Leitura da Torá: Porção Semanal: Vayak’he / Pecudê (21/03)

 

 
Êxodus 35:1 – 38:20
 

Inicia-se com Moshê reunindo toda a nação de Israel para transmitir-lhes tudo aquilo que D’us lhe ordenara sobre a construção e a montagem do Mishcan nas três porções prévias da Torá.

Entretanto, Moshê primeiro os adverte novamente sobre a mitsvá fundamental de guardar o Shabat, lembrando-os que embora a construção do Mishcan seja de importância transcendental, não tem precedência sobre a observância semanal do Shabat. Apenas um dia antes, em Yom Kipur, Moshê desceu do Monte Sinai com o segundo conjunto de Tábuas nas mãos, informando ao povo que eles tinham sido perdoados por D’us do horrível pecado de adorar o bezerro de ouro. Em resposta ao chamado de Moshê, os Filhos de Israel vieram com contribuições generosas para a construção do Mishcan, produzindo uma abundância de suprimentos.

Os artesãos são escolhidos e inicia-se a construção, e a Torá descreve em detalhes a fabricação de cada aspecto do Mishcan.

 

Mensagem da Parashá

 

Começar um incêndio

por Benyamin Cohen

No início da Parashá Vayakhel, aprendemos sobre a proibição de acender o fogo e a regra geral de abster-se de trabalhar no Shabat. Muitos comentaristas se detêm sobre esta idéia e dizem que, quando nos abstemos do trabalho, temos tanto tempo livre que não sabemos o que fazer com ele.

Imagine esta cena: enquanto está relaxando com amigos no terraço do quintal, a conversa se volta para observações sobre outras pessoas – "Você soube do que aconteceu com…?" ou então: "Fiquei sabendo que…"

Quando as pessoas não têm nada melhor para fazer, é muito fácil e tentador começar uma conversa sobre Maurício, Daniel, Raquel ou Lea. O resultado é que "incêndios" começam assim. E antes que o primeiro fogo seja extinto, torna-se uma incêndio que pode ficar fora de controle.

A fofoca e a maledicência transformam-se em uma bola de fogo que consume tudo e todos em seu caminho. O que a Torá está nos sugerindo é que não apenas devemos nos abster de começar um fogo real no Shabat, mas também impedir-nos de acender um fogo proveniente da boca, onde as fagulhas voarão para todos os lados.

Devemos tentar conter-nos para não falar mal, e estarmos sempre conscientes para saber onde está o extintor de incêndio.

Melhor sempre é não precisar usá-lo!

Seleções do Midrash

 

Moshê fala a Benê Yisrael sobre a construção do Mishcan

Em Yom Kipur Moshê desceu do Monte Sinai e entregou as segundas luchot (tábuas) a Benê Yisrael.

Um dia depois, Moshê reuniu o povo – homens, mulheres e crianças – para dizer-lhes que D’us lhes havia ordenado construir um Mishcan, Tabernáculo. Moshê anunciou: "D’us os perdoou por fazerem o bezerro de ouro. Sua Shechiná (presença) permanecerá novamente entre nós. Permanecerá no Mishcan, uma tenda sagrada, que Ele lhes ordena construir."

A alegria tomou conta dos membros do Povo de Israel pelo anúncio de Moshê. A Shechiná (presença) estava retornando a eles! Desde o pecado do bezerro de ouro o povo havia estado triste; agora sentia-se novamente feliz. Mas antes de lhes dar instruções sobre a construção do Mishcan D’us pediu que Moshê os advertisse: "Embora a construção do Mishcan seja um trabalho sagrado, sempre deverá ser interrompido antes do início do Shabat. Nenhum trabalho poderá ser realizado no Mishcan durante o Shabat."

Avot Melachot

D’us ensinou a Moshê, e este ensinou ao povo judeu, que os trinta e nove tipos de trabalho executados para construir o Mishcan se chamam avot melachot e que nenhum deles pode ser feito no Shabat. Se um judeu faz algumas das melachot proibidas no Shabat, apesar de ter sido advertido por duas testemunhas que o viram fazer a melachá, a Torá ordena aos juízes do Bet Din (tribunal) condená-lo à morte por sekilá (pedradas).

Se fez a melachá proibida porque se enganou, tem que trazer um corban chatat (oferenda). Naturalmente, há muito mais de trinta e nove tipos de melachá que são proibidas no Shabat; há centenas. Estes 39 tipos são apenas categorias, cada uma das quais inclui muitas outras atividades semelhantes. Mas estes 39 tipos se realizavam quando Benê Yisrael construiu o Mishcan.

As leis de Shabat devem ser estudadas cuidadosamente por todos os judeus, para que estes não cometam uma proibição no Shabat por falta de conhecimento.

O Mishcan é construído

Moshê informou aos judeus: "Betsal’el se encarregará da construção do Mishcan e Oholiav será seu assistente. Não pensem que foi minha idéia designar Betsal’el, ou que eu quis dar-lhe um cargo importante por ser bisneto de minha irmã Miriam. Foi D’us quem o indicou à frente da tarefa da construção do Mishcan".

Começaram as tarefas de construção. Betsal’el e Oholiav estavam à frente e indicavam aos homens e mulheres que desejavam ajudar o que deviam fazer. Alguns homens fabricavam os ganchos ou aros para as cortinas, outros cortavam a madeira para levantar as paredes, enquanto outros fundiam o ouro e a prata para depois fabricar os objetos necessários para o Mishcan. As mulheres eram muito hábeis ao retorcer o pêlo de cabra para fabricar cortinas. Sabiam como fiar o pêlo do lombo das cabras sobre os animais vivos. Assim, o pêlo se manteria limpo e puro.

O mais sagrado de todos os objetos do Mishcan era o aron (arca). Betsal’el era o principal trabalhador na construção do aron, e realizou esta tarefa com todo o cuidado e precisão. (Segundo outra opinião, Betsal’el não permitiu que ninguém o ajudasse na construção do aron, e o fez totalmente sozinho).

O aron construído sob a direção de Betsal’el era tão santo que nunca foi destruído. Jamais se construiu um segundo aron. O rei Shelomô (Salomão), que construiu o Bet Hamicdash (Templo Sagrado) em Jerusalém pôs o aron de Betsal’el no Côdesh hacodashim (Santo dos Santos). Uns cinqüenta anos antes da destruição do Bet Hamicdash, o rei Yoshiyáhu escondeu o aron debaixo do Bet Hamicdash. E não houve nenhum aron no segundo Bet Hamicdash. Quando se construir o terceiro Templo Sagrado, D’us nos devolverá o aron de Betsal’el.

Enquanto se construía o Mishcan, Moshê Rabênu se mantinha extremamente ocupado. Passava todos os dias pelos lugares onde trabalhavam as pessoas que se ocupavam de alguma parte do Mishcan. Somente Moshê havia recebido de D’us o projeto e o desenho de cada objeto, de modo que era sua responsabilidade assegurar-se de que ninguém cometesse erros.

D’us dotou todos aqueles que contribuíram na construção do Mishcan de sabedoria especial, para que cada objeto resultasse numa obra perfeita, exatamente como lhes havia ordenado.

O povo judeu demorou três meses para terminar a construção do Mishcan.

 

Comentários

 

Vivendo com o Rebe

Por Michael Alterman

"E ele fez o castiçal de puro ouro" – lemos na porção desta semana da Torá, Vayakhel. "E seis braços saíam dos lados: três braços do castiçal de um lado, e três braços do castiçal no outro lado."

Surpreendentemente, existe uma falsa idéia sobre a menorá que ficava no Templo sagrado. Esta falsa idéia, cuja origem está em fontes não-judaicas, infelizmente penetrou nos círculos judaicos, resultando num entendimento incorreto sobre a genuína aparência da menorá.

Na verdade, os seis braços laterais do candelabro de sete braços subiam diagonalmente numa linha reta a partir do centro; não eram, como habitualmente retratados, arredondados em formato de cuia. O que torna este erro ainda mais lastimável é por ter derivado do famoso Arco de Tito (que seu nome seja obliterado para sempre).

O Imperador Romano, procurando imortalizar sua destruição do Segundo Templo Sagrado e sua pilhagem dos vasos do Templo, encomendou uma obra para assegurar seu lugar na história. Sua profanação da menorá, no entanto, não é uma representação acurada daquela que foi roubada do Templo Sagrado. Tito quis aperfeiçoar o original e portanto o "embelezou", arredondando seus ramos.

A palavra hebraica para "ramo" – "kane" – alude ao verdadeiro formato da menorá, pois seu significado literal é "um junco" – planta que cresce à beira da água, num ramo ereto e sem curvas.
Tanto Maimônides quanto Rashi concordam que os braços da menorá eram retos; Maimônides chegou a fazer um desenho da menorá, para que não houvesse margem para dúvidas.

É da maior importância que esta falsificação antiga, que infelizmente foi adotada em muitas sinagogas e salas de estudo, seja corrigida de uma vez por todas, e o verdadeiro formato da sagrada menorá seja representado acuradamente.

Outro aspecto interessante da menorá eram suas "taças". Três taças, no formato de flor de amêndoa, estavam em um ramo, com um puxador e uma flor; e três taças, no formato de flor de amêndoa, no outro lado… no candelabro em si havia quatro taças, no formato de flor de amêndoa, com seus puxadores e flores" – num total de 22 taças ao todo. Em seus desenhos, Maimônides representa estas taças viradas para baixo – o fundo da taça em cima, a abertura mais larga na base!

O que podemos aprender da incomum configuração das taças?

O propósito da menorá era o de iluminar – não apenas o interior do Templo Sagrado, mas o mundo inteiro. Este conceito está refletido também no fato de que as janelas do Templo Sagrado foram construídas para ser estreitas na parte interna e mais largas no exterior da estrutura, dessa forma canalizando a luz da menorá para fora, para o mundo em geral.

Similarmente, uma taça de boca para baixo representa o ato de derramar e prover o sustento, um simbolismo do papel judaico como uma "luz entre as nações"

Adaptado da Likutei Sichot do Rebe, vol. XXI.


 

 Arquitetura Divina

 por Eyal Feiler

O início da Parashá Vayakhel assemelha-se a um inventário do Depósito do Monte Sinai. Uma lista detalhada dos equipamentos é fornecida, e não apenas menciona-se as matérias primas, como também os indivíduos que doaram os itens. Um grupo que se destaca especialmente é o dos doze príncipes, cada um representando uma das doze tribos de Israel.

Aprendemos que "os príncipes levaram as pedras para o shohan, e as pedras para o peitoral" (Shemot 35:27). Rashi declara que os príncipes declararam que fariam sua doação ao Mishcan por último, a fim de suplementar qualquer carência de bens doados. Entretanto, como as contribuições das nações foram mais do que suficientes para a construção, nada sobrou para os príncipes doarem, exceto as pedras acima mencionadas. Aprendendo com seu erro, foram os primeiros da fila meses depois a levarem presentes para a consagração do Mishcan.

O Midrash enfatiza que durante a construção do Mishcan, Moshê não queria aceitar conselhos dos príncipes. Portanto, eles sentaram-se passivamente a um lado, deduzindo que Moshê os chamaria quando precisasse de conselho ou ajuda. Entretanto, quando ouviram o anúncio no acampamento de Israel de que as doações não mais seriam necessárias, os príncipes ficaram preocupados de que tivessem perdido a oportunidade de participar na construção do Mishcan. Por esta razão, assumiram um grande compromisso financeiro ao doar as pedras preciosas para o peitoral do Cohen Gadol.

Este comentário parece problemático. Não poderia ser que Moshê, o mais humilde de todos os homens, insistisse que os príncipes se sentassem preguiçosamente durante a construção do Mishcan? Seria Moshê arrogante demais para aceitar conselhos dos mais destacados representantes das doze tribos?

Embora Moshê possa ter sido um grande líder, certamente não foi um empreiteiro experiente. Além disso, o próprio Moshê mais tarde disse a seu sucessor, Yehoshua, que quando este tomasse as rédeas da liderança deveria pedir o conselho dos anciãos da nação, e seguir suas opiniões e sugestões. A este conselho, D’us respondeu a Yehoshua que o fardo da liderança estava sobre seus ombros: "Pode haver apenas um líder a cada geração" (Comentário de Rashi sobre Devarim 31:7). Moshê pensou que Yehoshua não era tão capaz quanto ele, Moshê, de liderar o povo judeu?

Segundo Rabi Ben Zion Firer, Moshê e Yehoshua enfrentaram dois tipos diferentes de situação. Moshê estava ocupado construindo objetos sagrados. Nesta empreitada não há lugar para idéias humanas. Tudo é construído segundo as especificações esboçadas por D’us na Torá. Até mesmos os planos de Betzalel, o arquiteto do Mishcan, foram inspirados por estipulações Divinas. A participação de Moshê na construção do Mishcan também foi ditada por D’us, conforme D’us disse a Moshê: "Deves construir o Mishcan conforme o modelo que te mostrei na montanha" (Shemot 26:30).

Moshê acreditava que, ao contrário da construção do Mishcan, a missão principal de Yehoshua, de estabelecer o povo na terra de Israel, não fora completamente ditada pela Torá. Na verdade, o próprio Moshê ouviu as exigências do povo judeu no deserto mandando espiões para pesquisar a terra de Israel antes entrarem nela. Portanto, sentiu que ao conquistar Israel, Yehoshua poderia aceitar conselhos de outras pessoas ao seguir a orientação dos anciãos.

Entretanto, contrário a Moshê, D’us declarou que os assuntos referentes à colonização de Israel são de natureza similar aos assuntos a respeito do Mishcan. Apenas D’us pode dar ordens sobre o acampamento na Terra Santa, e não pode haver deliberação humana neste problema. Sendo assim, quando Moshê disse a Yehoshua para procurar a orientação dos mais velhos, D’us por Sua vez disse a Yehoshua exatamente o oposto, ao declarar que pode haver apenas um líder para cada geração – o próprio Yehoshua, sem os anciãos.

A assembléia do Mishcan destaca um aspecto do relacionamento que o povo judeu tem com D’us. Embora não houvesse nenhuma idéia humana na planta do Mishcan, cabia a Moshê e ao povo judeu no deserto construir a morada de D’us. Ao invés de criar os utensílios sagrados por si mesmo, D’us pede ao homem que empregue seu próprio esforço na criação e decoração do Mishcan.

Da mesma forma, D’us nos deu a Torá para que a usemos como um manual de instruções para construir nossas vidas. Fica a nosso critério desenvolver-nos de forma a enfrentar as provações e tribulações da vida. Felizmente, assim como Moshê teve sucesso na construção do Mishcan por seguir a ordem de D’us, foi-nos assegurado que seguindo a Torá passo a passo, nós também teremos sucesso em nossa própria construção pessoal.

 

Trabalho Passivo

Baseado nos Ensinamentos do Lubavitcher Rebe, Rabi Menachem M.
Schneerson
 

Um dos maiores paradoxos de uma vida de fé diz respeito à necessidade de trabalhar para o sustento. Se D’us é a fonte de todas as bênçãos, por que labutar para ganhar a vida? E se trabalhamos, como podemos evitar que é somente o nosso trabalho que produz resultados materiais? Parecemos divididos entre a absoluta passividade e a negação do envolvimento de D’us no mundo. Assim, aquele que crê engaja-se naquilo que poderia ser chamado de "trabalho passivo".

Nos versos introdutórios de Vayakhel, Moshê instruiu o povo de Israel: Em seis dias o trabalho será feito; mas o sétimo dia será para vós sagrado, um Shabat dos Shabatot a D’us…

Não "Trabalharás em seis dias", mas "Em seis dias o trabalho será feito". A forma passiva sugere que mesmo durante os seis dias de trabalho da semana, quando o judeu tem permissão e é obrigado a trabalhar, ele deveria estar ocupado, mas não preocupado com seus esforços materiais.
É assim que o ensinamento chassídico interpreta o versículo (Tehilim 128:2): "Se comeres o trabalho de tuas mãos, serás feliz e tudo irá bem contigo." O que o Rei David está implicando, dizem os mestres chassídicos, é que o trabalho no qual a pessoa se engaja para suas necessidades materiais (portanto "se comeres") deve ser apenas "de tuas mãos" – uma atividade do homem exterior, não um envolvimento interior. As "mãos" e "pés" da pessoa deveriam atender a seus esforços materiais, ao passo que os pensamentos e sentimentos permanecem conectados com as coisas Divinas. Este é o mesmo conceito que o implicado no versículo "Em seis dias o trabalho será feito". A pessoa não faz o trabalho; ele é "feito" – como se por sua livre vontade. O coração e a mente estão em outra parte, e somente as faculdades práticas da pessoa estão envolvidas no trabalho.

O judeu trabalha não para :ganhar o sustento", mas somente para criar um keli (recipiente) para receber as bênçãos de D’us . É isso que a Torá quer dizer com "E o Senhor teu D’us te abençoará em tudo que fizeres". O homem não é sustentado por seus próprios esforços, mas pela bênção de D’us ; é que D’us somente deseja que Sua bênção se realize em, e através, de "tudo aquilo que fizeres". O trabalho do homem simplesmente fornece um canal natural para a Divina bênção do sustento, e o homem deve sempre lembrar-se que nada mais é que um canal. Embora suas mãos preparem o canal, sua mente e coração devem permanecer concentrados na origem da bênção.
Os mestres chassídicos levam este conceito um pouco mais além. Na verdade, dizem eles, o homem não deveria realmente ter permissão de trabalhar. Pois sobre D’us está escrito: "Eu preencho os céus e a terra" e "A terra inteira está repleta de Sua glória". A reação apropriada à natureza sempre presente de D’us seria ficar em absoluta passividade. Agir de outro modo seria ser culpado daquilo que o Talmud chama de "fazer gestos perante o rei".

Se uma pessoa em pé na frente de um rei fizesse outra coisa exceto devotar atenção ao soberano, certamente arriscaria sua vida. Portanto, é somente porque a própria Torá permite, na verdade ordena" "Em seis dias o trabalho será feito" e "O Senhor teu D’us te abençoará em tudo que fizeres", que o trabalho é permitido e desejável.

No entanto, ir além do nível de envolvimento sancionado pela Torá – além do "trabalho passivo" ou "fazer um recipiente" – o que seria, em primeiro lugar, demonstrar uma falta de fé em que o sustento humano vem de D’us ; e em segundo lugar, seria o mesmo que "fazer gestos perante o rei" – um ato de rebelião perante D’us .

O Shabat Duplo

Isso explica a expressão shabat shabaton – "um shabat dos shabatot" – usado por Moshê nos versículos acima. O Shabat não é um dia de repouso seguindo seis dias de trabalho ativo. Ao contrário, é um shabat dos shabatot", um Shabat seguindo seis dias que são eles mesmos "shabats", por assim dizer – dias de trabalho passivo, nos quais o trabalho da pessoa somente engaja o ser exterior com o verdadeiro enfoque da atenção voltado a um local mais elevado.

De fato, um verdadeiro dia de descanso pode apenas ser um que se segue a uma semana como essa. Citando o versículo "Seis dias trabalharás, e farás todo teu trabalho", os Sábios dizem: "No Shabat, a pessoa deveria considerar como se todo seu trabalho estivesse completo." Este é o verdadeiro repouso – no qual alguém está totalmente livre de todos as preocupações do dia de trabalho. Se, no entanto, durante os seis dias, uma pessoa tiver se preocupado com assuntos materiais, no sétimo dia as ansiedades a invadirão; mesmo que seu corpo pare de trabalhar, sua mente não estará repousando. Por outro lado, se ele concedeu ao trabalho seu lugar correto durante a semana, a luz do Shabat o iluminará, e será shabat shabaton – um Shabat duplo. Pois o Shabat permeará então sua semana inteira, e quando o próprio dia chegar haverá uma dupla santidade.

O Dia Após Yom Kipur

Isso explica também o contexto no qual Moshê dirige os versículos acima à congregação de Israel reunida.

Nossos Sábios elaboram sobre como a construção do Mishcan (Tabernáculo) expiou e retificou pelo pecado do Bezerro de Ouro. Ostensivamente similares (tanto o Bezerro quanto o Mishcan foram uma "consagração" da matéria física, especialmente o ouro) na verdade o Mishcan era exatamente o oposto do Bezerro: o Bezerro de Ouro foi um endeusamento do material, ao passo que o Mishcan foi uma subjugação do material para servir ao Divino. Assim, no dia após o primeiro Yom Kipur, logo depois de D’us ter concedido o completo perdão ao pecado de Israel, Moshê transmitiu as instruções de D’us ao povo, para construir-Lhe uma "morada" no meio deles; naquele mesmo dia, as pessoas doaram seu ouro, prata e cobre para a construção do Mishcan.

Primeiro, no entanto, Moshê reuniu o Povo de Israel e ordenou-lhe em nome de D’us : "Em seis dias o trabalho será feito; mas o sétimo dia será para vós um dia sagrado, um Shabat dos Shabatot para D’us ." Isso implica que, como o Mishcan, este mandamento é uma refutação do pecado da idolatria, e o expia.

Maimônides traça a origem da idolatria no fato de que a Divina providência é canalizada através de forças e objetos naturais. Os idólatras originais reconheciam que o sol, a lua e as estrelas derivavam de D’us seu poder para nutrir a terra, mesmo assim atribuíram significado divino a eles. Seu erro foi considerá-los como objetos de adoração, ao passo que nada mais são que os instrumentos de D’us , como "um machado nas mãos do lenhador".

Num certo sentido, a preocupação excessiva com os negócios e o mundo material é também uma forma de idolatria. Pois isso, também, envolve o erro de atribuir significado àquilo que nada mais é que um recipiente da bênção Divina. A preocupação materialista com coisas materiais é uma forma de inclinar a cabeça, de adoração mal dirigida. Somente quando a pessoa vê seu esforço pelo dia de trabalho pelo que realmente é – uma forma de criar um canal natural para as bênçãos de D’us – seu trabalho tomará a forma passiva e o foco de seus pensamentos será somente D’us.

Eis como a idolatria – seja em sua forma mais evidente ou formas mais sutis – é expiada. Seis dias de trabalho passivo no sentido de distanciamento mental e a percepção de que o trabalho humano é somente um instrumento de D’us , culminando e sendo inspirado por "um shabat dos shabatot" que se concentra totalmente na fonte de suas bênçãos – são a correção e a negação dos instintos de idolatria.

 

Ordem no Tabernáculo

por Joshua Gottlieb

 "Não tenho tempo!" Esta declaração é a frase mais comum na sociedade atual. Temos muitas coisas para fazer durante o dia, e quando cai a noite estamos inevitavelmente atrasados com nossas tarefas. Como poderemos administrar melhor nosso tempo e realizar mais todos os dias?

A respeito da construção do Mishcan, a porção desta semana da Torá declara: "Betzalel, filho de Uri que era filho de Chur da tribo de Judá, fez tudo que D’us ordenou a Moshê" (Shemot 38:22). Este versículo provoca uma grande dúvida: Como Betzalel pôde fazer tudo que D’us ordenou a Moshê?

Betzalel não estava presente quando D’us instruiu Moshê a construir o Mishcan!?

Rashi, o comentarista fundamental da Torá, explica que o versículo nos ensina que, através de ruach hakôdesh, inspiração Divina, Betzalel sabia até mesmo as coisas que Moshê não lhe dissera. Embora ele não estivesse presente quando D’us deu as ordens a Moshê, Betzalel ainda foi capaz de construir o Mishcan exatamente de acordo com as especificações de D’us.

Rashi prova que Betzalel soube de tudo através de ruach hakôdesh pelo fato de que quando Moshê disse a Betzalel para primeiro fazer os utensílios do Mishcan, e apenas então construir a estrutura do Mishcan em si, Betzalel corrigiu Moshê e informou-o de que deveria ser feito de outro modo.

O Kli Yakar concorda com Rashi que o versículo de fato nos ensina que Betzalel sabia como construir o Mishcan através de seu próprio ruach hakôdesh. Entretanto, ele refuta a prova de Rashi e insiste que, na realidade, Moshê disse tudo a Betzalel, na ordem correta.

Por que é importante saber se a estrutura do Mishcan ou os utensílios foram feitos em primeiro lugar? Rabi Yerucham Levovitz explica que assim vemos a importância de colocarmos tudo em sua ordem correta. Jamais teremos tempo suficiente a cada dia para cumprir tudo aquilo que gostaríamos. Portanto, devemos estabelecer prioridades em nossa vida, para que possamos realizar tanto quanto possível com o tempo que nos foi reservado.

 

 

 Fonte: http://www.chabad.org.br/

 

 

 
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