Leitura da Torá: Porção Semanal Parashá Tazria- Metsorá (25/04)…continuação

 
Comentario
 
 
Vivendo Com o Rebe
 
Esta semana lemos duas porções da Torá no Shabat, Tazria e Metsorá.

A porção Metsorá começa com as leis referentes à purificação da hanseníase. Podemos "viver com a época" – e encontrar uma lição contemporânea de uma porção da Torá sobre a hanseníase? 

Muitos a conhecem apenas como uma doença altamente contagiosa e desfigurante. Porém, nos tempos bíblicos, era vista como um castigo físico de D’us para o pecado da calúnia. Uma punição bastante severa por transgredir um mandamento entre o homem e seu próximo. Foi o castigo que Miriam recebeu por falar mal de Moshê. E Moshê, na sarça ardente, viu sua mão virar leprosa. Esta foi uma intimação de D’us, que suas palavras sobre os israelitas eram caluniosas.

Alguém que tivesse essa doença era isolado das pessoas logo que fosse diagnosticado, e era obrigado a viver fora do acampamento no deserto onde morava o restante dos israelitas. Como a doença tinha uma dimensão física, além da espiritual, isso não era simplesmente uma precaução higiênica, mas tinha um propósito moral. Da mesma forma, sua purificação era também espiritual, além de física.

O portador do mal era obrigado a permanecer fora do acampamento, e nem as pessoas que estavam "impuras" por outras razões, além da hanseníase, podiam chegar perto dele.
Rashi comenta: "Como ele, pelas declarações caluniosas, separou marido e mulher, ou um homem de seu amigo, [portanto] ele deve ser separado [de todos]." Ele era excluído do acampamento por causa de sua associação com a discórdia e dissensão."

Ao contrário de outras formas de impureza espiritual, a calúnia é progressiva. A princípio é voltada contra pessoas comuns, depois contra os justos, e finalmente contra o próprio D’us.

No dia da purificação da hanseníase, a Torá nos diz: "Ele será levado ao cohen (sacerdote). E o cohen sairá do campo para encontrá-lo. Quem vai encontrar com quem? A resposta está no entendimento de que estas duas expressões são na verdade dois aspectos da purificação espiritual da hanseníase.

A primeira indica uma certificação de que mesmo aquele que fica "fora do acampamento", isolado – mesmo que por um pecado entre duas pessoas – por fim será motivado a voltar-se ao "cohen" em arrependimento.

O segundo estágio é quando o cohen encontra o doente, e ao fazê-lo inicia e desperta o desejo de retornar. Ele então se esforçará para traduzir esta revelação para uma purificação das circunstâncias completas de sua vida que levaram à transgressão.

Adaptado das obras do Lubavitcher Rebe


Coluna de Mexericos

 

Por Benyamin Cohen

Parashá Tazria e Parashá Metsorá tratam principalmente das leis a respeito do metsorá, aquele afligido com a doença espiritual de tsaarat. Como foi mencionado acima, a causa principal do tsaarat foi o pecado grave de lashon hará. Aqueles que contraíram as desagradáveis lesões que cobrem parte da pele foram enviados para fora do acampamento por um grande período de tempo. Assim como a doença era de natureza espiritual, assim também ocorria com a cura. Quando D’us via que o indivíduo estava verdadeiramente arrependido, a doença desaparecia e ele podia novamente retornar para a sociedade.

Examinemos esta doença mais de perto. Um indivíduo acaba de ser atacado por uma doença terrível. Foi forçado a deixar sua família e viver fora do acampamento, sentindo constrangimento e vergonha. Qual o propósito desta punição? Não teriam sido mais apropriadas umas desculpas públicas em um jornal judaico local?

Devemos entender que o castigo Divino não é motivado por vingança, mas sim uma forma de terapia. O metsorá é banido do acampamento porque falou mal de outras pessoas. Na sua situação momentânea, fora dos limites do acampamento e distante do contato humano, o indivíduo afligido clama por companhia. De certo modo, ele está em uma solitária. 

Conseqüentemente, aprenderá a apreciar o som da voz humana e quão afortunados somos por compartilhar este mundo com outras pessoas. Quando compreender a importância da fraternidade e união, o metsorá entenderá o verdadeiro poder das palavras, e o efeito catastrófico que elas podem exercer sobre os outros se for usada de forma inadequada. Ele sentirá um reavivamento moral. 

Como você provavelmente já percebeu, esta doença não existe mais. Talvez D’us soubesse que a maioria de nós seríamos afetados por ela. Entretanto, a lição ainda permanece. Devemos ser cuidadosos em nossos contatos diários com outras pessoas. Infelizmente, tornamo-nos acostumados a escutar a maledicência e dar ouvidos a fofocas. Na próxima vez que alguém falar: 
"Você sabe o que aconteceu com…?", devemos mudar de assunto ou afastar-nos, pois como dizem os sábios, quem dá ouvidos a mexericos é tão culpado como aquele que falou. Devemos levar a sério a lição do metsorá, e apreciar o imenso significado do companheirismo humano.


Cuidado com o que sai da boca

O ritual das leis relacionadas com tsaraat já não tem nenhuma aplicação prática; porém as lições morais nele contidas são de importância vital para nós.

A palavra "metsorá", de acordo com nossos sábios, liga a doença ao pecado da difamação, sugerindo que a lepra é a punição pela maledicência. A gravidade da ofensa nota-se pela severidade do castigo.

Num laboratório científico, o cientista não apresenta uma nova teoria ou droga enquanto não a testa inúmeras vezes, verificando cada possibilidade; é assim que a verdade se estabelece.
Muitas vezes, entretanto, julgamos as pessoas por evidências insignificantes e sem prova alguma, passando adiante suspeitas e causando danos.

Como precisamos ser sempre lembrados deste tipo de "higiene da boca"! O judaísmo admite que o que entra na boca é importante, mas o que dela sai não o é menos significativo.


Erupção

Por Michael Alterman

Dentre os inúmeros detalhes de tsaraat discutidos na Parashá Tazria, encontramos um em particular que parece ser totalmente contrário à lógica humana. A Torá nos diz que se uma pessoa está totalmente coberta, da cabeça aos pés, com as manchas brancas indicativas de tsaraat , ele é considerado como não passível de sofrer da temida doença, e permanece tahor (Vayicrá 13:13). Qualquer problema de menor monta, limitado apenas a uma área do corpo torna-o completamente tamei, e as leis de tsaraat tornam-se aplicáveis. Como é possível que alguém com uma dose limitada da doença seja considerado completamente afligido, enquanto um com a maior erupção imaginável permaneça totalmente são?

Sabemos que o objetivo principal de D’us ao fazer que alguém contraia tsaraat é servir de advertência de que a pessoa não está sendo suficientemente escrupulosa em seu cumprimento de uma de muitas mitsvot, incluindo as injunções contra falar lashon hará e comportar-se arrogantemente. A pessoa, portanto, contrai uma horrível moléstia que resulta em sua remoção do acampamento por um longo período de completo isolamento. Esta pode ser a oportunidade perfeita para que ele reflita sobre sua trajetória na vida, e reavalie seus atos. Tal tratamento e solidão são necessários, especialmente para descobrir "pequenos" erros de julgamento, os enganos que de outra forma poderiam passar despercebidos. 

Portanto, por um caso menos grave de tsaraat , o isolamento é requerido para induzir a uma séria introspecção. Entretanto, se o caso do tsaraat é tão sério que o afeta da cabeça aos pés, desta maneira alardeando seus erros tanto para si como para todos as outras pessoas, um período de isolamento mais longo não é necessário para provocar o arrependimento.

Hoje em dia, quando não mais merecemos ter sinais tão claros de D’us, é vital que examinemos nossos atos, fazendo nosso próprio teste para determinar se de fato estamos cumprindo a orientação determinada pela Torá. Embora o caminho correto nos seja freqüentemente tão claro como a tsaraat que cobria alguém da cabeça aos pés, muitas vezes as decisões devem ser tomadas após avaliação cuidadosa, e eliminando muitos de nossos preconceitos e inclinações – as pequenas manchas de tsaraat . Apenas com nossa definitiva internalização destes valores, podemos com segurança evitar os perigos de metsorá.


Palavras e Pedras

 

Por Yanki Tauber, baseado nos ensinamentos do Rebe

Em Mezibush, a cidade onde nasceu o Báal Shem Tov (fundador do Chassidismo, 1698-1760), dois moradores locais se envolveram numa desagradável disputa. Um dia, eles estavam gritando furiosamente um com o outro na sinagoga local quando um deles gritou: "Vou cortá-lo em pedaços com minhas próprias mãos!"

O Báal Shem Tov, que na ocasião estava na sinagoga, disse aos seus discípulos para formarem um círculo, cada qual segurando a mão do vizinho, e para fecharem os olhos. Ele próprio fechou o círculo, colocando as mãos sobre os ombros dos dois discípulos que estavam à sua direita e esquerda. De repente, os discípulos gritaram assustados: por trás da pálpebras cerradas viram o homem furioso realmente cortando o outro em pedaços, exatamente como tinha ameaçado!

Palavras são como flechas, diz o Salmista, e como carvões fumegantes. Como flechas, explica o Midrash, pois um homem está em um lugar e suas palavras trazem confusão para a vida de outro homem a quilômetros de distância. E como um carvão cuja superfície externa se extinguiu, mas cujo interior continua ardendo, assim também palavras malévolas continuam a produzir seu dano muito depois de seu efeito externo ter acabado.

As palavras podem matar de diversas maneiras. Às vezes desencadeiam uma sucessão de eventos que se transformam numa profecia auto-realizável; às vezes se desviam do objeto de seu veneno para atacar algum transeunte inocente; e às vezes retornam como um bumerangue para perseguir aquele que as atirou. Mas seja qual for a rota que percorram, palavras odiosas inevitavelmente levam a ações odiosas, possivelmente anos ou até gerações depois de serem pronunciadas. A natureza humana é tal que os pensamentos lutam para serem expressos em palavras faladas, e palavras faladas procuram se realizar através de ações – muitas vezes por caminhos tortuosos, que a pessoa que originalmente pronunciou as palavras não desejava nem previa.

Porém o poder da palavra age mais profundamente que seu potencial de se traduzir em ação. Mesmo que esse potencial jamais se concretize, mesmo se as palavras faladas não se materializarem no "Mundo de Ação", ainda assim elas existem no "Mundo da Fala", mais elevado e mais espiritual. Pois o homem não é somente um corpo – é também uma alma; não é apenas um ser físico – mas também uma criatura espiritual. No plano físico, as palavras faladas podem ser importantes apenas como ações em potencial; na realidade da alma, elas são verdadeiras.

Foi isso que o Báal Shem Tov quis mostrar aos discípulos concedendo-lhes um vislumbre ao mundo das palavras, habitado pelas almas de dois combatentes verbais. Ele queria que eles entendessem que cada palavra que dizemos é real, venha ou não a se concretizar no "Mundo da Ação" no qual reside nosso ser físico. 

Num plano mais elevado e mais espiritual da realidade – uma realidade tão verdadeira para nossa alma quanto a realidade física é para nosso ser físico – toda palavra nossa é tão boa (ou tão má) quanto se fosse concreta.

O mesmo se aplica, obviamente, no sentido positivo: uma palavra de louvor, de encorajamento, é tão boa como se ela se concretizasse na realidade espiritual da alma. Mesmo antes de uma boa palavra ter produzido uma boa ação, ela já tem um efeito profundo e duradouro sobre nosso estado interior e sobre o nosso mundo.

 

Fonte: http://www.chabad.org.br/

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