Leitura da Torá: Porção Semanal: Chucat (04/07)

 

 
Bamidbar 19:1 – 22:1
(Números 19:1 – 22:1)

 

Chucat começa com o puro decreto da Torá, Chucat Hatorá, uma mitsvá que somos conclamados a cumprir mesmo que não possamos entender seu propósito e sua razão – a vaca vermelha (Pará Adumá), cujas cinzas eram usadas para purificar as pessoas que se contaminaram através de contato com o corpo de uma pessoa morta.

A narrativa então salta 38 anos, para iniciar a descrição do que aparece imediatamente antes do povo judeu entrar na Terra de Israel. A profetisa Miriam morre, e o povo fica sem água, pois o miraculoso poço que os acompanhara durante sua jornada no deserto existia apenas pelo seu mérito.

D’us ordena a Moshê e a Aharon que falem com uma rocha em especial, que produzirá água instantaneamente; em vez disso, Moshê golpeia a pedra com seu cajado, e D’us diz aos dois líderes que eles não entrarão na Terra Prometida.

Depois, o rei de Edom recusa-se a deixar o povo judeu passar, fazendo-lhes tomar uma rota mais distante. Aharon morre e é sepultado no Monte Hor, e seu filho Elazar o sucede como Sumo Sacerdote.

Os Filhos de Israel cantam uma canção de louvor sobre o milagroso poço que D’us tinha feito surgir pelo mérito de Miriam, e a porção termina com as batalhas e vitórias sobre Sichon, o rei de Emori, e Og, o rei de Bashan.

Mensagem da Parashá

Ao caminhar pelo moderno shopping center próximo à rodoviária do centro em Be’ersheva, Israel, você se sente quase em casa. Dezenas de lojas modernas parecem totalmente americanas; nota-se a visão familiar de pessoas subindo escadas rolantes, subindo e descendo o saguão repleto de lojas da parte central do shopping; e pode dar um profundo suspiro de alívio ao encher os pulmões com o ar condicionado fresco e suave deste maravilhoso centro de compras.

A experiência em si de comprar pode não ser tão excitante – afinal, a mentalidade de compras no Oriente Médio não é exatamente aquela à qual estamos acostumados, e o cliente nem sempre tem razão – mas o simples fato de que você está abrigado em um ambiente calmo, hospitaleiro e fresco deixa-o mais relaxado. A temperatura externa está em torno de 35º C, e você termina por apreciar o condicionador de ar que lhe fornece temperatura tão agradável.

Graças às inovações modernas como ar condicionado, aquedutos para transportar água por longas distâncias, e o aperfeiçoamento na armazenagem de alimentos, cidades grandes como Be’ersheva começaram a desenvolver-se à margem de desertos. Mas sua existência é tênue e apenas possível nas áreas mais amenas. Em sua essência, o deserto continua desafiadoramente implacável com a habitação humana, de tal forma que faz-nos refletir como os judeus – uma nação com uma população de sete dígitos – sobreviveu vagando no deserto por quarenta anos antes de entrar na Terra de Israel.

Não, os judeus não foram amparados por condicionadores de ar, água encanada, e comida importada. Em vez disso, beneficiaram-se de alguns artefatos bastante miraculosos fornecidos por D’us. Nuvens especiais cercaram e cobriram a nação viajante; mantiveram um tipo de supremo controle do clima, refrescando o ar e removendo obstáculos do caminho à frente. Além disso, os judeus não precisavam se preocupar com queimaduras de sol. As nuvens ofereciam também proteção contra predadores. Além disso, o maná descia do céu seis dias por semana. Perfeito alimento substituto, o maná fornecia 100% da nutrição necessária. Na verdade, o maná era tão perfeito que era absorvido integralmente pelo trato digestivo, eliminando a necessidade de aliviar-se. E um poço, jorrando de uma grande rocha, rolava junto com eles para fornecer-lhes água.

Com a maioria de suas necessidades físicas satisfeitas, os judeus tinham bastante tempo para envolver-se no estudo da Torá que haviam recebido no início de sua jornada. Entretanto, os presentes que tornaram o ambiente ideal e protetor não eram gratuitos. Ao contrário, os judeus os receberam pelo mérito dos muitos indivíduos devotos, motivados e justos que habitavam entre eles.

O Talmud (Tratado Ta’anit 9a) relata que Israel teve três grandes líderes – Moshê, Aharon e Miriam – e três maravilhosos presentes foram recebidos por intermédio deles. Pelo mérito de Miriam, um poço jorrava água incessantemente; Aharon foi responsável pelas Nuvens de Glória; e o maná caiu pelo mérito de Moshê.

Embora estas associações – Miriam com o poço, Aharon com as Nuvens, e Moshê com o maná – não sejam explicitamente mencionadas na Torá, cada uma delas pode ser detectada com alguma observação básica e cuidadosa no decorrer do texto.

D’us registra em nossa Porção da Torá que Miriam faleceu e foi enterrada em Cadesh, um local no Deserto de Tsin. A descrição continua: "E não havia água alguma para a congregação, e eles se reuniram [para reclamar] a Moshê e Aharon" (Bamidbar 20:2).

Por que estes eventos aparentemente não relacionados são colocados juntos? A água do poço fluía pelo mérito de Miriam. Era uma mulher justa, que dedicou-se a servir a D’us. Sua presença e envolvimento com os judeus trouxe-lhes uma consideração especial por parte de D’us; sua morte deixou uma grande lacuna para o povo. Como suas qualidades ímpares que haviam merecido o poço estavam ausentes, o poço deixou de funcionar.

As mortes de Aharon e Moshê deixaram vácuos semelhantes, privando os judeus das Nuvens de Glória e do maná. Na verdade, sempre que uma pessoa justa nos deixa – seja para ir para o mundo vindouro ou a outro lugar qualquer nesta terra – sentimos um grande senso de perda. Quando a Torá descreve a viagem de Yaacov de Canaã a Charan (onde vivia seu tio Laban), faz uma adição reveladora: "Yaacov deixou Be’ersheva e foi para Charan" (Bereshit 28:10). Obviamente, o ato de partir é significativo. A este respeito, Rashi cita um Midrash que declara: "A partida de um justo de um lugar deixa uma impressão indelével."

O Yaafe Toar explica que, para onde quer que um tsadic vá, ilumina os arredores (tanto espiritual como fisicamente) com sua sabedoria de Torá. Ele concede um senso de dignidade a todos que estão em sua presença, honrando-os e sendo honrado por eles, e oferece inestimável conselho da perspectiva da Torá. Como um modelo vivo da Torá, o tsadic estabelece um exemplo positivo e influente para aqueles ao seu redor.

Talvez isso possa ajudar a esclarecer a mitsvá de "E a Ele te apegarás" (Devarim 10:20). Não podemos apegar-nos fisicamente a D’us porque Ele não é físico. Nossos rabinos portanto explicam que devemos agarrar toda oportunidade de associar-nos com indivíduos justos e piedosos, judeus que estão imersos na Torá de D’us e cujas próprias ações refletem aquela imersão. Certamente os tsadikim são mortais, mas sua influência penetrante e poderosa pode ajudar-nos a ficar mais próximos de D’us.

Uma lição prática emerge de tudo isso. Toda vez que encontrar uma pessoa assim, a oportunidade está batendo – até mesmo a interação mais básica tem um efeito garantido. Você pode aperfeiçoar seu Judaísmo fazendo negócios, almoçando, ou simplesmente apresentando-se a esta pessoa. Além dos dons que a comunidade recebe pelo mérito de um justo, o próprio tsadic beneficia a comunidade; sua simples presença é um presente em si.

Midrash Chucat

Três categorias de mitsvot

As mitsvot da Torá, geralmente, pertencem a uma de três categorias:

 Mishpatim – Leis Civis: "Mishpatim" são leis Divinas que promulgam a segurança e sobrevivência da sociedade humana. Incluem, por exemplo, a proibição de roubar e matar.

 Edut – Testemunhos: Se uma mitsvá testemunha um evento histórico ou algum aspecto de nossa fé, é chamada de "Edut", testemunho. São exemplos a mitsvá de observar o Shabat, que atesta nossa crença de que o Todo Poderoso criou o mundo em seis dias; observar as Festas (Yom Tov), pois comemoram o Êxodo do Egito; as mitsvot de tsitsit e tefilin que demonstram nossa crença na soberania de D’us.

 Chukim – Decretos Divinos: Na categoria de chok (plural: chukim) classifica-se todas as mitsvot cujo propósito ou significado não são compreendidos pela inteligência humana.

Esta categoria de mandamentos é a mais difícil de respeitar. O Talmud nos diz que essas são as leis que "a má inclinação (yêtser hará) e as nações do mundo tentam contestar." Se não compreendemos o motivo de alguma coisa é tentador achar pretextos para não faze-la. Quando tentamos explicar nossa religião aos não-judeus, as leis que não tem um motivo óbvio são as mais difíceis de compreensão. O fato de um mandamento não ter um motivo óbvio torna seu cumprimento um ato de fé, muito mais ainda. Ele indica que estamos prontos e desejosos de obedecer às ordens de D’us, até mesmo quando não podemos justificá-las racionalmente.

Todas as leis de pureza e impureza ritual pertencem à essa categoria de mandamentos conhecidos como chukim, decretos. Portanto, disseram nossos sábios, "O corpo morto não impurifica, e a água não purifica. Mas sim, disse D’us, Eu dei uma ordem, e emiti um decreto – e você não tem permissão para questioná-lo."

Demonstramos assim, que estamos colocando D’us acima de nosso próprio intelecto. Apesar de talvez não sermos capazes de justificar esses mandamentos perante o mundo, expressamos nossa segurança interior como judeus ao continuar cumprindo-os.

Há numerosos exemplos de chukim, mas o Midrash enumera quatro sobre os quais a Torá afirma explicitamente: "Este é um chok." Uma vez que contém elementos aparentemente contraditórios, são passíveis de serem ridicularizados pelos que se pautam pelo pensamento racional. Por isso, a Torá aconselha o judeu a dizer a si mesmo: "É um chok, não tenho direito de questioná-lo."

Os quatro chukim são:

1. Yibum: Um judeu que se casa com a esposa de seu irmão enquanto este ainda está vivo, ou mesmo após sua morte, incorre em pena de caret (morte espiritual), contanto que seu irmão tenha tido filhos. Porém, se a esposa do irmão não tem filhos, é mitsvá casar-se com ela (levirato, yibum).

Sendo que a lógica acha muito difícil aceitar este paradoxo, o versículo enfatiza: "E vocês guardarão Meus chukim." (Vayicrá 18:26).

2. Shaatnez: A Torá proíbe vestir-se com roupas que contenham mistura de lã com linho. Não obstante, é permitido vestir um traje de linho em cujos cantos haja tsitsit de lã atados. Por mais que questionemos esta exceção, a Torá declara, no que concerne à mitsvá de shaatnez: "E vocês guardarão Meus chukim." (Vayicrá 19:19).

3. O bode para Azazel: Um bode era enviado à morte como parte do Serviço de Yom Kipur, purificando o povo judeu de seus pecados. Ao mesmo tempo, impurificava o agente que o enviava. Por conseguinte, esta lei é chamada de "um chok eterno" (Vayicrá 16:29).

4. A vaca vermelha: As cinzas da vaca vermelha purificavam um judeu que encontra-se impuro, enquanto tornavam impuro qualquer um que estivesse envolvido em sua preparação. Uma vez que isto também desafia a lógica, a Torá introduz o assunto com as palavras: "Este é o chok da Torá" (19:2); devemos aceitar a mitsvá como uma ordem Divina.

Os chukim, contudo, não são "leis sem razão"; sua lógica, porém, é Divina. Os maiores dentre nosso povo foram capazes de compreender algumas delas.

Assim, o fundamento racional por trás das leis da vaca vermelha foram reveladas de maneira Divina a Moshê.

O rei Salomão, por outro lado, que pesquisava as razões por trás das mitsvot e encontrou explicações para todas as outras, professou que esta mitsvá era incompreensível.

Salomão descobriu porque o shochet (magarefe) deve seccionar tanto o esôfago quanto a traquéia dos mamíferos, enquanto que para aves é suficiente cortar apenas um desses órgãos, e que peixes sequer necessitam de abate ritual.

Todavia, confessou: "Pensei que teria sabedoria, porém isto (a compreensão da mitsvá da vaca vermelha) está muito distante de mim." (Cohêlet 7:23).

A fim de apreciar plenamente suas palavras, exploraremos a profundidade e âmbito da sabedoria de Salomão:

"E D’us deu a Salomão bastante sabedoria e compreensão, e extensão de conhecimentos como a areia da beira do mar." (Melachim I, 5:9).

Esse versículo implica que a sabedoria de Salomão equivalia à sabedoria do povo judeu, que era "tão numeroso quanto a areia da beira do mar." A capacidade de seu intelecto era superior a de qualquer outra pessoa, e por isso conseguia captar o que se passava na mente do outro. Conseqüentemente, seu julgamento era verdadeiro mesmo em casos nos quais os fatos eram obscuros, como demonstra a seguinte história:

Três mercadores judeus estavam juntos numa jornada quando se aproximava o Shabat. Decidiram enterrar seu dinheiro em determinado local, descansar até depois do Shabat, desenterrá-lo e continuar seu caminho.

Na escuridão da noite, enquanto os companheiros dormiam, um deles aproximou-se sorrateiramente do local secreto, desenterrou o dinheiro e escondeu-o em outro lugar.

Procurando o dinheiro depois do Shabat, os mercadores perceberam que esse desaparecera. Uma vez que ninguém mais sabia do local secreto, concluíram que um deles deveria ter roubado o tesouro. Mas qual? Cada um acusava o outro, dizendo: "Você é o ladrão!"

Incapazes de determinar quem era o culpado, decidiram viajar até Jerusalém e submeter o caso ao Rei Salomão.

O Rei Salomão ouviu atentamente o relato e ordenou-os a retornar no dia seguinte. Ao voltarem à corte, o rei declarou: "Sei que todos vocês são mercadores perspicazes. Antes de julgar seu caso, gostaria de ouvir sua opinião acerca de outro caso que me foi apresentado."

Os três ouviram com atenção o Rei Salomão relatar o seguinte incidente: "Um menino e uma menina cresceram no mesmo bairro, e prometeram não se casar sem o consentimento um do outro. Mais tarde, mudaram-se e perderam contato. Quando a menina chegou à idade casadoura, ficou noiva de um jovem de sua nova cidade. Mesmo assim, não se esquecera da promessa feita na infância. Ao se aproximar a época do casamento, vendeu seus pertences pessoais a fim de levantar fundos para empreender uma longa jornada a sua cidade natal, para procurar seu antigo vizinho. Viajou a sua cidade, encontrou-o e explicou-lhe que estava noiva de outra pessoa. Pediu-lhe para libertá-la da promessa feita anos atrás e, em seu lugar, aceitar o dinheiro que conseguira.

O jovem valorizou os sofrimentos pelos quais ela passara para ser fiel a sua promessa. Apesar de lhe ser difícil, disse-lhe que estava livre para casar-se com seu noivo. Recusou o dinheiro que ela oferecera, e ela partiu em paz.

A solitária viagem de volta era tão perigosa para a jovem quanto fora sua jornada para longe do lar. Ao circular por um bairro deserto, um velho surgiu de um arbusto, atirando-se sobre ela, roubando-lhe todo o dinheiro e ameaçando utilizar-se dela para seus próprios propósitos.

"Por favor, ouça-me," suplicou a moça, "você é um homem velho, por quê traria esta terrível culpa sobre si pouco antes de ser convocado perante o Juiz Eterno? Pegue meu dinheiro, mas deixe-me retornar ilesa a meu noivo." Contou-lhe sua história, e encerrou: "Meu amigo de infância certamente teve mais dificuldade em me deixar partir que você; ele é jovem, e reivindicou um direito a mim. Você, um homem velho, deve aprender dele a como se controlar."

O ladrão ficou tocado pelo relato. Não a molestou, e restituiu-lhe o dinheiro.

"Agora," concluiu o Rei Salomão, "coloco-lhes a seguinte questão: Quem é o verdadeiro herói da história – a moça, o jovem ou o ladrão? Gostaria de ouvir suas opiniões sobre o assunto."

"A moça é extraordinária," replicou o primeiro mercador. "Imagine, empreender uma longa e perigosa jornada apenas para cumprir sua promessa!"

"Admiro o jovem," apartou o segundo. "Agiu de maneira nobre e altruísta."

"A ação do ladrão é a mais admirável," comentou o terceiro mercador. "Depois de conseguir ter em sua posse tanto a moça quanto o dinheiro, não apenas libertou a moça, como também restituiu o dinheiro!"

"Prendam-no!" gritou o Rei. "Ele só pensa em dinheiro! Mesmo ouvindo esta história, em seu íntimo, desejava o dinheiro da moça. Quando teve oportunidade de pegar o dinheiro para si, com certeza o fez! Prendam-no imediatamente!"

O mercador foi preso, e confessou imediatamente sua culpa.

O Rei Salomão era perito em todas as ciências, ultrapassando seus antepassados. Por exemplo, seu conhecimento sobre animais era maior que a de Adam (Adão), que deu nome a cada espécie de acordo com suas características essenciais.

Sua compreensão sobre astronomia ultrapassava a de Avraham, um mestre dessa ciência.

Sua perícia em negócios de estado excedia a de Yossef, ele próprio um legislador habilidoso. Também era melhor lingüísta que Yossef, que falava setenta idiomas. Além de falar todas as línguas, comunicava-se com todos os animais.

O Rei Salomão brilhava mais que os reis e nações de sua época em todos os ramos da ciência. Apesar dos reis egípcios orgulharem-se de seu conhecimento em astrologia, a competência de Salomão era superior, como demonstra o seguinte incidente:

Quando o Rei Salomão estava prestes a construir o Templo Sagrado, pediu ao rei egípcio, o Faraó Necho, que lhe enviasse artistas e artesãos.

O Faraó pediu a seus astrólogos para adivinharem quais de seus súditos estavam destinados a morrer naquele ano. Subseqüentemente, enviou a Salomão uma equipe de trabalhadores desenganados.

Contudo, assim que os artesãos egípcios chegaram, Salomão percebeu o segredo. Ordenou que vestissem mortalhas brancas e enviou-os de volta à terra natal com uma mensagem ao Faraó Necho: "Aparentemente, faltam-lhe mortalhas para enterrar seus mortos. Por isso, estou enviando algumas para seus trabalhadores."

A sabedoria de Torá do Rei Salomão era imensa. Ultrapassava a da geração do deserto, conhecida como "a Geração do Conhecimento."

Sua grandeza em Torá torna-se patente através dos três maravilhosos e sagrados Livros que escreveu com espírito de profecia: Cohêlet (Eclesíastes), Mishlê (Provérbios) e Shir Hashirim (Cântico dos Cânticos) – que estão incluídos nos 24 livros do Tanach (Bíblia). Também compôs alguns dos salmos no Tehilim.

Fez com que a Torá fosse cara e amada pelo povo, pois podia ilustrar o significado de cada halachá (Lei da Torá) com três mil parábolas, e citar mil e cinco diferentes razões para cada ordem rabínica.

Quão profunda é, portanto, a mitsvá da vaca vermelha, se o Rei Salomão, o mais sábio dos homens, declarou: "Estudei-a e empenhei-me em entendê-la, porém está bem além de minha compreensão."

Na verdade, mesmo as mitsvot da Torá que parecem compreensíveis são "chukim". Seu verdadeiro significado está muito além do intelecto humano.

As leis da vaca vermelha

A primeiro de Nissan de 2449, último dia da Inauguração do Tabernáculo, D’us revelou a Moshê as leis referentes a pessoas impuras que são enviadas para fora do Acampamento, e também as leis de pureza dos cohanim.

D’us ensinou-o como atingir a purificação dos diversos tipos de impurezas (quer através de imersão no micvê ou numa fonte de água corrente, e assim por diante), bem como os sacrifícios que finalizam o processo de purificação.

Quando D’us ensinou a Moshê que um judeu se torna impuro (tamê) se tocar num corpo sem vida, Moshê questionou: "Como se purifica a si mesmo da impureza?"

O Todo Poderoso não respondeu imediatamente. Na verdade, D’us adiou a resposta como um ato de bondade para Aharon. Da primeira vez que D’us dirigiu-se a Moshê, Aharon não estava presente. Por isso, Ele esperou até que Aharon também estivesse presente, então proferiu as leis da vaca vermelha a ambos (Bamidbar 19:1). Isto tornava público o fato de que Ele perdoara Aharon por ter participado do pecado do bezerro de ouro.

D’us retomou o assunto mais tarde naquele dia, explicando a Moshê e Aharon: "Se alguém se tornar impuro através do contato com um corpo, deve-se aspergir sobre esse uma mistura especial de água com as cinzas da vaca vermelha."

De acordo com uma visão dos sábios (Guitin 60a), as leis da vaca vermelha foram transmitidas a Moshê no dia primeiro de Nissan. Então porque a Torá coloca este assunto somente nesta parashá?

Uma vez que Côrach ridicularizou o processo de purificação dos leviyim (ver parashá passada), depois de terminar o relato da rebelião de Côrach e suas conseqüências, a Torá explica o fundamento da mitsvá, de que a purificação é alcançada através das cinzas da vaca vermelha.

O Todo Poderoso instruiu-os nos detalhes da lei da vaca vermelha:

• A vaca vermelha é adquirida com recursos do tesouro do Templo Sagrado, de um fundo que contém as doações anuais de meio-shekel dos indivíduos judeus.

• Para uma vaca vermelha ser qualificada como tal, deve ter pelo menos três anos de idade (idade suficiente para dar cria).

• Sua cor deve ser completamente vermelha; até mesmo dois pelos de cor diferente desclassificam-na.

• O animal também é desqualificado se alguma vez foi atado a um jugo, mesmo se não realizou trabalho algum.

Tendo procurado por todos os lugares por uma vaca completamente vermelha, o San’hedrin (Corte Suprema) finalmente foi informado de que um não-judeu possuía tal vaca.

Emissários foram enviados com o fito de adquiri-la.

O proprietário disse: "Estou disposto a vender o animal por um bom preço. Dêem-me quatrocentas peças de ouro."

"Você as terá," prometeram-lhe os sábios. "Retornaremos com o dinheiro."

Saíram, a fim de obter os fundos necessários do San’hedrin. Enquanto isso, o não-judeu contou a seus amigos sobre a venda em perspectiva, e descobriu quão raro e precioso era esse animal.

Quando os delegados voltaram com a soma combinada, o gentio lhes disse: "Mudei de idéia; não venderei minha vaca."

"Estamos dispostos a pagar um alto preço," replicaram os sábios. "Quer mais cinco peças de ouro?"

"Não a venderei," insistiu o não-judeu.

"Pegue mais dez peças de ouro," ofereceram.

"Vocês não a terão," repetiu.

"Pagaremos vinte peças extras de ouro," disseram.

"Fora de questão," replicou.

Os membros do San’hedrin aumentaram a oferta até que o homem finalmente concordou com a venda por uma quantia de cem peças de ouro adicionais. (Algumas opiniões dos sábios dizem que por mais mil.)

Os sábios disseram-lhe que voltariam com a quantia total e apanhariam o animal no dia seguinte.

Após partirem, o gentio disse a seu vizinho, rindo: "Sabe porquê esses judeus insistiram em adquirir esta vaca em especial? Necessitam dela para seus ritos religiosos, pois jamais foi atrelada a um jugo. Todavia, eu lhes aplicarei um pequeno truque."

Naquela noite, o perverso pegou sua vaca vermelha, atrelou-a ao jugo e arou com ela.

Os sábios voltaram na manhã seguinte. Antes de pagarem, examinaram o animal. Sabiam que uma vaca que jamais fora atrelada a um jugo pode ser reconhecida através de dois critérios: 1. Dois determinados pelos do pescoço ficam eretos enquanto intocados pelo jugo, porém dobram-se assim que se coloca o jugo sobre o animal. 2. Os olhos de um animal que jamais carregou um jugo são firmes. Depois de subjugada, seus olhos piscam, pois o animal olha de soslaio para ver o jugo.

Perceberam imediatamente que essa vaca apresentava os sinais de uma vaca que já portou o jugo.

"Fique com a vaca," disseram ao gentio. "Não precisamos dela."

Até a boca deste perverso blasfemo reconheceu: "Abençoado seja Aquele que escolheu esta nação."

• O cohen abate a vaca "fora do Acampamento". Durante os anos no deserto, era abatida fora dos três Acampamentos; e na época do Templo Sagrado, no Monte das Oliveiras, uma vez que esta montanha era considerada "fora de Jerusalém."

• O cohen colhe um pouco de sangue da vaca em sua mão esquerda, mergulha nesse seu indicador direito, e asperge o sangue em direção à entrada do interior do Templo (Hechal), o qual consegue enxergar da montanha.

• Acende-se um fogo, e o cohen supervisa a queima da vaca.

• Com um cordão de lã vermelha, o cohen amarra um galhinho de cedro unindo-o a um pouco de hissopo (ezov) e pergunta a todos os presentes:

"Isto é um galho de cedro?"

"Sim," respondem.

"Isto é um galho de cedro?" – pergunta pela segunda e terceira vez.

Recebe respostas afirmativas às três perguntas. Também pergunta três vezes: "Isto é uma lã vermelha?" – ao que lhe respondem afirmativamente três vezes.

Por que esta cerimônia?

Nem todos os tipos de hissopo, cedro e tinta vermelha são casher para este ritual. A não ser que todas as espécies utilizadas preencham os requisitos haláchicos (das leis), a mitsvá inteira é inválida. Desta forma, o cohen enfatiza que estão todas de acordo com os mandamentos da Torá.

• Enquanto a vaca está queimando, o feixe de cedro e hissopo é atirado à carcaça.

Por que se coloca madeira de cedro e a grama ezov sobre o fogo? O cedro é a mais alta das árvores, e a grama ezov, o mais baixo dos arbustos. Isso lembra a quem se purifica que a pessoa precisa de humildade para fazer teshuvá. É preferível sentir-se humilde como a grama ezov que orgulhoso como o cedro.

• As cinzas da vaca são divididas em três partes: uma é colocada numa determinada seção do pátio do Templo Sagrado, onde é preservada a fim de cumprir a mitsvá de que as cinzas da vaca vermelha devem ser guardadas para todas as gerações. A segunda parte é dividida entre os grupos de cohanim que servem no Santuário, para ficar à disposição para purificar um cohen que tornou-se impuro. A terceira parte é colocada num local no Monte das Oliveiras, para a purificação do povo judeu antes de sua entrada no Templo.

• Quem quer que esteja envolvido na preparação das cinzas – por exemplo, a pessoa que queima a vaca, quem atira o feixe ao fogo, quem recolhe lenha, quem toca ou transporta as cinzas – torna-se impuro.

• As cinzas da vaca são misturadas à água fresca de uma fonte num recipiente.

• As águas com cinzas da vaca vermelha são aspergidas sobre o judeu (que está se purificando) por alguém que está puro de impureza advinda da morte. Ele asperge quem está se purificando no terceiro e sétimo dias da purificação individual. Além disso, durante o sétimo dia, a pessoa que está sendo purificada deve imergir numa micvê, a fim de consumar a purificação.

Até hoje nove Vacas Vermelhas foram queimadas.

A primeira foi preparada por Elazar filho de Aharon sob a supervisão de Moshê, no segundo dia de Nissan, de 2449. (Moshê dirigiu os pensamentos apropriados à mitsvá, pois Elazar não compreendia suas razões.)

Uma bênção pairava sobre a porção das cinzas que Moshê separou para purificação: elas duraram até a época de Ezra. Sob a supervisão de Ezra, uma Segunda Vaca Vermelha foi queimada; uma terceira e quarta sob orientação de Shimon Hatsadic; e mais duas na época de Yochanan, o Sumo-sacerdote. Desde então até a destruição do Segundo Templo Sagrado mais três vacas foram queimadas. A décima será preparada por Mashiach, possa ele vir em breve.

Alusões acerca da mitsvá da Vaca Vermelha

Apesar da mitsvá da vaca vermelha ser inescrutável até a vinda de Mashiach (quando D’us revelará ao povo judeu as razões de todas as mitsvot, inclusive esta), a Torá nos fornece algumas indicações:

Certa vez, o pequeno filho da empregada do palácio, brincando, sujou o brilhante chão do palácio. "Onde está a mãe deste traquina?" – gritou o rei. "Que venha e limpe a bagunça de seu filho!"

Similarmente, o Todo Poderoso proclamou: "Que a (mãe) vaca expie a impureza criada pelo bezerro (de ouro)." Por isso, apenas uma fêmea é aceitável como vaca vermelha (enquanto que para outros sacrifícios tanto machos quanto fêmeas podem ser escolhidos).

Os seguintes pontos também demonstram a correlação entre a Vaca Vermelha e o pecado do bezerro de ouro:

• Uma vez que todos os homens doaram dinheiro para a feitura do bezerro de ouro, requer-se de todos eles que contribuam para a aquisição da Vaca Vermelha. Esse dinheiro provém do tesouro do Templo, constituído da contribuição anual de meio-shekel de cada judeu.

• D’us ordenou que a primeira Vaca Vermelha fosse queimada por Elazar, filho de Aharon, em vez do próprio Aharon, pois Aharon participara do pecado do bezerro de ouro.

• A vaca deve ser vermelha pois a cor vermelha sempre indica o pecado, e a cor branca sempre simboliza a pureza. Ao olhar a vaca vermelha, os judeus recordam-se de seus pecados. Mais ainda, o ouro tem um reflexo avermelhado. A vaca vermelha expia o ouro que o povo doou para fazer o ídolo em forma de bezerro de ouro.

• A vaca precisa ser perfeita, indicando que antes dos judeus cometerem o pecado do bezerro de ouro, eram perfeitos, pois tinham acabado de receber a Torá. Quando pecaram, perderam sua perfeição.

• A vaca é queimada para recordar o bezerro de ouro, que foi queimado por Moshê.

O enigma da Vaca Vermelha – por quê purifica e impurifica ao mesmo tempo – contém uma importante lição:

Um dos mistérios filosóficos é a coexistência do Bem e do Mal, felicidade e tragédia neste mundo. Por quê homens virtuosos são expostos a sofrimentos excruciantes frustrou e desconcertou profundamente até o maior dos profetas.

Incapaz de explicar as contradições da vida, as nações idólatras atribuem sua origem em divindades duplas, uma que traz bênção sobre a humanidade, e a outra má.

Por essa razão, os modernos reivindicam que o universo não tem poder que o governa.

A Torá, contudo, ensina-nos a acreditar em Uma Fonte, da Qual todos os eventos – tanto bons quanto maus – emanam.

Os elementos aparentemente contraditórios da mitsvá da Vaca Vermelha ensina-nos a atribuir o mistério da vida às limitações de nosso intelecto. Num nível que transcende nossa atual compreensão, todas as contradições desaparecem. Sua essência é uma, um plano Divino para nosso benefício definitivo.

A mitsvá ensina que devemos enxergar todos os aspectos da vida com a mesma atitude que adotamos para a própria mitsvá, fé.

Os judeus receberam a mitsvá da Vaca Vermelha pelo mérito de Avraham

Quando os três anjos visitaram Avraham, ele correu para abater e preparar uma vaca. Como recompensa, seus filhos receberam a mitsvá de utilizar uma vaca.

Enquanto Avraham implorava que D’us não destruísse os perversos habitantes de Sodoma, ele rezou: "Na verdade, não tenho autoridade para discutir com D’us, pois sou apenas pó e cinzas." Avraham era tão humilde que sempre tinha consciência de que o corpo de uma pessoa não passa de meros pó e cinzas. D’us disse: "Devido à tua grande humildade, Darei a teus filhos uma mitsvá com cinzas; as cinzas da Vaca Vermelha. Ao cumprirem-na, serão perdoados."

Como recompensa por dizer aos seus visitantes celestiais, "Que água seja trazida para lavar vossos pés", D’us deu aos descendentes de Avraham uma mitsvá com água: as cinzas da Vaca Vermelha são misturadas à água.

Três recipientes serão devolvidos

Atualmente, não temos as cinzas da Vaca Vermelha, e não podemos nos purificar da impureza proveniente da proximidade a um morto.

No entanto, futuramente, Eliyáhu o Profeta nos devolverá três recipientes:

1. O recipiente no qual Moshê colocou a maná, para lembrar os judeus como D’us os alimentou no deserto por quarenta anos.

2. O recipiente contendo as cinzas da Vaca Vermelha.

3. O recipiente que contém o azeite com o qual se ungiam os cohanim e os reis.

Algumas leis de pureza ritual

Cada um dos seguintes grupos podem tornar-se impuros sob determinadas condições através de contato com pessoa ou animal que está impuro:

• Alimentos

• Líquidos

• Roupas e utensílios

• Uma pessoa judia

Salientaremos as leis básicas de impureza dos grupos acima:

 Alimentos

Um alimento pode-se tornar impuro apenas se as duas seguintes condições forem preenchidas:

1. Já não se nutre mais através de seus galhos ou raízes.

2. Foi anteriormente tocado por um dos seguintes sete líquidos: vinho, mel de abelhas, azeite de oliva, leite, orvalho, sangue ou água.

Preenchidas essas duas condições, e se o alimento, mais tarde, tocar uma pessoa ou animal impuro (como uma carcaça de animal, ou carcaça de certos répteis), esse se torna igualmente impuro.

Na época do Templo Sagrado, se a terumá (presentes de alimentos devidos ao cohen) ou chalá (pedaço da massa) ficasse impura, o cohen já não poderia comê-la. Havia pessoas que evitavam comer qualquer alimento impuro, quando possível, mesmo se não fosse consagrado, a fim de evitar erros, ou como um ato de santidade especial.

 Líquidos

Se um líquido tocar numa pessoa ou carcaça de animal impuros, esse se torna impuro.

 Roupas e utensílios

Roupas e utensílios ficam impuros se tocarem numa pessoa ou animal impuro. Utensílios de barro ou cerâmica, se o interior for tocado.

Utensílios de metal ou madeira são purificados através de imersão na micvê. Utensílios de cerâmica não podem ser purificados.

 Uma pessoa

Uma pessoa judia torna-se impura através das seguintes condições:

1. Através de contato; de carregar ou estar sob o mesmo teto que um morto; ou um órgão, membro ou corpo morto; ou em contato com utensílio que tocou um corpo humano morto.

Uma pessoa que fica impura dessa forma é chamada de av hatumá, uma fonte de impureza. Fica impura por sete dias e, a fim de purificar-se, é aspergida com as águas da Vaca Vermelha no terceiro e sétimo dias; depois, imerge no micvê.

2. Alguém que tenha tido contato com av hatumá torna-se impuro, porém sua impureza é menos severa. Perdura até o anoitecer, e a pessoa purifica-se através de imersão no micvê. Esta pessoa é denominada de rishon letumá, um portador primário de impureza.

O passamento de Miriam e o desaparecimento do Poço de Miriam

No décimo dia de Nissan do quadragésimo ano no deserto, ocorreu uma tragédia nacional.

Quando os judeus chegaram ao deserto de Tsin, Miriam, irmã de Moshê faleceu. Tinha cento e vinte e cinco anos de idade.

Miriam ensinara e orientara as mulheres, assim como Moshê e Aharon o faziam com os homens. Foi uma das sete profetizas conhecidas.

Miriam faleceu sem sofrimento, pacificamente e feliz. Já que ela era uma tsadeket, mulher justa, o anjo da morte não podia tocá-la. A Shechiná (Presença Divina) revelou-se a ela, levando assim sua alma de volta a sua fonte. Após sua alma ter deixado o corpo, os anjos a receberam com muita alegria. Exclamaram: "Venha em paz". Essas são as boas-vindas dispensadas a todos os tsadikim após seu falecimento.

A narrativa do falecimento de Miriam segue-se as leis da Vaca Vermelha (apesar de seu passamento ter ocorrido no último ano no deserto, enquanto que a Vaca Vermelha foi queimada no segundo ano). A Torá justapõe esses dois eventos para ensinar que a morte de um tsadic traz expiação para o povo judeu, como o fazem as águas da Vaca Vermelha.

Assim que Miriam faleceu, D’us fez com que o Poço de Miriam desaparecesse temporariamente, para que o povo percebesse que seu poço de água fora fornecido pelo mérito de Miriam. Apreciando assim sua grandeza, poderiam enlutar-se por esta tsadeket de maneira apropriada.

A geração do deserto recebeu três presentes pelo mérito de seus três grandes líderes:

• O Poço, pelo mérito de Miriam

• As Nuvens de Glória, pelo mérito de Aharon

• A maná, pelo mérito de Moshê.

Por quê os três líderes são associados a esses presentes específicos?

Eles personificavam os três pilares que sustentam o mundo – Torá, serviço Divino e realização de atos de bondade.

• Moshê deu a Torá e era o mestre e líder do povo judeu por excelência. Por isso, em seu mérito os judeus recebiam a maná, cujo presente diário aliviava a necessidade de se obter um ganha-pão, e cuja ingestão ajudava-os no entendimento do estudo da Torá.

• Aharon personificava o serviço Divino. Sua devoção ao Serviço dos sacrifícios trouxe a Shechiná ao povo judeu. As Nuvens de Glória eram, assim, dadas em seu mérito, pois representavam a Shechiná que residia com o povo judeu.

• Miriam era excelsa no terceiro dos três fundamentos: a bondade. Desde sua juventude devotou-se ao bem-estar de seu povo. Mesmo quando criança, ajudava sua mãe como parteira, e levava comida aos pobres.

Mais ainda, foi Miriam que esperou por Moshê às margens do Nilo, e por isso foi recompensada justamente através da água.

Por causa de seu atributo de chessed, bondade, D’us proveu os judeus com água, uma necessidade vital.

Como os judeus recebiam água do Poço de Miriam?

Esta miraculosa rocha da qual brotava água estava sempre presente no deserto com o povo. Quando o povo acampava, essa ficava num local alto, em frente à entrada do Tabernáculo.

Cada um dos doze líderes aproximaram-se do poço com seus cajados e traçaram uma linha ligando o poço à sua tribo. A água fluía através dessas doze linhas para todas as Tribos, formando rios entre uma tribo e outra. Cada rio era tão largo que uma mulher que desejasse visitar uma amiga de tribo diferente precisaria de um barco, senão desejasse molhar os pés.

A água também rodeava a maior parte do Acampamento. Onde quer que os judeus acampassem, grama, árvores, vinhedos, figos e romãs brotavam à sua volta. Os vinhedos produziam uvas de sete sabores diferentes. O povo judeu experimentava o bem e a excelência do Mundo Vindouro na água e nas plantas produzidas pelo Poço de Miriam. Por isso, mais tarde (nesta parashá), cantaram um cântico louvando esse maravilhoso poço.

Após o falecimento de Miriam, o Poço desapareceu subitamente.

Sem água potável para suas esposas e filhos, os judeus encontravam-se em uma situação crítica.

Moshê e Aharon, que estavam sentados, enlutados por sua irmã, viram multidões aproximarem-se de sua tenda.

"O que é essa assembléia?" – indagou Moshê a Aharon.

Replicou Aharon: "Os judeus não são descendentes de Avraham, Yitschac e Yaacov, que realizam atos de bondade como seus patriarcas? Certamente estão vindo para nos consolar."

"Aharon," censurou-o Moshê, "você não consegue distinguir entre uma multidão com propósitos nobres de uma com propósitos ignóbeis? Se estivessem se aproximando de maneira ordeira – com os Anciãos à frente, seguidos pelos responsáveis pelos milhares, pelos centuriões, e assim em diante – você teria razão. Porém olhe para esta multidão tumultuada!"

As palavras de Moshê provaram ser verdadeiras imediatamente. A desorganizada e excitada aglomeração que rumava à tenda começou a reclamar amargamente sobre a falta de água.

"Por quê precisamos sofrer tanto?" – inquiriram. "Você, Moshê, costumava afirmar que somos punidos porque há pecadores entre nós, que fazem com que a Shechiná parta. Agora, contudo, os homens da geração do deserto já se foram, e os de nós que permanecem vivos merecem entrar em Israel. Por que deveríamos nós, ou nossos filhos, e nosso gado perecer de sede?

"Os infindáveis testes são demais para suportarmos. Por que você não reza para D’us levar-nos diretamente a Israel em vez de guiar-nos pelo deserto por quarenta anos? Preferíamos ter sido consumidos junto com a congregação de Côrach ou na praga subseqüente a morrer de sede agora.

"Vocês estão enlutados por uma pessoa. Em vez disso, deveriam enlutar-se por todos nós, pois não temos água."

Apesar dos judeus, em sua agitação, estarem prontos a apedrejarem Moshê e Aharon, D’us não refreou suas reclamações contra eles. Eles expressaram-nas em meio à dor da sede, e D’us não detém alguém de suas afirmações enquanto está em dor.

Moshê e Aharon escaparam da fúria da multidão para a entrada do Tabernáculo e prostraram-se em prece.

A Nuvem de Glória apareceu, e D’us censurou Moshê: "Meus filhos estão sofrendo de sede, enquanto você está envolto em luto. Encontre a rocha que era o Poço de Miriam, ordene-lhe que dela emane água, e convide a congregação e os animais a beberem."

Fonte: http://www.chabad.org.br/

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