Leitura da Torá: Porção Semanal: Parashá Vayicrá (28/03)

 

Vayicrá 1:1-5:26

Levítico 1:1-5:26

 

Este Shabat assinala o início da leitura do terceiro livro da Torá, Sêfer Vayicrá, que trata principalmente dos serviços e responsabilidades dos Cohanim. Esta (e a próxima) Porção Semanal concentram-se em muitas das oferendas a serem levadas ao recém-construído Mishcan, Tabernáculo.

A Parashá Vayicrá (Vayicrá 1:1-5:26) começa com D’us chamando Moshê para o Mishcan, onde ele receberá as muitas mitsvot relevantes a serem definitivamente passadas ao povo judeu. A primeira metade da Porção da Torá descreve os vários corbanot, sacrifícios, opcionais trazidos por indivíduos.

Podem ser classificados em três categorias gerais, cada qual dividida em várias graduações de tamanho e custo: o corban olá (oferenda de elevação) que é completamente consumido sobre o altar; o corban minchá (oferenda de refeição) a qual, por causa de seu conteúdo, é geralmente trazido por pessoas de poucos meios; e o corban shelamim (oferenda de paz) parcialmente queimado sobre o altar, com o restante dividido entre os donos e os Cohanim.

A segunda metade da porção discute as oferendas requeridas de chatat (pecado) e ashan (culpa), a serem levadas como expiação por transgressões involuntárias.

 

Mensagem da Parashá

 

Qualidade versus Quantidade

por Rabino Chaim Goldberger

De todos os sacrifícios introduzidos na Porção desta semana da Torá, o único que não requer o sacrifício de um animal é o corban minchá, uma oferenda de farinha misturada com óleo e incenso trazido como uma alternativa de menor custo que as demais, entre as quais as oferendas de novilho ou ave. Mesmo assim, quando a Torá descreve as pessoas que levam cada uma das várias oferendas ao Templo, a única que é destacada e identificada como sendo uma "nefesh – alma" é a pessoa que traz o simples corban minchá.

O Talmud (Tratado Menachot 104b) desenvolve: "Por que o corban minchá recebe destaque e seu portador é chamado de nefesh, alma? D’us declara: ‘Quem geralmente oferece corban minchá? O pobre. Considero seu ato como se ele sacrificasse sua alma por inteiro.’ "

Pode-se deduzir que para alguém que está empobrecido, o ato de separar-se de boa farinha, que de outra forma poderia alimentá-lo e aplacar sua fome, é um ato de sacrifício ainda maior que aquele do homem rico doando um animal de alto preço. Para o pobre, a farinha é mais que uma grande parte de suas posses: é sua própria vida. A Torá está nos ensinando que não é o tamanho do presente que determina a importância do sacrifício; pelo contrário, a importância está nas intenções do doador e nas circunstâncias.

Quando Yaacov despachou seus filhos para encontrar o misterioso governante do Egito, enviou com eles um presente. Este tributo era de fato pequeno – "um pouco de bálsamo, cera, lótus, pistache e amêndoas" – mas a importância não estava no tamanho. Estes itens haviam sido cuidadosamente considerados e especialmente selecionados. Eram iguarias não disponíveis no Egito àquela época. Sua mensagem era de cuidadoso esmero e consciencioso interesse. E de forma bem apropriada, Yossef chamou o presente de "um minchá".

De todas as nossas preces diárias, a mais curta é Minchá, o serviço vespertino. Não contém o longo segmento de introdução nem o de encerramento do serviço matinal de Shacharit, nem as preces Shemá e Barchú do serviço noturno de Maariv.

Basicamente, é composto pelo Shemonê Esrê, mesmo assim o serviço vespertino é o único que chamamos de "Minchá". Por quê? Porque, por mais "pobre" como esse serviço possa parecer, é o único que ocorre em meio a nosso dia de trabalho; é o único que nos pede para deixarmos de lado aquilo que estamos fazendo e nos lembremos de que somos apenas súditos de nosso Mestre Todo Poderoso.

Minchá é o único serviço de prece que nos pede para desligar de nossa inclinação mundana e nos retirar para um súbito e total encontro com o Divino. Pode levar apenas quinze minutos, mas é um Minchá. Lembra-nos da motivação necessária para doações de todos os tipos, e que não é o tamanho que importa; o significado e as intenções são igualmente importantes.

 

Seleções Midrash

 

Por que as crianças judias começam a aprender a Torá com Parashat Vayicrá?

Vayicrá trata de corbanot (sacrifícios). Nossos sábios explicam que por esta razão é apropriado que as crianças pequenas a aprendam primeiro. Quando um judeu estuda as leis de corbanot, D’us considera como se ele tivesse de fato oferecido um corban. As crianças pequenas ainda são puras, livres de pecados. Quando elas aprendem sobre corbanot, D’us considera como se elas tivessem trazido um corban para D’us no mizbêach (altar). Já que o melhor tipo de corban é aquele oferecido por um tsadic (um justo), D’us aprecia mais os corbanot das crianças, pois elas são como os tsadikim, livres de pecados.

D’us chama Moshê para o Mishcan

A Parashá Vayicrá começa quando o livro de Shemot termina. Talvez você ainda se lembre que depois que Moshê levantou o Mishcan, as nuvens de D’us rodearam o Mishcan por todos os lados e também por cima. A Shechiná (Presença Divina) repousou dentro do Mishcan. Moshê ficou fora do Mishcan.

"Eu não devo entrar sem a permissão de D’us", pensou. "O Mishcan é ainda mais sagrado do que o monte Sinai quando D’us apareceu para falar com o povo judeu. Eu não obtive permissão de subir a montanha até que D’us me chamou. Então, com certeza não tenho a permissão de entrar no Mishcan."

De repente Moshê escutou uma voz poderosa chamando-o, "Moshê, Moshê!" Era a voz de D’us. Qualquer outra pessoa teria morrido pelo choque de ter escutado a poderosa voz de D’us. Apenas Moshê podia suportá-la.

"Estou pronto" respondeu Moshê.

"Entre no Mishcan!" Ordenou D’us. Moshê entrou. Quando estava na porta, escutou a voz de D’us vinda de cima do aron, onde a Shechiná sempre repousava.

"Moshê", ordenou D’us, "Eu quero que fale com o povo judeu palavras que façam com que aprimorem seus caminhos. Diga-lhes que Minha Shechiná repousa no Mishcan devido ao meu amor pelo povo judeu.

"Ensine Benê Yisrael as leis de corbanot. Eles construíram o Mishcan, mas não sabem como me servir através dele. Só se eles oferecerem corbanot é que a Minha Shechiná continuará a repousar no Mishcan."

Por que D’us conferiu tantas honras à Moshê?

D’us honrou Moshê mais do que qualquer outro judeu. Apenas Moshê foi convidado por D’us a entrar no Mishcan e ouvir Suas palavras, ninguém mais. A razão deste procedimento é que Moshê sempre se sentiu humilde e pouco importante. Ele não perseguia honras, ao contrário, fugia das honrarias e elogios.

Nossos sábios nos ensinaram: "Se uma pessoa foge da honra, a honra irá persegui-la. Porém, se a pessoa persegue a honra, a honra fugirá dela." Em outras palavras, uma pessoa que é modesta e se sente humilde, eventualmente irá receber de D’us a honra que merece; mas aquela que está cheia de orgulho, no final não será honrada. Moshê foi muito honrado por D’us, já que ele nunca se considerou grandioso ou importante.

Será que Moshê não sabia que ele era de fato a pessoa mais importante de todo o povo judeu? Afinal, foi ele quem tirou Benê Israel do Egito, cruzou o mar Vermelho e buscou a Torá! Ele não sabia que era uma pessoa especial?

Para responder tal questão, eis a seguinte parábola:

O "Rav" que tinha orgulho de seu conhecimento

Numa cidadezinha viviam alguns judeus. Eles guardavam o Shabat, comiam casher e rezavam num minyan. Só havia um problema, a cidade não tinha uma Yeshivá, então eles mal sabiam ler o hebraico. Apenas um homem entre eles havia aprendido Torá de seu pai. Ele sabia ler e traduzir o Chumash e Mishnayot e sabia ler halachot (leis) no Kitsur Shulchan Aruch (um resumo das leis judaicas). Já que ele sabia mais do que os outros, ele fazia o papel de Rabino da comunidade. Era muito honrado e respeitado por todos que pensavam que tatava-se de um grande sábio. Com o passar do tempo, ele começou a se considerar um conhecedor de Torá muito especial e importante.

Um dia, um judeu de uma comunidade afastada veio visitar esta cidadezinha. Ele sofria de uma doença que tornava a respiração difícil, e seu médico havia recomendado o ar puro daquela cidade. O homem que considerava-se um Rabino convidou-o a ficar em sua casa.

O "Rav" observou como este judeu fazia netilat yadáyim (ablução das mãos feita antes de fazer uma refeição com pão) com todo cuidado, como ele pronunciava a bênção pausadamente e em voz alta, refletindo sobre as palavras antes de pronunciá-las e como depois das refeições fazia Bircat Hamazon, palavra por palavra. Observou como este judeu rezava com cuidado e como se concentrava sobre o significado das palavras que estava falando. De repente, o "Rav" se sentiu envergonhado. Percebeu como era "pobre" a sua própria reza e como ele fazia as mitsvot sem cuidado. Quanto mais ele observava e estudava os modos do visitante, mais humilde se tornava. O visitante cumpria leis que os judeus daquela cidade não cumpriam corretamente. Ele tinha conhecimentos suficientes para mostrar a eles que seus tefilin e mezuzot não eram casher. Ele também motivou os judeus a estudarem Torá diariamente. Quando o "Rav" se conscientizou da sua ignorância, tornou-se cada vez mais humilde.

A chave da parábola

Moshê nunca se orgulhava de si próprio, pois quando subiu ao Monte Sinai viu anjos perfeitos e sagrados que serviam D’us dia e noite. Teve também uma visão da grandeza de D’us.

Após Moshê ter visto os anjos, sentiu-se envergonhado. Pensou, "Não sirvo D’us tão bem quanto os anjos, nem mesmo um milésimo do que eles servem. Preciso me aprimorar!"Portanto, quando Moshê via outros judeus que faziam coisas erradas ou que não faziam o melhor que podiam para servir D’us, ele pensava, "Não são culpados, pois não viram a glória de D’us nos céus. Eu vi a grandeza de D’us, portanto D’us espera de mim mais do que de qualquer um!" E assim Moshê sempre se sentia humilde.

O pequeno alef no fim da palavra Vayicrá

Se você procurar na Torá a primeira palavra da parashá, Vayicrá, que quer dizer que Ele (D’us) chamou Moshê, você verá que a letra alef está escrita num tamanho menor do que as outras. Porque será?

Moshê era muito humilde. Quando D’us lhe disse para escrever "Vayicrá", Moshê respondeu: "Eu devo escrever que o Senhor chamou apenas a mim para o Mishcan? Me parece muito arrogante. Me permita retirar a letra alef do fim da palavra Vayicrá, assim a palavra seria vayiker, que quer dizer que o Senhor me chamou por acaso."

D’us ordenou a Moshê: "Não, você deve adicionar a letra alef à palavra. No entanto, permitirei que você a escreva menor do que as outras letras".

Desta forma, o alef pequeno nos lembra quão humilde era Moshê.

Quem oferecia corbanot antes do Mishcan ser construído?

Sete pessoas ofereceram animais como corbanot antes mesmo do Mishcan existir.

  1. Adam – D’us criou Adam no sexto dia da criação. Naquele dia, Adam comeu da fruta proibida da árvore do conhecimento. Mesmo assim, D’us permitiu que permanecesse no Gan Eden até o final do Shabat. Naquele Shabat, D’us fez com que uma luz brilhasse no Gan Eden até mesmo de noite. Apenas no término do Shabat, quando Adam foi expulso, é que percebeu a escuridão da noite. Adam não sabia o que era a noite. "Talvez D’us trouxe a escuridão porque pequei", pensou aterrorizado. A noite passou e na manhã seguinte o sol nasceu e banhou o mundo com sua luz brilhante. Como Adam ficou feliz: "Após a noite, D’us faz com que o sol venha e traga luz!" – exclamou Adam. Adam ficou aliviado e queria demonstrar o quanto estava arrependido de ter comido do fruto proibido. Então construiu um mizbêach (altar) e ofereceu um boi sobre ele. Este foi o primeiro corban oferecido.
  2. Hêvel – O filho de Adam, Hêvel, queria dar um presente para D’us. Ele então ofereceu o mais belo de seus carneiros sobre o mizbêach que havia sido construído pelo seu pai.
  3. Nôach – Ao sair da arca, Nôach ofereceu corbanot para agradecer D’us por ter permitido que ele e sua família sobrevivessem ao dilúvio e por ter a chance de construir um novo mundo. D’us apreciou os corbanot de Nôach e prometeu "Nunca trarei outro dilúvio sobre a terra".
  4. Avraham – A Torá nos conta que Avraham construiu quatro altares e ofereceu corbanot sobre eles.
  5. Yitschac – construiu um altar.
  6. Yaacov construiu dois altares.
  7. Sob a liderança de Moshê, corbanot eram oferecidos mesmo antes do Mishcan ter sido construído. Moshê armou um Mizbêach depois da batalha contra Amalec. D’us também lhe disse para ordenar aos primogênitos de Benê Israel que oferecessem Corbanot ao pé do Monte Sinai antes da Outorga da Torá.

Nossos antepassados conheciam as leis da Torá mesmo antes delas terem sido ordenadas. Por isso, ofereciam sobre seus altares somente animais que eram casher, permitidos, para corbanot.

Como um corban ajudava um pecador a ser perdoado por D’us?

Um judeu que comete um pecado contra D’us, o Rei dos reis, merece morrer. O anjo acusador no céu o incrimina perante D’us. Mas D’us, em sua misericórdia,responde ao anjo acusador: "Aceitarei a morte de um animal no lugar do pecador."

Quando a pessoa que pecou põe ambas as mãos sobre a cabeça do animal e diz: "Fiz este e mais este pecado e me arrependo por isso" – pensa – "mereço realmente morrer por ter pecado perante D’us. Porém, D’us misericordiosamente aceita a morte do animal no lugar da minha." Quando o animal é abatido, pensa: "Mereço ser abatido." Quando o animal é queimado, pensa: "Mereço ser queimado."Quando D’us vê como o pecador está realmente arrependido, D’us o perdoa e aceita a morte do animal ao invés da sua.

Quais eram os animais casher usados para corbanot?

Nenhum animal selvagem, mesmo que seja casher, pode ser sacrificado sobre o mizbêach. De todos os animais, D’us escolheu apenas três tipos: boi e vaca, ovelha e carneiro, cabra e bode. Apenas dois tipos de pássaros são permitidos: pombos e rolas. Uma das razões pelas quais D’us escolheu apenas os animais e aves domésticos acima citados é que eles são mansos. Sabemos como um carneiro é pacífico e como um pombo é manso. Embora sejam atacados, nunca revidam.

Nossos sábios ensinam: "É melhor ser insultado que insultar os outros; é melhor ser atacado que atacar os outros." Não faz parte do sistema judaico atacar os outros. Para mostrar que D’us aprecia aqueles que são pacíficos, escolheu animais e pássaros mansos para o mizbêach.

O que podemos aprender com os animais

Muitos animais foram criados por D’us com boas midot (traços de caráter), por isso devemos aprender a imitar seu comportamento. Por exemplo: gatos são asseados ; formigas são honestas; pombos são leais.

O Midrash nos conta sobre uma colônia de formigas na qual todas as formigas estavam recolhendo sementes de trigo. Uma das formigas acidentalmente deixou cair uma semente e pisou em cima. Cada formiga que passava marchando farejava a semente, e podia sentir pelo cheiro que não era sua. Centenas de formigas passaram por ali, mas nenhuma delas pegou a semente que não lhe pertencia. Finalmente, a formiga que tinha deixado cair a semente voltou e a recolheu novamente.

Pombos são fiéis. Macho e fêmea nunca se separam para se juntarem com um pássaro estranho. Se pensarmos a respeito, certamente acharemos mais exemplos de animais que nos ensinam "bons traços de caráter" ou hábitos saudáveis.

Como um judeu escolhe um corban

Quando um judeu decide oferecer uma ovelha como corban, vai até seu cercado e olha em volta. Existem todos os tipos de ovelhas neste redil – algumas saudáveis e fortes, algumas doentes e fracas, outras grandes e ainda algumas pequenas. Qual deveria ser o critério para a escolha do corban?

Primeiro a pessoa deveria examinar o animal para assegurar-se de que não possui nenhum defeito físico, pois neste caso não seria aceito para corban. E depois procurar o animal que lhe parecesse o melhor entre todos. Esta é a forma de servir a D’us. O mesmo raciocínio se aplica ao cumprirmos qualquer mitsvá da Torá.

Os diferentes tipos de corbanot

Há cinco tipos de corbanot:

  1. Olah: a oferenda que é completamente queimada.
  2. Minchá: oferenda de farinha.
  3. Shelamim: oferenda de paz.
  4. Chatat: oferenda pelo pecado.
  5. Asham: oferenda pela transgressão.

Os primeiros três tipos de corbanot podem ser trazidos por um judeu por sua própria vontade como um presente a D’us. Os dois últimos tipos de corbanot devem ser oferecidos por um judeu após cometer uma averá (pecado). D’us fica especialmente satisfeito com os corbanot que são oferecidos livremente, não por causa de um pecado. Eis porquê Ele o menciona em primeiro lugar na Torá.

O sacrifício de olah

Um sacrifício de animal é, sem dúvida, muito mais dispendioso que o de uma ave. Se um judeu deseja doar um olah a D’us mas não pode se dar ao luxo de comprar ou de abrir mão de um animal, pode ao invés disso doar uma das aves casher, um pombo ou uma rola. D’us ordenou que as aves deveriam ser queimadas sobre o mizbêach ainda com as penas. Não devem ser despenadas. Você alguma vez já sentiu o cheiro de penas queimadas? O odor é tão desagradável que a pessoa tem vontade de sair correndo. Então, por que D’us ordena que as aves sejam queimadas sobre o mizbêach desta forma?

Porque se a ave fosse oferecida sobre o mizbêach sem as penas, pareceria muito pequena e sem importância. Uma pessoa que traz uma ave para corban geralmente é pobre. D’us queria que o corban do homem pobre parecesse tão grande e valioso quanto possível. Para D’us, o corban do homem pobre é tão precioso quanto a oferenda dispendiosa do homem de posses. De fato, a Torá chama o cheiro da oferenda de ave "um odor agradável" (mesmo se for repulsivo), para demonstrar o quão feliz D’us se sente com ela. Nossos sábios ensinam: "Não é importante a D’us se uma pessoa é capaz de oferecer um corban caro ou barato. O que Ele deseja é que a pessoa traga o corban leshem shamayim, por amor a D’us."

Minchá: a oferenda de farinha

D’us diz: "Um judeu que é rico deveria oferecer um animal como um sacrifício de olah. Aquele que não possa adquirir um animal, pode oferecer um pássaro. E um judeu que é tão pobre que não possa doar um pássaro, pode no lugar deste trazer óleo e farinha ao Bet Hamicdash. Parte da massa feita com esses ingredientes será queimada sobre o mizbêach."

A oferenda de farinha era chamada minchá. A palavra "minchá" significa um presente. Embora o presente do homem pobre a D’us custe muito menos que o animal ou a ave ofertados pelo homem mais rico, D’us o preza muito. Pois D’us sabe que o homem pobre poderia ter usado aquela farinha para assar pão para si mesmo, e mesmo assim ofertou seu alimento como presente para D’us. Ele pode até mesmo passar fome por estar oferecendo sua farinha como minchá. Por isso, o Criador diz: "O corban minchá é tão precioso para Mim como se o homem pobre tivesse oferecido sua própria vida sobre o mizbêach! "

D’us deseja que o homem pobre pense: "Embora eu não tenha dinheiro para um corban animal, mesmo assim posso ofertar um corban do tipo mais sagrado." Por isso, D’us classifica o minchá entre os mais sagrados corbanot.

Vejamos agora o quanto D’us valoriza o presente de um homem pobre, mesmo que não tenha grande valor monetário.

Uma história:

Rabi Chanina ben Dosa vivia à época do Segundo Bet Hamicdash. Todos seus vizinhos e amigos doavam corbanot freqüentemente ao Templo Sagrado. Um deles prometia: "Trarei um corban olah para D’us !" Outro faria um voto: "Ofertarei um corban shelamim a D’us !"

Rabi Chanina desejava de todo o coração oferecer um corban a D’us. Mas era totalmente desprovido de posses, pobre demais para adquirir um animal ou mesmo uma ave. E nem sequer tinha dinheiro suficiente para comprar farinha para um corban minchá. A pobreza na casa de Rabi Chanina era muito grande.

Certa vez, quando Rabi Chanina estava caminhando pelos arredores da cidade, percebeu uma enorme pedra. Aqui estava um presente para D’us que não custava nenhum dinheiro! Ao invés disso, ele empregaria tempo e esforço. Rabi Chanina conseguiu ferramentas emprestadas para polir a pedra e dar-lhe polimento. Depois desenhou e pintou lindos motivos sobre ela, de forma a transformá-la numa obra de arte. A pedra daria um lindo ornamento para o Bet Hamicdash.

"Prometo que levarei esta pedra a Yerushaláyim!", Rabi Chanina gritou.

Mas a pedra era pesada demais para que a levantasse sozinho. Olhou à sua volta procurando pessoas que se prontificassem a carregá-la até Yerushaláyim. Rabi Chanina encontrou quatro operários.

"Quanto cobrarão para levar esta pedra até Yerushaláyim?" perguntou-lhes Rabi Chanina, apontando para a pedra.

"Cinqüenta sela’im," responderam.

"Cinqüenta sela’im!" Rabi Chanina balançou a cabeça. "Não tenho tanto dinheiro agora comigo."

D’us não queria que Rabi Chanina ficasse aflito por ter prometido levar a pedra a Yerushaláyim e agora não podia manter sua promessa. Por isso, D’us enviou cinco anjos com a aparência de trabalhadores comuns. Rabi Chanina avistou-os caminhando pela estrada e fez-lhes a mesma pergunta que havia feito aos primeiros cinco homens.

"Carregaremos a pedra até Yerushaláyim," disseram, "se nos der cinco sela’im. Você também deve nos ajudar a levantá-la."

Rabi Chanina concordou. Levantou a pedra junto com os cinco homens e – milagre dos milagres – um momento depois eles todos estavam na cidade de Yerushaláyim! Rabi Chanina pegou cinco sela’im para pagar aos cinco homens, mas eles haviam sumido! Perplexo, Rabi Chanina levou esta pedra ornamental como uma oferenda ao Templo sagrado. Também contou aos juízes do Grande Sanhedrin sobre os extraordinários fatos.

"Cremos," disseram-lhe os juízes do Sanhedrin, "que aqueles não eram homens, mas anjos!"

Como Rabi Chanina não desejava guardar os cinco sela’im que havia prometido pagar àqueles homens, deu-os aos sábios para que o distribuíssem para tsedacá.

Vemos por esta história que D’us valoriza um presente no qual a pessoa coloca intenção e esforço. Já que D’us tomou conhecimento do grande desejo de Rabi Chanina de dar-Lhe um presente, Ele realizou milagres para ajudá-lo a levar a pedra até Yerushaláyim. Por outro lado, D’us não perdoa um pecador se este limita-se a comprar um corban caro para o mizbêach, mas não se arrepende e refina seu comportamento. Quando um judeu traz uma oferenda, D’us observa-o para ver suas verdadeiras intenções.

Devemos colocar sal em cada corban

Se você salpicar bastante sal sobre a carne ou vegetais, serão preservados por um longo tempo. Sal nunca se estraga. D’us nos ordenou colocar sal sobre nossos corbanot para mostrar que os corbanot são um pacto permanente entre D’us e Benê Yisrael. Mesmo agora, quando não temos mais um Templo Sagrado e não podemos oferecer corbanot, D’us perdoa nossos pecados através de nosso estudo sobre as leis dos corbanot. E quando o terceiro Bet Hamicdash for construído, novamente ofereceremos sacrifícios.

O que fazemos hoje em dia para nos lembrar da mitsvá de salgar os corbanot? Colocamos o sal sobre a mesa quando fazemos uma refeição, porque nossa mesa é semelhante a um mizbêach. O Midrash acrescenta outra razão para salgar os corbanot. No segundo dia da criação, D’us dividiu as águas. À uma parte delas, ordenou: "Fiquem no céu!" e à outra parte ordenou: "Fiquem na terra!" As águas na terra reclamaram: "Preferimos ficar no céu, perto de Ti, D’us !" Então D’us consolou as águas na terra: "Usarei as águas da terra para Meu serviço no Bet Hamicdash. Sal retirado do mar deve ser salpicado sobre todos os corbanot."

Shelamim: a oferenda de paz

Até agora discutimos dois tipos de corbanot: o olah e o minchá. Em seguida a Torá explica as leis do corban shelamim: a oferenda de paz.

Quando um judeu oferece um shelamim? Quando está feliz e deseja comer carne com a família e os amigos – mas também quer tornar sua refeição sagrada ao compartilhá-la com D’us e com Seus cohanim. Se alguém oferece um olah ou um minchá, não tem permissão de comer nenhuma parte do corban. Então pode desejar oferecer um boi ou uma vaca, um carneiro ou uma ovelha, ou ainda uma cabra como um corban shelamim.

Uma das razões pelas quais este corban é chamado shelamim é que traz shalom (paz), a todos que estão envolvidos nele. O dono compartilhou sua felicidade com os cohanim, e ele e sua família consomem a maior parte. Como é dividido por todos, faz com que todos eles vivam em paz e amizade entre si.

O Midrash nos conta:

Milagres em conexão com os corbanot

Nossos sábios nos dizem que havia dez milagres surpreendentes que costumavam acontecer no Bet Hamicdash. Aqui estão dois deles:

A carne dos corbanot nem sempre era queimada ou comida prontamente. Às vezes havia tantos sacrifícios olahs prontos para serem queimados sobre o mizbêach que partes dos corbanot esperavam sua vez sobre o mizbêach até que fossem queimados. O mizbêach ficava em um pátio aberto sem telhado. Geralmente carne crua que é deixada ao ar livre, especialmente em dias quentes, começa a apodrecer. Mas isto nunca aconteceu com os corbanot. Os pedaços de carne sobre o mizbêach sempre permaneciam frescos. A mesma coisa acontecia com os corbanot como shelamim, que o dono tinha permissão de comer dois dias após abatê-los. Uma família que pretendesse comer a carne shelamim apenas no segundo dia após abater o corban não precisava se preocupar que a carne fosse se estragar. Ela sempre ficava fresca até que a comessem.

Um outro milagre era a ausência de moscas na parte da Azará onde os corbanot eram enxaguados após o abate. Normalmente, sangue e carne atraem moscas aos milhares. Mas a kedushá, santidade, de um corban era tão especial que nem sequer uma única mosca jamais tocou a carne após o abate.

Uma história:

Rabi El’azar, juntamente com outros sábios da Torá, estava viajando para a cidade de Lud. Perceberam um judeu carregando três hadassim, galhos de murta.

"O que estão fazendo com esses três hadassim?" perguntaram-lhe.

"Eu os uso após o fim do Shabat," replicou o judeu. "No Shabat, cada judeu recebe de D’us uma alma extra, uma medida extra de santidade, por causa da grandeza do Shabat. Quando o Shabat termina, a alma adicional se retira e ele sente-se triste. Para alegrar meu coração, cheiro esses hadassim após o término do Shabat." (Esta é a razão pela qual cheiramos bessamim, especiarias doces, após o Shabat.)

"Mas por que três hadassim?" perguntaram os sábios.

"Para lembrar-me de Avraham, Yitschac e Yaacov," respondeu o judeu.

Quando Rabi El’azar ouviu estas palavras, explicou: "Assim como o odor dos hadassim alegram o coração de uma pessoa, assim o cheiro delicioso dos corbanot faz D’us feliz, e então Ele abençoa o mundo."

A Torá nos relata que D’us fica satisfeito com o odor agradável dos corbanot. Mas obviamente D’us não precisa do prazer de nossos corbanot. Então, o que D’us aprecia? O fato de poder abençoar-nos quando fazemos a avodá (serviço).

O Midrash nos relata:

Quais as bênçãos que vêm ao mundo por causa dos corbanot?

Cada tipo de planta ou animal oferecido sobre o mizbêach traz uma bênção às plantas ou aos animais daquela espécie.Por causa das oferendas de minchá e as outras oferendas de trigo trazidas ao mizbêach, fazendeiros judeus costumavam plantar apenas um pouco de trigo e mesmo assim tinham colheitas abundantes. Porém, após o Bet Hamicdash ser destruído e oferendas não mais serem trazidas ao mizbêach, em um ano quando D’us estava desgostoso com o povo judeu, um fazendeiro colheria ainda menos do que havia plantado.

As azeitonas e uvas eram de tamanho gigante, porque azeite e vinho eram usados no Bet Hamicdash. Enquanto o Bet Hamicdash existia, os animais nas fazendas costumavam aumentar por causa dos sacrifícios diários de animais oferecidos no mizbêach. Quando os corbanot cessaram, os animais não mais se reproduziram da mesma forma, com a mesma velocidade.

Quando Mashiach vier e D’us reestabelecer o Bet Hamicdash, todas estas bênçãos retornarão ao mundo mais uma vez.

 

Fonte: http://www.chabad.org.br/

Anúncios
Esse post foi publicado em BEIT CHABAD. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s