’us com esses sacrifícios. Proclamou: "Construí sete altares, correspondendo aos sete altares erigidos pelos sete tsadikim: Adam e seu filho Hêvel, Nôach, Avraham, Yitschac, Yaacov e Moshê. "

Apesar de Bilam e Balac não oferecerem sacrifícios por motivos puros, mas com perversos propósitos posteriores, não obstante D’us recompensou-os. Balac, como resultado, tornou-se o ancestral de Ruth, a moabita, convertida e matriarca da real dinastia de David.

Aprendemos disso que devemos sempre realizar atos externos de retidão e virtude, estudar Torá e cumprir as mitsvot, mesmo se seus motivos não forem totalmente puros. Subseqüentemente, realizará esses atos com sinceridade.

É certo e apropriado que um judeu estude Torá e cumpra as mitsvot, mesmo que, naquele momento, falte-lhe a requerida dedicação mental a D’us. O cumprimento de Torá e mitsvot na prática exercem, por si sós, uma influência benéfica sobre ele.

Bilam ordenou a Balac: "Permaneça ao lado dos sacrifícios, enquanto eu subo ao topo da colina. Tenho de meditar sozinho para que D’us possa falar comigo. No passado, Ele nunca Se dirigiu a mim durante o dia, e não tenho certeza de que Ele virá ao meu encontro agora."

Bilam andou sozinho até o topo da colina, arrastando com dificuldade sua perna defeituosa. Apesar de seu ferimento ainda doer, recusava-se a atrasar a missão e dar-se o tempo para recuperar-se; pois estava ansioso demais para amaldiçoar os judeus.

Bilam pensou: "Logo chegará um momento no qual D’us fica desgostoso com o mundo." Todavia, ele esperou, esperou, mas esse momento jamais chegou.

Na verdade, D’us agiu com muita bondade com o povo judeu. Durante todos aqueles dias em que Bilam tentou maldizer os judeus, D’us conteve sua ira.

Depois que Bilam meditou um pouco, D’us apareceu para ele, em honra ao povo judeu. (Contudo, a revelação de Bilam foi inferior à experimentada pelos profetas judeus. D’us dirigiu-se a ele de maneira casual e desdenhosa, e não com amor.)

A Torá não diz "vayicrá" – D’us chamou Bilam. A Torá emprega a palavra "vayicar", significa que D’us "encontrou por casualidade" com Bilam. Também significa que D’us ficou aborrecido por ter de falar com alguém tão impuro como Bilam.

D’us perguntou a Bilam: "Perverso, o que você está fazendo aqui?"

"Preparei sete altares com sacrifícios," replicou Bilam, "como presentes a Ti."

Um vendedor sempre trapaceava seus clientes, usando falsos pesos. Certo dia, um inspetor entrou na loja e disse-lhe: "Você está sendo acusado de fraude."

"Eu sei," replicou o vendedor, "já enviei um presente a sua casa."

Similarmente, Bilam esperava o favorecimento de D’us subornando-O com sacrifícios.

D’us respondeu: "Prefiro uma colher cheia de farinha oferecida pelos judeus, descendentes de Meu amado Avraham, aos suntuosos sacrifícios daqueles que Eu odeio. Não quero as oferendas de um perverso. Volte para o rei Balac e fale com ele."

Bilam implorou a D’us para que o deixasse amaldiçoar o povo judeu; mas enquanto no seu íntimo formulara uma maldição, D’us enrolou sua língua, forçando-o a pronunciar o oposto do que pensava. (De cada bênção pode-se adivinhar a maldição que Bilam pretendia proferir.)

Foi como se D’us tivesse posto um freio em sua boca, obrigando-o a dizer apenas o que D’us queria que ele dissesse. Bilam já não podia escolher suas próprias palavras. Bilam retornou a Balac e aos príncipes de Moav. Encontrou-os ainda concentrados sobre as oferendas dos sacrifícios.

Bilam estava pronto para lançar sua primeira maldição. Mas o "freio" que tinha em sua boca alterava tudo o que ele pensava dizer. Qual não foi a surpresa de Balac e dos príncipes de Moav ao ouvir Bilam pronunciar as bênçãos mais portentosas.

A primeira bênção de Bilam: A origem e destino do povo judeu são únicas

Quando as bênçãos começaram a sair de sua boca, Bilam elevou sua voz o mais alto que pôde. Esperava evocar a inveja e hostilidade das nações gentias ao escutarem louvores ao povo judeu.

As bênçãos de Bilam estavam encobertas como parábolas poéticas. Proclamou:

"Balac, o rei de Moav trouxe-me de Aram, das antigas montanhas, dizendo, ‘Venhamos, e amaldiçoe (para) mim Yaacov e venha, desperte a ira [de D’us] contra Israel.’"

O profundo significado das palavras de Bilam era: Você, Balac, e eu, somos os mais ingratos dos homens. Ambos devemos nossas vidas aos judeus. Como, então, você pôde trazer-me de Aram para amaldiçoá-los? Foi neste exato local que seu patriarca, Yaacov, ficou com meu patriarca, Lavan. Antes da chegada de Yaacov, Lavan não tinha filhos. Nasci apenas por causa dos méritos de Yaacov.

Você, Balac, sobreviveu por causa das "antigas montanhas," os patriarcas desta nação (chamados de "montanhas"). Você é um moabita, um descendente de Lot. Se não fosse por seu patriarca Avraham, Lot não teria sido resgatado da destruição de Sodoma, e você não estaria vivo hoje.

Mais que isso, não percebe que D’us protege esse povo? Ele prometeu a seu patriarca Avraham: "Os que te amaldiçoarem, Eu os amaldiçoarei." Portanto, alguém que os amaldiçoa está se amaldiçoando. Quando enviou-me a mensagem: "Venha, amaldiçoe (para mim) Yaacov", você na verdade indicava: "Venha, amaldiçoe-me (amaldiçoando Yaacov)."

"Como posso amaldiçoar, enquanto D’us não amaldiçoa [mas ao contrário, Ele os abençoa]?! E como posso despertar a ira [Divina] contra eles, se D’us não está irado?!"

Parece que D’us abençoa os judeus mesmo quando merecem uma maldição. Assim, de que vale minha tentativa de amaldiçoar os judeus, se D’us não deseja que eles sejam amaldiçoados?

Das afirmações acima, de Bilam, podemos discernir seus pensamentos. Em seu coração, implorava a D’us que o deixasse pronunciar uma maldição. D’us, no entanto, frustrou suas intenções, e assim ele proclamou que ninguém poderia amaldiçoar esta nação.

Bilam decidiu então encontrar culpa e defeito nos patriarcas, para que o mal recaia sobre os judeus por causa deles. Por quê foi esta sua primeira maldição?

Duas pessoas entraram na floresta para derrubarem uma árvore. O mais tolo começou a podar um galho após o outro, um trabalho bastante tedioso. O mais esperto raciocinou: "Se pudermos encontrar as raízes desta árvore e fizermos um esforço supremo para cortá-la, conseguiremos também podar todos os seus galhos."

Assim, Bilam, o perverso, pensou: "Em vez de amaldiçoar cada tribo separadamente, erradicarei as raízes. Se encontrar alguma impureza na origem deste povo, eu a amaldiçoarei, e desta forma, prejudicarei o povo inteiro."

Em seguida Bilam concentrou seus pensamentos em nossos patriarcas, com o a intenção de encontrar neles alguma jaça. Mas ao contrário, uma bênção brotou de seus lábios, pois a origem dos judeus era pura:

"Do topo das rochas eu o vejo e das colinas eu o contemplo."

Vejo os judeus descenderem de patriarcas sagrados, chamados de "rochas", e das sagradas matriarcas, chamadas de "colinas". (Como as rochas no mundo físico, os patriarcas são a fundação espiritual do mundo.)

Desde a origem este povo é santo, suas almas anseiam por santidade. Por isso, nunca se assimilarão totalmente como os não-judeus (mesmo se ficarem associados temporariamente.)

Eles guardam e cuidam cuidadosamente de sua origem:

"Eis que o povo viverá na solidão e não será contado entre as nações."

O povo judeu não se casará com não-judeus, tampouco adotarão as crenças e culturas dos não judeus à sua volta. Recusam-se a profanar o Shabat, a abolir o berit milá (circuncisão), ou a adorar as divindades dos não-judeus.

"Quem pode contar o pó de Yaacov?"

Quem pode contar o número de mitsvot que um judeu realiza desde a hora em que nasce até a hora em que retorna ao pó?! Já está circunciso na tenra idade de oito dias. Se for um primogênito, é redimido por um cohen quando atinge a idade de trinta dias. Aos três anos, seus pais começam a educá-lo em Torá e mitsvot; aos treze, toma sobre si a responsabilidade de todas as mitsvot. Um judeu nunca se senta para uma refeição sem a bênção de "hamotsi"; e após a refeição, novamente recita bênçãos.

Quem pode amaldiçoar uma nação cujos membros dedicam suas vidas a cumprir os mandamentos de D’us?

Quem pode contar o número de mitsvot que um judeu realiza, mesmo com materiais inferiores, como terra e pó?

Quando o judeu ara, observa a proibição de "Não ararás com um boi e um burro juntos," e quando semeia, "Não semearás teu campo com duas espécies de sementes." Ele utiliza cinzas para a mitsvá da vaca vermelha, e pó para as águas de Sotá.

Quem pode amaldiçoar uma nação que cumpre até mesmo a mais pequena das mitsvot de D’us?

Quem pode contar as pequenas crianças judias que, como D’us predisse, "multiplicar-se-ão como o pó da terra"? (Todas as contagens no deserto excluíam os varões com menos de vinte anos de idade.)

Através da bênção de Bilam podemos discernir a maldição que elaborara em seu coração; ele desejava diminuir o número de judeus.

"E o número da quarta parte de Israel."

Quem pode contar a população de mesmo uma das quatro divisões de estandartes dos judeus?

De acordo com outra interpretação, Bilam disse: "D’us conta a semente dos judeus, esperando que nasça um tsadic."

Quando Bilam pronunciou estas palavras proféticas, comentou intempestivamente: "Como pode D’us, Que é santo, e seus anjos, que são santos, mesmo olhar para tais assuntos?"

Como punição, Bilam ficou cego de um olho.

"Que eu morra a morte dos justos e que meu fim seja como o deles!"

Ao perceber que em vez de amaldiçoar os judeus estava involuntariamente abençoando-os repetidamente, Bilam decidiu que seria melhor morrer a continuar sofrendo tal agonia!

Entretanto, o espírito de profecia que falava através de seus lábios também elevou esses pensamentos, e ele encontrou-se pedindo a morte dos judeus justos e virtuosos, que entrassem no Paraíso depois de partir deste mundo.

Este é um dos versículos nos quais a Torá Escrita expressa a crença fundamental de que a alma continua a existir depois da morte física, e que os tsadikim experimentam a plenitude e felicidade eternas do Paraíso. Por isso, Bilam teria desejado a morte dos judeus justos.

Balac ficou escutando as palavras de Bilam com cada vez mais assombro e consternação.

"O que você fez comigo?" – censurou-o. "Eu lhe convoquei para amaldiçoar meus inimigos, e você os abençoa!"

"Não posso fazer nada a esse respeito," replicou Bilam, "pois sou forçado a falar o que D’us coloca em minha boca."

Quando os príncipes de Moav ouviram essas palavras, perceberam que Bilam não conseguiria amaldiçoar os judeus. A maioria partiu, apenas alguns permaneceram com Balac, na vã esperança de que Bilam ainda obtivesse êxito.

Balac disse então a Bilam: "Deixe-me levá-lo a outra colina, onde estou tendo a visão, através de meus poderes mágicos, que os judeus, um dia, sofrerão uma trágica perda. Talvez essa calamidade seja resultado de minha maldição!"

Balac levou Bilam à montanha sobre a qual Moshê estava destinado a falecer.

"Medite sobre os perversos do povo," aconselhou Balac a Bilam, "e não sobre os tsadikim. Talvez você consiga prejudicá-los."

Bilam instruiu Balac a erguer novamente sete altares, e a sacrificar um touro e um carneiro sobre cada um.

"Permaneça aqui para oferecer os sacrifícios," disse Bilam a Balac. "Eu ficarei mais adiante, para que D’us se dirija a mim."

Ao ser instruído por D’us para conceder mais bênçãos sobre os judeus, não quis voltar a Balac. "Por que devo voltar e deixá-lo irado?" – disse.

Contudo, D’us forçou Bilam a voltar e pronunciar a próxima bênção.

Ao ver Bilam se aproximando, Balac perguntou-lhe cinicamente: "O que D’us, a Quem você é obviamente subserviente, lhe disse para profetizar?"

Por conseguinte, Bilam começou seu discurso censurando Balac por essas palavras desrespeitosas

 

Fonte: http://www.chabad.org.br/

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