Leitura da Torá : Porção Semanal: Kedoshim (02/05)

 

 Levitico 19:1-20:27

Kedoshim (Vayicrá 19:1-20:27) inicia-se com a ordem de D’us para toda a nação de Israel para ser santa, imitando a suprema santidade do próprio Criador. A Torá prossegue delineando uma infinidade de mitsvot através das quais podemos atingir a santidade, abrangendo uma grande variedade de assuntos, tanto mandamentos positivos como inferências negativas, lidando com nosso relacionamento ímpar com D’us e com nosso próximo. 

Recebemos ordens de temer nossos pais, guardar o Shabat e abstermo-nos da adoração de ídolos. D’us nos instrui a deixar vários presentes de nossa colheita para os pobres e oprimidos, incluindo o canto dos campos e os feixes que caíram por acaso ao serem juntados. Devemos manter a justiça, fazer negócios honestos com nossos vizinhos, não praticar a maledicência, e de forma geral ter pelos outros a mesma consideração que temos por nós mesmos. 

Segue-se uma descrição de várias categorias de kilayim (misturas proibidas) – hibridação de animais e plantas, e vestir shatnez (uma mistura de lã e linho em uma rmesma peça de roupa) – a Torá discute orlá, a proibição de consumir frutas nos primeiros três anos após o plantio de uma árvore. A porção continua com uma lista das punições a serem impostas às pessoas que transgridem e participam das várias relações proibidas relacionadas na porção da semana anterior. A Parashá Kedoshim conclui com o mandamento, mais uma vez, para que sejamos um povo santo e distinto dentre as nações do mundo.

 
 Mensagem da Parashá kedoshim
 
Estilos de cortes de cabelos
 
Por Daniel Lasar
 
Há uma importante correlação entre a porção da Torá de Kedoshim e a antecedente, Acharê Mot. Em Acharê Mot, D’us ordena ao povo judeu: "Não use a prática da terra do Egito na qual você habitou, e não use a prática da terra de Canaã à qual Eu o trouxe, e não siga as tradições deles" (Vayicrá 18:3). Na porção que se segue, Kedoshim, o Criador se dirige o povo judeu: "Sereis santos, pois Santo Eu sou, Hashem, vosso D’us" (ibid. 19:2). Estes dois versículos fornecem uma ênfase esclarecedora sobre não apenas como vivemos como judeus, mas do modo que vivemos no contexto de onde vivemos.

Em Pirkei Avot (1:7), o sábio Nittai desenvolve: "Distancie-se de um mau vizinho, e não se associe com uma pessoa perversa." Não é preciso ler muitos jornais para estar informado dos sérios problemas de moralidade ameaçando nossa sociedade nos dias de hoje. É próprio da natureza humana ser influenciado pelos traços de caráter e padrões de valores presentes entre nossos vizinhos. Entretanto, é imperativo que nos esforcemos para seguir o código de conduta eterno que D’us prescreve na Torá.

Um símbolo sutil, embora vital, do repúdio da influência da sociedade ocidental é encontrado até mesmo no modo em que cortamos o cabelo. Muitas pessoas hoje têm as costeletas aparadas, de muitas maneiras um reflexo dos estilos sempre mutantes do mundo contemporâneo. A Torá declara o contrário na porção desta semana: "Não cortarás o cabelo de vossa cabeça em redondo, e não raspareis (com navalha) vossa barba" (Vayicrá 19:27); os homens judeus também não podem raspar completamente as costeletas, nem barbear as faces com lâmina. Assim, em algo simples como uma ida ao barbeiro, devemos permanecer cônscios de que é a Torá que guia nosso comportamento, não aquilo que a sociedade define como "legal." Muitos de nossos hábitos, como usar kipá ou vestir modestamente, ajudam-nos a lembrar de nossa distinção e papel especial neste mundo. 

Infelizmente, o último século tem mostrado uma taxa alarmante de casamentos mistos, ignorância e assimilação. Não é surpresa que isso pode ser atribuído em grande parte à sociedade convidativa em que vivemos. Ao contrário de antigamente, quando nossas mães caminhariam quilômetros para ir até o micvê, ou quando nossos pais conseguiriam juntar somente o dinheiro suficiente para honrar o Shabat com vinho para o kidush, nós felizmente possuimos infinitas oportunidades para cumprir mitsvot sem sacrifícios. Porém, tragicamente é muito tentador agir "em Roma como os romanos" e desejarmos nos encaixar na maioria. Recebemos ordem, entretanto, de não imitar valores que são antiéticos para a Torá. Ao contrário – devemos ser santos – seguirmos o estilo de vida da Torá. D’us tem Suas razões para prescrever a maneira correta pela qual devemos pautar nossa vida. 

Estamos agora no período entre os dias de Pêssach e Shavuot, o intervalo de sete semanas no qual o povo judeu se purgou dos costumes egípcios e preparou-se para receber a Torá no Monte Sinai. Assim também, devemos inventariar nossas próprias atitudes e valores, notando que não são as novidades efêmeras da cultura ocidental que devemos incorporar, mas sim os padrões perenes da Torá. Se nos lembrarmos disso, então seremos verdadeiramente uma luz entre as nações.

 
Seleções do Midrash Kedoshim

 

Muitas mitsvot importantes

A Parashá Kedoshim tem mais mitsvot que qualquer outra Parashá até agora. São mitsvot importantes que dizem respeito a todos nós: "Amar todo judeu; não buscar vingança; não roubar", e muitas mais.

Moshê queria ter certeza de que cada judeu ouviria esta importante Parashá. Por isso, antes de explicá-la, reuniu todo o povo – homens, mulheres e até crianças.

Explicaremos agora algumas mitsvot desta Parashá.

É uma mitsvá para cada judeu ser santo

A Torá nos diz: "Vocês devem ser santos porque Eu, D’us, o Sou".

Como podemos cumprir a mitsvá de "sermos santos?"

1 – Um judeu torna-se santo se cumpre as mitsvot da Torá e mantém-se afastado de tudo que a Torá proíbe. 

2 – Porém, isso não é o suficiente. A Torá quer "que sejamos santos", mesmo quando não estamos rezando, estudando ou cumprindo uma mitsvá específica. Um judeu deve tentar ser santo mesmo quando lida com seus assuntos do cotidiano. "Ser santo" significa usar nossa mente, corpo, e tudo que possuímos rumo ao propósito para o qual D’us deseja que os usemos. 

A mitsvá "ser santo" significa que antes de fazermos qualquer coisa, devemos fazer a nós mesmos a pergunta: "D’us ficará satisfeito com este ato; tem uma boa finalidade?"

Esta é uma tarefa muito difícil, por outro lado, nada é impossível; todas as mitsvot que Ele nos deu são passíveis de serem cumpridas. 

Uma história:

A família que comprava vegetais de baixo preço

Certa vez os sábios precisavam de tsedacá para seus alunos pobres. Decidiram ir de casa em casa, bater às portas e pedir tsedacá. Ao se aproximarem da primeira casa da aldeia, notaram um pai e seu filho parados perto da porta, conversando. 

Os sábiospodiam ouvir a conversa. O filho perguntou ao pai: 

"O que teremos para jantar esta noite?"

"Vamos preparar legumes," replicou o pai.

"Eles vendem dois tipos no mercado," disse o filho. "Legumes frescos e de ótima qualidade por um preço alto, e vegetais ressecados pela metade do preço. Qual deles compraremos?"

"Vamos adquirir os legumes mais baratos," respondeu o pai.’

Os sábios ouviram as instruções do pai e disseram: "Deve ser uma família muito pobre. Nem ao menos podem comprar legumes frescos para o jantar. Vamos deixar esta casa de lado; certamente eles não podem contribuir com tsedacá. Voltaremos aqui por último, na volta para casa."

Os sábios passaram todo o dia muito atarefados, coletando tsedacá. À noite, detiveram-se novamente pela casa onde tinham visto o pai e o filho. Bateram à porta e o pai apareceu.

"Estamos pedindo tsedacá," anunciaram os sábios. "Por favor, ajude a cumprir esta mitsvá."

"Estou ocupado agora," respondeu o dono da casa. "Procure minha mulher e diga-lhe para dar a você uma xícara cheia de moedas de dinar." Naquela época, o dinar era uma moeda valiosa. Uma xícara cheia de dinares era uma fortuna.

Os sábios dirigiram-se à mulher e lhe disseram: "Seu marido quer que nos dê uma xícara cheia de dinares."

"Meu marido falou se devo dar a vocês uma xícara até a boca ou se deve estar transbordando?", a esposa perguntou.

"Ele não nos disse," responderam os sábios.

"Bem," disse a mulher, "deixe-me dar a vocês uma xícara transbordando. Se meu marido disser que não é isso que ele queria, digo-lhe que estou dando as moedas extra de meu próprio dinheiro."

Os sábios voltaram ao marido para dizer adeus. Ele lhes perguntou: "Minha mulher deu a vocês uma xícara apenas cheia ou transbordante?"

"Uma xícara transbordante," responderam os sábios.

"É isso que eu queria," disse o marido, satisfeito. "Entretanto, algo está me intrigando: Por que vocês não vieram à minha casa quando passaram por aqui esta manhã?"

Os sábios replicaram: "Ouvimos as instruçnoes que fornecia a seu filho para comprar os legumes mais baratos para o jantar. Pensamos que fosse pobre e não nos poderia dar um donativo grande."

O homem explicou: "Para as necessidades da minha família gastamos apenas o mínimo necessário. Entretanto, não podemos ser mesquinhos quando se trata das mitsvot de nosso Criador."

Esta família era portadora de muita grandeza. Muitos de nós não somos tão corretos quanto eles. D’us não ordena que façamos como eles. Entretanto, podemos aprender com esta história a não desperdiçar dinheiro. 

A mitsvá "ser santo" significa que devemos usar tudo que temos, incluindo o dinheiro, para uma boa finalidade.

Respeito aos pais

A Torá ordena: "Cada filho judeu – mesmo adulto – deve respeitar seus pais."

  • Como cumprimos esta mitsvá?
  • Não chamamos nossos pais pelo nome próprio;
  • Devemos ouvi-los quando nos falam;
  • Não podemos contradizê-los;
  • Não devemos falar ao percebermos que o pai ou a mãe estão prestes a falar, e também não interrompê-los quando estão falando;
  • Não sentamos na cadeira reservada a nossos pais.

Há apenas um caso em que o filho está proibido de dar ouvidos ao pai ou à mãe – quando ele ou ela ordena-lhe que cometa uma transgressão. Por exemplo, se a mãe no Shabat, diz à filha: "Cozinhe isto agora!" a filha está livre de obedecer. Os mandamentos de D’us têm precedência sobre as ordens dos pais.

Não devemos pensar sobre idolatria.

A Torá adverte: "Não deves pensar ou ler sobre ídolos." 

Portanto, estamos proibidos de ler livros ou artigos que falem sobre qualquer tipo de idolatria. É igualmente proibido possuir livros que declaram que o mundo não foi criado por D’us. D’us deseja que pensemos e leiamos sobre assuntos que são verdadeiros e que nos ajudem a cumprir Suas mitsvot.

Três mitsvot sobre a colheita 

Ser fazendeiro sempre foi um trabalho muito difícil. Na época do Bet Hamicdash, todo o trabalho no campo era feito à mão.

Quando, finalmente, o fazendeiro acha que pode empilhar as recompensas de seu trabalho e começar a colheita, ele não pode esquecer: D’us ordenou a não colher o canto de cada campo, mas deixar este grão para os necessitados juntarem.

A mitsvá de deixar o grão nos cantos do campo é chamada pea.

Deve-se deixar pea em cada um dos campos que possui: não é permitido deixar duas peot em um campo e nenhuma em outra.

Qual a quantidade da colheita que é deixada? 

Os sábios ensinaram que a mitsvá é cumprida com uma sexagésima parte da colheita. Entretanto, se a pessoa é generosa, pode deixar mais. Não há limite; quanto mais deixar, mais D’us o recompensará. Como a colheita é compartilhada com os pobres, como D’us ordenou, é uma colheita jubilosa, todos estão felizes, até os pobres.

Um judeu não pode dizer: "Permitirei apenas que meus parentes (ou amigos) pobres recolham minha pea; não quero estranhos." Qualquer judeu pobre pode servir-se da pea.

D’us deu duas outras mitsvot para fazendeiros em Erêts Yisrael ao colherem grãos:

Leket: Se, durante a colheita, um ou dois ramos caem ao solo, é proibido recolher. Deve-se deixá-los para que os pobres os peguem. Entretanto, se cairem três ramos juntos, pertencem ao fazendeiro e não aos pobres.

Shikcha: Após a colheita, os ramos são amarrados em feixes e levados a um celeiro.Se um feixe foi esquecido no campo, é proibido voltar para apanhá-lo. Ele pertence aos pobres. Esta é a mitsvá de shikcha, esquecer um feixe. A pea também se aplica no caso de uma vinha em Erêts Yisrael. Uma ou duas uvas que caíram por distração são leket, bem como um cacho de uvas que esqueceu-se de recolher após cortar é shikcha. Além disso, quaisquer cachos de uvas que não estavam maduros ou crescidos à época da colheita devem ser deixados para os pobres. 

Se a pessoa tem um olival, também deixa pea e ainda tem as mitsvot de leket e shikcha para cumprir.

Contra o furto

A Parashá Kedoshim contém muitas mitsvot proibindo-nos de furtar dinheiro. Aqui estão algumas delas:

Não roubar
Por que esta mitsvá segue-se à mitsvá de deixar parte da colheita para os pobres? O que possuem em comum?

O proprietário de um campo é advertido: "Se você tem um campo e é muito mesquinho para deixar pea, está na verdade roubando comida dos pobres. Não roube!"

E os pobres, também, são advertidos: "Quando recolher leket, não furte! Se você perceber que o dono deixou cair três feixes juntos, não os recolha! Não lhe pertencem; pertencem ao proprietário. Também, se você não é realmente necessitado mas recolhe pea para ganhar ‘comida grátis’, está roubando! Pea pertence apenas aos pobres."

A Torá ensina a não roubar após as mitsvot de leket, shikcha e pea para insinuar estas advertências ao proprietário de um campo e aos pobres.

Um judeu não pode roubar nem mesmo um centavo. Também não pode tirar nada de seu amigo como brincadeira, mesmo que tenha a intenção de devolvê-la mais tarde. E jamais deve comprar coisa alguma de um ladrão. 

A seguinte história vai mostrar o porquê.

Uma história:

Porque não devemos fazer negócios com um ladrão

Havia certa vez um governante não-judeu que promulgou esta lei: Se a polícia pegasse um ladrão, deveria libertá-lo. Porém, se pegasse uma pessoa que comprou artigos roubados, deveria condená-la à morte.

"Esta lei é ridícula!" comentava o povo. "Não seria melhor se o rei ordenasse que o ladrão fosse morto?" 

O rei soube que o povo ria de sua nova lei. Anunciou: "Todos estão convidados para ir ao grande campo atrás do palácio amanhã. Haverá um demonstração muito interessante."

Enorme multidão reuniu-se no campo no dia seguinte. Naquele local vivia um grande número de doninhas. O rei ordenou aos servos: "Coloquem comida que as doninhas apreciem."

Os servos trouxeram comida e a colocaram no campo. Imediatamente, apareceram doninhas de todos os cantos e pegaram a comida, carregando-a para suas tocas.

"Voltem todos amanhã nesta mesma hora e mesmo lugar!"anunciou o rei.
Aquela noite, o rei disse aos servos: "Encham com pedras as tocas das doninhas, onde os animais geralmente colocam sua comida."

No dia seguinte, após o povo estar reunido, o rei disse novamente aos servos: "Tragam comida para as doninhas!" Os servos puseram a comida no chão e os animais foram pegá-la. Carregaram-na para suas tocas, mas não puderam colocar a comida lá dentro; os buracos estavam fechados.

As doninhas trouxeram a comida de volta ao local de onde a haviam apanhado.

"Vejam," disse o rei. "Ladrões agem exatamente como doninhas. Roubam porque sabem que existem pessoas que negociarão com eles. Mas se souberem que ninguém comprará artigos roubados, deixarão de furtar. Por este motivo estou punindo todos que fazem negócios com ladrões; eles encorajam os gatunos a roubar!"

Não negar e não mentir

A Torá nos avisa: "Se você roubou alguma coisa, não o negue, dizendo: ‘Não roubei.’ Admita seu roubo e faça teshuvá."

A Torá também ordena: "Se alguém lhe der dinheiro para guardar em confiança ou lhe fez um empréstimo, ou se você achar dinheiro e ele lhe pedir para devolver, não minta, dizendo: "Nunca recebi este dinheiro."

Não jurar em falso

Se você receber dinheiro de alguém para guardar e negar isto mais tarde, o verdadeiro dono do dinheiro poderá dizer: "Vá ao tribunal e jure que você não tem meu dinheiro."

A Torá adverte: "Não jure falsamente que você não tem o dinheiro."

Não reter dinheiro que pertence a outrem

Se um amigo lhe emprestou dinheiro ou lhe deu dinheiro para guardar para ele, não faça brincadeiras ou use de força para ficar com o dinheiro. Não deve dizer: "Não tenho tempo para devolver-lhe o dinheiro hoje, volte amanhã."
Um judeu que propositadamente retém dinheiro que pertence a outra pessoa, está cometendo uma transgressão. Você não pode reter dinheiro que é devido a outra pessoa.

Não reter o salário de trabalhadores

Um judeu deve pagar quem trabalha para ele ao fim de cada dia de trabalho. Entretanto, se há um arranjo com o trabalhador para pagá-lo semanalmente, ou mensalmente, ou quando a tarefa for terminada, não é necessário pagar-lhe a cada dia. Ao invés disso, deve pagar-lhe ao tempo combinado. Se atrasar o pagamento, comete uma transgressão.

Nossos Sábios explicam:

O pecado de roubar causou o dilúvio

As pessoas que viveram na geração do dilúvio foram perversos que assassinavam, serviam ídolos, e tinham relações que lhes eram proibidas. Mesmo assim, D’us teve paciência e não ia trazer o dilúvio para destruí-los. Porém, quando cometeram o pecado do roubo, os anjos disseram a D’us: "Deves punir esta geração agora." Assim, D’us mandou o dilúvio.

O Midrash explica:

O truque da geração antes do dilúvio

O povo perverso que viveu antes do dilúvio agia de maneira insidiosa quando roubava. Pegavam quantidades tão pequenas que os juízes da corte não podiam puni-los. Se um homem pusesse uma cesta de ervilhas sobre o peitorial da janela, alguém se esgueirava e roubava apenas uma ervilha. Outra pessoa viria então e pegaria mais uma ervilha, e uma terceira pessoa mais uma – centenas de pessoas pegariam apenas uma ervilha cada uma. Quando o dono descobria que a cesta estava vazia, iria ao magistrado.
"Minhas ervilhas foram roubadas," diria ao juiz.

"Quem as roubou?" perguntaria o juiz.

"Bem, vi um vizinho aproximar-se da cesta," diria o homem.

Então o juiz chamava o vizinho.

"Você roubou as ervilhas deste homem?" perguntava o juiz.

"Não, senhor," respondia o ladrão. "Peguei apenas uma. Uma não vale nem um centavo; certamente não vai me punir por pegar apenas uma."

Cada ladrão contava ao juiz a mesma história. Desta maneira, as pessoas que viveram antes do dilúvio eram espertas para safar-se do tribunal sem castigo. Entretanto, D’us puniu-os todos por sua gatunagem. Mandou um dilúvio que os destruiu. 

Cuidados com a fala

A Torá ordena: "Você não pode amaldiçoar uma pessoa surda." 

Não podemos amaldiçoar uma pessoa surda, embora ela não possa ouvir nossa maldição e não se aborreça com isso. Então certamente não podemos amaldiçoar um judeu que pode nos ouvir e que se sentirá mal com nossa praga!

Por que a Torá nos proíbe de amaldiçoar? 

1 – Uma pessoa que souber que foi amaldiçoada certamente ficará muito magoada.

2 – Mesmo que a pessoa jamais descubra que foi amaldiçoada, mesmo assim é proibido fazer isso. A Torá deseja que sejamos bons e amigos de todos; não podemos desejar-lhes o mal.

3 – Cada palavra dita pela pessoa tem uma força formidável. D’us poderá cumprir a maldição. Então, teremos uma parcela de culpa se o próximo for punido.

Não podemos dar maus conselhos 

A Torá nos ordena: "Não faça uma pessoa cega tropeçar, colocando obstáculos em seu caminho."

Esta mitsvá também se aplica se alguém vem até você pedindo um conselho. Você não deve aconselhá-la erradamente, de propósito. Quem lhe pede um conselho é como se fosse "uma pessoa cega". Se lhe der a direção errada, estará fazendo-a "tropeçar", cometer um erro.

Quando você aconselha alguém, esta pessoa não sabe se sua intenção é ajudá-la ou causar-lhe problemas. Ele não pode ler seus pensamentos. Mas há Alguém que lê sua mente – D’us. Ele adverte: "Aconselhe honestamente."

A mitsvá de desculpar outros judeus que não se comportam como deveriam

Nossa sagrada Torá nos dá uma mitsvá especial que podemos cumprir muitas vezes a cada dia. Não é fácil, mas, sendo difícil, temos um grande mérito ao cumpri-la. A cada vez que você ver um judeu comportando-se de maneira imprópria, perdoe-o mentalmente.

Esta mitsvá também é mencionada em Pirkê Avot (1:6): "Julgue cada pessoa com brandura!"

Uma história:

O maravilhoso Dr. Aba

Abaye era um dos santos sábios. Era tão notável que uma vez por semana tinha o privilégio de ouvir uma voz vinda do céu.

Certa vez, Abaye escutou algo surpreendente: "Há um certo doutor chamado Aba que escuta uma voz celestial todo santo dia!"

Abaye refletiu: "O que há de tão especial com este doutor Aba que D’us o favorece com uma voz celestial todos os dias? Deixe-me descobrir o que ele faz. Talvez possa imitar suas boas ações e tenha o merecimento de escutar a voz mais freqüentemente, também."

Alguém falou a Abaye: "Você não pode fazer o que este doutor faz."

Doutor Aba era famoso por muitos feitos especiais. Por exemplo, tratava cada pessoa que o procurava, sem se preocupar se podia pagar ou não. Para não constranger quem não lhe pudesse pagar, colocava uma caixa de pagamentos do lado de fora do consultório. Aqueles que podiam pagar punham o dinheiro na caixa: aqueles que não o podiam, nada colocavam. Ninguém sabia qual paciente havia feito o pagamento e qual havia sido tratado graciosamente. Se um jovem erudito de Torá entrava e queria pagar, Doutor Aba respondia: "Não aceitarei pagamento de você." Quando terminava de tratar o estudante de Torá, dar-lhe-ia uma doação e dizia: "Use-a para comprar comida a fim de ter forças para estudar Torá."

O sábio Abaye soube disto, e muitas outras maravilhas sobre o Doutor Aba.
"Ele é realmente um tsadic tão grande?" disse Abaye. "Mandarei dois de meus alunos para testá-lo."

Os dois estudantes foram ao Doutor Aba e disseram: "Somos alunos do sábio Abaye."

"Por favor, entre", Doutor Aba recebeu-os. "Servirei comida e bebida, e podem passar a noite aqui."

O doutor não sabia por que os estudantes tinham vindo visitá-lo. Não lhes fez perguntas, mas tratou-os gentilmente. Quando eles se aprontavam para dormir, estendeu lindos cobertores de lã, para que ficassem confortáveis.

Na manhã seguinte, depois que os estudantes tinham se levantado, dobraram os cobertores, puseram-nos debaixo do braço e deixaram a casa com eles! Doutor Aba nada disse. Não correu atrás deles gritando: "Ladrões!" Apenas deixou-os ir.
Os estudantes foram direto ao mercado. Ficaram num local onde sabiam que Doutor Aba passaria e esperaram por ele. Quando o Doutor se aproximou, eles levantaram os cobertores e disseram: "Estamos vendendo estes cobertores. Quer comprá-los?"

Imagine o que faríamos em tal situação. Provavelmente ficaríamos nervosos, gritando furiosamente com os estudantes. 

Mas Doutor Aba não ficou nervoso. Apenas olhou os cobertores e disse: "Acho que valem bem umas cem moedas."

"Talvez valham mais," replicaram os estudantes. "Achamos que talvez um bom preço seja cento e cinqüenta moedas."

"Ótimo," disse Doutor Aba. "Compro-os de vocês por cento e cinqüenta moedas." 
Abriu a carteira para pegar o dinheiro.

Agora os estudantes resolveram acabar com a bricadeira. "Certamente sabe que os cobertores são seus,"disseram ao médico. "O que pensou a nosso respeito quando os roubamos? E o que achou quando tentamos vender-lhe os cobertores?"
"Não pensei, D’us me livre, nada de mal sobre vocês," disse Doutor Aba. "Julguei-os favoravelmente. Imaginei que talvez tivessem sido enviados pelo seu rebe para libertar alguns prisioneiros judeus. É preciso uma grande soma de dinheiro para pagar aos captores não-judeus. Na noite passada vocês não quiseram pedir-me uma tsedacá tão grande, então tiraram os cobertores, imaginando que eu não me incomodaria de dá-los a vocês."

Os estudantes disseram: "Somos gratos por desculpar nosso mau comportamento. Tivemos uma boa razão para pegar os cobertores; demos ouvidos ao nosso rebe que nos disse para testarmos o senhor. Agora queremos devolvê-los."

"Oh, não," disse Doutor Aba. "Não os aceitarei de volta. Já havia decidido comigo mesmo que seriam para tsedacá. Pretendo doá-los."

Os estudantes voltaram ao rebe, Abaye, e contaram-lhe como o Doutor Aba agira. Agora Abaye podia entender por que o Doutor merecia ouvir uma voz celestial todos os dias; era realmente um tsadic excepcional!

Não devemos espalhar rumores

Eis aqui outra importante mitsvá que podemos cumprir com freqüência:

A Torá adverte: Não saia por aí espalhando histórias sobre outras pessoas! Duas mitsvot estão incluídas nesta advertência:

1 – Não fale lashon hará sobre os outros! Lashon hará é uma observação verdadeira sobre outra pessoa, mas não é positiva. 

2 – A proibição de rechilut, espalhar boatos. Não conte a uma pessoa o que outra disse a seu respeito.

Sem ódio e sem vingança

A Torá diz: "Não odeie seu irmão em seu coração." Todos os judeus são chamados "irmãos" e "filhos de D’us." Um irmão deve amar o outro e preocupar-se com ele.

Por que as pessoas às vezes se odeiam? Talvez não haja uma verdadeira razão. Este ódio é chamado de ódio por razão nenhuma, sin’at chinam.

Rezamos a cada dia pela vinda de Mashiach e para que o terceiro Bet Hamicdash seja reconstruído. Mas primeiro, devemos parar de ter ódio. Impedimos a vinda de Mashiach por causa de ódio sem motivo.

Mesmo se outro judeu enganar você, não deve odiá-lo. Esta é uma mistvá também: "Não podemos buscar vingança ou lembrar do mal que outro judeu nos causou."

É uma mitsvá repreender um judeu que cometeu uma transgressão

Se você vir seu próximo fazendo algo errado, a Torá ordena que lhe mostre o caminho certo. Todos os judeus são responsáveis uns pelos outros. Se um judeu errou, é uma mitsvá ajudá-lo a parar de errar.

O mais importante sobre esta mitsvá é como você a executa. Ninguém gosta de ser repreendido. Isto é válido especialmente se você o insulta ou constrange pela maneira que lhe fala. Por isso, seja cuidadoso com o modo pelo qual o corrige. 
Nunca o repreenda em público. E sempre reflita primeiro: "Como eu gostaria que me falassem se estou errado fazendo isso?" Se a outra pessoa perceber que você está tentando ajudá-lo, lhe dará ouvidos.

Não devemos procurar vingança

A Torá nos ordena: "Não se vingue!"

O que é vingança? Agir com o próximo da mesma forma que ele agiu conosco. Devolver o mal se nos fez mal.

Exemplo: Fulana se recusou a emprestar um objeto pedido por sua vizinha. 
Quando ela mesma precisou pedir algo para sua vizinha, esta replicou: 

"Infelizmente não posso te ajudar ". (Ela pensou consigo: "Por que haveria eu de fazer por ela aquilo que ela se negou a fazer comigo?) 
Isto é proibido pela Torá.

Um judeu que busca vingança age como o açougueiro desta história.

Uma história:

O açougueiro que buscou vingança 

Era um dia quente de verão. O açougueiro estava em sua loja, cortando grandes pedaços de carne. Pensava na ducha refrescante que tomaria após o trabalho. Mas enquanto sua mente divagava, a faca escorregou. Subitamente o sangue jorrou de sua mão esquerda. Por engano, havia cortado seu dedo médio. Ficou furioso.
"Sua mão direita idiota!" vociferou. "Por que me cortou? Vou vingar-me de você!" 

Levantou o facão com a mão esquerda e cortou fora o dedo médio da mão direita.
O açougueiro agiu de forma ridícula. Cortando uma das mãos por ela ter machucado a outra, feriu ainda mais seu próprio corpo. 

Um judeu que se vinga age da mesma forma. Todos os judeus são "um só corpo"; todos dependemos uns dos outros. 

Não se lembrar o mal que o próximo lhe fez 

A Torá não proíbe apenas a vingança. Também não podemos lembrar o mal que outro judeu nos causou. Isto significa não lhe expressar verbalmente e o fazer recordar este mal.

Exemplo: Fulana se recusou a emprestar um objeto para sua vizinha. Quando ela mesma precisou emprestar um objeto da vizinha, esta lhe disse: "Com certeza lhe emprestarei, apesar de você ter me negado quando lhe pedi". 

A Torá nos ordena a não guardar rancor e ressentimento. 

Há muitos tsadikim famosos que perdoaram aqueles que os insultaram ou lhes causaram mal:

  • Yossef – Seus irmãos planejaram matá-lo e o venderam como escravo.Yossef, entretanto, não procurou vingar-se deles. Pelo contrário, providenciou comida para eles e suas famílias por toda a vida. Eis porquê é chamado de "Yossef, o tsadic."
  • Moshê – Os judeus freqüentemente insultavam e enfureciam Moshê. Apesar disso, ele rezava a D’us por eles.
  • Rei David – Era tão humilde que quando um homem (chamado Shimi ben Gueira) o amaldiçoou, disse aos servos: "Não quero que seja punido. D’us permitiu que ele me insultasse, portanto, devo merecer!"
  • O sábio Hilel era famoso por jamais se aborrecer ou se ofender. Ensinou aos alunos a portarem-se da mesma maneira, também. Hilel foi recompensado com vida longa. Viveu até a idade de cento e vinte anos (bem como Moshê e Rabi Akiva).

Ame seu próximo como a si mesmo
Sempre que tratamos o próximo da maneira que gostaríamos de ser tratados, cumprimos a mitsvá "Ame seu próximo" E sempre que cumprimos uma das mitsvot de fazer atos bons e gentilezas, como visitar pessoas doentes ou receber hóspedes, também cumprimos a mistvá "Ame seu próximo como a si mesmo."

Esta mistvá é muito importante. Quando D’us criou o mundo, Ele tinha em mente que as pessoas fariam chessed (bondade) umas para as outras. Assim, sempre que cumprimos a mitsvá de amar o próximo, D’us fica feliz e diz: "Estou orgulhoso deste judeu que ama o próximo. Ele age da maneira que Eu queria que todos agissem."

Proibições no campo e na vestimenta

Um fazendeiro em Israel tem muitas mitsvot especiais. Uma delas é que deve ser cuidadoso para não semear dois tipos diferentes de grãos, feijões, ou legumes muito próximo um do outro.

Um fazendeiro que deseja semear duas espécies diferentes num mesmo campo deve manter um espaço entre elas. Há leis especiais bem detalhadas que especificam a distância que diferentes tipos de plantas devem ter umas das outras.
A Torá chama dois tipos de plantas que crescem juntas de kilayim – uma mistura proibida. Se um fazendeiro semeou kilayim neste campo por engano, deve arrancar todas as plantas proibidas.

Um fazendeiro judeu fora de Erêts Yisrael pode semear dois tipos de plantas juntos em um campo. Entretanto, mesmo fora de Erêts Yisrael, não pode enxertar dois tipos diferentes de árvores. 

Não podemos vestir uma roupa contendo shaatnez, uma mistura de lã e linho

A Torá também proíbe um outro tipo de mistura. Um judeu não pode usar nenhuma peça de roupa que possua linho junto com a lã. Tal mistura é chamada shaatnez. Entretanto, pode-se ter o fio de linho completamente removido e substituí-lo por um de lã ou então sintético.

Uma vestimenta é completamente shaatnez mesmo se for feita totalmente de linho, mas tem botões costurados com fios de lã, ou o inverso.

Como podemos reconhecer se um casaco ou jaqueta contêm shaatnez?

A maioria de nós sabe diferenciar linho de lã ao pegá-lo nas mãos, saberá que material é um ou outro. No entanto, em relação a mesma peça de roupa, com tantos detalhes e complementos (forro, etiquetas, linhas de costura, fios e botões, etc), não saberíamos se há um pedacinho pequeno e escondido de shaatnez. No entanto, há pessoas que foram treinadas para tornarem-se "especialistas em shaatnez". Podem reconhecer um único fio de linha de shaatnez numa roupa. 

Muitos especialistas usam microscópios para verificar se há linhas shaatnez num tecido.

Toda vez que compramos um casaco, terno, jaqueta, ou qualquer roupa que possa conter shaatnez, devemos levá-la a um "verificador de shaatnez" antes de vesti-lo. 
Também não podemos sentar num sofá contendo shaatnez.

Por que D’us não quer que usemos roupas com shaatnez? Segundo uma explicação, é porque algumas das vestes dos cohanim, continham shaatnez. (O cinturão, o peitoral e o avental eram de linho, mas tinham fios de lã.) eram vestes sagradas que apenas os sacerdotes podiam vestir. Assim como um rei não deixa que cidadãos comuns vistam os mesmos uniformes que os soldados, assim D’us não quer que judeus comuns vistam o mesmo tipo de roupas que os cohanim costumavam usar.

Isso pode ser uma das razões para a mitsvá, mas é claro que todas as mitsvot têm mais razões que fogem ao nosso entendimento chamadas chukim.

Árvore frutífera 

Aqui estão as mitsvot que um fazendeiro judeu deve obedecer mesmo fora de Erêts Yisrael:

Por exemplo, um fazendeiro judeu planta uma macieira. Um ano depois, já existem pequenas maçãs. Ele não pode comer ou vender estas maçãs. Deve proceder da mesma forma no segundo e terceiro anos. A Torá ordena: "Se plantar uma árvore frutífera, não pode usar seus frutos (para comer ou vender), pelos primeiros três anos." Estas frutas são chamadas orla.

Porém, se comprarmos maçãs e outras frutas? Temos que descobrir se as maçãs são frutas orla ou não?

Se vivemos em Erêts Yisrael, antes de comprarmos frutas devemos sempre tentar saber se são orla ou não. A menos que uma fruta tenha uma supervisão rabínica declarando que não é orla, não devemos comê-la.

Fora de Erêts Yisrael a lei é diferente. Não precisamos investigar se uma fruta é orla; podemos comer todas as frutas. Apenas se soubermos com certeza que alguma fruta foi cultivada por um fazendeiro judeu e que os três anos após o plantio ainda não passaram, a fruta é vedada para nós. Mas geralmente não sabemos e podemos comer todas as frutas. 

O que faz um fazendeirto judeu com a fruta que cresce no quarto ano após a árvore ser plantada?

Na época do Bet Hamicdash, ele devia levar a Jerusalém toda a fruta que crescesse no quarto ano. Ele tinha que comer a fruta em Jerusalém. Se tivesse tanta fruta que lhe fosse difícil transportar para Jerusalém, era permitido trocá-la por dinheiro. Devia usar este dinheiro para comprar comida que deveria ser consumida em Jerusalém. 

Mesmo nos dias de hoje as frutas do quarto ano após o plantio da árvore são sagradas. Apenas podem ser ingeridas após o fazendeiro trocá-las por uma moeda. Ele deveria perguntar a um rabino como trocar as frutas por uma moeda e o que deve fazer com a moeda.

Mais mitsvot citadas na parshá

Não comas obre o sangue

A Torá nos ordena: "Não coma sobre o sangue!"

Esta ordem pode ser explicada de muitas maneiras. Eis aqui umas delas:
Um judeu que trouxe uma oferenda ao Bet Hamicdash não recebia permissão de comer sua parte da oferenda imediatamente após o abate. Devia esperar até que o cohen tivesse borrifado o sangue da oferenda sobre o altar.

Isto é o que significa o comando "Não coma a carne de um corban antes que o sangue tenha sido borrifado sobre o altar!" Borrifar o sangue sobre o altar é a parte principal no oferecimento do corban. Isto expia a culpa do ofertante. Não seria apropriado para ele comer sua porção antes que seus pecados fossem perdoados.

Não podemos ser supersticiosos

A Torá nos proíbe de acreditar em qualquer tipo de supertições. Nos tempos antigos, as pessoas eram ainda mais supersticiosas que hoje. Muitas nações acreditavam piamente em sinais "da sorte" e "do azar". Se um rei queria decidir se começava ou não uma guerra, atiraria flechas para o alto. Decidiria então que atitude tomar baseado na direção que as flechas apontavam ao cair.

Quando o Povo de Israel vivia no Egito, os egípcios acreditavam em "presságios", sinais para prever o futuro.

A Torá adverte Benê Yisrael: "Um judeu não deve acreditar em sinais. Não acredite que se certas coisas acontecem, elas significam boa ou má sorte para você. Não acredite que certos dias ou horas trazem sorte ou azar ao começar uma nova tarefa."

Devemos acreditar na verdade. Apenas D’us decide o que nos acontecerá no futuro. E seja qual for Sua decisão, sabemos que será o melhor para nós.

Um menino ou homem judeus não podem cortar suas costeletas
 

A Torá ordena que meninos judeus e homens não cortem as costeletas. Como ocorre com outras mitsvot da categoria de chukim, não sabemos as razões desta. Conforme uma explicação, os idólatras nos velhos tempos costumavam cortar o cabelo por igual ao redor da cabeça. D’us queria que os judeus tivessem aparência distinta. Isso ajuda-nos a perceber que judeus devem sempre ser santos e agir diferentemente. 

Um judeu não pode tatuar seu corpo

Nos tempos de outrora, sacerdotes da idolatria costumavam se tatuar. E, muitas vezes, as pessoas se tatuavam após a morte de um parente para mostrar como estavam tristes. A Torá proíbe um judeu de tatuar seu corpo. Esta lei nos mantém afastados dos idólatras e seus costumes.

Outra razão pela qual a Torá proíbe tatuagem, é porque o corpo nos foi dado como um presente por D’us. É uma mitsvá cuidar bem do corpo. Não devemos perfurá-lo ou marcá-lo sem necessidade.

Mostrar respeito pelo Bet Hamicdash

Era uma mitsvá para cada judeu que subia ao Har Habayit, a montanha onde ficava o Bet Hamicdash, comportar-se seriamente e com respeito. Ao entrar no pátio do Templo, deveria demonstrar ainda mais respeito, lá todos tinham que permanecer de pé. (Apenas reis da família real de David tinham permissão de sentar-se no pátio.) Cada judeu era lembrado desta forma que a presença de D’us repousava lá, e era obrigado a comportar-se de acordo. 

Hoje temos uma lei que demonstra nosso respeito pelo Bet Hamicdash: Não podemos fazer nenhum objeto exatamente da maneira que existia no Bet Hamicdash. Por exemplo, a menorá no Bet Hamicdash tinha sete braços. Usamos, portanto, menorot com cinco, seis ou oito braços. Da mesma forma, não fazemos para nós mesmos uma shulchan (mesa) ou outro objeto exatamente da maneira que havia no Bet Hamicdash.

Outra mitsvá que nossos Sábios decretaram é: Devemos nos comportar com respeito numa sinagoga e numa Casa de Estudos (Bêt Midrash). Eles são nossos pequenos Batê Micdash, mini-Templos.

Que leis devemos cumprir na sinagoga?

  • Devemos nos comportar com seriedade e respeito, lembrando que a Presença de D’us repousa neste local.
  • Não devemos falar sem necessidade; se queremos conversar, o fazemos fora deste recinto.
  • Devemos nos manter sentados em silêncio mesmo se não estamos rezando; sentar na sinagoga já é uma mitsvá! O livro de Tehilim nos ensina: "Ashrê yoshvê betecha"- "Feliz é o povo que (apenas) se senta em Sua Casa".

É proibido realizar a magia de Ov e Yidoni
Muitas nações nos tempos antigos ocupavam-se com magia. Havia um tipo de mágico chamado ba’al ov. Ele sabia como fazer sua voz soar como se viesse de muito longe. Com esta mágica, ele trouxe pessoas mortas de volta dos túmulos e os fazia falar.

Outro tipo de mágico era o yidoni. Este colocava um osso de um certo animal na boca. Com magia, fazia o osso falar. Então o mágico fazia coisas esquisitas, caía no chão, e predizia o futuro.

Devemos honrar os judeus idosos

A Torá nos ordena: "Quando você ver um judeu de setenta ou mais anos, deve honrá-lo! Fique de pé e aja respeitosamente em relação à ele"

Um judeu de idade é honrado mesmo não sendo um sábio. Merece ser respeitado porque D’us lhe concedeu vida longa. Tem experiência de vida e reconhece os caminhos maravilhosos de D’us neste mundo. Se todos judeus idosos devem ser honrados, quanto mais nossos próprios avós, se somos afortunados de o termos conosco.

O midrash nos conta:

Como nossos sábios honravam os idosos 

Quando o sábio Abaye caminhava pela rua, costumava estender seu braço para que todo judeu idoso pudesse apoiar-se nele. 

O próprio Rava não sustentava pessoas idosas. Porém, sempre que via um judeu de idade, mandava um de seus alunos oferecer-lhe o braço.
Sempre que Rabi Meir via um judeu idoso, mesmo um que não fosse estudioso da Torá, levantava-se para ele. Dizia: "Deve haver uma razão para D’us deixá-lo viver até esta idade avançada: ele certamente realizou boas ações!"

Devemos honrar os eruditos de Torá 

A Torá chama um erudito de zaken (homem idoso), mesmo se for jovem. Por ter estudado Torá, possui a sabedoria de um homem de mais idade. Por isso, a Torá nos ordena: "Honra todo erudito de Torá, seja ele jovem ou idoso."

Nós nos levantamos para um erudito; fazendo-o caminhar à nossa frente. É claro que cada aluno deve honrar ainda mais seu próprio mestre de Torá.

Em Pirkê Avot está escrito: "Seu respeito pelo Rebe deve ser tão grande quanto seu temor a D’us."

Um aluno deve levantar-se para seu rebe: não pode sentar-se na cadeira do rebe; deve fazer perguntas com respeito; não deve interrompê-lo, e tampouco contradizê-lo. Seu rebe merece a maior honra, porque lhe ensina a Torá, doando seu tempo e sabedoria.

Não devemos trapacear com pesos ou medidas

Se você pesa ou mede um artigo que deseja vender, a Torá adverte: "Tenha balanças e fitas métricas exatas!"

Uma balança dos tempos antigos tinha dois pratos. Em um deles, o mercador colocava pedras. Cada pedra tinha um determinado peso. No outro prato ele punha mercadorias do mesmo peso. Se ele marcasse uma pedra com as palavras "1 quilo", mas na verdade a pedra pesasse menos que um quilo, o cliente sempre recebia menos que um quilo de mercadoria.

Hoje em dia, usamos balanças computadorizadas. O vendedor põe os artigos na bandeja da balança e o peso aparece no mostrador. Mesmo assim, se o computador não é exato, o cliente será prejudicado.

Por isso, independente do tipo de balança ou medidor que o judeu use, a Torá lhe ordena: "Assegure-se de que está exato. Se trapacear, seu freguês jamais saberá. Mas há Alguém que sempre o sabe."

A santidade da nação judaica 

Nesta Parashá, aprendemos sobre importantes mitsvot. Podemos cumprir algumas delas todos os dias.

Quando Moshê explicou esta Parashá, Benê Yisrael ouviu com atenção.

Quando Moshê terminou, disse em nome de D’us: "Eu, D’us, dei a vocês todas estas mitsvot para que possam ser santos, kedoshim. Se vocês, a nação judaica, agir de maneira diferente dos outros povos, então serão Meus".

 
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