Leitura da Torá:Leitura da Torá: Porção Semanal: Parashá Mishpatim – (21/02) – continuação

Algumas leis aplicáveis à juízes, testemunhas e réus

• Um juiz está proibido de escutar os argumentos de um litigante se o outro estiver ausente. Ambos precisam estar presentes ao mesmo tempo. Assim, se uma parte disser algo errado, a outra parte está ali para contradizê-lo.

• O tribunal pode não aceitar o testemunho de um perverso. Os juízes não podem aceitar como testemunha um judeu que cometeu um pecado pelo qual poderia ser condenado à morte. Também não se aceita uma testemunha que cometeu um pecado pelo qual poderia ser açoitado. Também não são aptas a testemunharem pessoas que permitem que seu gado paste nos campos dos outros, e um apostador profissional.

• O veredicto é pronunciado de acordo com o voto majoritário dos juízes.

Um não-judeu perguntou a Rabi Yehoshua ben Carcha: "Sua Torá não lhe ordena a seguir a maioria? Nós, idólatras, ultrapassamos em muito o número de judeus. Vocês não são, então, obrigados a juntarem-se a nós?"

"Você tem filhos?" – indagou Rabi Yehoshua.

"Tenho," respondeu o não-judeu. "Você tocou num ponto sensível, lembrando-me de meus problemas."

"Por quê?" – perguntou Rabi Yehoshua.

"Nunca desfrutamos de uma única refeição em paz," replicou o não-judeu. "Quando nos sentamos para comer, um filho declara que seu deus deve ser abençoado, enquanto outro clama que deve-se reverência à sua divindade. Ao fim da refeição, todos estão machucados por causa da briga. Um tem hematomas roxos na testa, e o queixo de outro está ferido."

"Por que você não promove a paz entre eles?" – perguntou Rabi Yehoshua, "e decide que deus devem adorar?"

"Sou impotente nesse assunto," admitiu o não-judeu.

"Você vê," declarou Rabi Yehoshua, "que vocês não são maioria, pois discordam entre si sobre que deus devem adorar."

• A fim de garantir que os votos não sejam divididos em duas partes iguais, o número de juízes indicados para o tribunal deve ser sempre ímpar.

Para decidir um caso relativo a dinheiro, o tribunal deve ser sempre integrado por pelo menos três indivíduos.

Para decidir um caso de vida ou morte, o tribunal deve ser de pelo menos vinte e três juízes. Para condenar à morte o acusado, o voto da maioria não é suficiente. Deve haver uma maioria de pelo menos dois votos. Portanto, a pena capital só é aplicada se treze juízes considerarem o réu culpado.

• Para absolvição, contudo, o voto majoritário por um é suficiente.

• Um juiz não pode basear sua opinião sobre a de um juiz maior, ou sobre a da maioria dos juízes, raciocinando: "Sua conclusão com certeza está certa." Exige-se de cada juiz que esclareça o caso em sua mente e decida verdadeiramente, mesmo se sua conclusão será oposta ao ponto de vista da maioria. Se perder então a votação, não será responsável pelos resultados.

A advertência de não mentir

"Afaste-se de uma mentira!"

Este mandamento é direcionado a cada judeu. Adverte-o para que evite envolver-se em qualquer mentira ou fraude, pois "O Selo de D’us é a Verdade."

Há uma advertência geral para que um juiz evite o que quer que possa distorcer a veracidade do julgamento. Algumas implicações disto são:

1. Um juiz que percebe que errou não deve tentar procurar provas para substanciar sua sentença prévia, a fim de não admitir seu erro.

2. Se um juiz ou testemunha está ciente de que um de seus colegas é desonesto, deve recusar lidar com um caso junto com ele, mesmo se for conduzido de acordo com a lei.

Se o juiz tiver a impressão de que a testemunha está mentindo, mesmo se não conseguir provar, deve retirar-se do processo, preferencialmente a decretar o veredicto. Que não diga: "Não é minha responsabilidade – a testemunha carregará a culpa."

3. Se um dos litigantes comparecer ao tribunal vestido elegantemente e o outro em andrajos, deve-se ordenar que ambos vistam o mesmo tipo de trajes no tribunal, a fim de não distorcerem a objetividade do juiz.

Um relato: O conselho de Rabi Shimon

Certa vez um jovem se apresentou perante o grande Sábio Rabi Shimon e lhe disse tristemente: "Rabi, não sei o que fazer. Desejo tanto ser um bom judeu e observar as mitsvot, mas meu mau instinto sempre ganha. Acabo cometendo muitos pecados. Especialmente quando vejo algo valioso e ninguém está olhando, não posso dominar-me e rapidamente o pego. Como posso melhorar?"

Shimon ben Shetach escutou o jovem e viu que ele queria seriamente ser uma pessoa melhor.

Respondeu: "Promete-me observar uma coisa, e te salvarás de todos os pecados."

"O que devo observar?" – perguntou o jovem.

"Nunca mentir. Nunca; não importa a causa."

"Posso prometer que o farei", respondeu o jovem, "mas como me ajudará a superar meu mau instinto?"

"Você verá", respondeu Rabi Shimon. "Agora jura que nunca dirás uma mentira, mesmo que te seja muito difícil." O jovem jurou e se foi.

Pouco depois o rapaz observou que o vizinho saía de casa e deixava uma janela aberta. Foi fácil para ele entrar na casa enquanto ninguém olhava. Logo achou objetos valiosos. Havia um vaso dourado, e em um armário encontrou taças e candelabros de prata legítima. O jovem colocou todos os objetos de valor numa bolsa, assegurou-se de que a rua estava vazia, subiu na janela e saiu.

Sentia-se contente. Seu roubo nunca seria descoberto. Se o vizinho voltasse e lhe perguntasse: "Viste alguém na minha casa na minha ausência?" – lhe responderia: "Não, não vi…" Mas… Isto seria uma mentira. Não podia responder assim, pois havia jurado a Shimon ben Shetach de que nunca diria uma mentira! Pensou: "O que vou dizer se a polícia me interrogar? Não posso negar o roubo, pois estarei mentindo."

Caladamente, pegou o vaso, as taças e candelabros e os pôs na bolsa. Saiu e devolveu tudo ao vizinho, deixando tudo no lugar exato. Logo saiu.

Em pouco tempo, o vizinho chegou e saudou o jovem. Logo, este sentiu-se profundamente envergonhado do que fizera e aliviado por haver devolvido.

"O conselho de Shimon ben Shetach foi bom," pensou. "Ao dizer somente a verdade, salvei-me de pecar."

O tribunal não pode matar alguém que é inocente

O tribunal é advertido:

"Não mate o inocente e o virtuoso!"

Na prática, isto significa:

Se o tribunal declarou que alguém deve ser sentenciado à morte, e subseqüentemente alguém expuser novos argumentos a seu favor, ou mesmo se o próprio réu sugerir algum argumento em sua defesa, seu caso é reaberto – mesmo se já tiver sido levado ao local da execução. O caso será revisado tantas vezes quanto forem levantados argumentos substanciais.

Contudo, se uma pessoa é absolvida no tribunal, seu caso não é reaberto, mesmo se forem encontradas novas provas de sua culpa.

É proibido executar um julgamento com base em provas circunstanciais, mesmo se a prova é clara, sem sombra de dúvidas. O julgamento da Torá deve ser administrado baseando-se apenas sobre provas de duas testemunhas oculares, que presenciaram o fato em primeira mão.

Rabi Shimon ben Shetach relatou: "Certa vez percebi um homem perseguindo outro. Segui-os e entrei numa ruína um momento depois deles terem lá chegado. Quando cheguei, vi um homem que jazia morto no chão. O outro estava de pé a seu lado, segurando uma faca manchada de sangue, da qual o sangue fresco ainda pingava.

"Perverso!" – disse-lhe. "Sei que você é o assassino do que aqui jaz. Não obstante, não posso condená-lo, pois não há duas testemunhas que realmente presenciaram o assassinato. Que Ele, perante Quem todos os assuntos ocultos são revelados, vingue a vítima!"

Rabi Shimon ben Shetach ainda não deixara as ruínas quando o assassino pereceu. Uma cobra saiu de um buraco, picando-o fatalmente.

D’us garante aos juízes que não precisam temer que um culpado escape à justiça, num caso em que a punição não é administrada por falta de testemunhas, ou outras razões fora de seu controle. "Pois," disse D’us, "Eu não absolverei o iníquo. (Shemot 23:7). Tenho muitos mensageiros para trazer a punição sobre quem a merece."

É proibido aceitar qualquer espécie de suborno

A Torá adverte o juiz: "Não aceite suborno!"

É proibido a um juiz aceitar um presente de um dos litigantes. Deve recusar, mesmo se o presente foi dado com o entendimento de que deve julgar com veracidade, e mesmo se tem a firme intenção de julgar o caso corretamente, a despeito do presente. Suborno, além de presentes tangíveis, inclui qualquer tipo de favor ou palavras gentis que o juiz receba de uma das partes.

Nossos Sábios eram extremamente cautelosos em não julgarem em tribunais onde suspeitavam que poderia ter havido desvios. Isto é ilustrado pelos seguintes exemplos:

Quando o Sábio Shemuel atravessou a ponte de um rio, recebeu ajuda de um transeunte. Shemuel indagou sobre o bem estar do homem, que informou-o que estava indo ao tribunal para uma audiência. "Não posso ser seu juiz," decidiu Shemuel imediatamente, "Pois você me ajudou."

Rabi Yishmael ben Yosse empregou um arrendatário que costumava trazer-lhe uma cesta de frutas de seu (de Rabi Yishmael) pomar toda sexta-feira. Certa vez, ele presenteou-o com a cesta na quinta-feira.

"Por que está me trazendo as frutas hoje?" – indagou Rabi Yishmael.

"Tenho uma audiência judicial amanhã," explicou o arrendatário.

Rabi Yishmael não aceitou a cesta de frutas; não obstante recusou-se a ser juiz neste caso, dizendo: "Não sou apto a ser seu juiz." Designou outro Sábio para lidar com o caso.

No dia seguinte, aconteceu de Rabi Yishmael estar passando ao lado do tribunal durante o desenrolar do processo. Entreouviu os argumentos que o arrendatário apresentou, e pensou: "Ele deveria ter argumentado de maneira diferente para vencer o caso!" De repente, percebeu que, em sua mente, favoreceu seu arrendatário sobre o outro litigante, e preocupava-se que seu arrendatário vencesse.

"Amaldiçoado aquele que aceita suborno!" – exclamou. "Nunca aceitei a cesta de frutas de meu arrendatário. Mesmo se tivesse aceito, eram frutas que me pertenciam. Não obstante, o suborno sugerido influenciou meus pensamentos a seu favor. Se alguém realmente aceita suborno e executa um julgamento, quão mais distorcido será seu julgamento!"

A natureza do suborno é que faz com que o juiz se identifique com o corrupto.

Esta afirmação é a prova da necessidade de consultar um sábio e estudioso da Torá para decidir os problemas da vida. O intelecto de uma pessoa é invariavelmente cegado por seus desejos. Ele é, portanto, incapaz de julgar objetivamente assuntos quando esses lhe dizem respeito.

A proibição de misturar carne com leite

D’us ordena o povo judeu (Shemot 23:19): "Não cozinharás um bezerro no leite de sua mãe."

Estas palavras são reiteradas em três diferentes locais na Torá, indicando três proibições diferentes sobre o assunto:

• É proibido comer uma mistura cozida de carne e leite.

• Não se pode tirar nenhum benefício de tais misturas, como presentear ou vender a comida a um não-judeu.

• Carne e leite não podem nem ser cozidos juntos (mesmo quando não há intenção de ingeri-los).

Moshê disse a D’us: "Estou desconcertado! Tu instruíste-me a escrever na Torá ‘Não cozinharás o bezerro no leite de sua mãe’. Contudo, oralmente Tu me explicaste que também é proibido comer os dois juntos! Permite-me escrever na Torá: ‘Não comerás mistura de carne com leite!’" D’us respondeu: "Escreva como Eu disse, não mude Minhas palavras!"

Moshê insistiu: "Não seria possível que no decurso de seu longo exílio os Filhos de Israel possam esquecer a Explicação Oral da Torá?"

D’us respondeu: "Selei um pacto com eles, que garante que a Torá Oral jamais será esquecida por seus descendentes!"

Por que D’us nos proibiu comer leite e carne juntos? Esta lei da Torá recebe o nome de "choc", uma lei cuja razão não nos foi dada por D’us.

Apesar do povo judeu não entender o preceito de não misturar carne com leite, todos aceitaram com perfeita fé, sem perguntar nem questionar.

D’us prediz a Moshê que um anjo irá conduzi-los

D’us revelou a Moshê que o povo judeu pecará, no futuro. (Ele referia-Se ao futuro incidente com o bezerro de ouro). Por isso a Shechiná (Divindade) não continuaria a conduzi-los. Em seu lugar, Ele enviará um anjo à frente do acampamento.

"Se vocês forem merecedores," disse D’us, "Eu Mesmo os guiarei, mas por causa de seu (futuro) pecado, Eu lhes enviarei Meu mensageiro, um anjo, que leva Meu Nome. Guardem-se de se rebelarem contra ele, pois é apenas um mensageiro, desprovido de poder para perdoar seus pecados como Eu faço!"

Após o pecado do bezerro de ouro, D’us queria cumprir Suas palavras e enviou um anjo à frente deles. Moshê, no entanto, protestou, dizendo: "A não ser que Tu nos guie pessoalmente, não partiremos daqui!"

Pelo mérito da grandeza de Moshê, D’us concordou. Enquanto Moshê estava vivo, D’us mesmo guiou o acampamento dos Filhos de Israel.

Depois, D’us enviou o mesmo anjo que Moshê recusara-se a aceitar para ajudar Yehoshua na conquista de Israel. Yehoshua aceitou-o de bom grado. O nível espiritual de Yehoshua era bem inferior ao de Moshê, e por isso concordou feliz em ser guiado por um anjo.

D’us também predisse a Moshê que quando os judeus entrassem na Terra, os habitantes de Canaã ficariam tão amedrontados que não ousariam opor-se a eles. Ele prometeu a Moshê ajudá-lo a derrotar os poderosos reis emoritas Sichon e Og enviando uma tsir’á (espécie de vespa) na frente do povo de Israel, que cegaria os inimigos e injetaria um veneno mortal em seus corpos. Permanecendo na margem leste do Jordão, a tsir’á também espirraria veneno sobre as nações de Canaã.

Outros eventos que tiveram lugar antes da Outorga da Torá

No final da parashá de Mishpatim, a Torá relata eventos que, na verdade, ocorreram nos dias que precederam a Outorga da Torá.

No quarto dia da semana antes da outorga da Torá, D’us ordenou que Moshê, Aharon, os dois filhos de Aharon, Nadav e Avihu, e os setenta anciãos deveriam subir a montanha e prostrarem-se perante a Shechiná. D’us disse a Moshê que cada qual poderia subir apenas até certo limite pré-estabelecido.

Quando os anciãos ouviram a ordem de D’us, reclamaram. Ressentiram-se de não terem recebido permissão de entrar no compartimento mais íntimo de D’us, como Moshê.

Isso se deve ao seguinte fato. Quando D’us disse no Egito "Vá e fale com o Faraó", apenas Moshê e Aharon obedeceram e entraram no palácio real. Os anciãos ficaram para trás. Uma vez que não entraram no palácio de um rei humano, também não deveria lhes ser concedido o direito de entrar no Palácio do Rei dos reis. Não obstante, Aharon não podia subir ao cume da montanha, em respeito aos anciãos. E por esta razão, permaneceu com eles.

Naquele dia, Moshê voltou ao povo e explicou o mandamento de D’us, que deveriam permanecer dentro dos limites estabelecidos ao redor do Monte Sinai. Também instruiu-os sobre as mitsvot que foram ordenadas em Mará, que eram as leis de Shabat, honrar os pais, e parte dos mishpatim. Ao ouvirem seus ensinamentos, o povo exclamou: "O que D’us disser, faremos!"

Naquele dia, Moshê também escreveu a Torá, desde Bereshit até a Outorga da Torá.

O quinto dia da semana que precedeu a Outorga da Torá foi um dia repleto de eventos. Moshê levantou-se cedo para construir um altar aos pés da montanha, e para erguer doze monumentos para as Doze Tribos de Israel. Ordenou ao povo que imergisse na micvê. Os primogênitos ofereceram sacrifícios a D’us sobre o altar. Moshê aspergiu o povo com metade do sangue destinado a este fim, dizendo: "Através disto vocês entram numa aliança com D’us. Se vocês mantiverem Sua aliança, suas vidas estarão protegidas." A outra metade do sangue foi aspergida sobre o altar, para expiar pelos pecados do Povo de Israel.

Moshê leu para o povo a Torá, de Bereshit até a Outorga da Torá, que havia registrado de acordo com o que D’us lhe ditou.

O povo ouviu e exclamou em uníssono: "Faremos e ouviremos. Cumpriremos e obedeceremos todos os Mandamentos da Torá, apesar de ainda não os termos escutado; ambos, os preceitos negativos e os positivos."

Uma voz celestial proclamou: "Quem revelou a Meus filhos o segredo de pronunciarem ‘faremos’ antes de ‘ouviremos’, uma expressão que é da linguagem dos anjos?"

Moshê ascende ao Céu para receber as Tábuas da Lei

Depois que o povo judeu ouviu todos os Dez Mandamentos, D’us ordenou a Moshê para ascender a montanha: "Dar-te-ei duas tábuas de pedra preciosa de safira, sobre as quais estão escritos os Dez mandamentos que contém a essência de todas as 613 mitsvot da Torá".

Moshê deu instruções para que, em sua ausência, o povo deveria obedecer Aharon, os anciãos, e Chur, filho de Miriam, que foi nomeado como responsável. Disse ao povo que voltaria em quarenta dias, e implorou-lhes: "Por favor, orem e jejuem por mim! Estou prestes a entrar no acampamento dos anjos, e ascender à abóbada dos seres de fogo celestiais de D’us. Implorem misericórdia de D’us, para que eu retorne em paz!"

No dia sete de Sivan, Moshê e seu pupilo Yehoshua começaram a ascender a montanha juntos. Yehoshua armou sua tenda no sopé da montanha, e não deixou o local por quarenta dias, enquanto esperava a volta de seu mestre. Por um milagre especial, a maná desceu lá especialmente para ele, a fim de sustentá-lo.

Moshê subiu ao topo da montanha e ficou coberto pela Nuvem por seis dias. Este foi um período preparatório para purificar seu corpo, de modo que ficasse parecido com um dos anjos. Então pôde ascender ao Céu, adentrando os círculos da Shechiná.

Moshê penetrou a escuridão da Nuvem, e foi admitido no Acampamento Celestial. Temendo por sua vida, Moshê recitava o capítulo de Tehilim que protege uma pessoa contra poderes danosos, o salmo 91: "Aquele que habita no local secreto do mais Elevado… Não temerás o terror à noite, nem a flecha que voa de dia."

A permanência de Moshê nos Céus

Moshê permaneceu no céu quarenta dias e quarenta noites, aprendendo toda a Torá Escrita e a Torá Oral. Durante este período, ele sabia da passagem do dia e da noite apenas pelo sol e pela lua. Quando via o sol subindo para prostrar-se diante de D’us dizendo: "Senhor do mundo, fiz o que ordenaste", ele sabia que mais um dia se passara e a noite chegara.

D’us então ensinava Mishná, a Torá Oral, a Moshê. Quando a lua surgia diante de D’us, prostrando-se e dizendo: "Fiz o que me ordenaste, meu D’us", Moshê sabia que a noite terminara e o dia começara. D’us então ensinava a Moshê o texto, a Torá Escrita.

Moshê tinha um sinal adicional que lhe indicava as horas da noite. Quando via os anjos preparando a maná que os judeus comeriam no dia seguinte lá embaixo no deserto, ele sabia que era dia. Quando a maná caía, ele sabia que era noite na terra.

(Mais detalhes referentes ao estudo da Torá de Moshê no Céu estão escritas na parashá de Ki Tissá).

Moshê vê o futuro

Durante a estada de Moshê, foram-lhe mostrados todos os grandes líderes judeus de cada geração. Ele viu os juízes, os profetas e os reis que serviriam aos judeus até o final dos tempos.

Enquanto estava no céu, Moshê também viu D’us sentado em Seu trono poderoso e exaltado, acrescentando coroas às letras da Torá. Ele pediu a D’us que explicasse a razão para estes adornos e foi lhe dito: "Daqui a muitos anos nascerá um grande tsadic com o nome de Akiva, filho de Yossef, que revelará muitos segredos ocultos da Torá. Ele saberá derivar leis e pensamentos da Torá de cada cabeça e coroa que estou acrescentando agora às letras.

Moshê implorou que lhe fosse mostrado este justo. D’us mostrou-lhe um edifício que abrigava muitos discípulos sentados em filas. À sua frente estava sentado um homem que parecia um anjo celestial. Moshê aproximou-se dos homens, mas não conseguia entender o que diziam, o que o entristeceu.

Neste momento, ouviu um dos alunos perguntar ao professor como ele sabia tudo o que estivera lhes ensinando. O homem de aparência angelical respondeu: "Tudo que estou ensinando e inovando na Torá é uma transmissão direta daquilo que Moshê, filho de Amram, recebeu no Monte Sinai."

Moshê foi então consolado por estas palavras e perguntou a D’us: "Se pretendes criar uma pessoa tão elevada, por que não concedeste a ele o privilégio de levar a Torá aos judeus?"

D’us respondeu: "Porque você foi tão modesto, pensando que Rabi Akiva é mais digno do que você de transmitir a Torá aos judeus, aumentei sua sabedoria e conhecimento, pois Eu o escolhi especialmente para levar a Torá a Meus filhos."

Nesse momento, D’us abriu os cinqüenta portões da sabedoria, permitindo que Moshê passasse por quarenta e nove deles. A sabedoria de Moshê era tão grande que nenhuma outra pessoa no mundo poderia comparar-se a ele, nem no passado nem no futuro.

Os julgamentos de D’us são justos

Moshê perguntou a D’us: "Juiz do mundo, por que de fato o justo sofre enquanto o pecador prospera? Sei que todos os Seus atos são justos, mas nós mortais nem sempre os entendemos. Portanto, suplico-lhe que explique Seu método de julgamento, para que eu possa contá-lo aos outros, convencendo-os de Sua justiça e provando-a no mundo." D’us concordou e prometeu mostrar a Moshê uma cena que nenhum homem tivera antes o privilégio de testemunhar, para que ele pudesse entender e lembrar que os julgamentos de D’us são sempre justos.

Moshê viu então um homem se aproximando de um pequeno riacho que corria montanha abaixo. Ia montado a cavalo, mas assim que alcançou a margem ele desmontou e ajoelhou-se para beber um pouco de água. Neste momento, um maço de dinheiro caiu de seu bolso sem que ele notasse. Depois de dar de beber ao cavalo, montou novamente e seguiu seu caminho. Pouco depois, um jovem pastor chegou ao mesmo riacho. Vendo o maço, apanhou-o e colocou-o no bolso, alegrando-se e a agradecendo a D’us pela boa sorte. Agora não precisaria mais continuar trabalhando como pastor e poderia viver com a mãe. Conseguiria comprar uma casa e um campo com aquele dinheiro. Grato, o rapaz prosseguiu seu caminho.

Um homem velho chegou logo depois, sentou-se ao lado do riacho, tirou um pedaço de pão seco da mochila, mergulhou na água, comeu e adormeceu.

Tendo dado conta de sua perda, o cavaleiro retornou para procurar o dinheiro. Agarrou o velho pelo ombro e sacudiu-o violentamente para acordá-lo, exigindo que devolvesse o dinheiro. O velho, que nada sabia a respeito da bolsa perdida, tentou em vão explicar que não roubara nenhum dinheiro. Mas o cavaleiro não acreditou nele e o espancou impiedosamente até a morte. Em seguida, revistou as coisas do velho, mas não encontrou o dinheiro na mochila e simplesmente seguiu o seu caminho.

Extremamente confuso, Moshê voltou-se para D’us e perguntou: "É assim a justiça? Acabo de ver um velho inocente ser brutalmente espancado até a morte. Vi um homem perder seu dinheiro e outra pessoa, um rapaz, encontrá-lo e tornar-se rico sem nenhum motivo aparente." D’us disse a Moshê que continuasse assistindo antes de julgar. Na cena seguinte, tudo ficaria claro.

Então ele viu um fazendeiro manco com um menino pequeno ao seu lado. Um velho de repente se aproximou do fazendeiro e lançou-se sobre ele, matando-o e roubando o seu dinheiro. Enquanto isso acontecia, o mesmo cavaleiro da cena anterior por acaso passava por ali. D’us explicou: "O velho que foi assassinado à margem do riacho sem nenhuma razão aparente era o mesmo homem que matou o fazendeiro de forma tão cruel e lhe roubou o dinheiro. Portanto, ele realmente merecia a morte. O cavaleiro, que viu o velho cometendo o ato perverso e nada fez para impedi-lo, perdeu o dinheiro que não lhe pertencia mas fora roubado do fazendeiro e depois perdido pelo assassino. Finalmente, o menino que achou o maço de dinheiro era o filho do fazendeiro, cujo pai fora assassinado e roubado."

Desta maneira, D’us concede a Moshê um lampejo na absoluta Justiça de Seus caminhos.

Moshê percebeu que os julgamentos de D’us são verdadeiros, ainda que não entendamos o que vemos, ainda que pensemos que não há justiça no mundo, porque vemos pessoas más que não sofrem, ao contrário, progridem na vida, enquanto os justos que praticam o bem e são generosos sofrem na pobreza, passando necessidade, doença e problemas. Deve-se sempre ter em mente, porém, que tudo que acontece é obra da Providência Divina, exatamente como os destinos do assassino que Moshê viu sendo morto por outro, do ladrão perdendo seu dinheiro e do pequeno órfão encontrando o dinheiro que pertencera a seu pai.

Vendo tudo isto, Moshê declarou diante de todos os anjos: "D’us é o D’us da Verdade sem injustiça; Ele é justo e correto."

 

Fonte: http://www.chabad.org.br/

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