Leitura da Torá: Porção Semanal: Parashá Shemini (18/04)

 Leviticus 9:1-11:47

 

A Parashá Shemini (Vayicrá 9:11-11:47) começa discutindo os eventos que ocorreram no oitavo e último dia de melu’im, serviço de inauguração do Mishcan. Após meses de preparação e antecipação, Aharon e seus filhos são finalmente instalados como cohanim, em um serviço elaborado. 

Aharon abençoa o povo, e toda a nação se rejubila quando a presença de D’us paira sobre eles. Entretanto, o entusiasmo é interrompido abruptamente quando os dois filhos mais velhos de Aharon, Nadav e Avihu, são consumidos por um fogo celestial e morrem no Mishcan, enquanto ofereciam ketoret, incenso, sobre o altar. A Torá declara que eles morreram porque trouxeram um "fogo estranho" no santuário interior do Mishcan, cujo significado é discutido pelos comentaristas à exaustão.

Aharon recebe ordens de que os cohanim são proibidos de entrar no Mishcan enquanto impuros, e a Torá continua a relatar os eventos que ocorreram imediatamente após a morte trágica de Nadav e Avihu. A porção termina com uma lista dos animais casher e não-casher, e várias leis sobre tumá, impureza.

Mensagem da Parashá

 

Pureza e impureza

Adaptado das obras do Lubavitcher Rebe.

A porção Shemini discute os animais puros que são permitidos consumir, e os impuros, que somos proibidos de ingerir. A Torá fornece dois sinais para reconhecer um animal puro: ser ruminante e ter os cascos fendidos.

Uma das razões oferecidas para as leis dietéticas é que tudo que a pessoa come transforma-se em carne e sangue, tornando-se parte integrante daquela pessoa. Portanto, a Torá proíbe determinados alimentos para impedir o homem de assimilar as más características da comida proibida.

Se há uma proibição contra comer animais que não ruminam e não têm o casco fendido (para impedir a assimilação das características daqueles animais), a conduta apropriada para o homem deveria ser uma que adotasse os conceitos de um casco fendido e ruminar a comida.

O casco deve ser inteiramente fendido, de cima a baixo. O casco é dividido em dois, para indicar que nossa caminhada na terra, i.e., nossos envolvimentos mundanos, devem incluir dois princípios básicos: aproximar-se daquilo que é bom e afastar-se daquilo que não é.

Mas o sinal de um casco fendido em si não é o suficiente. Deve também haver o sinal de ruminar a comida. É preciso ser muito cuidadoso para "ruminar" toda atividade mundana que se pretende aceitar. Deve-se esclarecer e determinar, de uma vez por todas, se realizará determinadas tarefas, e se for este o caso, de que forma deverá fazê-lo. Somente então a ação em si será comparada a um "animal puro" – algo que pode e é usado para nossa missão espiritual na vida.

Quanto às aves, não confiamos somente nos sinais, mas também exigimos uma tradição afirmando a pureza dessas espécies. Alguém poderia perguntar por que precisamos dessa tradição. Observar os sinais deveria ser suficiente. No entanto, isso vem nos ensinar que não se pode confiar na própria inteligência. É possível estudar o Código da Lei Judaica e até seguir um tipo de comportamento que o próprio intelecto determina como sendo "além da letra da lei."

Deve-se seguir a tradição. A palavra hebraica para tradição é messorá, que está relacionada à palavra messirá – devoção e ser atado junto. Para seguir esta tradição judaica devemos ser devotados e nos ligar com outros judeus e líderes de Torá, que podem ensinar-nos os caminhos de nossa tradição.

Seleções do Midrash Shemini

 

oitavo dia da consagração do Mishcan

Em cada um dos primeiros sete dias de consagração, Moshê montou o Mishcan e o desmontou novamente. A cada dia ele também oferecia os corbanot ordenados por D’us. 

Chegou o oitavo e último dia de dedicação. Era Rosh Chôdesh Nissan. D’us ordenou a Moshê: "Hoje deves armar o Mishcan, mas não o desmontes novamente. Também, pela primeira vez, Aharon e seus filhos oferecerão corbanot. "Enviarei um fogo do céu para consumir seus corbanot."

Tão logo Benê Yisrael soube que Aharon e seus filhos fariam a avodá pela primeira vez e que D’us enviaria um fogo, reuniram-se no pátio do Mishcan. Não esperaram por uma ordem de D’us, pois todos ansiavam pelo momento quando o fogo de D’us desceria. Seu fogo demonstraria que tinham sido perdoados pelo pecado do bezerro de ouro e que Sua Shechiná, Presença Divina, repousava no meio deles novamente.

Aharon e os cohanim começam a avodá (serviço)

Moshê instruiu Aharon: "Hoje você oferecerá corbanot especiais".

Aharon e o povo judeu rapidamente prepararam os animais para os corbanot e a farinha e azeite para a oferenda de minchá. O povo esperou no pátio do Mishcan para que Aharon começasse a oferecer os corbanot sobre o altar. Mas Aharon não se aproximou do grande altar: permaneceu em pé no lugar em que se encontrava.

"Por que você não começa a avodá?" Moshê perguntou. 

Aharon, entretanto, não ousava se aproximar mais do altar. Assim que olhou para os cantos quadrados na parte superior do altar, estes pareceram-lhe como os chifres de um boi! Lembraram-lhe do bezerro de ouro que ele tinha feito para Benê Yisrael. Embora Aharon permaneceu fazendo intensa teshuvá por causa de seu pecado, temia que D’us pudesse não aceitar seu serviço.

Moshê disse-lhe: "Não tema! D’us o perdoou."

Moshê percebeu que Aharon hesitava e tremia ao aproximar-se do grande altar. Disse a Aharon: "Meu irmão Aharon, D’us escolheu você para fazer Seu serviço! Suba ao altar! Ofereça seus corbanot em expiação por si mesmo, e aqueles de Benê Yisrael em reparação por eles!"

Finalmente, Aharon sentiu-se seguro e caminhou para o altar. Trouxe seu bezerro como um corban, enquanto seus 
filhos ajudavam. Então Aharon ofereceu os outros corbanot. Ao terminar, desceu do altar. Então, Aharon elevou as mãos e pela primeira vez abençoou o povo com a bênção especial dos cohanim, Bircat Cohanim. O pátio do Mishcan estava repleto pois o Povo de Israel permaneceu assistindo ao trabalho de Aharon. Agora que terminara, o povo se perguntou: onde estava o fogo de D’us? O fogo iniciado por Aharon tinha começado a queimar os pedaços de carne, mas nenhum fogo descia do céu. 

O fogo de D’us 

Aharon também estava preocupado. Ele tinha cumprido o serviço com alegria, mas agora estava temeroso. "Moshê", disse ansiosamente, "será possível que D’us não esteja satisfeito com meu serviço e não o tenha aceitado? Talvez Ele ainda esteja aborrecido comigo devido a meu pecado e por isso não envia o fogo do céu?"

Tanto Moshê como Aharon entraram no Mishcan, prostaram-se e imploraram a D’us que mandasse o fogo do céu. Quando saíram, abençoaram Benê Yisrael: "Possa D’us aceitar seus corbanot e possa Ele perdoar os seus pecados!"
Imediatamente, a Shechiná de D’us apareceu diante de todo o povo. Um fogo desceu do céu e queimou as partes dos corbanot que ainda permaneciam no altar.

Quando o povo presenciou isto, sentiu-se feliz e gratificado. Era o sinal de que D’us os havia perdoado pelo pecado do bezerro de ouro. Desde a divisão das águas do Mar Vermelho não havia tanta alegria junto ao Povo de Israel. Prostraram-se e agradeceram a D’us pelo grande milagre.

O fogo que caiu sobre o altar não desapareceu após queimar os corbanot; permaneceu no altar desde aquela época.

Os filhos de Aharon, Nadav e Avihu, são punidos por oferecerem incenso

Junto com as demais pessoas, os dois filhos mais velhos de Aharon, Nadav e Avihu, viram como um fogo proveniente do céu desceu sobre o altar no pátio e queimou os corbanot. Mas, enquanto todos se alegravam, Nadav e Avihu ficaram desgostosos.

Nadav e Avihu eram os homens mais notáveis da nação judaica, depois de Moshê e Aharon; eram ainda mais importantes que os setenta anciãos do Sanhedrin. Sentiam que desejavam aproximar-se mais de D’us, do que simplesmente ficarem parados observarndo o fogo miraculoso que descia do céu. Queriam trazer seu próprio corban para D’us a fim de expressarem seu amor. Também esperavam que ao oferecer um corban adicional, D’us Se revelaria ainda mais a eles.

Sem conversarem entre si, tanto Nadav como Avihu tiveram a mesma idéia. Cada um pensou: "De todas as oferendas, o incenso é o mais sagrado, e das seções do Mishcan, o Côdesh Hacodashim é o mais santo. Por isso, o maior dos presentes para D’us será oferecer-lhe incenso no Santo dos Santos." O desejo de Nadav e Avihu era bem-intencionado, leshem shamayim. Tinham certeza de que D’us ficaria feliz com este "presente especial", neste oitavo dia da consagração do Mishcan. Como ambos eram grandes sábios do Talmud, acharam muitas boas razões para pensar que seu incenso seria um presente maravilhoso para D’us. Entretanto, cometeram um erro: tinham tanta certeza de que D’us ficaria satisfeito com o presente que não se incomodaram de perguntar a D’us (através de Moshê) se Ele queria este incenso. Nem ao menos pediram a opinião de seu pai, Aharon, que certamente os teria impedido. 

Talvez não tivessem ousado entrar no Côdesh Hacodashim – a parte mais sagrada do Mishcan, onde até mesmo o Sumo Sacerdote só podia entrar em Yom Kipur – se não tivessem bebido vinho antes. Porém, após beberem, sentiram-se empolgados e não hesitaram em entrar no Santo dos Santos e em oferecer incenso.

Quando D’us viu que eles faziam a avodá a qual Ele não havia ordenado, disse: "Se os deixar escapar impunes agora, outros judeus pensarão que também podem entrar no Santo dos Santos e oferecer seus próprios corbanot. É melhor que Nadav e Avinu morram do que os judeus acreditem que o Mishcan seja um lugar público, onde podem fazer sua própria avodá na hora que bem entenderem". 

Um fogo desceu dos céus e dividiu-se em quatro filetes ardentes. Dois deles entraram pelas narinas de Nadav, e dois nas de Avihu. O fogo queimou-os por dentro, mas os corpos e as vestes não foram queimados.

D’us recompensa Aharon por aceitar o decreto de D’us sem se queixar

Aharon compreendeu o ocorrido e não criticou nem sentiu mágoa de D’us em seu coração quando seus filhos morreram, por esta razão foi recompensado. Geralmente D’us falava com Moshê, e Moshê transmitia as palavras de D’us a Aharon. Agora, D’us falou diretamente a Aharon para consolá-lo e honrá-lo. Estas foram as palavras de D’us para Aharon: "Se um cohen bebe um copo de vinho, está proibido de fazer a avodá em seguida."

Por que D’us deciciu formular esta advertência justamente naquele dia?

A resposta é que os filhos de Aharon, Nadav e Avihu, haviam morrido porque, entre outras razões, haviam bebido vinho antes de fazer uma avodá. Por isso, D’us advertiu Aharon que ele e os outros cohanim jamais deveriam repetir este erro.

Por que um cohen não pode beber antes de fazer a avodá? Após beber vinho, a mente da pessoa não está perfeitamente lúcida. Por isso, um cohen não está apto a fazer a avodá.

Por que a Torá nos ordena comer apenas alimentos casher 

Moshê explicou aos judeus: "D’us quer que sejam um povo sagrado. E assim, Ele permite que vocês comam apenas certos animais, aves e peixes. Todos os outros são proibidos para vocês.

"Um não-judeu, porém, pode comer qualquer animal; por que? 

Uma parábola:

O caso do paciente desenganado
A enfermaria do hospital estava calma. Todos os pacientes olhavam enquanto o médico encarregado ia de cama em cama, examinando cada paciente. Ele dava instruções à enfermeira que o acompanhava.
"Este paciente deve manter uma dieta muito severa," ordenou à enfermeira. "Nenhuma carne, ovos, leite, manteiga – nenhum tipo de gordura."

Andou até a próxima cama e conferiu o paciente e seus registros.

"Enfermeira," ordenou ele, "deixe o paciente comer tudo que desejar. Diga-lhe que já recebeu alta do hospital."
"Que bom!" replicou a enfermeira, "estou feliz por saber que ele está melhor; mas não entendo porque o primeiro paciente deva manter dieta tão restrita."

"Você não entendeu a situação, enfermeira," explicou o doutor. "O primeiro paciente tem um probleminha no coração, mas estou confiante que, se ele seguir uma dieta rigorosa se recuperará. Por isso recomendei uma dieta especial. Entretanto, o segundo paciente é um homem tão doente, que nada mais posso fazer por ele. Não o ajudaria em nada recomendar uma dieta."

A explicação para a parábola

D’us colocou Benê Yisrael numa dieta especial. Se seguissem Sua dieta e comessem apenas os animais que a Torá declara casher, suas almas se manteriam sagradas. Se comessem animais não casher, suas almas se tornariam impuras, perdendo sua proximidade com D’us e com Sua Torá.

Isto se aplica somente aos judeus por decreto Divino. Os não-judeus não se beneficiariam com uma alimentação restrita, podendo, portanto, comer o que desejarem.

Quais animais são casher e não-casher

Nossa Parashá nos fala de dois sinais pelos quais podemos reconhecer um animal casher:

  1. Os cascos devem ser completamente fendidos, isto é, visualmente divididos em duas partes.
  2. O animal deve ser ruminante, retorna a comida do estômago para a boca e a mastiga uma segunda vez.
    Um animal que mastiga a comida uma segunda vez é chamado de maale guera, ruminante. D’us criou-o de uma maneira especial. Não possui os dentes superiores da frente, mas tem quatro estômagos. Não mastiga bem a comida; ao invés disso, corta-a toscamente. A comida desce para o primeiro e o segundo estômagos. Dali, é empurrada de volta para a boca e o animal a mastiga corretamente. Então a comida desce até o terceiro e finalmente ao quarto estômago, onde é digerida.

Um animal é casher apenas se possuir os dois sinais: ter os cascos completamente fendidos e ser ruminante. Os seguintes animais têm apenas um destes sinais:

  1. O camelo é ruminante, mas seus cascos são fendidos apenas parcialmente; os cascos voltam a unir-se na base novamente.
  2. O texugo também é ruminante, mas seus cascos não são fendidos.
  3. O coelho é ruminante, mas seus cascos não são fendidos.
  4. O porco tem cascos fendidos, mas não é ruminante.

A Torá nos adverte que não devemos ser enganados por um dos sinais casher desses animais. Se os estudarmos atentamente, veremos que carecem do segundo sinal.

Peixe

Dentre os peixes, um judeu pode comer apenas os tipos que têm tanto barbatanas como escamas. Exemplos de peixe casher: atum, salmão, carpa, arenque, pescada e truta. Exemplos de peixes não-casher são: o bagre, enguia e tubarões.

Quando um judeu vai a uma peixaria cujo dono não é um judeu cumpridor de Torá, não pode adquirir peixe do qual as escamas e barbatanas foram retiradas antes que ele chegasse, mesmo se o dono disser que o peixe é casher.

Aves

A Torá nos fornece uma lista de 24 aves proibidas. São aves de rapina que seguram a presa com suas garras. Dentre elas estão a águia, o corvo e a cegonha. A Torá nos permite comer qualquer ave que não seja uma destas 24 proibidas. Hoje em dia, entretanto, podemos comer apenas aquelas aves que têm uma tradição confiável de serem casher.

Gafanhotos, animais rastejantes e insetos

A Torá permite que um judeu coma quatro tipos de gafanhotos. Apesar disso, atualmente isto nos é proibido pois perdemos a tradição que nos possibilitaria saber quais gafanhotos são casher e quais não o são. 

Insetos são proibidos, também, assim como animais rastejantes como cobras, escorpiões e vermes. Algumas frutas e vegetais podem ter insetos ou vermes dentro deles. Devemos verificar cada um cuidadosamente, e comê-los apenas depois de ter certeza de que estão livres de vermes e insetos.

Assim como a carne de animais não-casher é proibida, também não podemos beber seu leite. Podemos beber leite apenas se for de animal casher, como vaca ou cabra. O leite casher deve ser observado desde o início da ordenha até seu engarrafamento. Apenas desta maneira podemos ter certeza de que nenhum leite de animal não casher foi misturado a ele.

Mel é feito por abelhas, que não são casher. Porém, a Torá nos permite ingerir seu mel.

Explicações do Midrash sobre animais casher 

Enquanto Moshê explicou a Benê Yisrael quais animais são proibidos como alimento e quais são casher, mostrou cada um dos animais ao povo judeu. Moshê até mesmo mostrou uma de cada ave e animal rastejante que havia mencionado.

Um judeu não deve dizer: "Presunto é nojento," ou "Eu jamais comeria pernas de rã." Ao invés disso, deveria dizer: "Eu realmente gostaria de comer todos os tipos de carne, mas não o farei, porque D’us me proíbe de comê-los." Desta maneira, evita os alimentos não-casher leshem shamayim, com a intenção de cumprir a mitsvá.

 

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Uma resposta para Leitura da Torá: Porção Semanal: Parashá Shemini (18/04)

  1. simon disse:

    gostei muitoi das informações, preciso saber : A pele de texugo, usada na confecção do tabernáculo, era texugo mesmo não cacher, se não que animal era ? pato, ganso e cisne são cacher?

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