Leitura da Torá: Porção Semanal: Parashá Tsav (04/04) – Parte II

D’us nos proíbe ingerir sangue

A Parashá nos fala sobre as leis que se aplicam não apenas ao tempo do Bet Hamicdash, mas nos dias de hoje também.

D’us ordenou a Moshê: "Um judeu não deve ingerir sangue!"

Antes do judeu comer um pedaço de carne ou frango, deve assegurar-se que provém de um animal ou ave casher. Mas isto não é o suficiente. Precisa ser ainda abatido, fazer a shechitá, da maneira que D’us ordenou a Moshê, e posteriormente não pode ser ingerido até que seu sangue seja todo removido.

Como o sangue é removido da carne ou da frango?

A carne (ou frango) é mergulhada em água fria por meia-hora. Então é cuidadosamente salgada em todos os lados. O sal suga todo o sangue para fora. A carne é deixada com o sal por aproximadamente uma hora numa posição que permita ao sangue escoar, como numa tábua inclinada. A carne é então enxaguada podendo agora ser preparada para consumo. Todo o sangue que ainda permaneça na carne após ter sido imersa e salgada desta maneira pode ser consumido.

A Torá nos proíbe comer gorduras animais chamadas chelev

Um judeu pode comer um frango apenas se este tiver sido abatido e salgado de acordo com a Halachá, Lei Judaica. No caso de carne de boi, ovelha ou cabra, a Torá ordena mais uma lei: certas partes gordas devem ser removidas antes que possamos comer a carne. As partes gordas proibidas são chamadas de chelev. 

Após o animal ser abatido, um homem especialmente treinado chamado menaker tira fora a gordura proibida.

Um menaker deve estudar as leis para saber qual gordura é chelev. Deve cortar fora cuidadosamente cada pedacinho de chelev. Por isso, antes do judeu comer um pedaço de carne, deve certificar-se não apenas de que o animal foi abatido corretamente, mas também que o chelev foi removido por um especialista temente a D’us, e profundo conhecedor das leis.

O que aconteceu durante os dias de dedicação do Mishcan

D’us ordenou: "Antes que o serviço de D’us possa ter início no recém-construído Mishcan, ele deve ser dedicado por oito dias."

Durante estes oito dias, Moshê ofereceu corbanot especiais para dedicar o Mishcan e a cada dia ele preparava os cohanim para a avodá. D’us disse a Moshê: "Reúna todos os homens no pátio do Mishcan. Quero que eles vejam como os cohanim estão se dedicando à sua avodá (serviço)."
Havia duas razões pelas quais D’us queria que todos os judeus vissem como Moshê preparava os cohanim para suas funções sagradas:

  1. D’us queria que todo o povo percebesse que os cohanim são especiais. O povo então honraria os cohanim.
  2. D’us queria que cada judeu soubesse claramente que fora D’us quem escolhera Aharon e seus filhos para servir no Mishcan. Desta forma, ninguém jamais pensaria que Moshê, tinha com suas próprias mãos, escolhido seu irmão Aharon e seus filhos para esta elevada posição. (Assim mesmo, Côrach argumentou mais tarde que Aharon não tinha sido escolhido por D’us.)

D’us realizou um milagre especial, para que cada judeu pudesse ver com seus próprios olhos o que era feito a Aharon e aos outros cohanim.

D’us fez com que o pátio do Mishcan acomodasse 600.000 homens. Obviamente o pátio era muito menor para que um número tão grande de pessoas coubessem nele. Entretanto, seu tamanho milagrosamente abrigou a todos eles.

O midrash explica:
D’us pode acomodar pessoas num espaço que parece pequeno demais para contê-las

D’us ordenou a Moshê: "Reúna todos os judeus!"

"Onde?" – perguntou Moshê.

"No pátio do Mishcan !" – respondeu D’us.

"Mas há 600.000 homens com mais de vinte anos e outros 600.000 rapazes mais jovens," objetou Moshê. "Não cabem todos lá."

"Não se preocupe com isso," D’us respondeu a Moshê. "Posso acomodar a todos".

Similarmente, quando D’us desceu ao Monte Sinai na Outorga da Torá para falar com o Povo de Israel, tinha com Ele 22.000 carruagens de anjos. Muito embora o Monte Sinai fosse pequeno para acomodar a todos, D’us realizou um milagre e todos couberam na montanha. Novamente, no futuro, D’us realizará um milagre similar. Ele reviverá todos os tsadikim que viveram desde os tempos de Adam e os trará a Êrets Yisrael. Mas, onde ficarão tantas pessoas? D’us expandirá a terra, de forma que todos tenham espaço suficiente!

Todos os judeus assistiram enquanto Moshê preparava Aharon para seu novo trabalho como Cohen Gadol da seguinte maneira: Aharon imergiu em um micvê para tornar-se puro. Então Moshê trouxe Aharon ao kiyor (lavabo) e lavou-lhe as mãos e os pés. O povo viu como Moshê vestiu Aharon em esplêndidas vestimentas: a saia longa, o cinto, o casaco, o avental e seu cinturão. Moshê fechou o peitoral sobre o avental, colocou o turbante de Aharon e fixou-lhe o tsits, a faixa sagrada, na sua testa.

Finalmente, Moshê trouxe o shemen hamishchá, o óleo para unção. Passou um pouco sobre o Mishcan e os utensílios para torná-los sagrados. Também borrifou-o sete vezes sobre o grande altar no pátio. Então derramou um pouco do óleo sobre a cabeça de Aharon. Depois disso, Moshê lavou e vestiu os filhos de Aharon perante todo o povo.

Em cada um dos sete primeiros dias de dedicação, Moshê deveria arrumar o Mishcan e desmontá-lo novamente. E a cada dia ele oferecia os corbanot especiais que D’us havia ordenado para consagrar o Mishcan.Todos os judeus esperaram em suspense pelo oitavo dia de dedicação. Assim termina nossa Parashá.

 

Comentário

Discurso de abertura

Rabi Yossef Yitschac Schneerson, o sexto Rebe de Chabad Lubavitch, faleceu a 10 de Shevat de 5710 (28 de janeiro de 1950). A comunidade Chabad-Lubavitch escolheu seu genro, Rabi Menachem Mendel Schneerson, para sucedê-lo como Rebe e líder.

Tradicionalmente, o primeiro discurso de ensinamento chassídico (ma’amar) pronunciado por um Rebe de Chabad significa o início formal de sua liderança. Rabi Menachem Mendel aceitou formalmente a liderança de Chabad-Lubavitch no primeiro aniversário de falecimento de Rabi Yossef Yitschac, com seu pronunciamento do discurso "Fui a meu jardim."

Assim que concluiu o pronunciamento, voltou-se aos chassidim reunidos e disse:

"Agora, escutem. Chabad sempre exigiu que a pessoa trabalhasse e conquistasse por si mesma, ao invés de depender do Rebe. Esta é a diferença fundamental entre a escola de chassidismo polonesa e a de Chabad. Entre outros grupos chassídicos, a orientação é que ‘o tsadic vitaliza (seus seguidores) com sua fé.’ Isso não ocorre em Chabad. Devemos todos fazer e conseguir por nós mesmos, com os 248 membros e 365 tendões de nosso próprio corpo e os 248 membros e 365 tendões de nossa alma. Nas palavras de nossos sábios: ‘Tudo está nas mãos dos céus, exceto o temor aos céus.’ 

"Não estou me recusando a ajudar, D’us nos livre. Ajudá-los-ei de toda maneira que puder. Mas se não agirem por si mesmos, nada conseguirão se me enviarem mensagens, cantarem canções, ou disserem l’chayim. Como o Rebe costumava dizer: ‘Leigt zich nit kein foigelach in buzim’ (uma expressão iídiche que diz ‘não alimente grandes idéias’). 

Por nossa própria iniciativa, devemos transformar a insensatez e as ânsias da alma animalesca em objetivos sagrados."

Uma única colherada

por Micah Gimpel

Como a maior parte desta porção, o início da Parashá Tsav está envolvida com as instruções aos cohanim sobre seu serviço diário no Mishkan. A Torá aparentemente oferece conselho técnico e prático sobre como lidar com o acúmulo de cinzas sobre o altar, remanescente das oferendas do dia anterior. "[O cohen] separará a cinza daquilo que o fogo consumiu do corban ola sobre o altar, e a colocará próximo do altar" (Vayicrá 6:3). Como as cinzas das oferendas acumular-se-ão sobre o altar a cada dia que passa, precisamos de um método de arrumar espaço para os serviços do dia seguinte. Portanto, à primeira vista assumimos que a Torá está sabiamente recomendando que removamos as cinzas todas as manhãs.

Surpreendentemente, os rabinos entenderam esta declaração não como um pedido para limpar todo o altar, mas apenas como uma obrigação de remover uma única colherada de cinzas todos os dias e colocá-la ao lado do altar. Isso anula o benefício prático da separação, pois o restante das cinzas permanecerá sobre o altar, até que o acúmulo torne impossíveis as próximas oferendas. Muitos comentaristas especulam sobre o significado desta separação obrigatória quando parece não haver nenhum benefício prático. 

Rabi Samson Raphael Hirsch sugere que, ao retirar a porção do serviço do dia anterior e colocando-a ao lado do altar antes de continuar com o serviço de hoje, simbolicamente o cohen está fazendo uma declaração nacional de que hoje continuaremos a servir a D’us como fizemos ontem, segundo os ditames de Sua vontade.

Rabi Ze’ev Zechariah Breuer, neto do acima mencionado Rabi Hirsch, desenvolve uma explicação alternativa do mesmo teor. Esta separação das cinzas inicia o serviço no Templo todos os dias. Quando o cohen chega para dar início a um novo dia de trabalho, fica de pé perante todas as sobras do dia anterior, empilhadas sobre o altar. As cinzas simbolizam nosso passado, com nossos muitos erros e enganos. Se fosse possível para uma pessoa começar cada dia com uma lousa limpa, sem o acúmulo de "cinzas", notaríamos que o futuro está livre de qualquer falha previsível, como se nossos erros do passado jamais tivessem ocorrido.

A Torá, entretanto, nos instrui de forma oposta. As cinzas do passado ainda estão lá. Devemos refletir sobre o passado enquanto caminhamos para o futuro. Nosso relacionamento com D’us e nosso próximo não deveria permanecer estático. Cada um de nossos relacionamentos carrega uma certa quantidade de bagagem e nada alivia a carga da noite para o dia. Se nossa escolha for ignorar nossos problemas do passado, eles ainda permanecerão como problemas, impedindo o crescimento contínuo do relacionamento. O cohen, portanto, deixa a maior parte das cinzas sobre o altar, como um lembrete.

Entretanto, certamente estamos obrigados a tentar retificar os problemas na medida do possível. Assim como não podemos varrer nossos problemas para debaixo do tapete, devemos perceber que nossas falhas não podem ser remediadas de uma só vez. Podemos, entretanto, continuar trabalhando com nossas faltas, aos poucos. A lição da separação diária das cinzas é que. quando confrontados com a reconstrução das sobras do passado, devemos fazer correções removendo um pouco de cinzas a cada dia, gradual porém continuamente.

O perfume fragrante de D’us

por Rabino Dov Ber Weisman

Como as duas primeiras porções da Torá de Vayicrá tratam quase que exclusivamente do serviço sacrificial, podemos refletir que relevância têm para nós estas oferendas. Infelizmente hoje em dia não temos um Templo Sagrado, e conseqüentemente não mais temos a oportunidade de realizar estes serviços. Talvez a seguinte percepção possa nos ajudar a relacionarmo-nos melhor com os corbanot de antigamente e, por sua vez, com nosso serviço atual a D’us.

A respeito de muitas das oferendas, a Torá declara que elas serão um "agradável aroma para D’us", independente de a oferenda ser um valioso novilho trazido por um rico homem de negócios ou sua alternativa mais simples – uma oferenda de refeição trazida por uma pessoa destituída de meios.

Nossos rabinos comentam: "Tanto faz se a pessoa faz mais ou menos, desde que sua intenção seja pelo mérito dos Céus" (Talmud – Tratado Berachot 5b). A dúvida, entretanto, ainda poderia ser aventada se tanto o pobre como o rico estão doando igualmente por amor a Hashem; neste caso então aquele que está fazendo uma contribuição maior não realiza mais que aquele que doa menos? Como podem os rabinos afirmarem que são iguais?

O Sfas Emes resolve este dilema ensinando-nos uma lição extremamente importante sobre o que D’us espera de nós. Ele explica que nossa missão principal na vida é realizar nosso compromisso particular de todo o coração, e preencher nosso potencial a serviço de D’us. Se estamos fazendo tudo aquilo que podemos e somos verdadeiramente incapazes de fazer mais, então, embora nossa contribuição seja mínima, vale tanto quanto aquela que alguém com maior potencial, que está fazendo mais. Ambos indivíduos estão trabalhando com sinceridade, esforçando-se para realizar seu potencial. É irrelevante se um doa mais que o outro. As pessoas têm forças e potenciais diferentes, mas essencialmente estão todas fazendo o mesmo – usando tudo que possuem para servir ao Criador. E isto é o que D’us deseja de nós – servi-lo sincera e verdadeiramente, da melhor forma possível.

Tendo isso em mente, a pessoa jamais deve desesperar-se naquilo que está fazendo, pois Hashem visualiza cada um individualmente, percebendo suas características e sua posição na vida. Isso significa que toda e cada prece, cada mitsvá, cada ato de bondade que fazemos é apreciado quando Ele vê Seus filhos amados esforçando-se para servi-Lo com cavaná, verdadeira intenção. Portanto, não importa qual seja sua oferenda, saiba que terá sempre "um agradável aroma para D’us".

 

Fonte: http://www.chabad.org.br/

 
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