Leitura da Torá: Porção Semanal: Balac (04/07)…continuação

A segunda profecia de Bilam: a grandeza do povo judeu os protege contra maldições

"Levante-se, Balac, e ouça, escute-me, Oh filho de Tsipor."

Não trate levianamente minha profecia, Balac. Você não deve permanecer sentado enquanto ouve as palavras de D’us. Levante-se e fique de pé!

"D’us não é um homem, para que Ele seja falso, nem um ser humano que Se arrependa."

Um homem às vezes faz uma promessa, e mais tarde recusa-se a cumpri-la, ou arrepende-se de tê-la feito. D’us, contudo, mantém Sua palavra. Ele prometeu aos patriarcas que Ele levaria os judeus a Terra de Israel e lhes daria sua posse. Você acha que Ele quebraria Sua promessa e deixaria você destrui-los no deserto?

Da bênção de Bilam podemos apreender a maldição que desejava pronunciar: que D’us deveria quebrar a aliança que selou com os patriarcas, e não levar o povo para a Terra Santa.

"Acaso Ele falou e não o fará, ou Ele disse e Ele não o cumprirá?"

Essas idéias são formuladas como questões retóricas (em vez de afirmações, "Se Ele disse, Ele certamente o fará…") para sugerir que, de fato, há épocas em que D’us não cumpre Sua palavra: Se Ele decreta algo de mal sobre o povo, e este se arrepende depois, Ele anula Seu decreto. Porém, quando se trata de uma bênção do Todo Poderoso, esta é irrevogável.

"Vejam, eu recebi as bênção, Ele abençoou, e eu não posso retirar."

Em seu íntimo, Bilam implorava a D’us para não compeli-lo a pronunciar mais bênçãos, porém sua verdadeira fala admitia que estava em poder de D’us.

"Ele não viu iniqüidade em Yaacov, e nem viu Ele algo errado em Israel."

Bilam tentava desesperadamente encontrar defeitos nos judeus. Todavia, a geração que chegou a Israel era uma geração de tsadikim, e desta forma foi forçado a admitir que não conseguiria encontrar pecadores entre eles.

"D’us, seu D’us, está com eles, e a Shechiná do Rei está com eles."

Você, Balac, disse-me para amaldiçoar os judeus com meus poderes de impureza. Como posso amaldiçoar um povo cujo D’us está constantemente em seu meio, e os guarda e protege? Um ladrão pode conseguir entrar num vinhedo e arrancá-lo enquanto o proprietário está dormindo; mas "O Guardião de Israel não dorme nem dormita. " (Tehilim 121:4). Como, então, posso prejudicar os judeus?

Ao ouvir as palavras de Bilam, Balac perguntou: "Será possível que suas maldições são ineficazes por causa do poder de seu atual líder, Moshê? Talvez você deva atrasar os efeitos da maldição para a época depois da morte de Moshê, quando os judeus serão guiados por outro líder?"

"Impossível," replicou Bilam. "O sucessor de Moshê, Yehoshua, batalhará contra os inimigos tão vigorosamente quanto Moshê. Quando tocar trombetas perante D’us, os muros de Jericó esfacelar-se-ão e desmoronarão!"

"D’us tirou-os do Egito com o poder da Sua elevação."

Você, Balac, disse-me: ‘Veja, um povo saiu do Egito." Estas palavras não eram acuradas. O povo não poderia ter deixado o Egito sozinho, mas deve ter sido tirado de lá por D’us de maneira sobrenatural. Eu, Bilam, enfeiticei todas as fronteiras do Egito com meus poderes mágicos, a fim de impedir a fuga dos escravos hebreus. Não obstante, minha feitiçaria foi ineficaz, pois D’us, Ele próprio tirou-os de lá.

"Pois não há adivinhações em Yaacov, tampouco há qualquer feitiçaria em Israel."

Este versículo pode ser compreendido de duas maneiras:

1. Nenhuma adivinhação é efetiva contra Israel (uma vez que D’us está em seu meio); portanto, as ferramentas de magia que os sábios de Midyan trouxeram a mim são completamente inúteis. Pois, diferente das nações, este povo não é regido por anjos encarregados, mas estão sob Supervisão direta de D’us.

Quando meu avô Lavan estava sequioso por destruir seu patriarca Yaacov com sua artes mágicas, D’us não deixou que tivesse êxito. Similarmente, não posso derrotar os descendentes de Yaacov.

2. Não poderão ser encontrados adivinhos e feiticeiros entre os judeus. Não praticam magia como as outras nações, porém consultam D’us diretamente, através de seus profetas, e através da placa peitoral do Sumo-sacerdote. Portanto, este grande povo certamente merece ser abençoado.

"Chegará uma época na qual dirão a Yaacov e a Israel: ‘O que D’us operou?’"

1. Na época de Mashiach, D’us realizará milagres para os judeus, que ultrapassarão todos os que foram feitos no passado. As nações gentias então virão e indagarão aos judeus sobre os grandes feitos de D’us.

2. Na era que se seguirá à ressurreição dos mortos, o amor de D’us pelo povo judeu se tornará evidente a todos. D’us, pessoalmente, será seu professor de Torá. Os tsadikim sentar-se-ão na frente de D’us como estudantes ante seu mestre, e Ele lhes revelará os profundos significados da Torá.

3. Não será permitido aos anjos entrarem, porém precisarão perguntar aos judeus: "O que D’us te ensinou?"

"Vejam, o povo levantar-se-á como um filhote de leão, e se levantará como um leão."

1. Este povo ergue-se tão forte quanto um leão, e não descansará até ter destruído seus inimigos e tomado os espólio de Canaã.

2. Não há nação na terra que serve o Criador com tanta energia quanto o povo judeu. Quando um judeu se levanta de manhã, ele se fortalece como um leão para agarrar as mitsvot, para vestir tsitsit e tefilin, e para recitar o Shemá na hora certa.

"Não se deitará até que tenha comido de sua presa, e beba o sangue da caça."

1. Bilam predisse que Moshê não faleceria antes de vingar-se dele e dos cinco reis midyanitas.

2. Um judeu não se deita à noite até ter recitado o Shemá. Ao pronunciar as palavras: "D’us é Um," reconhecendo assim que não há outro poder que o Todo Poderoso. D’us destrói agentes prejudiciais.

Depois de aprender da segunda profecia de Bilam que os judeus conquistariam Canaã e matariam os reis das nações, Balac aconselhou Bilam: "Melhor ir para casa em silêncio! Não preciso nem de suas maldições, nem de suas bênçãos!"

Bilam replicou: "Já não lhe disse que preciso seguir as instruções de D’us?"

Balac decidiu fazer mais uma tentativa. "Afinal de contas," pensou, "Sei que esta nação não é invencível. Foram atacados, no passado, pelos amalequitas e canaanitas. Mesmo que eu não consiga destrui-los totalmente, ou impedi-los de entrar em Canaã, deve haver algum modo de prejudicá-los."

Balac levou Bilam a um local diferente, onde, no futuro, os judeus adorariam o ídolo Báal Peor. Balac previu que os judeus seriam punidos lá, mas era incapaz de adivinhar detalhes. Pensou: "Talvez sua punição será o resultado da maldição de Bilam."

Balac e Bilam ergueram novamente sete altares e ofereceram um touro e um carneiro sobre cada um.

Desta vez, Bilam não tentou utilizar seus poderes de impureza, uma vez que admitira em sua última profecia que os judeus eram imunes à mágica. Em vez disso, concentrou seus poderes em seus pecados. Virou sua face em direção ao deserto, para lembrar D’us do pecado do bezerro de ouro. Não obstante, ao erguer os olhos, percebeu que a Shechiná pairava sobre as tendas dos israelitas. Soube então que D’us perdoara seu pecado.

Em honra ao povo judeu, o espírito de profecia penetrou Bilam. D’us forçou-o a pronunciar novas bênçãos.

A terceira profecia de Bilam: os judeus habitarão em segurança em Israel, governados por seu rei

"A irrevogável proclamação de Bilam, filho de Beor, e a irrevogável proclamação do homem com boa visão (shetum haayin)."

Bilam estava, profeticamente, louvando a si mesmo, dizendo que era maior profeta que seu pai Beor, e que sabia segredos ocultos a todos os outros profetas.

De acordo com esta explicação, shetum haayin significa que Bilam tinha uma visão profética superior.

Contudo, as palavras shetum haayin comportam ainda outras interpretações:

1. Shetum haayin significa "aquele cujo um olho foi tirado." D’us puniu Bilam cegando-o de um olho, pois a sarcástica observação que fez ao pronunciar a profecia: "Ele conta a semente de Israel."

2. Além disso, Bilam chamou a si mesmo "o homem com mau olho." Bilam podia lançar as forças do mal sobre uma pessoa concentrando seu olhar sobre essa. Ergueu os olhos com o intuito de prejudicar os judeus, mas ficou impotente para prejudicá-los.

Bilam descreveu a si mesmo como "um homem forte" (guever, derivado do radical guevurá – força).

"Irrevogável declaração daquele que ouve os ditos de D’us, que vê as visões do Todo Poderoso, caindo enquanto lhe está sendo revelado."

Bilam continuava a descrever suas habilidades proféticas, declarando que eram comparáveis às de Moshê.

O perverso Bilam, que cometera toda espécie de pecado, tentava impressionar o mundo descrevendo sua superioridade sobre todos os outros profetas. Com sua auto-glorificação, tentava enganar as pessoas a respeito de seu verdadeiro caráter.

De que maneira a profecia de Bilam se compara a de Moshê?

"Não houve ninguém como Moshê no povo judeu" (Devarim 24:10). Este versículo implica que entre os gentios houve um profeta do calibre de Moshê, a saber, Bilam. D’us concedeu às nações do mundo uma profecia superior, para que não reivindicassem: "Se apenas tivéssemos um profeta tão grande quanto Moshê, nós também teríamos servido o Todo Poderoso, como o povo judeu."

Apesar disso, Bilam era inferior a Moshê.

Moshê ouvia as mensagens de D’us de pé. Bilam não conseguia suportá-las de pé, por isso prostrava-se. Todos os profetas idólatras prostravam-se durante suas profecias, pois não eram circuncidados.

A rainha de Shevá ouvira a respeito da rara sabedoria do rei Salomão, e quis testá-lo. Viajou à corte de Salomão em Jerusalém, onde propôs-lhe diversas charadas e questões engenhosas.

Dentre outras coisas, trouxe um grupo de meninos perante Salomão e disse: "Alguns desses jovens são circuncidados, outros não. Você pode dizer quais são os meninos circuncidados?"

Salomão pediu ao Sumo-sacerdote que abrisse a Arca e mostrasse-a às crianças. Os circuncidados curvaram a cabeça, e suas faces iluminaram-se com o esplendor da Shechiná. Todos os não circuncidados não puderam suportar a santidade da Arca e caíram sobre suas faces.

Quando Salomão forneceu a resposta correta, a rainha indagou: "Como você pensou neste método para distinguir entre eles?"

"Aprendi da Torá," retrucou Salomão. "Está escrito que Bilam não conseguiu suportar a glória de D’us, porque não era circuncidado, e portanto sempre se prostrava quando a Shechiná revelava-Se a ele."

Bilam continuou falando:

"Quão boas são tuas tendas, Yaacov, tuas habitações, Israel."

Bilam desejava lançar um mau olhado sobre os judeus, porém foi forçado a afirmar que esta nação era tão sagrada que seu mau olhado não tinha poder contra eles.

Os judeus arrumaram suas tendas de forma que nenhuma entrada ou janela ficasse de frente uma para a outra. Isto possibilitava que cada família conduzisse todos os seus assuntos em particular. Mais que isso, ninguém ficaria tentado a olhar ou cobiçar a mulher ou os pertences do vizinho. Percebendo isso, Bilam exclamou: "Quão boas são tuas tendas, Oh, Yaacov!"

Este versículo implica:

Quão boas são as tendas da Shechiná, os Santuários e os dois Templos" todos vistos profeticamente por Bilam.

Quão boas são as Casas de Orações e Estudos de Torá, as miniaturas do Templo no exílio!

Da bênção de Bilam fica evidente que maldição queria falar; que os judeus no exílio não terão mais Casas de Orações e Estudos, intensificando sua conexão com o Todo Poderoso. Contudo, D’us fez com que Bilam concedesse uma bênção de que nossas Sinagogas e Casa de Estudos permaneceriam conosco para sempre.

Essas bênçãos são tão significativas que os sábios incorporaram-nas às orações diárias. D’us queria que estas bênçãos sublimes viessem ao povo judeu através do perverso e imoral Bilam. Assim, o mundo saberia que ninguém tem poder de prejudicar os judeus contra a vontade de D’us.

"[Os judeus são] como os riachos que fluem, como jardins às margens do rio, tão fragrantes quanto os aloés que D’us plantou, como as árvores de cedro à beira da água."

Bilam descreveu poeticamente a grandeza dos judeus, um povo que estuda Torá e cumpre as mitsvot. Os judeus que entram nas Casas de Estudos são comparados aos riachos dos quais a água (Torá) flui, e às plantas nas margens do rio, uma vez que o estudo da Torá purifica como a água. São comparados às belas e fragrantes plantas que produzem frutos, como as que D’us plantou originalmente no Paraíso.

Seu estudo eleva-os, do mesmo modo que as árvores de cedro são muito mais altas que outras árvores.

"A água fluirá de suas nascentes, e sua semente estará em muitas águas."

Este versículo inclui grande número de significados, dentre eles:

1. Bilam exclamou: "A Torá fluirá dos pobres."

Nossos sábios declararam: "Ensine Torá aos filhos dos pobres, pois o versículo afirma que serão estudantes de Torá."

Por quê o estudo da Torá é mais comumente disseminado entre os judeus pobres que entre os ricos?

• Os ricos estão preocupados com seus negócios, e por isso perdem tempo do estudo da Torá.

• Os pobres são mais humildes que os abastados, por isso sentem necessidade de estudar.

• Pessoas pobres não possuem os meios de passar seu tempo de lazer da maneira que os ricos (viajando nas férias, fazendo compras, dando festas, e assim por diante). Em vez disso, preenchem seu tempo livre com o estudo da Torá.

2. Bilam profetizou que o povo judeu terá seus próprios reis poderosos, dizendo: "Um grande rei, Shaul, surgirá dos judeus; mais tarde, David e Salomão governarão muitas nações."

Por que a realeza é descrita como "água que flui de uma nascente"?

Os reis judeus eram ungidos com água da nascente, como símbolo de que sua monarquia perdurará, assim como a nascente emana continuamente.

"E seu rei será mais forte que Agag, e seu reinado será elevado."

Bilam profetizou que o primeiro rei judeu, Shaul, batalhará contra Amalec e derrotará seu rei, Agag. Mais tarde, David e Salomão derrotarão poderosos monarcas, e seu reinado, assim, se elevará.

As palavras de Bilam indicam claramente as maldições que queria pronunciar – que sua monarquia não será forte, e que não perdurará.

"D’us, que tirou-os do Egito, protege-os com Sua força e elevação."

Quem conquista todas essas vitórias para o povo judeu? Certamente é D’us, Que com Sua força e grandeza luta em seu lugar.

"Ele [D’us] consumirá as nações, suas adversárias, e quebrarão seus ossos e Ele dividirá sua terra [entre os judeus]."

Não pense que pode impedir os judeus de conquistar Canaã. O mesmo D’us Que tem a força para redimi-los do Egito também matará os reis canaanitas e dará suas posses aos judeus.

"Ele [este povo] se agachará e descansará como o leão e um filhote de leão: quem ousa levantá-lo [quando está descansando]?"

Os judeus se instalarão firme e seguramente na terra, nenhuma nação conseguirá expulsá-los.

"Os que te abençoam são abençoados, e os que te amaldiçoam são amaldiçoados."

Contra si mesmo, Bilam foi forçado a repetir a antiga promessa de D’us a Avraham, que continha a ameaça de que se Bilam amaldiçoar os judeus, ele trará maldição apenas sobre si mesmo.

Agora, a ira de Balac contra Bilam fora acesa. Rangia os dentes e esfregava as mãos em desespero e lamento pelo desencadear dos eventos.

"Você já abençoou meus inimigos três vezes," vituperou. "Eu lhe avisei para correr para casa antes de mandar meus servos lhe executarem. Vejo que D’us não quer que você seja honrado."

Bilam respondeu: "Mesmo se me der todo seu dinheiro, devo abençoar os judeus, pois D’us colocou essas bênçãos na minha boca."

"Contudo, arquitetei outro plano para destruir os judeus. Deixe-me lhe dar um bom conselho. O D’us dos judeus odeia imoralidade. Se você conseguir seduzi-los a pecar, Ele Mesmo os dizimará. Deixe-me descrever como enganar os homens judeus!"

O perverso Bilam arquitetou um plano para capturar os judeus na armadilha da imoralidade, (como será descrito no final desta parashá).

"Antes de eu partir," anunciou Bilam, "Sou compelido a lhe desvelar ainda outra profecia. Esta revelará o que os judeus farão na época de Mashiach. Contudo, no presente você não tem motivos para temê-los, pois D’us proibiu-os de atacarem Moav."

A quarta e última profecia: eventos que acontecerão na época de David e Mashiach

"A irrevogável declaração de Bilam, filho de Beor, e a irrevogável declaração do homem com boa visão. Irrevogável declaração daquele que ouve as falas de D’us, e conhece a mente do mais Elevado. O que vê a visão do Todo Poderoso, prostrando-se enquanto lhe está sendo revelada."

Bilam revela aqui um novo aspecto de sua grandeza profética, de que sua habilidade de amaldiçoar deriva de seu "conhecimento da mente do mais Elevado" – ou seja, ele podia discernir o momento exato da ira Divina.

Além disso, Bilam louvava a si mesmo de que conhecia a "mente do mais Elevado", pois estava prestes a fazer revelações referentes a assuntos ocultos que transpirariam desde a época do Rei David até o fim dos dias.

"Eu o vejo, porém não agora; percebo-o, mas não perto."

Vejo o Rei David erguendo-se, mas não agora (pois ainda se passarão mais quatrocentos anos até o nascimento de David), e eu percebo o Rei Mashiach nesse futuro longínquo.

"Uma estrela partiu de Yaacov, e um cetro [governante] ergueu-se de Israel."

Bilam descreveu Mashiach como uma estrela que traça sua órbita de um extremo do universo a outro, para simbolizar que Mashiach reunirá os exilados de todos os cantos da terra.

As palavras "e um governante ergueu-se de Israel" podem referir-se ao Rei David ou a Mashiach.

"E perfurará os cantos de Moav, e solapa todas as nações, descendentes de Shet."

David perfurará todos os cantos de Moav, ele subjugará a terra de Moav. Mashiach solapará as nações, inclusive Moav, e essas serão subservientes ao povo judeu.

"E Edom será uma posse e Seir também se tornará propriedade do seu inimigo, e Israel a herdará."

Bilam profetizou que o exílio edomita (nosso exílio atual) será finalmente terminado por Mashiach.

"Outro governará de Yaacov e ele destruirá quaisquer vestígios da cidade [de Roma]."

Mashiach destruirá todos os remanescentes da casa de Essav.

"E ele previu [a punição] de Amalec, e ele declamou sua parábola e disse: O primeiro a lutar contra os judeus [após o Êxodo] foi Amalec, e seu fim será a destruição eterna."

Bilam descreveu profeticamente o destino de duas nações – uma, Amalec, que escolheu ser inimiga do Todo Poderoso e do povo judeu; e a outra, a família de Yitrô, sogro de Moshê, (descrita no próximo versículo), que escolheu unir-se a D’us. Amalec recusou-se a se arrepender, mesmo depois de ter perdido a guerra contra os judeus, e foi condenado à destruição eterna. A família de Yitrô, os Kenim, mereceram bênçãos eternas.

"E ele previu [o destino] dos Kenim [descendentes de Yitrô], e declamou sua parábola e disse: Quão firme é seu local de habitação desde que você colocou seu ninho sobre a rocha."

Bilam exclamou: Vejo que você escapou das artimanhas do yêtser hará (má inclinação) tal um pássaro escapa de uma armadilha. Você fez teshuvá, converteu-se e uniu-se firmemente a Rocha, o D’us do povo judeu.

Prevejo que colherá bênçãos por isso, pois seus descendentes sentarão no San’hedrin (Corte Suprema) junto com a elite dos judeus.

"Mesmo se os Kenim se desencaminharem, quão longe a Assíria te carregará cativo?"

Bilam continuou a dirigir-se aos Kenim, afirmando: Vocês fizeram bem em unirem-se firmemente ao povo judeu. Mesmo se forem exilados por Sancheriv, rei de Assíria, junto com as Dez Tribos, não ficarão perdidos eternamente. Voltarão do Exílio, para Israel junto com os judeus.

"E declamou sua parábola e disse: Oh!, quem viverá quando D’us concederá redenção a Seu povo, recompensando os tsadikim e punindo os perversos."

A profecia de Bilam refere-se ao grande e temível Dia do Julgamento na época de Mashiach, quando D’us imporá justiça à humanidade.

"E uma flecha das mãos dos Kitim [romanos] afligirá Assíria e afligirá Ever [os judeus], porém eles [os romanos] também serão destruídos para sempre."

Bilam profetizou que os assírios seriam atacados pelos romanos, que afligi-los-ão, e a seus judeus cativos. Finalmente, no fim dos dias, Roma cairá nas mãos de Mashiach, e nosso exílio chegará a um fim.

Quando Bilam terminou essas profundas declarações proféticas, levantou-se, pois estava deitado, prostrado, enquanto D’us comunicava-se com ele. O espírito de D’us que imbuiu-Se nele em honra aos judeus partia dele para sempre. Passou o resto de sua vida como um mágico comum.

Bilam partiu para retornar a sua terra, Aram Naharayim. Antes de partir, supervisionou a construção de grande número de tendas e barracas, nas quais postou as filhas de Midyan, com o propósito de seduzir os homens judeus.

O perverso conselho de Bilam para fazer os judeus pecar com imoralidade

Bilam disse a Balac: "Existe um meio seguro de destruir os judeus: se pecarem D’us os castigará. D’us proibiu-os de se relacionarem com mulheres não judias, pois não quer que se misturem à outras nações. Envie mulheres aos judeus, e diga-lhes para persuadir os homens judeus a pecar. Se conseguirem D’us fará com que os judeus desapareçam."

Balac e os nobres de Midyan decidiram levar a cabo o plano de Bilam para fazer os homens judeus pecarem. Ordenaram que suas filhas se adornassem para atraírem e seduzirem os judeus. Balac ordenou a sua própria filha que atraísse ninguém menos que Moshê.

Os moabitas encorajaram o plano vil de Midyan permitindo-lhes utilizar seu território para esse propósito.

Bilam sugerira que um enorme bazar fosse erguido nas vizinhanças do Acampamento judeu. "Venda artigos de vestuário para atrair os judeus," aconselhou. "Coloque mulheres velhas fora das bancas, mas coloque as jovens dentro das barracas."

Naquele momento os judeus estavam acampados em Shitim, uma estação na margem leste do Jordão, nas planícies de Moav.

Acampados em Shitim, os judeus sentiram-se seguros e autoconfiantes. D’us rechaçara todos os seus inimigos, incluindo o famoso feiticeiro Bilam, que foi forçado a louvá-los e abençoá-los. Uma certa despreocupação e leviandade permeava o Acampamento.

Mais que isso, a própria parada de Shitim conduzia à lascívia. A cada parada no deserto D’us confrontava os judeus com um teste especial. Ele imbuiu Shitim com o forte apelo da imoralidade.

Porém, D’us preparara muito antes do pecado um outro agente para salvar Seu povo da destruição. Ordenou que a Arca Sagrada do Santuário fosse feita de madeira conhecida como Shitim, acácia, para expiar pelo pecado que os judeus mais tarde cometeriam em Shitim.

Os judeus, famosos por sua moralidade superior até mesmo na decadente sociedade do Egito, foram agora apanhados num teste difícil.

O pecado começou com os menos importantes do povo. Após terminarem a refeição, decidiram relaxar um pouco visitando o bazar fora do Acampamento.

As mulheres velhas paradas fora das barracas mostravam as mercadorias e cotavam o preço, comentando: "Sei que esses artigos são caros, mas temos uma variedade de artigos baratos lá dentro."

O judeu entraria na barraca e encontraria uma jovem e atraente midyanita, que pedia um preço bem baixo pelas mesmas mercadorias que vira do lado de fora. Conversando de maneira convidativa, dizia ao judeu: "Só não conseguimos entender como vocês, judeus, odeiam-nos e recusam-se a se casarem conosco. Gostamos de seu povo. Acaso não somos todos descendentes de Têrach, pai de Avraham?"

"Veja, eu te dou este artigo de presente porque somos parentes. Você se parece com um velho conhecido. Por quê não se senta e come algo?"

Se o judeu recusasse, ela diria: "Não precisa objetar motivos religiosos. Sei que você segue leis dietéticas estritas. Veja, aqui há bezerros e galinhas gordas! Mande que sejam abatidos de acordo com suas exigências, então poderá comê-los. Enquanto isso, beba algo."

Cada moça tinha um frasco de vinho vermelho de forte buquê, que oferecia ao judeu.

Quando o judeu ficava embriagado, era convidado a maiores intimidades, mas apenas sob a condição de que primeiro adorasse seu ídolo, o Báal Peor. O judeu replicaria: "Não me curvarei a este ídolo." A moça então explicaria: "Você não precisa curvar-se a ele. Simplesmente realize suas funções corporais normais perante ele."

O abominável serviço desse deus requeria de seus adoradores que se alimentassem e então se despissem e se aliviassem na frente do ídolo.

Este culto simbolizava a inteira filosofia das nações gentias: "Viver a fim de satisfazer seus desejos animais. Não há motivos para sentir-se inibido, nem mesmo na frente de deuses!" Sua doutrina de absoluta falta de vergonha é diametralmente oposta ao conceito de recato e decoro da Torá, que deriva da consciência constante da presença de D’us, Que criou o homem para servi-Lo em todos os tempos.

Certa vez, uma mulher gentia sentiu-se gravemente doente e prometeu: "Se me recuperar dessa doença, adorarei todas as divindades do mundo." Ela se recuperou e perambulou de sacerdote em sacerdote para aprender sobre todos os deuses e a maneira como eram adorados. Ao ouvir sobre a divindade Báal Peor, perguntou a seu sacerdote: "Qual o serviço deste deus?" O sacerdote instruiu-a: "Coma alguns vegetais, beba vinho, dispa-se e realize suas funções corporais na frente dele." A mulher, incrédula, comentou: "Prefiro contrair minha doença novamente a realizar este serviço repulsivo."

E contudo, como resultado do hediondo plano de Bilam, havia judeus que concordaram em adorar esse ídolo. Por isso, a ira do Todo Poderoso acendeu-se.

A maioria dos que pecaram com as moças midyanitas e adoraram o Báal Peor pertenciam ao êrev rav (convertidos egípcios). A Torá salienta que aqueles que pecaram eram "haam – o povo", uma expressão que sempre se refere aos elementos menos valorosos do povo. As sementes do desejo impuro nunca foram totalmente erradicadas de seus corações. Este indivíduos foram agora eliminados da pura estirpe dos judeus através do teste de Peor e da subseqüente punição.

Contudo, mesmo judeus melhores, da Tribo de Shimon, tropeçaram ao adorarem Peor. Apesar de sua intenção ser de zombar do deus, emulando sua desgraçada maneira de adoração, foram, não obstante, considerados culpados.

D’us ordenou a Moshê que indicasse os líderes do povo como juizes para punir os que adoraram Báal Peor.

"Como posso determinar quem estava entre os idólatras?" – perguntou Moshê. "Os que adoraram Peor fizeram-no em privacidade, não na presença de testemunhas válidas que possam testemunhar contra eles."

"Eu revelarei os pecadores," respondeu D’us.

As Nuvens de Glória retiraram-se de sobre os que eram culpados, de maneira que o sol brilhou sobre eles, e ficaram expostos.

D’us também ordenou a Moshê: "Aqueles que adoraram Báal Peor serão condenados à morte."

Os juizes se reuniram, examinaram o caso e concluíram que muitos homens da tribo de Shimon adoraram Báal Peor. Foram condenados. Os demais membros da tribo de Shimon estavam revoltados. Apresentaram-se perante seu líder, Zimri, e disseram: "Como você permite que Moshê mate tantos dos nossos? Faça algo!"

Zimri traz uma mulher não judia ao Acampamento

Zimri reagiu arrogantemente, desafiando Moshê em público.

Ele fez uma proposta indecorosa a filha do rei Balac, Cozbi, que replicou: "Meu pai mandou que me oferecesse apenas a seu líder, Moshê."

Balac esperava que se sua bela filha pudesse seduzir Moshê, por conseguinte, o povo judeu inteiro cairia em suas mãos.

"Sou maior que Moshê," disse-lhe Zimri, "Ele é descendente da terceira Tribo, Levi, e eu sou da segunda, Shimon. Para provar que estou em pé de igualdade com Moshê, te levarei livremente ao Acampamento."

Descaradamente, Zimri levou a gentia perante Moshê e indagou: "Filho de Amram (Moshê), esta mulher me é permitida ou proibida?"

"Ela é proibida," replicou Moshê.

Zimri observou: "D’us disse que você é confiável. Desde que declarou que não posso viver com esta mulher, deve admitir que, da mesma forma, sua mulher é proibida, pois é filha de um sacerdote midyanita."

Moshê ficou em silêncio. (Na verdade, seu caso era diferente. Casara-se com Tsipora antes da Outorga da Torá, e além disso, sua esposa converteu-se ao judaísmo.)

Quando os judeus viram que Moshê falhara em responder, os grandes dentre eles irromperam em choro.

Os juizes estavam discutindo se Zimri merecia ser executado por um tribunal humano, ou se estava sujeito a pena de morte decretada pelo Céu.

Por quê Moshê não sabia como lidar com Zimri? D’us ocultou a lei dele. Moshê aprendeu no Monte Sinai que alguém que coabita com uma mulher gentia deve ser executado por homens devotos. Contudo, ele não conseguia lembrar-se da lei, pois D’us desejava que Pinechas punisse Zimri em seu lugar.

Por que Moshê não implorou ajuda a D’us?

Vestida em seu traje nupcial, a princesa estava pronta para entrar no pálio nupcial. Naquele momento, descobriu-se que ela já houvera se associado a outro homem anteriormente. As notícias desgostaram tanto seu pai e a família que ficaram impossibilitados de reagir. O choque e desespero não conheciam fronteiras.

Similarmente, quando, depois de quarenta anos de andanças pelo deserto, os judeus finalmente chegaram às margens do Jordão, e estavam prestes a entrarem na Terra Prometida, foram apanhados na armadilha de pecarem com as filhas de Moav. Zimri teve a audácia de trazer uma mulher midyanita ao Acampamento em público. Moshê ficou atordoado demais para reagir.

Durante toda sua carreira, Moshê foi um corajoso homem de ação. Depois do pecado do bezerro de ouro, confrontou, sem hesitação, seiscentas mil pessoas, esmagando o bezerro ante seus olhos, e ordenando que os idólatras fossem executados. Agora, no entanto, estava tão dominado pelo desapontamento que não rezou nem organizou um tribunal para julgar Zimri.

Moshê temia que desta vez D’us não perdoasse o povo. Não eram mais o povo jovem e imaturo que fizera o bezerro de ouro, durante o segundo ano no deserto. Agora, ao findarem quarenta anos, a nação atingira excelência em Torá e mitsvot. A regressão foi, por conseguinte, tão imensa que Moshê ficou incapacitado, por causa do desespero.

Entrementes, Zimri levou a mulher midyanita à sua tenda e aos olhos de todos.

O ato corajoso de Pinechas

O neto de Aharon, Pinechas, observava a cena, fervendo de indignação.

Dirigindo-se a Moshê, inquiriu: "Meu tio-avô, você não nos ensinou, ao descer do Monte Sinai, que aquele que coabita com uma mulher gentia pode ser atacado por um devoto?!"

Moshê respondeu: "Aquele que se lembra da lei que seja nosso agente e execute-a!"

"Se eu matar Zimri, na certa os membros de sua tribo me matarão, como vingança. Contudo, D’us espera que eu dê minha vida por Ele."

Pinechas, que trabalhava no Tabernáculo como levi, não estava acostumado ao manejo de armas. Não obstante, pegou uma lança para matar Zimri. Pinechas sabia que estava arriscando sua vida. Zimri era uma pessoa importante, um líder. E a família de Cozbi também vingaria sua morte.

Pinechas ainda hesitava, pois sabia que os membros de Shimon não permitiriam que entrasse na tenda de Zimri, ao redor da qual postaram guardas. A fim de obter entrada, teria de fingir que queria ser admitido porque também tinha propósitos pecaminosos. Então, se matasse Zimri, ou se Zimri o matasse, o povo pensaria que os dois lutaram pela posse de Cozbi. Desta maneira, isto resultaria numa profanação do Nome de D’us ainda maior.

Todavia, suas deliberações chegaram a um repentino fim, pois uma praga começara a afligir o povo. A ira de D’us acendera-se contra os judeus por causa do pecado público de Zimri. Agora Pinechas sabia que precisava agir, a fim de salvar o povo da punição Celestial.

Tomou a lança de Moshê, escondeu a ponta de metal em suas roupas e usou o cabo de madeira como uma bengala. Ao se aproximar da tenda, os guardas lhe perguntaram: "O que você quer aqui?"

Pinechas replicou: "Não sou pior que seu líder. Meu pai, assim como Moshê, casou-se com uma mulher midyanita. Gosto das midyanitas."

Permitiram-lhe que entrasse. Uma vez lá dentro, Pinechas arremeteu a lança contra ambos, Zimri e Cozbi.

D’us realizou doze milagres para proteger Pinechas e demonstrar que este agira corretamente. Por exemplo, a ponta de ferro da lança alongou-se de forma que os dois pecadores foram trespassados juntos. D’us fechou as bocas de Zimri e Cozbi, de forma que não podiam gritar. Se tivessem gritado, membros da tribo de Shimon correriam imediatamente, para matar Pinechas. Eles não expiraram imediatamente, se não Pinechas ficaria impuro. Tampouco sangraram, nem o impurificaram como conseqüência disso. Foi-lhe concedida força extra para erguê-los e mostrá-los ao povo.

Assim que Pinechas matou Zimri a praga cessou.

Quando Pinechas expôs o casal assassinado ao povo, os membros da tribo de Shimon quiseram matá-lo. D’us renovou a praga, e quem quer que atacasse Pinechas, perecia.

Cônscio disso, Pinechas atirou ao chão o casal morto e começou a rezar em prol da tribo de Shimon, como está escrito (Tehilim 106:30): "E levantou-se Pinechas e suplicou." D’us ouviu sua oração, e a praga chegou ao fim.

Similarmente, o ato zeloso de Pinechas impediu a destruição do povo judeu.

Vinte e quatro mil judeus morreram na praga (todos da Tribo de Shimon), comparados aos três mil que foram executados depois do pecado do bezerro de ouro. O pecado em Shitim foi mais grave; uma vez que envolvia imoralidade, além de idolatria, mais que isso, degradou a honra dos judeus, pois cometeram devassidão com mulheres gentias.

Através da história subseqüente de nosso povo, todas as tribos produziram grandes líderes, com a exceção de Shimon. As conseqüências do crime de Zimri em Shitim demonstram o quão seriamente D’us considera o pecado da imoralidade.

Através de seu ato corajoso, Pinechas restaurou a honra de D’us. Ignorou a importância de Zimri, que era um líder, e a de Cozbi, uma princesa midyanita, demonstrando, desta feita, que a honra de D’us está acima de tudo. Sua façanha exemplifica os poderosos resultados que podem ser obtidos até mesmo por um único indivíduo que age em Nome dos Céus.

Pinechas também ensinou aos judeus que para defender a honra de D’us um judeu deve ser corajoso, mesmo que isso lhe seja desagradável ou signifique arriscar sua própria vida.

 

Fonte: http://www.chabad.org.br/

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