Leitura da Torá: Porção Semanal: Parashá Beshalach (13/02)

 
 

 
Beshalach
 
Êxodo 13:17-17:16

 

O povo judeu é libertado do Egito e D’us os conduz pelo deserto, não pelo caminho mais curto que cruza a terra dos filisteus, mas pelo mais longo para que não tivessem que lutar contra inimigos imediatamente, e desta forma desejarem retornar ao Egito, arrependidos e amedrontados de terem que enfrentar a imprevisível jornada.D’us os protegia través de nuvens durante o dia andavam à sua frente e uma coluna de fogo para iluminar o caminho à noite. O faraó arrepende-se de ter enviado o povo judeu em liberdade e segue à frente de seu exército a fim de persegui-los e aniquilá-los. O povo reclama a Moshê porque ele os tirou do Egito? Para perecerem agora no deserto?

Moshê fala que nada devem temer. D’us comanda a Moshê que levante a vara e fenda o mar. Ocorre im grnde milagre e as águas do Yam Suf abrem caminho seco no meio do mar, formando paredes imensas em ambos lados, totalizando doze caminhos por onde passam as doze tribos. E as águas se fecharam castigando e trazendo a morte sobre os egípcios. O povo judeu faz a travessia do Mar Vermelho cantando canções para D’us, enaltecendo Sua grandeza. O Shabat da porção da Torá de Beshalach é conhecido também como Shabat Shirá. E Miriam apanha um pandeiro e as mulheres saem atrás dela dançando.

Após a travessia o povo judeu não encontra água por três dias, apenas águas amargas em Mará. D’us realiza novamente um milagre transformando as águas amargas em potável.

O povo continua reclamando, desta vez é por fome, D’us então envia alimento dos céus, o maná, na exata porção para cada um, sem sobras e sem poder ser guardado ou armazenado, pois apodrecia. Apenas Erev Shabat o maná caia em porções duplas e estes deveriam ser guardados para o dia seguinte, pois era Shabat. Moshê reserva um man em um frasco a mando de D’us para ser descoberto por gerações futuras como testemunho da grandeza do Criador. E após recomeçarem nova jornada, há falta de água, mas Moshê bate na rocha e todos podem beber da fonte que jorra dela. A parsha termina com a luta entre Amalêc e Yehoshua com a vitória de Yehoshua e a promessa de D’us de que a memória de Amalêc será extinta.

 

Mensagem da Parashá

 

Nessa Porção Semanal lemos como o povo judeu deixou o Egito e atravessou o Mar Vermelho de uma forma milagrosa. Os sábios explicam que naquele local até uma simples serva viu a Presença Divina, que até mesmo os profetas não chegaram a ver. Aqui está um povo que subiu até as mais elevadas alturas espirituais, privilegiado de ver o invisível. Mas com que espantosa sequência! Eles mal haviam deixado a cena desse grande evento, quando afundaram nas profundezas da depravação moral e espiritual. Começaram a atacar injustamente a liderança de Moshê, e isso foi ainda sobrepujado por sua atitude em relação ao próprio D’us, duvidando de Suas habilidades e finalmente culminando na construção do bezerro de ouro.

Uma geração imbuída do conhecimento Divino comporta-se assim? Contudo, após reflexão mais profunda, acaso somos nós diferentes hoje? Não somos uma geração de sabedoria? Não possuímos um conhecimento básico fundamental concernente aos mistérios do universo, espaço e muitas outras descobertas que nos fazem realçar como uma época à parte? E vivemos, contudo, em um ambiente onde respira-se ansiedade e medo. E qual seria a razão básica deste estado de coisas?

É simplesmente devido ao fato que o simples conhecimento não basta, é preciso colocá-lo em prática. O que é correto e bom deve ser discernido e incorporado à nossa vida diária. Qualquer psicólogo hoje dirá que o primeiro passo para a cura da saúde mental é saber o que há de errado com o indivíduo. Mas este é só o primeiro passo. A experiência é significativa somente quando torna-se parte de um ser e efetua uma real mudança em seu comportamento.

 

Seleções Midrash Beshalach

 

As nuvens de D’us protegem Bnei Israel no deserto

D’us tirou os judeus do Egito para levá-los à Erets Israel. O caminho mais curto para lá era cruzando através da terra dos Pelishtim.

Porém, D’us os conduziu por um caminho diferente, maior: ao redor da terra dos Pelishtim. O caminho mais curto, pensou D’us, tornaria demasiado fácil para os judeus o retorno ao Egito. Assim que fossem atacados pelos inimigos, sentiriam medo e tratariam de voltar ao Egito. Por esta razão,
D’us os levou pelo caminho mais longo, através do deserto.

Como Moshê e Bnei Israel sabiam o caminho?

D’us enviou uma nuvem que os precedia, e eles a seguiam. À noite, uma coluna de fogo mostrava o caminho. Iluminava o povo de Israel, para que pudessem ver no escuro. Além disso, nuvens os rodeavam, dando-lhes proteção: uma a leste, outra a oeste e outra pelo sul. Uma outra nuvem se estendia debaixo dos seus pés como um tapete, para suavizar-lhes o caminho e levar os tsadikim (homens justos). Outra nuvem flutuava no ar sobre eles e os protegia do calor do sol. Toda a travessia do deserto foi feita sob a proteção de D’us.

Uma parábola:

Por que D’us enviou uma coluna de fogo à noite O rei estava muito ocupado. Todos aqueles que tinham uma reclamação a fazer iam vê-lo neste dia, de modo que pudesse escutá-los e emitir um juízo que estabeleceria a paz entre as partes conflitantes.

Os filhos do rei estavam sentados ao redor do trono, escutando os sábios pareceres emitidos pelo pai. Uns atrás dos outros, os súditos iam e vinham. Quando o último saiu, o dia havia chegado ao fim. Caía a noite. A sala do trono estava se tornando escura. O rei pôs-se de pé, acendeu uma tocha, e a colocou à frente dos filhos, para que pudessem achar o caminho e sair do palácio. Todos os nobres e serventes se apressaram em correr para ajudá-lo. "Não se preocupe em segurar a tocha para seus filhos, majestade!" exclamaram. "Nós o faremos."

O rei replicou: "Não seguro a tocha para meus filhos por não ter quem o faça por mim. Seguro-a eu mesmo porque desejo mostrar o quanto amo meus filhos. Então vocês os tratarão com o devido respeito."

De maneira análoga, D’us enviou sua coluna de fogo adiante de Bnei Israel no deserto. Poderíamos dizer que "levou uma tocha por eles." Fez isso para mostrar às nações o quanto ama os judeus.
D’us esperava que as nações então dariam aos judeus o merecido respeito.

O faraó persegue Bnei Israel

Quando o Povo de Israel saiu do Egito, o faraó e toda sua corte se sentiram consternados. "Que erro cometemos ao deixar sair todos estes escravos judeus!" lamentavam-se. "Agora eles têm até ouro e prata!"

O primeiro pensamento do faraó foi perseguir o Povo de Israel, mas vacilou. Afinal, ele e seu povo acabaram de sofrer as dez terríveis pragas.

D’us, porém, fortaleceu o faraó na sua decisão de perseguir Bnei Israel, pois queria que o exército do faraó se jogasse no Yam Suf (Mar Vermelho).Este seria o castigo final pela crueldade do faraó e dos egípcios, por haver afogado sem piedade os meninos judeus no rio Nilo. D’us ordenou a Moshê: "Diga a Bnei Israel que dê a volta e se encaminhe novamente ao Egito, para que o faraó pense que se perderam. Então os perseguirá."

Assim que o faraó escutou que os judeus estavam se aproximando novamente do Egito, convocou os generais e o exército. "Os judeus estão andando em círculos," exclamou. "Parecem estar perdidos. Rápido, vamos atrás deles. Cavalgarei à frente do exército. Quando os alcançarmos, mataremos todos os judeus e recuperaremos nosso dinheiro."

O próprio faraó preparou sua carruagem. Não quis esperar pelos criados, tão ansioso estava para persegui-los.

O Povo de Israel percebe que o exército do faraó se aproxima

Quando os judeus olharam para trás, viram que o exército do faraó os perseguia muito de perto, e estava a ponto de alcançá-lo. Ficaram apavorados. "O faraó nos levará de volta ao Egito para converter-nos novamente em escravos," gritaram em pânico. "Ou farão isso, ou nos matarão."

Começaram a fazer tefilá (orar) e a clamar por D’us, rogando que os salvasse. Alguns judeus que eram malvados queixaram-se a Moshê: "Por que nos tiraste do Egito? Agora o faraó nos destruirá!"

Uma parábola: A ave de rapina e a pombinha

Uma pombinha era perseguida por uma enorme e ameaçadora ave de rapina. A avezinha sabia que fugir não adiantaria de nada, pois não podia voar tão rápido como a ave de rapina. Tampouco podia lutar, pois era muito mais fraca. Logo a ave de rapina alcançaria a pombinha e a destroçaria.
Voando, a avezinha procurava desesperadamente um lugar onde esconder-se. Logo descobriu uma rocha num campo que estava sobrevoando. Sobre a rocha, viu um espinheiro. Era perfeito! A pombinha podia refugiar-se ali, onde a ave de rapina não poderia segui-la. Entrou no espinheiro e s encontrou numa pequena cova na rocha. O que seria isso no fundo da cova? Para seu espanto, a pomba escutou um sibilar ameaçador. Uma serpente venenosa se aproximava, a língua em riste, a ponto de atacar. A cova era seu ninho. O que poderia fazer a pombinha? Se se adiantasse, a cobra a devoraria. Se retrocedesse, a ave de rapina a mataria. A pombinha começou a bater as asas, tentando atrair a atenção do dono do campo. Se pudesse escutá-la, espantaria a ave e mataria a serpente.

De maneira similar, o Povo de Israel estava encurralado. À sua frente, abriam-se as vastas profundezas do Yam Suf (Mar Vermelho). Se seguissem adiante, se afogariam. Mas não podiam deter-se, pois às costas tinham o exército do faraó, pronto a matá-los. Que fazer?
Clamaram a D’us.

No céu, Avraham, Yitschac e Yaacov também despertaram e oraram a D’us. "Por favor, D’us, ajuda nosso povo!"

D’us disse: "estava esperando que os judeus orassem a Mim. Agora vou salvá-los. D’us disse a Moshê: "Aceitei sua tefilá ( oração), não precisas mais orar. Ordena a Bnei Israel que siga adiante, pois Hei de salvá-los.

Os judeus continuavam avançando. O exército egípcio os seguia. D’us, porém, fez com que os egípcios não alcançassem os judeus. Os egípcios trataram de atacar disparando flechas contra os judeus pela retaguarda, mas D’us mudou a posição da nuvem que ia à frente de Bnei Israel, deslocando-a para trás. A nuvem atalhou todas as flechas dos egípcios, de modo que nenhum judeu ficou ferido.

Uma parábola:

O pai cuida do seu filho

Um pai levava seu filho a um local que só podia ser alcançado cruzando-se um bosque escuro e solitário.

"Não te preocupes" o pai tranquilizou o filho. "Cuidarei para que nada aconteça."

Começou a aterradora viagem. Logo um grito estranho rompeu a quietude do bosque. Um bandido armado com um facão pulou em frente aos viajantes, seguido por seu bando. Logo, o pai escondeu o filho atrás de si, apontou o revólver para a cabeça do líder e disparou, fazendo o mesmo com outro bandido.

O resto da quadrilha fez meia volta e desapareceu a toda velocidade.

O filho suspirou aliviado, mas a viagem não continuou sendo nada agradável. Um lobo apareceu por trás deles, rugindo ameaçadoramente. O pai pôs o filho diante de si, e disparou contra o lobo.
Pouco depois, animais selvagens atacaram de todas as direções, mas o pai dominou a situação. Tomou o filho nos braços e não o soltou nem por um instante, enquanto o protegia.

Logo chegaram a uma clareira, e o sol começou a castigá-los. O pai estendeu um manto sobre o menino para protegê-lo do sol. Quando o menino tinha fome, o pai o alimentava; quando tinha sede, dava-lhe de beber.

Assim como o pai protegeu o filho de todos os perigos, D’us protegeu os judeus na sua travessia pelo deserto, guiados por Moshê. Quando o faraó e seu exército atacaram Bnei Israel, D’us enviou Sua nuvem, que geralmente viajava na frente, para que os protegesse também atrás.

Kriat Yam Suf (D’us abre o mar)

Quando os judeus estavam a ponto de chegar a Yam Suf ( Mar Vermelho), Moshê lhes ordenou em nome de D’us: "Sigam adiante! D’us fará um milagre. O mar recuará."

Entretanto, grandes ondas se quebravam na praia. O mar estava tão bravio como sempre; poderoso e ameaçador.

D’us estava aguardando. Queria pôr à prova o Povo de Israel para ver se realmente confiavam nEle e se acreditavam que secaria o mar. Continuariam entrando no mar?

Nachshon ben Aminadav, o líder da tribo de Yehudá, não pensou duas vezes. Sua fé em D’us era tão forte que saltou ao mar sem temor. Os outros judeus que confiavam em D’us o seguiram. Continuavam adiante, embora a água lhes chegasse ao pescoço.

D’us disse: "Sua grande emuná (fé) em Mim será recompensada." Ordenou a Moshê que estendesse a mão. Toda a água recuou abrindo um caminho por entre as águas que formavam paredes altas dos dois lados. Então o restante dos judeus cruzou pelo meio do mar, sobre terra firme.

Os milagres durante a travessia

Não havia um só caminho através do mar, pois D’us criou doze diferentes trilhas secas, pelas quais Bnei Israel pôde cruzar. Deste modo, cada uma das doze shevatim (tribos) pôde cruzar pela sua própria trilha.

À direita e à esquerda de cada trilha, a água se congelou para formar uma parede alta. A água também formou um teto sobre as cabeças, de modo que cada tribo caminhava por um túnel. As paredes e o teto protegiam os judeus das flechas dos egípcios. D’us também designou anjos especiais para que protegessem os túneis e cuidassem de Bnei Israel para que não sofressem nenhum dano.

O que acontecia se um menino judeu sentisse sede ao cruzar Yam Suf (Mar Vermelho)? Assim que pedia água, a parede congelada a seu lado se abria e dela surgia uma fonte de água fresca. Assim que o menino terminasse de beber, o manancial voltava a transformar-se em gelo. Se uma criança tinha fome e começava a chorar, acontecia outro milagre. As paredes de Iam Suf (Mar Vermelho) produziam de imediato uma maçã ou uma romã, ou o que a criança desejasse. A mãe estendia a mão, pegava a fruta e a dava ao menino. Este começava a sorrir e desfrutava o resto da travessia pelo oceano. Todos os judeus cruzaram sãos e salvos.

O faraó e o exército se afogam

O exército do faraó também estava se aproximando do mar. Os egípcios atravessaram uma tormenta de granizo e carvões ardentes, que D’us jogou sobre eles, para confundi-los.

Os primeiros soldados egípcios entraram no mar imediatamente depois de Bnei Israel. Para eles, o mar não era terra firme como para os judeus. Para os egípcios, o solo estava cheio de barro pois a coluna de fogo mandada por D’us fazia com que a terra ficasse tão quente que os cascos dos cavalos caíram por causa do calor e as rodas das carruagens se incendiaram. Por isso, os cavalos dos egípcios não podiam deter-se e regressar. D’us os fez arrastar as carruagens mais e mais mar adentro. A cada passo que davam, as carruagens sacudiam de um lado a outro, pois haviam perdido as rodas. Os que iam sentados nelas estavam doloridos. "Saiamos daqui!" gritavam. "D’us está lutando pelos judeus."

Porém, por mais que tentassem voltar com a carruagem, não o puderam. D’us fez com que os cavalos continuassem sua marcha adiante, e arrastassem os egípcios a uma morte horrível.
Quando o último dos judeus havia saído dos túneis, e todos os egípcios estavam no meio do mar, D’us ordenou a Moshê: "Estende a mão!" Quando Moshê obedeceu, a água que havia formado paredes sólidas se dissolveu, e voltou a ser mar. Derramou-se em jorros sobre os egípcios, suas carruagens e seus cavalos. Os egípcios saíram das carruagens e ficaram de bruços na água.

Ao mesmo tempo em que os egípcios caíam na água, todos os egípcios que haviam permanecido no Egito também foram castigados. (o midrash não relata de que forma foram castigados.)

O fim do faraó

Existem opiniões diferentes no Midrash sobre se o faraó se afogou ou não. Segundo uma opinião, o faraó foi o último dos egípcios a cair no Iam Suf.

De acordo com esta opinião, o anjo Gabriel desceu e manteve o faraó com vida debaixo da água durante 50 dias, infligindo-lhe terríveis sofrimentos. Assim foi castigado por suas palavras zombeteiras. "Quem é D’us que devo escutá-Lo?" Como a palavra "quem" tem valor numérico de 50, o castigo do faraó no mar foi prolongado por 50 dias antes de morrer.

Segundo outra opinião, D’us salvou o faraó da morte. Embora a princípio o faraó tenha zombado, mais tarde fez teshuvá (se arrependeu) quando viu seu exército se afogar. Quando caiu no Yam Suf (Mar Vermelho), exclamou: "Quem entre os poderosos é como Tu, D’us!!" Quando D’us viu que o faraó havia feito teshuvá, disse: "Hei de salvá-lo e ele falará ao mundo todo acerca de Minha grande força e os milagres que realizei."

D’us enviou um anjo para tirar o faraó da água. O anjo levou o faraó a uma cidade chamada Níneve, onde mais tarde tornou-se rei e levou todo o povo a fazer teshuvá.

O Midrash conclui: "Ambas opiniões são corretas: primeiro D’us fez o faraó sofrer e afogar-se; ficou debaixo da água e foi coberto por ela. Mas D’us o salvou antes que morresse."

Bnei Israel entoa uma shirá, cântico de graças, no Yam Suf (Mar Vermelho)

O dia em que os egípcios se afogaram era o sétimo dia desde que os judeus saíram do Egito. A Torá nos ordena que celebremos o sétimo dia de Pêssach como Yom Tov, dia em que não podemos trabalhar. Esse dia é marcado como o dia da libertação dos judeus do Egito. Até então, ainda corriam perigo de ser destruídos pelo exército do faraó.

Quando Bnei Israel viu os maravilhosos milagres de D’us e compreenderam que haviam sido salvos e os egípcios castigados, depoistaram toda sua confiança a D’us e Moshê. D’us lhes deu ruach hacodesh (profecia), e todos entoaram uma shirá, um cântico de louvor a D’us.
Começava assim:

"Hei de cantar a D’us pois Ele é sumamente grande. Arrojou o cavalo e seu ginete ao mar."
E terminava com as seguintes palavras:

"D’us governará para todo o sempre. (Assim como castigou os egípcios, castigará todos aqueles que se rebelam contra Ele, e salvará aqueles que O escutam.)"
As mulheres dançavam e cantavam em separado.

No Yam Suf (Mar Vermelho), o Povo de Israel se tornou ainda mais rico que quando saíram do Egito. Os cavalos egípcios estavam adornados com ouro, prata e pedras preciosas. D’us fez com que o mar arrastasse todos estes metais e pedras preciosas até a costa, onde Bnei Israel recolheu os tesouros.

D’us adoça a água amarga de Mará

Os judeus continuaram viajando pelo deserto para chegar ao monte Sinai. Ali, D’us lhes entregaria a Torá. (Como se lembram, o motivo pelo qual D’us liberou os judeus do Egito era entregar-lhes a Torá no monte Sinai.)

Entretanto, D’us quis pôr os judeus à prova para ver se confiavam nEle, e se mereciam receber sua preciosa Torá.

Uma prova aconteceu em Mará, caminho do monte Sinai.

Quando o Povo de Israel chegou a Mará, a água desse lugar era amarga e não servia para beber. (Mará significa amarga; a Torá chama este lugar por que a água era amarga lá).

Por isso, o Povo de Israel tinham estado procurando água, uma fonte ou um poço, por três dias. Não haviam encontrado água e tinham muita sede.

D’us estava pondo Bnei Israel à prova. Protestariam ou confiariam em D’us e rezariam a Ele?

A maioria do povo não protestou. Apenas os eirev rav e os reshaim (malvados) se queixaram. "O Que haveremos de beber?" D’us prometeu a Moshê: "Realizarei um milagre para Bnei Israel. Apanhe um ramo da árvore que te mostrarei e joga-o na água amarga!" D’us mostrou a Moshê um ramo de sabor amargo.

D’us ordenou: "Agora, joga o ramo na água amarga."

Moshê obedeceu e a madeira amarga adoçou toda a água. Agora Bnei Israel tinha água suficiente para beber. Todos os judeus viram o grande poder de D’us. Os eirev rav fizeram teshuvá por haver protestado.

Em Mará, D’us deu aos judeus algumas mitsvot (mandamentos) da Torá, ainda antes que a Torá tivesse sido outorgada, de maneira que se acostumassem a observar Torá. Uma das mitsvot que aprenderam em Mará foi guardar o Shabat.

Maná – o alimento da fé

Um mês depois de deixar o Egito, o Povo de Israel havia utilizado toda a massa que havia levado. Estavam agora no deserto, onde não crescia vegetação alguma. Como poderiam obter comida?
Desta vez todos os judeus, não apenas os eirev rav, protestaram. "Nos trouxeste ao deserto para morrer de fome?" queixaram-se a Moshê e Aharon. "Dá-nos pão e carne!"

D’us anunciou a Bnei Israel: "Dar-lhes-Ei pão e carne. Posso alimentar toda uma nação no deserto. Estais certos em pedir pão, pois estais famintos, mas não devereis pedir carne, pois poderiam ter sacrificado alguns dos animais que tendes. Não obstante, dar-lhes-Ei carne também. Mas para demonstrar que estou aborrecido, recebereis a carne à tarde, quando já não tereis muito tempo de prepará-la para a ceia."

No dia seguinte, quando os judeus despertaram, o deserto estava coberto de grãos brancos e brilhantes. Haviam caido do céu durante a noite.

"Que é isso?" perguntaram os judeus com assombro.

"É a comida que D’us nos envia" explicou Moshê. De agora em diante, serão encontradas sobre o solo todas as manhãs.

O Povo de Israel chamou o novo alimento de man, maná. Ao comê-la, viram que era doce e deliciosa.

D’us ordenou a cada pai que todos os dias recolhesse um omer (pouco mais de dois quilos) por cada membro da família. A maioria dos pais não pegava a medida exata. Alguns recolhiam um pouco mais de um omer por pessoa, outros menos. Mas, quando chegavam em casa e o pesavam, sempre havia exatamente um omer para cada membro da família. Se haviam recolhido a menos, o maná aumentava; se fosse demais, o maná diminuía.

Após comer o maná, Moshê ensinou os judeus a recitar o bircat hamazon (bênção de agradecimento pelo pão) até as palavras hazan et hakol.

Todas as manhãs, quando o Povo de Israel despertava, o café da manhã estava pronto para ser recolhido e degustado. Os tsadikim (justos) encontravam suas refeições à entrada das tendas. D’us lhes facilitava a comida para que não perdessem tempo do estudo de Torá e no cumprimento das mitsvot. Aqueles que não eram tsadikim tinham que andar um pouco mais para recolher o maná. Os reshaim (malvados) tinham que andar bastante.

Que gosto tinha o maná?

Era doce e delicioso. Podia ter qualquer sabor que se desejasse. Bastava que a criança dissesse: "Queria que meu maná fosse mel", e este tinha gosto de mel.

Qual a quantidade de maná que chovia todas as manhãs? O suficiente para alimentar os judeus por dois mil anos! Logo, os judeus estavam usando apenas a mínima parte do maná que caía. A maior parte ficava no chão e se derretia sob o sol. Por que D’us permitia tamanho desperdício? É porque Ele queria mostrar Seu grande poder: Podia fornecer muito mais do que somos capazes de consumir.

As mitsvot relacionadas com o maná

Moshê advertiu o Povo de Israel: não guardem maná de um dia para o outro. Todas as manhãs receberão maná fresco.

Os judeus obedeceram, exceto os reshaim (malvados) Datan e Aviram – os mesmos repreendidos por Moshê no Egito por estarem brigando – que não confiaram nas palavras de Moshê. E se amanhã o maná não caísse? Guardaram um pouco, só para ter certeza… Mas tiveram uma surpresa desagradável. Não puderam comer o resto do maná no outro dia, porque tinha um odor horrível e estava cheio de vermes.

Moshê estava aborrecido com Datan e Aviram. Geralmente D’us protegia os judeus de todos os insetos e bichos, e agora esses reshaim tinham feito com que um alimento maravilhoso e celestial ficasse infestado de vermes!

Quando chegou sexta-feira, erev (véspera) Shabat aconteceu algo estranho. Os pais recolheram um omer de maná como de costume. Mas ao chegar em casa, viram que a porção estava duplicada! Cada omer se transformara em dois! Que significava isto?

Moshê explicou: "Amanhã é Shabat e não cairá maná, pois Shabat é um dia santo e de descanso. Todas as sextas-feiras recebereis porção dupla de maná, para durar até o final de Shabat." Alguns não acreditaram. Outros desobedeceram a ordem. "Sairemos no Shabat para buscar maná!" Naturalmente, tratava-se de Datan e Aviram.

Porém por mais que procurassem, não acharam maná em lugar algum. D’us estava descontente com eles e castigou-os por seu comportamento.

D’us ordenou a Moshê: "Guarda um pouco de maná num frasco para que as futuras gerações possam saber como os judeus se alimentaram no deserto."

Durante a travessia do deserto, encontravam maná todas as manhãs.

À noite, D’us dava carne a Bnei Israel. Fazia cair aves slav sobre o acampamento. Eram aves casher, gordas e saborosas, que os judeus podiam comer. D’us dá a Bnei Israel água de uma rocha num lugar chamado Masá Umerivá.

O povo de Israel se encontrava agora num lugar no deserto onde não havia fontes de água. E os judeus tinham muita sede.

Os judeus que não eram grandes tsadikim (justos) começaram a protestar: "D’us não está ao nosso lado. Por que não nos dá água?"

D’us havia dito a Moshê: "Agora Vou fazer um milagre. Toma teu cajado. Escolha uma rocha e bata nela com o cajado até que se parta. Um milagre acontecerá e a água brotará da rocha."

Moshê golpeou a rocha perante os zekeinim (anciãos) do povo. Brotou tal quantidade de água da rocha que puderam beber à vontade. Os judeus chamaram a rocha de "Manancial de Miriam", pois sabiam que D’us lhes havia dado água no deserto por mérito da irmã de Moshê, Miriam, que era uma grande tsadeket (justa). Desde então, durante toda a travessia do deserto, tiveram água em abundância, pois o Manancial de Miriam os acompanhou onde quer que fossem.

A batalha contra Amalec

Amalec era neto de Esav. Os filhos e descendentes de Amalec, os amalekim, odiavam os judeus.

Os amalekim haviam escutado que D’us estava protegendo os judeus e que havia partido o Yam Suf ( Mar Vermelho) para salvá-los. Mas não deram importância. As outras nações não ousavam atacar os judeus depois do milagre da separação do mar, mas os amalekim não ligavam e decidiram atacar Bnei Israel. Não apenas odiavam os judeus, como também eram inimigos de D’us, pois não O temiam. Os amalekim se infiltraram no acampamento de Israel e começaram a atacar os judeus que caminhavam fora das nuvens de D’us. (Tinham de caminhar atrás das nuvens, pois haviam pecado).
Moshê disse a seu aluno Yehoshua: "Os amalekim pensam que nos vencerão, pois o antepassado Esav foi abençoado por Yitschac com as palavras: "Tu ganharás a guerra." Hei de orar a D’us para que possamos ganhar deles. Irei ao alto da colina, para orar ali, de modo que todos os judeus me vejam e dirijam seus corações a D’us junto comigo."

"Você, Yehoshua, prepare um exército de tsadikim para lutar contra Amalec."

Yehoshua escolheu um exército de tsadikim. Moshê subiu à colina, com seu irmão Aharon e o sobrinho Chur, o filho de Miriam. Ordenou a Bnei Israel que jejuasse neste dia.

Moshê sentou-se sobre uma pedra, elevou as mãos ao céu, e fez tefilá (oração). Quando o Povo de Israel olhou para cima e viu Moshê, também dirigiram suas orações e corações ao céu. D’us escutou suas preces e fortaleceu o exército de Yehoshua para lutar contra os amalekim. Porém, os braços de Moshê começaram a enfraquecer de cansaço. Já não podia mantê-los ao alto. Quando os judeus viram isso, ficaram desanimados e já não podiam continuar dirigindo com a mesma força e ânimo seus corações para D’us, e então o exército de Amalec se fortaleceu.

Aharon e Chur ofereceram ajuda a Moshê. Elevaram os braços dele e os seguraram. Quando os judeus viram que os braços de Moshê estavam todo o tempo elevados, continuaram orando com todas as forças.

D’us aceitou as tefilot (preces) de Bnei Israel e considerou que era um povo santo. Concedeu a vitória a Yehoshua e seu exército. Os amalekim perderam a batalha e voltaram a seu país.
D’us disse a Moshê: "Quando os judeus se estabelecerem em erets Israel e tiverem seu próprio rei, sua primeira tarefa será lutar contra os amalekim.Todos os reis judeus deverão combatê-los, até que toda a nação seja destruída. Eu também ajudarei a aniquilar os amalekim, pois são uma nação de réprobos, que não Me temem."

Uma parábola:

Amalec se assemelha a uma mosca

Você já viu um enxame de moscas? Sabem o que as atrai? Basta deixar um pedaço de carne apodrecer em um lugar aberto e logo estará coberto de moscas.

As moscas sentem a podridão e se sentem atraídas. Mesmo se as espantarmos, voltarão.

Nossos Sábios comparam a nação de Amalek com as moscas. "Sentem" quando os judeus estão "podres" (fracos ou maus). Toda vez que os judeus fraquejam no estudo de Torá e mitsvot, atacam.
Em todas as gerações, D’us nos envia Amalec (ou outros inimigos) que nos causam problemas se não estudamos e cumprimos Torá. Voltam de novo e de novo, se não guardamos Torá.

Apenas se formos fortes no cumprimento de Torá e mitsvot D’us nos protege dos ataques de Amalec.

Comentários

 

Vivendo com o Rebe Na porção desta semana, Beshalach, lemos sobre a Abertura do Mar. Este milagre preparou o povo judeu para a Outorga da Torá e a Redenção Final.

Quanto a Abertura do Mar, a Torá nos diz que Nachshon ben Aminadav arriscou sua vida para saltar no Mar. Foi somente depois que Nachshon entrou no Mar que as águas se abriram e os judeus puderam prosseguir.

Como Nachshon pôde desprezar sua vida e pular no mar? Como não! Pois Nachshon sabia que D’us tinha tirado o povo judeu do Egito com o único propósito de dar-lhes Sua Torá no Monte Sinai.
Nachshon foi guiado pelo desejo de avançar rumo à Torá. Não importava a ele que um corpo de água obstruísse seu caminho: ele pulou dentro do mar.

Confrontado com uma situação aparentemente impossível, o povo judeu se dividiu em várias opiniões. Nachshon, porém, não estava interessado em nenhuma das "opções" – voltar, lutar ou fugir – pois sabia que nenhuma dessas o levaria mais perto do Monte Sinai. Ele também não estava interessado em discussões ou cálculos. Havia apenas uma solução: seguir na direção do Monte Sinai. E ele assim o fez, com enorme mesirat nefesh (auto-sacrifício).

A porção de Beshalach é geralmente lida no Shabat anterior ou posterior a 10 de Shevat, o aniversário de falecimento do Rebe Anterior, Rabi Yossef Yitschac Schneersohn. As circunstâncias da Abertura do Mar contém uma lição eterna; assim também as ações do Rebe Anterior. Pois durante toda a vida o Rebe Anterior agiu com mesirat nefesh e deu um exemplo para todas as futuras gerações.

O Rebe Anterior não buscou especificamente mesirat nefesh; esta não era sua intenção, pois seu único propósito era divulgar a Torá. Ele não parou para pensar se o auto-sacrifício era necessário, nem prestou atenção às opiniões dominantes e idéias de outros judeus de seu tempo. Para ele, seus argumentos não tinham peso algum. A única coisa que motivou o Rebe Anterior foi a necessidade de aproximar-se do Monte Sinai. Mesmo que houvesse um "mar" em seu caminho, ele pularia. O que aconteceria em seguida? Isso era assunto para D’us, não para ele. Isso era imaterial para o Rebe Anterior. Ele simplesmente fez o que tinha de fazer para chegar ao Monte Sinai.

Com isso aprendemos uma lição a ser aplicada em nossa vida diária. Nossa função na terra é servir a D’us, amar Suas criações e aproximá-las da Torá. Diferenças de opinião e de atitudes não é nosso problema. Nossa única meta verdadeira é chegar mais perto do Monte Sinai, e fazê-lo sem considerar quaisquer obstáculos que pareçam obstruir nosso caminho.

Adaptado de Likutei Sichot, vol. I.

A frieza de Amalêc

Ao examinar o primeiro confronto entre o povo judeu e a nação de Amalêc (Shemot 17:8-16) duas questões básicas nos vêm à mente. Primeira, por que Amalêc atacou os Filhos de Israel sem provocação? O versículo apenas relata que Amalêc atacou os Filhos de Israel em um lugar chamado Refidim, mas o que provocou este ataque? Segundo, por que eles mereceram esta súbita punição?

A primeira dúvida é resolvida pelo Midrash, que compara o povo judeu após deixar o Egito a uma banheira de água fervente. Assim como ninguém ousaria pular em uma vasilha com água fervente por medo de se queimar até a morte, assim também os judeus eram aparentemente invencíveis após seu miraculoso êxodo, quando as nações do mundo reagiram a eles com temor e respeito. Ninguém ousaria atacar o povo que tinha D’us a seu lado – exceto Amalêc. Depois que atacaram, embora perdessem, deram um jeito de esfriar a água quente, e assim as outras nações podiam também pular dentro sem medo de serem queimadas.

O que deu a Amalêc a força para atacar-nos?

Rabi Yitschac Hutner desenvolve a resposta à primeira pergunta de outro Midrash que compara Amalêc a uma pessoa que zomba e escarnece de tudo na vida. Uma personalidade assim procura minar e diminuir aquilo que é importante e valioso na sociedade; este é Amalêc, o próprio.
As Dez Pragas, a abertura do Mar Vermelho, a destruição do Egito, o maná caindo do céu – todos estes eventos que criaram um senso de respeito e agitação nas outras nações para com os judeus, fazendo "a água da banheira" mais e mais quente, apenas aumentou o desejo de Amalêc de ser o primeiro a pular dentro. Para Amalêc, esta banheira fervente de grandeza, notoriedade e espiritualidade tinha de ser resfriada, independentemente das conseqüências.

Voltemos agora à segunda pergunta. Por que os judeus mereceram ser atacados por Amalêc?
A chave para se entender esta falha específica é o nome do lugar onde Amalêc atacou-nos – Refidim. Embora em um nível simples este nome seja apenas um ponto geográfico, o Midrash nos diz que é um acrônimo para – rafu y’dayhem min ha Torah – as mãos do povo judeu eram fracas em seu apoio à Torá. O que significa esta expressão? O termo costumeiro para a deficiência no estudo de Torá é bitul Torá, negligenciar o estudo de Torá. O que então é esta idéia de suas mãos serem fracas no apoio à Torá?

Rabi Yitschac Hutner explica que esta expressão refere-se a uma fraqueza em reconhecer e valorizar a importância e a relevância da Torá em nossas vidas. Quando deixamos de perceber como a Torá é vital à nossa própria existência e à existência do mundo todo, estamos convidando Amalêc a entrar em nosso meio. Não apenas devemos nos preocupar com a quantidade de Torá que aprendemos, mas também com quanto valor e importância atribuímos à Torá que estudamos. Estamos cientes que a Torá é a sabedoria de D’us? Percebemos que a Torá sustenta o mundo inteiro? Percebemos que a suprema perfeição do mundo pode apenas vir através da Torá?

Agradecendo todos os dias e declarando a grandeza de D’us de ter nos tirardo do Egito e também nos ajudando em nossa vida no Egito no qual nos encontramos hoje, conseguimos encontrar toda a inspiração e emuná na contínua ascensão de nosso conhecimento de Torá e em sua prática.

Ó Árvore, como posso te abençoar?

Por O Rebe Escreve
 
 

Nossos Sábios relatam a seguinte história:

"Um homem estava caminhando pelo deserto, faminto, cansado e sedento. Encontrou uma árvore com frutos doces, sombra agradável e um regato passando junto dela.

O homem comeu os frutos, bebeu a água e sentou-se à sombra da árvore. E quando estava pronto para partir, disse: "Árvore, árvore, como posso te abençoar?"

"Se eu disser que seus frutos sejam doces – ora, seus frutos já são doces!

"Que sua sombra seja agradável – ora, sua sombra já é agradável!

"Que a água brote aos seus pés, isso já acontece!

"Portanto, rezarei para que seja Sua vontade, que todas as mudas plantadas a partir de você sejam como você!" (Talmud Taanit).

Especialmente por ocasião do feriado de Tu B’Shevat, o Ano Novo das Árvores (que este ano ocorre no Shabat), somos lembrados do versículo: "O homem é como uma árvore do campo."
Nossos Sábios oferecem vários motivos e explicações sobre como uma pessoa é semelhante a uma árvore. A Torá, os comentários e o Talmud estão repletos de exemplos sobre analogias do povo judeu com os frutos específicas pelos quais a Terra de Israel é enaltecida. Para mencionar alguns:

  • 1 – Assim como (azeitona) o óleo não se mistura com outros líquidos, assim também os Filhos de Israel se destacam das outras nações.
  • 2 – A tâmara inteira é boa – seu fruto pode ser comido, seus ramos são usados como lulav, suas folhas são utilizadas para o teto da sucá, sua fibra para encadernação, e ela permanece ereta – assim, também, entre os judeus não há um só que não seja valioso.
  • 3 – Assim como as uvas possuem dentro de si comida e bebida, assim os Filhos de Israel têm conhecimento de Torá e boas ações.
  • 4 – As raízes da figueira são delicadas, porém penetram nas rochas mais duras…
  • 5 – Até o mais "vazio" dos judeus é tão repleto de mitsvot como uma romã está repleta [de sementes].
  • 6 – Podemos ver destes exemplos como é realmente rico o povo judeu. Se for este o caso, então, como a árvore do deserto, não precisamos de nada? Com o quê podemos ser abençoados?

A maior das bênçãos é: "Que seja Tua vontade que todas as mudas plantadas a partir de nós – todas as nossas ações (nossos brotos espirituais) e nossos filhos, e que nós mesmos – sejamos doces, agradáveis e nutritivos."

O homem e seus frutos

Por O Rebe Escreve
 

A propósito de nossa última conversa sobre a questão do bem e do mal, ou seja, que D’us, essencialmente bom, criou um universo também bom na essência, mas que é o propósito do homem fazer aflorar as forças latentes do bem, tanto dentro dele como no mundo que o rodeia, do potencial até o factual.

Para este fim o homem recebeu raciocínio e intelecto, portanto pelos seus poderes de entendimento e dedução ele pode ver, mesmo nas coisas mais comuns da vida, uma lição e encorajamento moral em seus deveres, e conduzir-se tanto com respeito ao seu Criador como a seu próximo.

Por exemplo, a árvore – um exemplo que escolho aqui por causa do Ano Novo das Árvores.
O que pode ser mais comum que a visão de uma árvore comum? À primeira vista, parece nada haver para despertar uma meditação especial. Porém nós judeus temos um Ano Novo das Árvores (a 15 de Shevat), e além das razões pertinentes para uma ocasião dessas, nós podemos, se pararmos para refletir, aprender algumas lições bem úteis com ela.

Deixe-me enfatizar uma: a maioria das plantas, especialmente as árvores, consiste de várias partes, classificadas em três grupos principais: a raiz, o caule ou tronco principal (que sustenta os galhos e folhas) e o fruto (a casca, o fruto e a semente).

Estas três partes principais têm suas funções próprias. A raiz é o meio de obter do solo as substâncias nutritivas necessárias à vida da planta. Isso fornece também um firme entrelaçamento para a planta resistir ao vento. É certamente o mais importante agente da planta, embora as folhas também contribuam com o a seiva viva da planta, obtendo do ar e do sol as substâncias essenciais à existência da planta.

O caule, ou tronco, fornece o corpo principal da árvore, e marca claramente o crescimento e desenvolvimento da árvore. Porém a árvore obtém a perfeição somente com a produção do fruto, pois nele está a semente para a propagação da espécie, geração após geração.

Ora, o homem é comparado a uma árvore (Devarim 20:19). Esta semelhança é particularmente marcada no sentido espiritual.

A raiz é sua fé, que conecta o judeu com sua origem, e que constantemente obtém para ele a nutrição espiritual.

O tronco – a Torá e mitsvot [mandamentos]; estes devem crescer mesmo quando a idade de uma árvore aumenta seu tronco e ramos.

Mas o fruto, que mais que qualquer outra coisa justifica a existência da árvore – são as boas ações do homem, aquelas mitsvot que beneficiam outros bem como ele próprio, e que tem dentro de si a semente que produz boas ações similares.

Resumindo: As raízes do judeu e sua própria ligação com a origem de sua vida está em sua verdadeira fé em D’us e em todos os princípios fundamentais de nossa religião.

A menos que as raízes sejam firmes, os ramos e folhas não suportarão o vento forte. O desenvolvimento e progresso e na verdade toda a estatura do judeu podem ser vistos por meio de suas boas ações, na prática da Torá e mitsvot.

Finalmente, sua perfeição vem através do fruto, ao beneficiar o próximo, e ajudando a perpetuar nosso grande legado nacional. "Antes do pecado de Etz Hadaas [Árvore do Conhecimento], todas as árvores davam frutos, e no futuro todas as árvores darão frutos", e como disseram Nossos Sábios: A primeira ordem na Torá é a da procriação – um judeu deve providenciar para que haja outro judeu.

"E este é o significado de "Aquele que beneficia a muitos, a virtude de muitos é creditada a ele" – que eu citei na última carta que lhe enviei, pois esta é a forma mais elevada de virtude.
Com lembranças pessoais,
Sinceramente,

(Assinatura do Rebe)

Shabat Shirá

Por Rabi Shmuel M. Butman
 

Este Shabat é chamado Shabat Shirá, quando lemos a porção da Torá sobre a canção – Shirá – de louvor que os judeus cantaram após a travessia do Mar Vermelho. Nossos Sábios ensinaram que a "Canção do Mar" sugere a Redenção, pois diz: "Então Moshê cantará com os Filhos de Israel…" Deste versículo Nossos Sábios derivam o princípio da Ressurreição dos Mortos na Era Messiânica, quando Moshê e todo o povo judeu se erguerá e entoará louvores a D’us.

No entanto, a canção que entoaremos será diferente da Canção do Mar, como é relatado no seguinte Midrash: "Será dito naquele dia: ‘Olhem, este é nosso D’us em Quem pusemos nossa esperança… este é o Eterno por Quem nós esperamos…’"

Dizemos "este" quando algo está perante nossos olhos. Quando os judeus disseram: "Este é meu D’us", após a Abertura do Mar, foi porque eles realmente viram D’us, por assim dizer. Eles puderam apontar para Ele e dizer: "Este é meu D’us". Mas no futuro, haverá uma revelação adicional, portanto cantaremos "este" duas vezes.

No Mar Vermelho, houve uma revelação dos milagres de D’us, e um evento sobrenatural ocorreu. Mas este tipo de revelação tem uma deficiência; o mundo não poderia contê-la. Foi possível somente porque D’us criou uma situação naquele instante na qual Seu poder ilimitado pôde ser revelado. Assim, quando a revelação e o milagre passaram, o mundo não tinha passado por qualquer mudança.

Porém há um segundo tipo de revelação, quando a essência do mundo é revelada pelo que realmente é – energia Divina. D’us revela que as próprias leis da natureza, e até todo o mundo material – são pura Divindade.

A vantagem desse tipo de revelação é que está dentro das limitações do mundo, é a verdade do próprio mundo. Quando esta verdade é revelada, é como solucionar um mistério. Pois, assim que o mistério é revelado, não é mais um mistério. Similarmente, uma vez que a Divindade intrinsecamente dentro do mundo é revelada, então não pode mais ser escondida, e todos vêem que D’us dirige e completa o mundo inteiro.

Este tipo de revelação, o descobrir de tudo que está oculto, ocorrerá na futura redenção.

 

Fonte: http://www.chabad.org.br/

 
 

 

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