Purim – Meguilat para jovens – Capítulos XII,XIII

Capítulo XII

Quando a execução foi reportada ao rei, sua ira finalmente arrefeceu. A calma desceu 
sobre o palácio em Shushan.

Achashverosh voltou-se para a Rainha Ester e disse: "Fiquei furioso hoje, mas minha fúria não se dirigia a você. Como prova do respeito que lhe tenho, ofereço-lhe o controle das propriedades de Haman, bem como poder total sobre sua esposa e filhos."

Ester sentiu-se aliviada pela oferta do rei. Não tinha interesse nas riquezas que recebera. Tinha em mente algo muito mais importante. Embora Haman estivesse morto, o decreto havia sido divulgado. Ali mesmo em Shushan, muitos não-judeus já estavam afiando as espadas.

"Certamente, todos serão informados do gesto do rei" – pensou Ester, esperançosamente. "Concedendo-me o controle de sua família e de seus bens, o rei indica que todas as propriedades e poderes de Haman estão em minhas mãos. Agora que o povo sabe que sou judia, certamente ninguém ousará fazer mal a nenhum judeu."

Ester contou ao rei que Mordechai, seu primo, a tinha criado e cuidado desde a mais tenra infância. O rei ficou impressionado e convocou Mordechai para uma audiência especial.

Ester foi cuidadosa em não pedir qualquer privilégio especial para Mordechai. Se o fizesse, o rei poderia suspeitar que havia forjado tudo para este fim.

Ester percebeu que ainda jogava uma partida perigosa, e que teria que ser muito cuidadosa ao lidar com o rei. O decreto ainda não fora cancelado e sua missão ainda não terminara.

O rei Achashverosh havia chamado Mordechai ao palácio para algo mais que uma conversa amena. Estava preocupado que Mordechai pudesse ser assassinado como vingança pela execução de Haman.

"Sugiro que permaneça no palácio até que as forças de Haman sejam derrotadas" – instou o rei.
Mordechai agora tinha livre acesso ao rei, pela própria vontade do monarca. A lei, ordenando que ninguém poderia ir até o rei sem convite, foi revogada. Haman sugerira a lei originalmente para impedir que Vashti implorasse por sua vida. Continuou a insistir em sua validade por suspeitar que Ester se aproximasse do rei para suplicar clemência para os judeus. Agora que Haman estava morto, a lei foi cancelada e Mordechai podia falar ao rei sempre que desejasse.
O rei, por sua vez, teve amplas oportunidades de reconhecer a inteligência e as qualidades pessoais de Mordechai. "Agora que meu antigo Primeiro Ministro está morto, posso ver que Mordechai preenche o cargo perfeitamente" – pensou o rei. "Além disso, merece uma recompensa por educar uma criança e fazê-la digna de ser rainha."

Ester também quis dar a Mordechai um penhor de sua gratidão. Transferiu-lhe todos os direitos sobre a família de Haman e nomeou-o curador de suas propriedades. Ester instruiu-o também a distribuir a fortuna de Haman aos judeus, como pagamento pelos danos que sofreram por causa dos decretos de Haman.

Embora o rei fosse receptivo a seu desejo e tivesse agido generosamente em relação a Mordechai, Ester percebeu que não seria prudente fazer mais pedidos de imediato. Temia que o rei não consentisse. "Já me deu o controle sobre a família e os bens de Haman. Talvez aproveite isso como desculpa para não me conceder mais favores" – preocupava-se. "E se o decreto de Haman não puder ser cancelado?"

Decidiu esperar por mais dois meses antes de abordar o rei para novos pedidos. Enquanto isso, instruiu os judeus a jejuar, a arrepender-se e a implorar a D’us por misericórdia. Pediu que rezassem para que o rei desse ouvidos a ela e revogasse as cartas que ordenavam a morte dos judeus.

Ester passou muitos longos dias e noites insones, rezando e suplicando a D’us que salvasse Seu povo. Finalmente, procurou o rei. Sabendo que não seria fácil convencê-lo, jogou-se a seus pés, soluçando e implorando.

"Por favor, Majestade" – chorou amargamente, o corpo sacudido por soluços – "meu povo está atemorizado. Todos os dias nossos inimigos nos provocam, dizendo: ‘Amanhã, vou matá-lo e apossar-me de suas propriedades.’ Haman está morto, mas seus planos perversos estão bem vivos. Seu decreto contra os judeus ainda é vigente. Imploro, Majestade, cancele o decreto!"

O rei estava num dilema. Era impossível revogar o decreto! Seria contra todos os precedentes! A lei persa dizia que tudo que fosse escrito em nome do rei e selado com o anel de sinete não poderia voltar atrás. Mesmo assim, não suportava ver sua amada rainha chorando tão desesperadamente.

Lentamente, acenou com o cetro dourado para Ester, um sinal de que deveria erguer-se e falar-lhe sem temor. Encorajada pelo gesto do rei, levantou-se para apresentar seu pedido. Proferiu uma prece ardente a D’us antes de continuar sua súplica em favor do futuro de seu povo.

"Majestade, peço que atenda meu pedido apenas se for correto e apropriado para si. Se encontrei mercê em seus olhos, imploro seu consentimento. Entendo que a suspensão do decreto deva ser feita de acordo com a lei persa. Por isso, ordene o recolhimento das cartas contendo o perverso plano de Haman."

O rei hesitava. "Posso fazer um anúncio oficial para este fim" – concordou.

"Um anúncio não será suficiente. Pode ser esquecido; e quando chegar a hora marcada por Haman, o povo o ignorará" – argumentou Ester.

"Revogar um decreto assinado e selado é muito difícil" – protestou o rei.

"Eu sei, mas há uma brecha. O verdadeiro mandado real estabelece apenas que o povo deve se preparar para o dia designado. As cartas, dizendo que aquele seria o dia do extermínio dos judeus, foram expedidas apenas para os governadores. Estas cartas não contêm o selo real. Por isso, legalmente pode alegar que as cartas aos governadores não eram documentos reais, mas apenas a palavra de Haman."

O rei refletiu um pouco, mas ainda não estava totalmente convencido. "Ainda faltam muitos meses para o dia 13 de Adar" – disse ele.

Ester desmanchou-se em lágrimas. "Como posso suportar uma ameaça dessas proporções pairando sobre meu povo?" – soluçou. "A essa altura, muitos inimigos dos judeus já sabem do decreto, e estão matando judeus em algumas das províncias mais distantes."

"Estou numa posição muito difícil" – explicou o rei. "É óbvio que desejo salvar o povo de minha rainha. Porém, se eu tentar cancelar as cartas, explicando em detalhes a situação, causarei grande prejuízo ao império. Serei acusado de favoritismo. Meus súditos podem até se rebelar."

O rei tinha em mãos um complicado problema legal. As cartas não podiam ser simplesmente anuladas, e as necessárias etapas legais para mudar seu impacto seriam complicadas. Seria necessário convocar a mente mais arguta do império para resolver o assunto, e isso significava Mordechai. Este foi chamado, e o rei consultou-o.

Mordechai respondeu: "Conforme a lei, se um ministro real expede um edito e então é legalmente executado, este edito está automaticamente invalidado. Por isso, o principal é informar ao povo em todas as províncias que Haman foi executado. Isso impedirá que aqueles que odeiam os judeus levantem a mão contra eles."

Mordechai e o rei consideraram outras possibilidades. Poderiam dizer ao povo que o rei ordenara a Haman que fizesse uma proclamação, dando aos judeus permissão para matar os inimigos em 13 de Adar. Haman teria mudado o fraseado da proclamação, dizendo que os judeus deveriam ser mortos por seus inimigos – em persa as palavras são muito parecidas – e o rei havia assinado sem ler cuidadosamente. Quando o monarca descobrira a troca de palavras, mandara enforcar Haman.

Um plano alternativo seria dizer toda a verdade. Haman mentira sobre os judeus e convencera o rei de que eram seus inimigos. Confiando em Haman, o rei havia assinado o decreto.

Finalmente, decidiram que seria melhor não anular as cartas mandadas por Haman. Em vez disso, um novo mandado seria expedido, dando aos judeus autoridade para se reunirem, defenderem-se, e matar quem quer que os atacasse. Os governadores também receberiam instruções para apoiar os judeus. Dessa maneira, os judeus seriam salvos sem o cancelamento formal do primeiro decreto.

No mínimo, um segundo decreto confundiria os inimigos dos judeus. Afinal, uma ordem fora expedida dizendo que os judeus seriam mortos, e agora outra seria emitida, dando aos judeus permissão para se defenderem. Como a intenção do rei não ficaria clara, muitos pensariam que a atitude mais segura seria não fazer nada.

O rei Achashverosh instruiu Mordechai a redigir uma proclamação que ele, o rei, assinaria e selaria. Foram feitas versões em todos os idiomas falados no império.

As cartas explicavam que o rei daria permissão para que os judeus em todas as cidades se organizassem para se defender de seus inimigos. Mordechai insinuava ao povo judeu que deveriam esforçar-se para viver em paz, e que se reunissem apenas para guerrear em autodefesa. O principal seria a união. Os judeus deveriam se reunir e tirar a limpo suas diferenças. Quando todos os judeus estivessem juntos, D’us os ajudaria a superar qualquer obstáculo ou inimigo. Embora o rei desse aos judeus permissão para se apossarem das propriedades dos inimigos, Mordechai proibiu-os claramente de fazê-lo.

As cartas especificavam que os judeus se preparassem para a autodefesa no dia 13 de Adar. Embora os judeus pudessem ter atacado seus inimigos mais cedo, pois sabiam quem eram os adversários, deveriam esperar até o último instante para dar-lhes uma chance de se arrependerem. Haman havia escolhido 13 de Adar porque, astrologicamente, este parecera ser o pior dia possível para os judeus. Em vez de fazê-lo o dia da derrota dos judeus, Mordechai queria que fosse o dia de sua maior vitória.

Mordechai mandou o novo decreto pelos mesmos mensageiros que haviam entregue o de Haman, porque não queria que os governadores questionassem a veracidade da nova proclamação. Os mesmos mensageiros poderiam explicar que o decreto anterior fora invalidado, e os governadores perceberiam que as novas cartas eram genuínas. Muitos desses estafetas haviam acabado de voltar de longas viagens a distantes províncias, quando receberam ordens de iniciar viagem novamente.

"Os judeus têm vivido em pânico; e quanto mais cedo a mensagem chegar, melhor" – declarou Mordechai.

"Mas os mensageiros e os cavalos estão exaustos" – reclamou o zelador do estábulo.
"Então providencie camelos dos estábulos reais" – disse Mordechai. "Camelos podem viajar grandes distâncias sem parar para comer, beber ou descansar."

Os estafetas puseram-se a caminho a toda velocidade, a fim de levar a palavra do rei às províncias e dar aos judeus ampla margem de tempo para se defenderem. 

Mensageiros especiais também foram enviados a todos os governadores. Se acaso alguém atacasse com armas os judeus, os governadores tinham ordem real de vir em seu auxílio.

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Capítulo XIII

Cópias das ordens do rei foram afixadas em todos os lugares públicos de cada cidade. 
A lei também foi proclamada e largamente difundida na capital, Shushan. Ao mesmo tempo, acontecia a posse de Mordechai como o novo Primeiro Ministro. Era o assunto mais comentado na cidade.

"Você viu o novo Primeiro Ministro?"

"É aquele digno cavalheiro vestido com uma fina capa de linho, Mordechai, o Judeu?

"Sim, e você viu a túnica azul e branca debaixo da púrpura e ouro? Impressionante!"

Toda a cidade de Shushan borbulhava de entusiasmo, mas os judeus estavam completamente atônitos.

"Graças a D’us!"

"Que milagre! Agora que Mordechai foi homenageado e promovido, nossos inimigos não ousarão nos atacar!"

"Tenho certeza de que Mordechai está aceitando a homenagem exatamente por causa disso."
"O que quer dizer?"

"Acha realmente que um sábio reverenciado como Mordechai está interessado em toda essa honra e riqueza? É claro que não se importa com essas coisas, mas nossa situação desesperada exige que as aceite; assim, nossos inimigos terão medo de atacar."

"E olhe – aquela túnica azul e branca é, na verdade, um talit feito de lã branca com o cordão azul de tsitsit."

O que mais impressionava os judeus era a visão do justo sábio, usando tefilin sobre a coroa de ouro que faiscava sobre sua cabeça.

Em todos os países e cidades atingidos pela palavra e pela lei do monarca, os judeus se rejubilavam e celebravam. Durante o período de perseguição, muitos judeus haviam se escondido. Agora, finalmente, po-diam emergir sem temor. Antes, vestiam aniagem e cinzas; agora, caminhavam triunfalmente. Enquanto o decreto tinha validade, tinha sido um insulto ser chamado de judeu; agora era uma honra.

Porém, o mais importante era que os judeus se rejubilassem em seu renovado compromisso com Torá e mitsvot. Ser judeu fora tão perigoso, que muitos judeus ignorantes tinham pensado em abandonar a Torá. Agora retornavam à vida religiosa ainda mais forte que antes. Aqueles que haviam tido medo de circuncidar os filhos imediatamente cumpriram essa mitsvá. Como as pessoas tinham visto Mordechai usando tefilin sobre a coroa, renovaram a prática dessa mitsvá sem medo.

A milagrosa cadeia de eventos teve forte impacto também sobre a população em geral. A aristocracia se aliava tão fortemente aos judeus que era quase como se tivesse se convertido. Muitos inimigos dos judeus também se disfarçavam de judeus, temendo pela vida.

Quando o dia 13 de Adar finalmente chegou, todos viram como a mão de D’us dirigira o curso da História. O próprio dia escolhido por Haman para a destruição dos judeus provara ser a hora de seu maior triunfo. As intenções de Haman haviam se frustrado com a ajuda de D’us.

Ninguém viera em ajuda dos inimigos dos judeus por medo das conseqüências. Trabalhadores e empresários também apoiavam os judeus. Os nobres e os governadores alinharam-se com os judeus, por medo de Mordechai, cuja reputação estava crescendo em todo o império.

Entretanto, os judeus não se sentiam completamente fora de perigo. Os seguidores de Haman ainda tinham posições importantes. Nas províncias mais distantes, o perigo era maior. Os judeus viviam em cidades abertas, sem muralhas, onde os inimigos podiam atacar tanto de fora como de dentro, e podiam facilmente superá-los em número.

Nessas províncias, os comparsas de Haman não temiam Mordechai tanto quanto os de Shushan. Às vezes, os judeus dessas cidades não tinham apoio total dos ministros e dos exércitos do rei.
Setenta e cinco mil inimigos dos judeus estavam preparados para cumprir ao pé da letra o decreto de Haman. Sendo na maioria descendentes de Amalek, estavam determinados a matar qualquer um que suspeitassem ser judeu. Buscavam vingança pela morte de Haman, bem como a satisfação de assassinar judeus.

Os judeus reuniram-se para lutar, orando a D’us por ajuda contra os inimigos. Mordechai declarou um jejum nacional, mandando a seguinte mensagem a todos os judeus: "Devemos jejuar e rezar no dia anterior à batalha, como foi feito por Moshê e Yehoshua. Isto nos trará a ajuda de D’us. No futuro, este jejum seria comemorado como Taanit Ester, na véspera de Purim.

Os judeus se uniram como se fossem um só. De bom grado, cada judeu ofereceria sua vida para defender o próximo. Antes de enfrentar os inimigos, oraram e se arrependeram por todas as faltas passadas. Prepararam os exércitos e lutaram em autodefesa no dia 13 de Adar, eliminando os inimigos.

Em Shushan, a situação era mais complicada. Por um lado, a influência de Mordechai e Ester estava mais forte. Por outro, o centro das atividades antijudaicas era baseado nesta cidade. Liderados pelos dez filhos de Haman, determinados a vingar a morte do pai, havia muitos que não hesitavam em atacar os judeus. Para se defenderem, os judeus mataram quinhentos de seus atacantes; porém, cuidadosamente abstiveram-se de tomar posse das propriedades dos vencidos.

"Acho que entendo por que Mordechai nos instruiu a não tomar os despojos de guerra" – disse um guerreiro judeu a outro.

"Obviamente" – disse o amigo – "quer provar que não lutamos por causa dos saques."

"Isso também" – concordou o primeiro – "mas eu estava só pensando. Estamos nos defendendo dos seguidores de Haman, descendentes dos amalequitas. Quando o rei Shaul guerreou contra Amalek, cometeu um pecado ao guardar os despojos. Agora, estamos expiando aquela transgressão, não tocando nesses saques."

Naquela tarde, Mordechai anunciou um cessar fogo, parando todas as operações de guerra. A ameaça imediata fora contida. "Embora tenhamos recebido permissão para matar nossos inimigos por todo o dia, quero mostrar que o povo judeu não tem sede de sangue" – explicou.
Para que todos soubessem que a autoridade real fora concedida aos judeus, o rei ordenou que um relatório dos fatos lhe fosse entregue em mãos. A lista dos mortos e suas propriedades foi apresentada ao soberano, incluindo uma contabilidade acurada, tornando claro que nada do butim estava faltando.

Com o relatório em mãos, o rei Achashverosh procurou a rainha Ester. "O que deseja agora? Será concedido. O que mais quer? Será feito."

Ester viu que a ocasião era favorável para fazer mais pedidos. O rei finalmente percebera que os seguidores de Haman eram um elemento perigoso e indesejável no império. "Majestade" – disse ela – "se for do agrado do rei e se quiser que o império prospere, permita que os judeus de Shushan lutem amanhã contra os seguidores de Haman, como fizeram hoje. Restam muitos partidários de Haman em Shushan, que cometerão atos de terrorismo para vingar sua morte. Permita também que os dez filhos de Haman sejam enforcados no cadafalso."

O rei percebeu que Mordechai havia parado a luta ao meio-dia, e concordou com o pedido de Ester. O enforcamento dos filhos de Haman deixou seus seguidores muito deprimidos, e os judeus conseguiram sobrepujar os inimigos também no dia 14 de Adar. Executaram trezentos oponentes que ainda ousaram atacar. Novamente, ninguém tocou nos despojos de guerra.

Dessa maneira, os eventos daqueles dias tornaram-se História. Nas províncias, os judeus ainda tiveram medo na manhã de 14 de Adar. Apesar da miraculosa derrota de seus inimigos, os judeus temeram um contra ataque. Entretanto, o dia se escoou pacifica e calmamente, então puderam depor as armas e descansar. Como foi no dia 14 de Adar que a extensão do milagre se tornou conhecida, os judeus declararam este dia uma data festiva. Festejando e se rejubilando, os judeus habitantes das províncias longínquas celebraram o grande milagre.

Em Shushan, os judeus lutaram tanto no dia 13 como no 14 de Adar, e não depuseram as armas até o dia 15.

Por esse motivo, foi no dia 15 que celebraram. O dia festivo não foi estabelecido para celebrar a derrota do inimigo, mas como reconhecimento da milagrosa libertação. Não comemoraram a vingança, mas a própria sobrevivência contra todas as adversidades. A celebração principal, portanto, não foi feita no dia da vitória, mas no dia em que puderam descansar da guerra.
Mais tarde, os sábios da Grande Assembléia discutiram como fixar a data precisa na qual estabelecer a celebração oficial de Purim.

"Parece lógico legislar que em Shushan os judeus deveriam celebrar no dia 15, ao passo que todas as outras cidades o façam no dia 14" – sugeriu um sábio.

Isso criaria uma diferença no cumprimento entre nosso povo" – argumentou um segundo.

"Mas há uma grande diferença" – insistiu o primeiro. "Estes dois dias na verdade comemoram duas vitórias diferentes. A celebração no dia 14 é pelo triunfo dos judeus nas províncias, enquanto no dia 15 comemora-se a vitória em Shushan."

"Um momento" – disse um terceiro. "Não podemos esperar que os judeus vivam em Shushan para sempre. E se o milagre especial de Shushan for esquecido?"

Os homens na Grande Assembléia consideraram o assunto. Finalmente, um se pronunciou: "Podemos destacar um aspecto de Shushan e usá-lo como símbolo para identificar outras cidades que queremos equiparar a Shushan. Nestas cidades, as celebrações serão no dia 15 de Adar, como em Shushan. Isso vai assegurar a preservação do dia festivo distinto.

"A cidade de Shushan é cercada por muralhas de proteção. Podemos proclamar que todas as cidades que, como a capital, tenham muralhas, devem celebrar no dia 15."

Os sábios concordaram, mas um ancião levantou um ponto importante: "Nossa Terra natal, Israel, agora jaz em ruínas. Jerusalém, nossa cidade sagrada, não mais possui muralhas. É correto estabelecer uma lei pela qual o status de Jerusalém será menor que o de outras cidades com muralhas em todo o mundo? A festa então terá que ser celebrada no dia 14 em Jerusalém, como se fosse uma cidadezinha não cercada?"

Os sábios tinham uma resposta: "Em vez de atribuir o status especial de Shushan a cidades com muralhas nos dias de Achashverosh, podemos fazer uma emenda no decreto, aplicando-o a cidades muradas desde os dias da conquista de Israel por Yehoshua. Automaticamente, isso dará especial categoria a Jerusalém e a outras cidades da Terra Santa."

"Escolhendo os dias de Yehoshua como ponto de partida terá significado especial" – comentou um sábio. "Ele foi o primeiro judeu a batalhar contra Amalek."

"Criar um dia festivo a 15 de Adar é também muito significativo" – disse outro. "É um dia apropriado do mês, e combinará com outras datas importantes no nosso calendário, como Pêssach, a 15 de Nissan; Sucot, a 15 de Tishrei; Tu Bishvat, a 15 de Shevat e Tu Beav, a 15 de Av. Todos esses dias festivos, que coincidem com o plenilúnio, comemoram importantes datas judaicas. Como Israel é comparada à Lua, faz sentido celebrarmos quando a lua está cheia."

Todos os sábios concordaram; assim, isso foi transformado em lei: cidades com muralhas protetoras ao tempo de Yehoshua deveriam celebrar no dia 15; todas as outras cidades no dia 14.

Mordechai registrou a história do milagre e ordenou que fosse recontada todos os anos. Mandou pergaminhos a todos os judeus do império, bem como àqueles que viviam além das fronteiras. Todos estariam obrigados a festejar a data, até mesmo os muitos judeus que haviam fugido para países fora do Império Persa, e haviam estado relativamente a salvo do decreto de Haman.

Alguns desses judeus questionaram a nova legislação. "Não é proibido adicionar festas àquelas já mencionadas na Torá?"

"Além disso, o mar não se abriu! Não houve milagres claros como no Êxodo do Egito" – adicionou outro.

"Mordechai não deu a este dia festivo o status dos dias santos proclamados pela Torá. Fazê-lo significaria proibir o trabalho. É permitido trabalhar neste dia festivo" – responderam outros.
"Então como vamos celebrar?"

As pessoas revisaram cuidadosamente as instruções de Mordechai. "Primeiro, devemos ler os rolos e recontar a história. E precisamos mandar pacotes de comida a nossos amigos."

"Isso se parece com um costume local" – comentou um dos judeus nativos. Quando os soldados voltam da guerra, mandam presentes aos amigos e parentes em comemoração à sua sobrevivência na batalha."

"O que mais Mordechai nos mandou fazer?"

"Bem, ordenou que todos celebrassem. Como o perigo foi igual para todos, ricos e pobres, o pobre também deve rejubilar-se."

"Como isso pode ser feito?"

"Mordechai disse-nos para fazer caridade e para assegurarmo-nos de que todos os judeus estejam felizes nesse dia. A outra mitsvá deste dia é fazer uma refeição festiva, comer e beber alegremente e dar graças a D’us pelos grandes milagres."

"Parece que o episódio inteiro se desenrolou durante banquetes" – alguém comentou.
"Sim!" – concordou outro.

"Primeiro, Achashverosh organiza uma festa para a aristocracia. Em seguida, outra para o público."

"Não esqueça a festa de Vashti" – intercalou um terceiro.

"E quando Ester foi escolhida como rainha, o rei deu uma festa em sua homenagem."

"Haman selou o decreto contra os judeus bebendo numa festa com Achashverosh."

"Que irônico! Sua própria queda aconteceu no segundo banquete de Ester. E agora teremos outro festim. Bem, é melhor correr para casa e dizer às nossas esposas que comecem a cozinhar."

Todos os judeus de todo o império aceitaram prontamente os decretos de Mordechai e da Grande Assembléia de sábios. Muitos tinham mesmo começado a guardar o dia festivo por conta própria, e queriam mantê-lo todos os anos. Agora que tinha sido oficialmente transformado em lei, ficaram contentes e aceitaram isso como uma obrigação.

O dia festivo seria chamado Purim, plural da palavra "pur" – os lances decisivos que haviam sido jogados como tentativa de condenar o povo judeu. Haman tinha acreditado numa escolha ao acaso, pensando que o "pur" controlaria os acontecimentos, mas o milagre de Purim revelara que D’us controlava o desenrolar da História da Humanidade.

Os judeus aceitaram manter o dia festivo através das gerações em cada família, em cada país e em cada cidade. Os dias de Purim nunca caducariam entre os judeus, e sua memória jamais se extinguirá.

Mesmo depois que Mordechai e Ester viram a aceitação do dia festivo pelos judeus, escreveram uma versão oficial do pergaminho anterior. Estavam preocupados de que, em futuros tempos de perseguição, os judeus pudessem considerar Purim inapropriado, e que não ousassem celebrar a vitória sobre os inimigos, por medo de que fazê-lo despertasse ainda mais ódio e perigo. O fato de que o motivo para Purim seria bem conhecido, e que foi até mesmo escrito nos registros oficiais dos persas e medeanos, reasseguraria aos judeus e daria às futuras gerações coragem para manter o dia festivo.

A rainha Ester escreveu aos sábios, solicitando que a recém-instituída leitura da Meguilá fosse feita de um rolo de pergaminho, escrito na mesma maneira que um Rolo de Torá. Ela explicou que escrever a história de como os judeus derrotaram os seguidores de Haman era parte da mitsvá na Torá para lembrar os cruéis atos de Amalek.

Os sábios concordaram com seu pedido e proclamaram que a Meguilá havia sido escrita com Rúach Hacôdesh (inspiração Divina). Como Ester havia arriscado a vida por seu povo, seria conhecida como Meguilat Ester (Rolo de Ester).

As grandiosas lições de Purim são reconfirmadas através da História. Mordechai instruiu os judeus a não abandonar o estudo de Torá. Negligenciar a Torá havia levado à perseguição persa, e o mérito das crianças que estudavam Torá havia salvado os judeus.

Quando Ester disse a Mordechai para "ir e reunir todos os judeus", havia enfatizado a necessidade de união. Este espírito de união provocou o milagre; e neste espírito de união, os judeus aceitaram o dia festivo que permite hoje esta celebração.

Até o rei Achashverosh estava feliz. Como resultado de sua ajuda aos judeus, recobrara muitas das terras que havia perdido. Renovara seu domínio sobre muitos outros países e ilhas, restabelecendo sua administração e aumentando sua renda através de novos impostos.

O rei Achashverosh havia escritos nos registros reais os eventos de seu poderoso governo. Descreveu em detalhes a história da promoção de Mordechai e sua competência em dirigir o império. O mundo todo ficou sabendo que Achashverosh havia chegado à sua grandeza graças à ajuda de Mordechai e por causa do bem que havia feito ao povo judeu.

Mesmo com sua alta posição de ser o segundo do reinado, Mordechai não perdeu sua preocupação com o povo. Ao contrário, usava seu escritório público para ajudar os judeus sempre que possível. Não esperava que o procurassem com problemas, mas buscava ativamente maneiras de ajudá-los.

Mordechai era conhecido por sua bondade a todos, judeus e não-judeus igualmente. Como resultado, os habitantes de cada país falavam bem do povo judeu e procuravam sua ajuda.
Com tudo isso, Mordechai permaneceu "Mordechai o Judeu", o homem que preservou seu judaísmo sem concessões, ensinando a verdade e a paz a todos.

 

Fonte: http://www.chabad.org.br/

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