Leitura da Torá: Porção Semanal: Parashá Terumá (28/02)

 
 

 
Shemot 25:1 – 27:19
 
(Êxodo)  25:1-27:19
 

A parashá Terumá inicia uma série de quatro das cinco porções que discutem em detalhes a construção do Mishcan, o Tabernáculo móvel que servia de "local de repouso" para a presença de D’us entre o povo judeu.

A porção completa da semana relata a descrição de D’us a Moshê sobre como construir o Mishcan, começando com uma lista dos vários materiais preciosos a serem coletados pelo povo judeu para este projeto monumental.

D’us descreve a magnífica Arca de madeira e ouro que abrigaria as tábuas com os Dez Mandamentos, completa com sua cobertura deslumbrante representando dois querubins (anjos com rosto de crianças) um de frente para o outro. Em seguida, D’us entrega a Moshê as plantas do Shulchan (mesa sagrada) sobre a qual os Lechem Hapanim (Pães da Proposição) serão colocados a cada semana.

Seguindo-se à descrição da Menorá de ouro puro que deveria ser feita de um único pedaço grande de ouro, D’us descreve a estrutura do próprio Mishcan, detalhando a cobertura esplendidamente tecida e bordada, as cortinas, as divisões e as paredes externas móveis. A Porção da Torá conclui com as instruções para o altar de cobre e o grande pátio externo do Mishcan.

 

Mensagem da Parashá

 

A Porção da Torá desta semana nos introduz ao sagrado Mishcan. A maior parte desta Porção contém descrições detalhadas dos muitos utensílios usados. Dessa maneira, D’us dedica vários versículos a cada componente, descrevendo suas medidas exatas e o aspecto, para que Moshê entendesse exatamente como construir cada utensílio. Tal Porção da Torá, que parece conter apenas uma lista dos diversos objetos, poderia ter uma aparência um tanto monótona. Entretanto, logo no início nos defrontamos com uma estranha discrepância.

No início da explicação da Arca Sagrada, D’us ordena a Moshê: "Eles construirão a Arca" (Shemot 25:10), usando a forma plural, como se falando a um grupo de pessoas que participarão na construção das várias partes do Mishcan. Certamente poder-se-ia esperar que a descrição de cada um dos numerosos itens seguisse uma estrutura gramatical semelhante. Entretanto, este não é o caso. Na verdade, a Arca é a única vez onde encontramos o uso da forma plural; todos os outros itens da descrição são precedidos pela ordem no singular "Tu construirás," parecendo indicar que uma única pessoa estaria envolvida na edificação do Mishcan. Como resolver esta contradição? Quem era de fato responsável pela sua real construção?

Antes que tentemos resolver nosso problema, primeiro devemos preceder nossas observações com um importante princípio. Os comentaristas explicam que os muitos utensílios e as vestimentas dos Cohanim do Mishcan não eram escolhidos ao acaso. Ao contrário, cada um dos vários componentes representava uma faceta do Judaísmo e do povo judeu. Dessa maneira, cada utensílio e sua descrição continham numerosas mensagens e temas subjacentes para a nação judaica. A Arca Sagrada, explicaram os comentaristas mais tarde, corresponde à Torá e seu estudo; isso não é surpresa, pois a Arca continha o verdadeiro Rolo da Torá e as Tábuas dos Dez Mandamentos entregues diretamente a Moshê por D’us. Portanto, a descrição da Arca deveria nos fornecer alguma percepção sobre a natureza da Torá e seu estudo.

Neste estilo, o Ramban procura esclarecer a discrepância gramatical acima apresentada. A respeito de qualquer projeto ou empreendimento meritórios assumidos em nome do Judaísmo, a pessoa pode-se considerar um parceiro simplesmente por contribuir com dinheiro e outros recursos para ajudar outras pessoas a completarem o projeto. Por este motivo, a respeito de todos os outros utensílios do Mishcan, a Torá dirige sua ordem somente a Moshê, pois o povo judeu já fizera sua parte ao contribuir com a matéria prima para o fundo de construção. Agora Moshê deve continuar o trabalho realmente construindo os utensílios.

Entretanto, este não é o caso quando se trata do estudo de Torá. Portanto, a ordem de construir a Arca, que como já foi mencionado antes representa a Torá e seu estudo, é dirigida não apenas a Moshê, mas a todo o povo judeu. D’us deseja indicar que embora o povo tenha contribuído com prata e ouro, deve apesar disso participar da real construção da Arca Sagrada – e, por extensão, do estudo de Torá.

É claro que quem doou os recursos pelo mérito do estudo da Torá deve ser grandemente louvado e parabenizado. Entretanto, ao mesmo tempo, deve entender que não pode simplesmente sentar-se de lado e permitir que outros sozinhos estudem a Torá. Todos devemos participar neste empreendimento. Também não devemos pensar que a Torá é um livro fechado, reservado para eruditos e mentes brilhantes. A Torá pode ser estudada em muitos níveis diferentes e de vários ângulos, de forma que cada indivíduo pode abordá-la segundo seu próprio nível. Do amador ao grande erudito, a pessoa só tem a ganhar estudando-a.

A Torá é eterna e lá está para que a estudemos a qualquer tempo – e agora é o tempo de abri-la e vermos os tesouros que contém.

 

Seleções do Midrash

 

Porque D’us ordena ao povo de Israel que Lhe construa um Tabernáculo

Um príncipe viajou de um país distante para casar-se com a filha única do rei. Quando quis partir com ela, o rei disse: "Não posso deixá-la partir, ela é minha filha única. Por outro lado, ela também é sua esposa, e não tenho o direito de detê-la aqui. Por isso, pedir-lhe-ei um favor. Construa um quarto extra para mim, onde quer que se estabeleçam; de maneira que eu possa viver perto de vocês!"

Igualmente, depois que D’us deu a Torá, Sua filha preciosa, ao povo judeu, pediu-lhes que construíssem um Tabernáculo (Mishcan), no qual Sua Shechiná (Divindade) residiria permanentemente na terra.

Três parábolas: A que se compara o Tabernáculo

D’us anunciou ao povo judeu: "Vocês são meu rebanho, e Eu sou o pastor. Assim como um pastor arma a tenda perto das ovelhas para cuidá-las, Eu desejo ter uma morada perto de vocês."

"Vós, o povo judeu, sois Meu vinhedo e Eu, D’us, o guardador do vinhedo. Aquele que cuida do vinhedo normalmente vive em uma choupana perto do vinhedo, de onde possa observá-lo para assegurar-se de que não entrem ladrões. Construam, pois, uma choupana para Mim junto ao vinhedo."

"Vós, o povo judeu, também sois meus filhos; e Eu, D’us sou vosso pai. É uma grande honra para os filhos viver em um lar próximo ao pai e também é uma honra para o pai viver perto dos filhos."

As chaves das três parábolas

D’us é comparado:

1 – A um pastor

2 – A um vinhateiro

3 – A um pai

Por que não basta uma comparação? Por que é necessário haver três parábolas diferentes?

Na verdade, estes são três momentos diferentes da história do povo judeu. Em cada época, D’us manteve uma relação distinta com os judeus.

1 – Quando o Povo de Israel perambulou pelo deserto, D’us morava em um Tabernáculo parecido a uma tenda de pastor. Um pastor não vive em um lugar fixo. Segue o rebanho onde este vai para pastar e arma sua tenda perto das ovelhas para protegê-las e procurar-lhes comida.

Do mesmo modo, D’us "seguiu" o povo judeu pelo deserto. Como um pastor fiel, guardou-os dia e noite e estendeu Suas nuvens ao redor deles, e os alimentou com maná, aves, e água da fonte.

2 – Em Israel o rei Salomão construiu o Templo Sagrado para D’us, um edifício de pedra. Assim como o vinhateiro cuida do vinhedo, do mesmo modo D’us protegeu a Terra de Israel de todos os inimigos. Mesmo assim, o Templo Sagrado foi comparado apenas a uma "choupana" e não a um lugar permanente, pois não durou para sempre. D’us predisse que o Templo Sagrado continuaria existindo somente enquanto os filhos de Israel guardassem fielmente a Torá. Quando abandonaram as mitsvot de D’us, o Templo Sagrado, ambos o primeiro e o segundo, foram eventualmente destruídos.

3 – Quando Mashiach vier e D’us nos der o terceiro Templo Sagrado, esse será comparado a um "lar" – pois durará para sempre. Então todos verão que D’us é nosso pai e que somos Seus filhos.

Quando a ordem da construção do Tabernáculo foi dada

Apesar da mitsvá de construir um Tabernáculo ter sido decretada apenas depois do pecado do bezerro de ouro, a Torá a registra de antemão. As porções da Torá que lidam com o Tabernáculo (Terumá e Tetsavê), precedem o relato do pecado do bezerro de ouro (na porção de Ki Tissá).

Após o pecado do bezerro de ouro, Moshê implorou incessantemente que D’us perdoasse o povo judeu. Finalmente, conseguiu o perdão. Não obstante, Moshê não estava satisfeito, e indagou a D’us: "Como ficará evidente às nações do mundo que Tu realmente perdoaste Teu povo?"

"Que os filhos de Israel construam um Tabernáculo," replicou D’us. "Lá, oferecerão sacrifícios, os quais aceitarei. Esta será uma prova pública de Meu amor renovado por Meu povo!"

A Torá inverte a ordem cronológica dos acontecimentos a fim de ensinar-nos que D’us prepara o antídoto para uma falha mesmo antes desta ter sido realmente cometida. D’us previu o pecado do bezerro de ouro. Portanto, Ele arquitetou antecipadamente a idéia de construir o Tabernáculo.

Através do pecado, o povo judeu forçou a Shechiná a retroceder aos Céus. Por intermédio do Tabernáculo, contudo, a Shechiná poderia retornar à terra.

O Tabernáculo como moradia Divina

Ao ouvir as palavras de D’us: "Que façam um Santuário para Mim, para que habite dentre eles", Moshê ficou surpreso.

"Como podes Tu, Cuja Glória preenche Céus e terra, habitar numa humilde moradia que erguemos para Ti?" – perguntou.

D’us respondeu: "Nem ao menos preciso do Tabernáculo inteiro como local de residência. De fato, confinarei Minha Shechiná à limitada área onde se localizará a arca."

D’us, em Seu grande amor pelo povo judeu, restringiu Sua Shechiná ao Tabernáculo, próximo aos Seus filhos.

O Tabernáculo físico de madeira, contudo, era apenas um símbolo para a verdadeira habitação da Shechiná – o coração de cada judeu.

Como é possível transformar o coração de alguém num Santuário para a Shechiná? Isto é alcançado devotando-se o coração à Torá e à serviço de D’us.

A importância do Tabernáculo para o povo judeu

De fato, o Tabernáculo (e mais tarde o Templo Sagrado) beneficiava o povo judeu de três maneiras:

• Como resultado do serviço realizado da maneira como D’us prescreveu, o povo de Israel recebia proteção celestial contra quaisquer possível atacante.

• O Tabernáculo era fonte de inspiração espiritual. Cada judeu que freqüentasse o Tabernáculo e o Templo Sagrado, era estimulado a incrementar a observância de Torá e mitsvot. O Santuário e o Templo eram permeados por uma atmosfera de temor a D’us, e observando os cohanim (sacerdotes) realizarem diligentemente o serviço, o povo judeu era motivado a aprimorar sua espiritualidade.

• A nação inteira testemunhava constantemente milagres óbvios no Tabernáculo e no Templo Sagrado. Estes fenômenos sobrenaturais demonstravam-lhes o grande amor de D’us com Seu povo, que era como a relação de pai e filho.

D’us pede contribuições para a construção do Tabernáculo

D’us instruiu Moshê: "Nomeie coletores de fundos para recolherem material para o Tabernáculo. Serão aceitas contribuições de qualquer judeu cujo coração o impele a participar."

Ao ouvir que o Tabernáculo deveria ser construído em meio ao deserto, Moshê perguntou-se se a comunidade possuía material suficiente para projeto de tal monta. Antes mesmo que pudesse articular a questão, D’us respondeu-lhe: "Não apenas o povo de Israel, coletivamente, possui o material necessário para construir um Tabernáculo," Ele informou a Moshê, "porém, de fato, cada judeu poderia fazê-lo sozinho."

Onde o povo judeu obteve os materiais?

Quando saíram do Egito, os egípcios lhes deram ouro, prata e utensílios preciosos. Saíram do Egito com uma imensa fortuna. Logo, depois que os egípcios se afogaram no Mar Vermelho, os judeus ficaram ainda mais ricos, pois juntaram os adornos e tesouros que os egípcios traziam consigo. O mar os arrastou até a praia para que os judeus os recolhessem.

Os justos tinham pedras preciosas de mais uma fonte: todos os dias, quando caía a porção da maná, D’us fazia que, junto com a maná, caíssem pedras preciosas!

Os materiais necessários para a construção

D’us ordenou que quinze diferentes materiais fossem coletados para a construção do Tabernáculo e seus componentes. Cada material foi selecionado por D’us para conceder ao povo judeu um mérito ou bênção especial, ao doá-lo.

• Ouro: D’us disse: "Que o ouro doado para o Tabernáculo expie o ouro erroneamente doado para o bezerro de ouro."

• Prata

• Cobre

Há três tipos de caridade (tsedacá), que podem ser comparados ao ouro, prata e ao cobre. A caridade que a pessoa dá quando ela e sua família são ricas e as coisas vão bem é comparada ao ouro. Este tipo de caridade tem o mais poderoso efeito no Céu, comparável a um presente a um imperador. Apesar de ser dada sem nenhuma razão em especial, protege o doador de futuras eventualidades. Ze Hanoten Bari (Aquele que dá quando tem saúde), formando Zahav (ouro, em hebraico). Há, então, um segundo tipo de caridade, a caridade que a pessoa dá quando adoece. É menos efetiva, uma vez que é dada num momento de necessidade; sendo, portanto, comparada à prata. Se a pessoa adia a doação de caridade até que esteja gravemente doente (e, metaforicamente, está com a corda no pescoço, prestes a ser executado), o valor de sua caridade é reduzido a cobre.

Não obstante, uma pessoa não deve abster-se de dar caridade, sob qualquer circunstância. Sua caridade a precederá (no Mundo Vindouro), e lhe garantirá boa reputação.

• Lã tingida de azul-turquesa com o sangue de uma criatura marítima chamada chilazon

• Lã tingida de púrpura

• Lã tingida de vermelho púrpura

• Fino linho branco

• Lanugem de cabras

• Peles de carneiro tingidas de vermelho

• Peles de Tachash multicoloridas

Que animal era o Tachash? Era um unicórnio com pele multicolorida. Existiu apenas naquela época, para que o povo judeu pudesse utilizar sua pele para fazer as tapeçarias do Tabernáculo. Depois disso, se tornou extinto.

• Madeira de cedro de shitim (acácia)

Por que D’us prefere a acácia a todos os outros cedros?

O cedro de shitim foi escolhido por D’us porque não dá frutos. D’us queria dar exemplo a alguém que constrói uma casa. A pessoa deveria desta forma raciocinar: "Se até o Rei dos Reis construiu Seu palácio da madeira de uma árvore estéril, nós certamente não podemos utilizar a madeira de uma árvore frutífera para este propósito!"

Quando Yaacov chegou ao Egito, plantou as árvores de shitim, pois sabia, graças a sua profecia, que os judeus os necessitariam mais adiante para construir o Tabernáculo. Yaacov ordenou a seus filhos: "Quando saírem do Egito, levem junto a madeira de shitim que plantei."

A viga mais comprida do Tabernáculo media cerca de 15 metros. Esta viga foi feita da madeira da árvore que Avraham nosso patriarca havia plantado em Beer Shêva! A famosa árvore, debaixo da qual servia seus hóspedes.

Quando os judeus cruzaram o Mar Vermelho, os anjos cortaram essa árvore e a levaram até o mar. Deixaram-na cair diante dos judeus e exclamaram: "Esta é a árvore que Avraham plantou em Beer Shêva! É debaixo dela que ele costumava orar a D’us!"

Quando o povo judeu ouviu isso, levantaram a árvore e a levaram consigo. Utilizaram-na como viga central do Tabernáculo.

• Azeite de oliva (para acender a menorá)

• Especiarias para o azeite de unção e o incenso

• Duas pedras de ônix e doze tipos de pedras preciosas para o efod e o peitoral (partes da vestimentas do sumo-sacerdote)

D’us mostra a Moshê a planta do Tabernáculo

Quando Moshê subiu ao céu, D’us mostrou-lhe o desenho exato que devia seguir para construir o Tabernáculo. Este teria três seções:

1 – O Santo dos Santos: Era a seção mais santa do Tabernáculo que continha a arca com as Tábuas da Lei.

Na entrada do Santo dos Santos pendia um cortinado chamado parôchet. Este cortinado dividia o Santo dos Santos da segunda seção, o côdesh.

Somente o sumo-sacerdote tinha permissão Divina de entrar no Santo dos Santos, e somente um dia por ano: no Yom Kipur.

2 – A segunda parte do Tabernáculo era menos sagrada que o Santo dos Santos. Chamava-se côdesh. Ali ficavam a mesa, a menorá, e o altar de incenso.

As duas seções juntas eram denominadas "Ôhel Moed".

3 – A terceira parte era o pátio. Era menos sagrado que o côdesh. Ali Moshê colocou o grande altar de cobre sobre o qual eram oferecidos todos os sacrifícios de animais.

D’us também explicou a Moshê exatamente como construir cada um dos objetos do Tabernáculo. Começou por explicar-lhe sobre a arca, pois era o recipiente mais sagrado do Tabernáculo.

Que aspecto tinha a arca

De todos os utensílios do Tabernáculo, D’us ordenou que a arca fosse construída primeiro. Instruiu que sua construção precede até mesmo a próprio Tabernáculo.

A arca constava de três caixas abertas na parte superior; uma encaixava dentro da outra. A caixa menor era de ouro puro, e encaixava dentro de uma de madeira. A caixa de madeira encaixava dentro de uma caixa maior, que era feita de ouro. Desta maneira, a arca de madeira, era folheada a ouro por dentro e por fora, exatamente como D’us ordenara.

A caixa de ouro externa tinha um belo rebordo de ouro, semelhante a uma coroa. A arca onde as tábuas foram guardadas simbolizava a Torá, e os ornamentos representavam a Coroa do estudo da Torá.

O que a arca simbolizava

D’us conferiu ao povo judeu três "coroas" (posições de grandeza):

• A coroa da Torá, que era representada pela arca.

• A coroa do sacerdócio, que era representada pelo altar.

• A coroa da monarquia, que era representada pela mesa.

A coroa do estudo da Torá sobrepõe-se aos dois ofícios. Somente um judeu nascido numa família real ou sacerdotal é elegível para posições de monarquia ou sacerdotal. A oportunidade de se tornar um grande sábio de Torá, contudo, é acessível a qualquer um.

A arca também representava o estudioso de Torá.

As arcas interiores e exteriores eram de ouro, para indicar que os sentimentos íntimos de um estudioso de Torá devem coadunar-se com sua conduta externa. Pobre do estudante de Torá que porta a Torá em seus lábios, enquanto seu coração é desprovido de temor a D’us!

A santidade da arca e seus milagres

D’us fez muitos milagres em relação a arca. Aqui estão alguns:

• A arca com suas varas deveria ter realmente ocupado toda a área do Santo dos Santos, de parede a parede. Mas, quando o sumo-sacerdote ali entrava, havia espaço suficiente para que pudesse caminhar ao redor de toda a arca. A arca em si, milagrosamente, não ocupava nenhum espaço.

• Quando os levitas carregavam a arca não sentiam o menor peso sobre os ombros. Não apenas isso, mas a arca até os levantava e os transportava!

• D’us ordenou a Moshê que construísse uma segunda arca que sempre viajava adiante do povo de Israel durante os quarenta anos no deserto. Esta arca desprendia faíscas de fogo que matavam todas as serpentes venenosas e os escorpiões que apareciam no caminho.

As barras da arca

De ambos os lados da arca havia duas varas de madeira revestidas de ouro, que passavam por arcos e que possibilitavam o transporte da arca de um lugar a outro.

D’us deu uma ordem especial: as barras deveriam permanecer nos anéis o tempo todo. Não podiam ser removidos nunca, nem mesmo quando o povo judeu acampava. A eterna presença das hastes na arca simboliza o conceito de que a Torá não está vinculada à lugar algum. Onde quer que os judeus fossem, voluntariamente ou não, sua Torá também iria com eles, pois o meio de seu transporte está sempre atado à esta.

A cobertura da arca

A arca tinha uma coberta de ouro, chamada capôret. Era feita do mesmo bloco de ouro de que eram feitos os dois anjos, os keruvim.

Por que esta cobertura se chama capôret? Capôret deriva da palavra capará, expiação, indicando que este ouro expia pela transgressão do povo judeu de ter doado ouro para a construção do bezerro.

Os Keruvim – Os anjos de ouro

D’us ordenou a Moshê que pegasse uma grande pepita de ouro, e esculpisse tanto a cobertura da arca quanto os keruvim, anjos, que ficam sobre essa.

Os keruvim não eram esculpidos como elementos separados e então soldados a cobertura; mas emergiam da própria cobertura. Encaravam-se mutuamente, estendendo as asas sobre a arca.

Apesar de, maneira geral, ser proibido fazer estátuas, os keruvim eram exceção, uma vez que foram construídos sob uma ordem especial de D’us.

D’us anunciou a Moshê: "Minha Shechiná residirá entre os keruvim. Sempre que falar com você Minha voz emanará de lá."

Os keruvim nos dão uma lição sobre a proteção de D’us. A arca representa o estudo de Torá. D’us colocou anjos sobre a arca para demonstrar-nos que Seus anjos protegem aqueles que estudam a Torá.

As faces dos keruvim pareciam-se com a de duas crianças. Quando o povo judeu visitava o Templo Sagrado nas Festividades, a cortina divisória que cobria o Santo dos Santos ficava aberta. Podiam então ver os keruvim que se encontravam abraçados.

Dizia-se aos visitantes: "Vejam quão amados vocês são para o Todo-Poderoso!" Porém quando o povo de Israel não cumpria a vontade de D’us, as faces dos keruvim ficavam de costas uma para a outra.

O milagre dos keruvim que abraçavam-se mutuamente em sinal de aprovação Celestial, e viravam a face quando D’us ficava desgostoso com o povo judeu, provava ao povo a Providência Especial de D’us sobre eles. Esta visão, portanto, inspirava-os à teshuvá (arrependimento).

No momento da destruição do Templo Sagrado, quando os povos invadiram o Templo, encontraram, surpreendentemente, os keruvim abraçados um ao outro.

D’us estava, desta forma, demonstrando aos judeus que até a destruição foi motivada por Seu profundo amor por eles. Em Sua misericórdia, derramou Sua ira sobre paus e pedras, poupando assim o próprio povo da aniquilação.

Cada medida do Tabernáculo é importante

A Torá não somente descreve o Tabernáculo e seus objetos, mas também menciona o comprimento e largura de cada objeto.

A Torá enumera todas as medidas para nos ensinar que, já que todas as partes e objetos do Tabernáculo eram construídas exatamente segundo as medidas estipuladas por D’us, tinham uma santidade especial.

As medidas nos ensinam também várias lições importantes, por exemplo:

Todas as medidas da arca continham amot médias: o comprimento era de 2 1/2 amot, sua largura 1 1/2 amá, e a altura tinha 1 1/2 amá. Não tinha uma só medida de amot completa, enquanto que todos os demais objetos do Tabernáculo mediam amot completos.

A arca representa o estudioso de Torá. Um verdadeiro sábio nunca se orgulha de seus feitos, pois se sente incompleto; sabe que quanto mais estuda, tanto mais tem que estudar. Portanto, independentemente de quanta Torá tenha aprendido, é humilde. Para nos ensinar como deve comportar-se um erudito de Torá, D’us nos deu meias medidas para a arca, em sinal de que, mesmo depois de ter estudado muita Torá, estamos longe de conhecer a totalidade da Torá.

A mesa

Após a arca, D’us ordenou a Moshê; "Faça uma mesa, e ponha na seção côdesh do Tabernáculo. Sempre deve haver doze fornadas de pão sobre a mesa."

A mesa era feita de madeira e coberta de ouro. A borda superior estava magnificamente filetada a ouro. Duas varas de madeira recobertas de ouro passavam por aros de ambos lados da mesa. A mesa também possuía cinco prateleiras para acondicionar os pães.

Os pães da proposição

D’us instruiu Moshê: "Você deve colocar doze formas de pães sobre a mesa."

Estes pães têm o nome ‘Hapanim’ (faces) derivado do fato de que possuem "duas faces". Eram moldados em forma de uma matsá grossa e quadrada, com ambos extremos dobradas para cima.

Uma família de cohanim era encarregada de assar os pães. Assavam-nos em cada véspera de Shabat, em formas de ferro. Depois de assados, eram transferidos para moldes de ouro, e trazidos à mesa nestes. Eram então removidos do molde. Dois pães eram colocados diretamente sobre a mesa. Os outros dez eram colocados sobre cinco prateleiras sob a mesa, duas formas em cada prateleira.

D’us ordenou: "Que haja pães sobre a mesa constantemente!" A mesa nunca podia ficar vazia. Por conseguinte, os pães novos eram colocados antes dos velhos serem retirados. (Os pães permaneciam sobre a mesa mesmo quando a nação de Israel viajava.)

Os cohanim que estavam de turno no Tabernáculo comiam as fornadas velhas. Era difícil crer que este pão já tinha uma semana. Pois quando os pães eram retirados da mesa depois de uma semana, nunca estavam duros, rançosos ou mofados. Tinham o sabor de frescos como se tivessem acabado de sair do forno!

Sobre a mesa também se colocavam duas tigelas cheias de levoná (uma especiaria). Cada Shabat, antes que os cohanim comessem dos pães, as especiarias eram queimadas e desprendiam aromas deliciosos. Somente depois, era lhes permitido comer dos pães.

O que a mesa simbolizava

Quando D’us criou o mundo, trouxe o universo à existência a partir de um vácuo absoluto. Ou seja, criou algo do nada. Desde então, quando deseja realizar uma multiplicação miraculosa, Ele faz com que isto flua de algo já existente e não mais algo proveniente do nada.

A mesa era o meio através do qual a bênção dos alimentos fluía para o mundo inteiro. D’us, por isso, ordenou que esta jamais deveria ficar vazia, pois Sua bênção paira apenas numa matéria com substância.

Isto é ilustrado através do relato sobre o profeta Elishá, que disse a uma mulher pobre que ela deveria ter algo em casa sobre o qual a bênção de D’us pudesse pairar:

A viúva do profeta Ovadyá clamou a Elishá: "Meu marido morreu," disse-lhe, "e você sabe quão grande era seu temor a D’us. Foi forçado a emprestar dinheiro a juros; pois sustentava cem profetas que escondia em duas cavernas, para protegê-los da perseguição a que estavam expostos. Agora, seus credores vêm tomar meus dois filhos como escravos!"

"O que você tem em casa?" – perguntou-lhe Elishá.

"Não tenho nada, exceto uma jarra de óleo," replicou a mulher.

Elishá ordenou-lhe: "Vá e peça emprestado utensílios vazios de todos os vizinhos – muitos! Leve-os para casa e feche a porta, ficando em casa com seus dois filhos. Despeje desse óleo em cada recipiente, e separe os que estiverem cheios!" A mulher fez como Elishá instruíra. Os filhos trouxeram-lhe mais recipientes. Não importa o quanto despejasse, o óleo do recipiente original continuava fluindo. Encheu todos esses recipientes, e mandou seu filho trazer mais. "Não há mais recipientes!" – respondeu. Então o óleo parou de fluir. A mulher foi a Elishá e disse-lhe sobre o milagre. "Vá e venda o óleo," disse-lhe, "e pague seu débito. Você e seus filhos viverão do restante."

Ao recitar a bênção após as refeições, nunca deve-se deixar a mesa sem alimento algum, uma vez que a bênção de Cima não paira sobre uma mesa vazia.

Em outra manifestação mais visível deste milagre, o Talmud relata que um cohen que tivesse comido mesmo um pequeno pedaço do pão da proposição, sentir-se-ia totalmente satisfeito. O pão se tornava abençoado em suas entranhas.

Enquanto o Templo Sagrado existia, a mesa irradiava bênção para os alimentos da terra de Israel inteira. Mesmo quando o povo judeu semeava pouco, colhia enormes quantidades.

No Tabernáculo do deserto havia uma única mesa. O Rei Salomão colocou dez mesas no Templo Sagrado, pois havia recebido isto como tradição de Moshê.

No deserto, onde o povo de Israel era amplamente provido de alimento através da maná, precisava apenas de uma mesa. Em Israel, contudo, os judeus necessitavam de uma bênção maior para assegurar-lhes abundância. Por isso, D’us ordenou que fossem instaladas dez mesas no Templo Sagrado, para irradiar maior bênção às colheitas.

Como proceder agora que já não temos esta mesa

Hoje, não mais possuímos a mesa para trazer bênção sobre nosso alimento. Em seu lugar, a mesa na casa de cada um é sua fonte de bênção. Afortunado é o homem em cuja mesa encontram-se duas coisas: palavras de Torá e uma porção para o pobre.

Se uma pessoa conduz sua mesa dessa maneira, dois anjos aparecem ao final da refeição. Um exclama: "’Esta é a mesa posta perante D’us’. Que possa sempre desfrutar das bênçãos Celestiais!" O segundo anjo repete suas palavras e conclui: "Que possa esta mesa ser posta perante D’us neste mundo e no mundo vindouro!"

Ravá e o pobre homem "fino"

Quem dá de comer ao necessitado, não deve orgulhar-se achando que está tirando de suas posses para alimentá-lo. Na realidade, D’us é Quem provê a todos e Ele utiliza o indivíduo que pratica tsedacá (caridade) apenas como intermediário da Sua bondade.

Bateram à porta da casa de Ravá, um dos grandes Sábios. Um pobre estava de pé junto à porta, a mão estendida: "Dê-me algo de comer, por favor!" – suplicou. Ravá o convidou a entrar. "Serviremos comida logo," disse. "Que tipo de comida estás acostumado a comer?"

"Bem, como prato principal costumo comer galinha gorda, assada, e uma garrafa de vinho velho," respondeu o mendigo.

Ravá ficou surpreso: "Mas é comida fina", disse. "É cara. Não achas que fica mal desfrutar de comidas tão caras com dinheiro de caridade?"

O homem replicou: "Como a comida é de D’us, é Ele que usa as pessoas como Seus mensageiros para dar-me comida. D’us provê a todos no mundo do alimento que necessitam. Necessito uma galinha gorda e vinho velho para me manter saudável e bem, de modo que tenho direito de pedi-los."

Enquanto discutiam esta questão, bateram à porta. Entrou a irmã de Ravá. Não tinha visitado a casa do irmão pelos últimos treze anos. Trazia uma cesta para Ravá. Entregou-lhe a cesta, dizendo: "Trouxe-te um presente."

"Obrigado", disse Ravá, abrindo a cesta. Qual não foi sua surpresa ao ver que continha uma galinha assada, bem gorda, e uma garrafa de vinho velho!

Ravá virou-se para o mendigo e disse: "Devo-te desculpas. Esta comida foi claramente enviada a ti por D’us. Tinhas razão; D’us dá a cada um a comida que precisa. Tu confiaste n’Ele, e por isso Ele te enviou a comida. Senta-te e come."

Deste relato aprendemos que quando damos comida ou dinheiro a pessoas que necessitam, devemos considerarmo-nos os mensageiros de D’us, que distribuem Suas dádivas.

O candelabro

D’us ordenou a Moshê que colocasse uma menorá (candelabro) perto da mesa no Tabernáculo. Explicou a Moshê: "Será de ouro maciço e terá sete braços. Todos os braços terão três tipos de ornamentos:

• Taça

• Botão

• Flor

Toda a menorá, inclusive os ornamentos, deve ser feita de um bloco único de ouro sólido."

No alto de cada braço deveria haver uma lâmpada, um pequeno recipiente para conter o azeite e o pavio.

Moshê não sabia como fazer a menorá. D’us mostrou-lhe uma visão Celestial de uma menorá de fogo branco, vermelho, verde e preto. D’us também explicou-lhe sua construção. Não obstante, Moshê encontrou dificuldade em executar o comando de D’us.

Por isso, D’us disse a Moshê: "Tudo o que precisa fazer é atirar a barra de ouro no fogo. Dê-lhe um golpe com o martelo, e uma menorá pronta emergirá!" Moshê pegou um bloco de ouro, jogou-o no fogo e rezou: "Mestre do Universo! O ouro está no fogo! Faça com ele conforme Seu desejo!"

Imediatamente, uma menorá completa apareceu do fogo.

É assim que D’us tipicamente realiza milagres: primeiro, o Homem deve fazer o que pode, então D’us vem ajudá-lo. Similarmente, na abertura do Mar vermelho, D’us ordenou que Moshê abrisse as águas erguendo seu cajado. E foi apenas depois que Moshê o fez que D’us realizou o portentoso milagre. No Egito, e através dos anos, no deserto, Moshê realizou atos que resultaram em milagres. D’us é Quem realiza os milagres, porém Ele quer que o homem os inicie.

O milagre da luz do meio da menorá

Quando o cohen enchia as sete lâmpadas da menorá de azeite à tarde, vertia a mesma quantidade de azeite em cada uma. Na manhã seguinte, seis das luzes se haviam consumido, mas a luz do meio estava acesa. O cohen utilizava a luz do meio para acender as outras seis luzes. Então apagava a luz do meio e voltava a acendê-la. D’us milagrosamente mantinha constantemente acesa a luz do meio.

O que a menorá simbolizava

A menorá representava a sabedoria da Torá, que é comparada à luz.

Um judeu poderia crer que pode ser um fiel observante de mitsvot (preceitos), mesmo sem estudar Torá. Para ilustrar a falácia de tal raciocínio, Salomão comparou as mitsvot à luminárias. ("Pois a mitsvá é uma lamparina e a Torá é luz", Mishlê 6:23). Uma luminária não brilhará, a não ser que seja acesa. Similarmente, a pessoa não pode observar as mitsvot corretamente, a não ser que seu comportamento seja informado e iluminado pelo estudo da Torá. Àquele a quem falta conhecimento de Torá está fadado a tropeçar.

Um homem estava andando à noite num beco escuro e sombrio. Logo tropeçou numa pedra. Então caiu num poço aberto e teve diversas fraturas pelo corpo todo.

Somente aquele que estuda Torá porta uma brilhante luz que o alerta sobre os poços espirituais encontrados na jornada da vida.

É importante notar que a menorá ficava localizada fora dos Santo dos Santos. Isto demonstrava claramente que a arca e tudo que esta representa não requeriam luz. A Torá é sua própria luz.

A fim de obter ouro absolutamente puro para as menorot no Templo Sagrado, o Rei Salomão purificou o ouro mil vezes.

O Rei Salomão colocou dez menorot no Templo Sagrado, pois esta era a tradição que recebeu de Moshê. Havia, portanto, no total setenta lâmpadas no Templo Sagrado, pois cada menorá consistia de sete braços. Isto simbolizava que as setenta nações do mundo eram obrigadas a cumprir as Sete Leis de Nôach ordenadas por D’us à toda a humanidade.

O que aprendemos do fato que a Menorá foi talhada de um bloco sólido

Toda a menorá, inclusive os braços e adornos, era talhada de um grande bloco de ouro.

Isto nos sugere que todas as explicações da Torá dadas por todos os sábios de todas as gerações, estão contidas na Torá que D’us ensinou a Moshê. Não há nenhuma explicação que os sábios posteriores tenham transmitido que não esteja de alguma forma sugerida na Torá. Os sábios posteriores apenas revelaram o que se encontra na Torá. Para nos ensinar este conceito, D’us ordenou que todos os detalhes da menorá fossem talhados no mesmo bloco de ouro.

Mais ainda, a exigência de que a tão intricada menorá seja moldada de uma única pepita de ouro simbolizava a indivisibilidade da Torá. A vida judaica deve ser construída sobre um conjunto de valores. Não pode ser uma miscelânea de componentes e peças separadas, enxertadas juntas para servir à conveniência de qualquer um. Todas as áreas da vida devem derivar do mesmo conjunto de valores.

As tábuas que constituíam as paredes do Tabernáculo

As tábuas do Tabernáculo eram de madeira de acácia. Cada tábua foi folheada a ouro. Era cortada embaixo para encaixar-se em dois caixilhos de prata. As tábuas eram unidas por uma fileira superior e inferior de vigas transversais, que eram inseridas em anéis do lado exterior das paredes do Tabernáculo. Além disso, cada uma das tábuas superiores era conectada à seguinte através de um sistema de peças de madeira interconectáveis encaixando-se com perfeição. A parte inferior de cada viga se inseria em dois blocos de prata.

O que as vigas simbolizavam

Ao contrário das vigas normais de construções, que são deitadas horizontalmente, estas tábuas ficavam de pé sobre o solo verticalmente. Esta posição – alcançando, como se fosse, o alto, da terra em direção aos céu – simboliza o objetivo espiritual do homem, unir os reinos terreno e celestial, sua natureza inferior com seus mais elevados potenciais e aspirações.

O versículo descreve a posição das tábuas como permanecendo eretos. Os sábios interpretam este termo como sendo um símbolo da continuidade e uma garantia da sobrevivência judaica nas épocas mais difíceis. Apesar de nos parecer que a esperança de retornar à glória do passado findou, a Torá declara: "Madeira de acácia permanecendo ereta – eles permanecerão para sempre!"

As tábuas também eram unidas através de uma viga central que corria horizontalmente através de orifícios entalhados no centro das tábuas. A viga central unia e suportava miraculosamente toda a estrutura do Tabernáculo. Simboliza Mashiach que unirá todas as nações do mundo.

As paredes do Tabernáculo nunca se perderam

Chegou um momento em que as vigas, varas e blocos de prata do Tabernáculo não eram mais necessários. Isto aconteceu quando o Rei Salomão construiu o Templo Sagrado, cerca de quinhentos anos após o Tabernáculo ser erigido no deserto. Então, o que Salomão fez com as partes do Tabernáculo?

Nenhuma parte do Tabernáculo foi jogada fora. Todas as vigas e outras partes foram escondidas por Salomão no Templo Sagrado. Cada uma das partes era sagrada, pois havia sido confeccionada e doada por justos.

As coberturas do Tabernáculo

A cobertura superior do Tabernáculo consistia de diversas camadas de tapeçaria. Essas não apenas formavam o telhado, mas também desciam pelos lados.

A camada interior da tapeçaria, que compreendia o teto do Tabernáculo era de lã azul-celeste, de beleza estonteante. Era composta de dez peças costuradas entre si e formando dois grupos de cinco. Eram magníficas obras de arte, com figuras de leões e águias tecidas com fios multicolores. Se alguém olhasse para o teto do Tabernáculo, parecia que estava olhando para o céu. Como os dois grupos de cinco eram unidos por meio de laços e ganchos de ouro, quando se olhava para o teto, parecia também que havia estrelas brilhando.

A camada acima das cortinas azuis-celeste consistia de cortinas feitas de lanugem de cabra. D’us ordenou que as maravilhosas tapeçarias azuis-celeste fossem cobertas por uma camada de lanugem de cabra, a fim de nos ensinar uma lição. Devem tratar seus objetos de valor com cuidado a fim de evitar que se estraguem.

Parte desta lanugem caía sobre a entrada do Tabernáculo, de modo que a entrada parecia uma noiva cujo rosto estava coberto com um véu.

As cortinas de lanugem de cabra eram cobertas por mais uma tapeçaria, uma combinação de peles de carneiros tingidas de vermelhos e peles multicolores de tachash (unicórnio).

O que a cobertura simbolizava

Cobrindo as paredes e o espaço aéreo do edifício, a cobertura unificava tudo que havia dentro do Tabernáculo; significando que a arca, a mesa, a menorá e o altar não eram utensílios distintos e não-correlacionados, cada qual realizando sua tarefa separada. Eram, sim, partes de um todo unificado.

De fato, isto representa a filosofia da Torá na vida judaica: estudos, orações, negócios, e assim por diante não giram em órbitas separadas, mas trabalham juntos em direção a um único objetivo espiritual.

O altar de cobre para sacrifícios

D’us ordenou a Moshê: "Farás um altar de madeira de acácia. Deve ser quadrado".

Os sacrifícios eram oferecidos sobre este altar. Por isso era chamado do altar de sacrifícios de Olá. Também era denominado de:

• O Altar de Cobre – pois era recoberto de cobre.

• O Altar da Terra – pois era construído sendo oco por dentro, e devia ser enchido de terra sempre que o povo de Israel acampava.

• O Altar Exterior – pois estava localizado no pátio do Tabernáculo.

Dois traços decorativos circundavam o altar. Um era uma renda de cobre atada à este; e outro era uma borda entalhada na parede do altar. A renda dividia o altar ao meio, sendo primordial para seu funcionamento: pois sangue de algumas oferendas devia ser colocado na metade inferior do altar, enquanto o de outras, na metade superior.

Os milagres do altar

D’us ordenou a Moshê: "Um fogo deve arder sobre o altar constantemente!"

"Mestre do Universo," objetou Moshê, "o fogo não derreterá a camada de cobre, e então queimará o altar, que é feito de madeira?"

"Estas regras podem ser verdadeiras no mundo físico," respondeu-lhe D’us, "Mas não se aplicam em Meu reino. Reflita, nas esferas Celestiais, os anjos de fogo vivem na proximidade dos depósitos de neve e granizo. Contudo, nenhum prejudica o outro. Enquanto você estava no Céu, andou através de compartimentos de fogo, e Minhas Hostes Celestes queriam te queimar, e não obstante você nem se chamuscou. Eu lhe asseguro que, apesar do fogo constante, o altar não será afetado."

Havia ainda mais dois milagres que ocorriam em relação ao altar. Apesar de estar localizado no pátio do Tabernáculo, a céu aberto, a chuva nunca extinguiu seu fogo. Além disso, a coluna de fumaça que se despreendia dele subia aos Céus na forma de uma coluna perfeitamente ereta e não era dispersada pelo vento.

O que o altar simbolizava

O propósito do altar (mizbêach, em hebraico) está indicado em suas iniciais. Concede ao povo judeu:

M – Mechilá – perdão

Z – Zechut – mérito

B – Berachá – bênção

CH – Chayim – vida

O Templo Sagrado em Jerusalém ficava no Monte Moriyá. D’us fez com que o Altar de Cobre, ficasse num local muito especial sobre aquela montanha. Foi construído exatamente no mesmo local do qual D’us pegou terra com a qual criou o primeiro homem, Adão; onde a humanidade ofereceu seus primeiros sacrifícios através de Caim e Abel (filhos de Adão); onde Nôach (Noé) construiu um altar após o Dilúvio; e onde Avraham atou Yitschac com intenção de sacrificar seu filho ao Todo-Poderoso.

Porque o Tabernáculo continha tantos materiais preciosos

D’us ordenou ao povo judeu que fizesse o Tabernáculo utilizando ouro, prata e outros materiais preciosos, certamente não por necessitar de um lugar suntuoso.

Na realidade, Ele desejava que o Tabernáculo brilhasse por duas razões:

1 – Para que todo judeu que entrasse no Tabernáculo se impressionasse com a magnífica beleza. Assim, se comportaria respeitosamente e compreenderia que neste lugar sagrado morava a Shechiná.

2 – Para que os não-judeus sentissem um grande respeito pelos judeus quando ficassem sabendo do Tabernáculo que os judeus haviam construído. Pensariam: "Os judeus eram escravos no Egito, mas agora são muito ricos. Tiveram ouro e prata suficientes para construir uma morada maravilhosa. Também devem ter entre eles homens sábios e melhores artistas que qualquer outro povo, pois do contrário, como poderiam ter feito os objetos complexos do Tabernáculo e seus intricados desenhos?"

Atualmente, quando não possuímos o Tabernáculo nem o Templo Sagrado, devemos manter esta reverência em nossas sinagogas.

 

Fonte: http://www.chabad.org.br/

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Uma resposta para Leitura da Torá: Porção Semanal: Parashá Terumá (28/02)

  1. Maria dos Santos Coutinho Costa disse:

    Olá! meu nome é Maria. Lí alguns desses artigos, achei-os maravilhosos! não sou judia, sou cristã evangélica. Amo profundamente ao Senhor e tudo o que lhes diz respeito. amo Isreal com todo o seu povo, amo-os de todo o meu coração. ás vezes, sinto como se eu fosse um deles. Obrigada pelos artigos!

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