Leitura da Torá: Porção Semanal: Parashá Tetsavê (07/03)

História chassídica
 
 
Versículo 27:20
 

"Azeite puro feito de azeitonas prensadas para acender, para elevar uma chama que dure para sempre."

"Esmagada para o acendimento" – Quando alguém fala palavras de admoestação, deve ser apenas com o propósito de esclarecer, iluminar, elevando o próximo; jamais, D’us não o permita, para humilhá-lo e alquebrá-lo. (Rabi Yechiel, Rebe de Alexander)

A farpa esterilizada

Em 5687 (1927), Rabi Yossef Yitschoc de Lubavitch foi preso e condenado à morte por sua obra "contra-revolucionária" de preservar e fortalecer o judaísmo por toda a União Soviética. A sentença foi comutada para exílio, depois da pressão internacional em favor do Rebe exercida sobre o regime soviético, e logo após ele foi libertado e pôde deixar o país. Mas a provação angustiante da prisão e tortura nas mãos dos capangas de Stalin debilitaram a saúde do Rebe, sendo necessário tratamentos em vários sanatórios por toda a Europa. O texto que se segue é um excerto de uma carta escrita pelo Rebe a um de seus genros no inverno de 5695 (1935).

Terça-feira, 21 de Adar de 5695 (26 de março de 1935)

Sanatório Purkesdorf, perto de Viena

…Hoje vi algo que pode ser utilizado para ilustrar e explicar um princípio na obra da vida do homem (avodá). Isso proporcionou-me grande prazer.

Um tema freqüente no ensinamento chassídico é que o homem extrai muitos elementos de seu serviço ao Criador de modelos mundanos. Os processos de pensamento e intelecto do homem, o caráter humano, fenômenos naturais – tudo serve de modelo para explicar vários aspectos do relacionamento do homem com o Todo Poderoso.

Nosso mestre, Rabi Israel Báal Shem Tov, ensinou que tudo que a pessoa vê ou ouve é uma instrução ou um guia ao serviço do Todo Poderoso. Eis do que trata a avodá: reconhecer seu caminho no serviço de D’us que está implícito em tudo aquilo que vivencia e observa.

Porém há incidentes que não precisam de muita contemplação, que ao primeiro olhar revelam sua lição em avodá. Hoje, tal incidente aconteceu comigo.

Tenho observado o regime rigoroso que controla o sanatório. Tudo gira em torno de um eixo: que tudo deve estar de acordo com as leis da medicina para conseguir os melhores resultados na cura do corpo.

Desnecessário dizer que este regime aplica-se aos médicos que vêm para examinar os pacientes: chegam exatamente na hora marcada, perguntam exaustivamente sobre cada detalhe e o anotam, consultando-se uns aos outros muitas vezes durante o dia a respeito da dieta e tratamento dos pacientes. Porém mesmo os simples serventes fazem seu trabalho conscienciosamente, atentos ao sofrimento dos doentes e desejando de todo o coração aliviá-lo. A qualquer hora, mostram uma fisionomia alegre, estando sempre prontos, tanto de dia como à noite, a cumprir-lhes todas as ordens e desejos.

Em sua ‘Carta de Arrependimento’, Rabi Schneur Zalman de Liadi escreve a respeito da doação de caridade para expiar as transgressões. "Embora esta possa ser uma soma considerável, a pessoa não precisa ficar preocupada com a lei ‘não esbanje mais que um quinto de suas posses com caridade,’ pois isso não é pior que gastar com a cura do corpo e outras necessidades de alguém…" Suas santas palavras "isso não é pior que gastar com a cura do corpo," estão sempre diante de meus olhos. Penso constantemente sobre como é necessário um ‘sanatório’ para aqueles que sofrem de doenças da alma.

Hoje os médicos vieram para ministrar-me um determinado remédio, aplicado por injeção com uma agulha.

Observei o extremo cuidado tomado pelo médico e seu assistente ao preparar-se para este procedimento: completamente vestidos de branco, examinam meticulosamente as roupas para conferir sua limpeza; então lavam as mãos duas ou três vezes, conferindo as unhas para ter certeza de que não há o menor vestígio de sujeira; finalmente, derramam nas pontas dos dedos – especialmente nas unhas – um forte produto químico que remove a menor contaminação.

Quando terminaram estes preparativos, esfregaram minhas pernas com uma tintura forte e outros produtos que removem até mesmo o grão de poeira mais invisível e insubstancial. Esfregaram duas ou três vezes. Observando estas precauções extremas, perguntei: Com que finalidade está esfregando minhas pernas, se há poucos minutos tomei um banho e minha pele está limpa? Os médicos replicaram: Mesmo assim, é uma regra imutável, que antes de uma agulha penetrar no corpo, deve-se primeiro lavar toda a área com produtos que removam o menor traço de sujeira. Pois se mesmo a menor das partículas penetrar no corpo juntamente com o remédio, D’us não o permita, não apenas a impureza pode anular o efeito do medicamento, como pode também causar muitas doenças sérias, D’us não o permita.

A reunião de chassidim em um farbrenguen compara-se à injeção de remédio em um corpo pela picada de uma agulha. Geralmente, os oradores insistem com os companheiros para que aprimorem seu comportamento, estabeleçam um tempo certo para o estudo de Torá, e façam o possível para que seu estudo resulte em ações e observância. Ora, estas exigências, embora sejam feitas por profundo amor e grande afeição, mesmo assim chegam na forma de uma picada de agulha – do mesmo modo que uma agulha contendo um medicamento tem um resultado muito positivo, embora seja aplicada através de uma picada.

Entretanto, antes de se administrar a ‘picada’, deve-se ter certeza de que a agulha está perfeitamente limpa, como também limpar a área da injeção. Se tais condições forem negligenciadas, não apenas o remédio será totalmente inútil, como pode colocar em risco a vida do paciente, D’us não o permita.

Pois enquanto a impureza permanece do lado externo, pode ser eliminada ou lavada; mas se penetrar no corpo, pode infligir um grande dano.

Uma reunião de chassidim – um farbrenguen chassídico – é um bálsamo cicatrizante, literalmente um salva-vidas, trazendo inimagináveis benefícios. Já vimos por muitas vezes como toda palavra chassídica penetra nas partes mais recônditas da mente e do coração, como cada nota de uma melodia chassídica desperta o coração, aproxima-o da bondade o mantém fiel à verdade. Porém os medicamentos curativos de um farbrenguen vem com uma picada, em tom de reprimenda. Por isso, deve-se tomar muito cuidado para que o instrumento que penetrará no próximo esteja perfeitamente limpo, e que a ‘picada’ seja limpa e esterilizada de qualquer mancha de antagonismo ou egoísmo.


Versículo 28:30

 

"E Aharon levará o julgamento dos filhos de Israel sobre o coração."

Aharon, o Sumo Sacerdote, era o coração da nação judaica; assim como o coração sente a dor de cada membro do corpo, assim Aharon levará os julgamentos e tribulações que caírem sobre seu povo. (Be’er Mayim Chaim)

Desculpas podem ser úteis na absolvição de alguém da responsabilidade e culpabilidade. Mas a melhor desculpa no mundo não pode desfazer uma ocorrência negativa ou recriar uma oportunidade perdida. (Dito chassídico)

E daí?

Em 5670, o governo czarista convocou uma "conferência rabínica". Objetivo: forçar mudanças na vida religiosa judaica. Antes da reunião, foi mostrada aos participantes uma lista de 102 comunidades judaicas onde o governo prometera "organizar" pogroms, caso a conferência não endossasse sua posição.

Para Rabi Shalom Dovber de Lubavitch, o assunto era uma questão de vida espiritual e morte. Durante toda a conferência, lutou contra os planos do governo. Quando se levantou para falar, expôs publicamente os ministros que haviam ameaçado com pogroms. Anunciou então:

"Certamente, vivemos sob o domínio do governo russo. Porém sua jurisdição sobre nós estende-se apenas a assuntos materiais. Em tudo aquilo que diz respeito a nossa fé, nenhuma soberania ou regime sobre a terra tem autoridade de nos ditar leis." O Rebe falou e sentiu tão profundamente suas palavras, que ao término de seu inflamado discurso, desmaiou.

Foi imediatamente colocado em prisão domiciliar por suas palavras. Em seguida, um dos rabinos líderes na época foi visitá-lo. Encontrou o Rebe chorando. "Lubavitcher Rebe!" exclamou o rabi, "por que está tão aborrecido? Fez tudo que podia fazer!"

O Rebe não conseguia entender desta forma. "E daí? disse ele. "O trágico decreto foi convertido em lei."

 

Fonte: http://www.chabad.org.br/

 

 
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