O QUE FAÇO NESTE MUNDO?

 

 
PROF. DR. JOSÉ CÁSSIO SIMÕES VIEIRA

Médico formado pela Faculdade de Medicina da USP, Professor-Auxiliar de Ensino de Psquiatria e Psicologia Médica da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC, Psiquiatra Titular do Quadro Médico do Hospital da Beneficência de São Paulo.


 

O QUE FAÇO NESTE MUNDO?

 

Em psicoterapia, somos, freqüentemente, convidados a refletir a respeito do "sentido" que damos à nossa vida, ou seja, sobre o significado que tem nossa existência, a par de nossas realizações e de nossa visão de mundo.

Ao homem não basta estar na vida, nem sobreviver, mas assumir sua condição de existente, tomando a iniciativa de buscar algo mais alto, que dê sua razão de viver; de procurar um propósito essencial na vida, que signifique sua auto-realização moral e espiritual e o dignifique como ser humano.

"Somos nossa escolha", dentro dos limites de nosso mundo dado! Cabe a nós, exclusivamente, nossa opção de vida e ninguém poderá fazê-lo por nós. Mesmo que releguemos aos demais escolher por nós, essa foi nossa escolha.

Podemos, é claro, receber auxílio para que nos encontremos e decidamos, mas o juiz supremo de nossas escolhas somos nós mesmos.

 

Vazio existencial

Se para muitas pessoas a existência faz sentido, sendo capazes até de dar a vida em função de um valor maior ( a Pátria, a honra, os filhos etc.), para outras o que prevalece é um "vazio existencial".

"A vida não passa de uma sucessão de acontecimentos sem sentido", dizem elas. Não encontram no mundo significado algum para que "valha a pena viver".

Em síntese, algumas pessoas desanimam-se e desistem de tudo; outras empenham-se na procura de um significado para "motivar" suas vidas.

Reflexões

Na nossa caminhada existencial, procuremos refletir no seguinte:

As pessoas precisam de algo ou de alguém para querer viver? O que me leva a pensar assim? Há em minha vida algo ou alguém para quem eu viva? Há algo ou alguém em minha vida para quem eu estaria disposto a morrer, se preciso fosse? Quais seriam alguns "significados" para viver, diferentes dos meus?

A Logoterapia

A Logoterapia, também chamada Terceira Escola Vienense de Psicoterapia, tem como tema básico o "sentido de vida". Seu fundador, VIKTOR FRANKL, refere-se a três grupos de significados:

a) execução criativa de um trabalho ou realização (planejando, construindo, completando, aplicando);
b) vivências positivas de amor, confiança, intimidade, descobrindo-se, profundamente, a beleza interna das pessoas com quem partilhamos nossa vida;
c) superação do sofrimento próprio ou alheio, principalmente quando ele é inevitável.

Reflexões

Consideremos alguma forma de atividade, nossa ou dos demais, que não nos parece constituir ou propiciar um "significado de vida", dar-nos uma "força" ou satisfação interior. Agora, consideremos as que, para nós, têm um significado. Reflitamos se nossa vida está cheia de atividades sem "significado", ou se não o estamos percebendo, ou se necessitamos mudar essas atividades de alguma forma.

Tomemos consciência de nossas vivências positivas de amor, confiança, beleza etc. Esses momentos transcendem as experiências comuns e acrescentam um "significado" à vida. Façamos mais reflexões e descubramos mais "motivações em nossas vidas.

Entremos em contato, agora, com vivências deste tipo: "Se eu não tivesse doado um de meus rins, ela teria morrido". "Ter cuidado de meu pai no fim de sua vida deu a mim a consciência de minha missão como pessoa".

De fato, mesmo nas vivências de sofrimento, pessoal ou de alguém a quem estamos ligados, podemos encontrar uma razão sublime de viver.

Como enfrentamos essas experiências em nossa vida? Com coragem, nobreza, estoicismo, resignação, revolta, lamentação? Como? Elas nos aumentaram a consciência da solidariedade e da interdependência entre as pessoas?

As "crises" de vida e o tédio também são experiências que, comumente, nos motivam a rever nossos valores e fazer mudanças positivas, buscando novos significados existenciais.

Reflitamos nessas situações, considerando quais as mudanças feitas e os novos "significados" alcançados.

 

A vida já não pode me dar mais nada!…

 

Para quem conquistou um sentido de vida, o que importa não é o que podemos esperar da vida, sim o que a vida espera de nós.

Viver implica a responsabilidade de cumprir as tarefas que a vida impõe a cada um. Diante de tal consciência, a pessoa sabe o "porquê" de sua existência e poderá suportar melhor o coeficiente de adversidade que cabe a todos nós.

De fato, diante do sofrimento podemos assumir uma atitude de revolta para com a vida, ou de uma resignação passiva, ou de encontrarmos uma oportunidade de crescimento e transcendência.

Em qualquer circunstância, somos responsáveis pela atitude assumida.Mesmo quando haja pouca esperança de afastar o sofrimento inevitável -e até mesmo a morte -, quem está consciente de seu "sentido de vida" pode enfrentar tais acontecimentos com conformação (e não "conformismo") e dignidade.

A falta de um sentido de vida

Muitos psicoterapeutas, mormente o citado Viktor Frankl, estão convictos de que grande parte dos problemas psíquicos das pessoas por quem são procurados em seus consultórios deve-se a uma falta de "sentido de vida", gerando ansiedade, desespero, depressão, levando-as até ao suicídio.

É fundamental que a pessoa comprometa-se com a vida, com amor, alegria, desprendimento, humildade e – principalmente – coragem.

Seja qual for o sistema de crenças de cada um, só é possível encontrar um sentido de vida, quando se adquire em nosso interior a consciência de um TODO MAIOR, não importa o nome que se lhe dê, representando o mais alto que se possa experimentar, ou seja, um ponto de referência que para nós signifique o Absoluto, o Seguro, aquilo que nos dê uma razão de ser mais profunda e mais ampla do que o simples fato de se estar na vida.

A dedicação a uma nobre causa

A dedicação a uma nobre causa é sempre alicerçada em um sentido positivo que a pessoa dá à sua vida. Reciprocamente, tal dedicação estimula, cada vez mais, a busca e o encontro desse significado existencial.


Referências: Frankl, Viktor – Psicoanálisis y Existencialismo, Fondo de Cultura Econômica, México, 1950.

James, Muriel – A New Self, Addison-Wesley Publishg Company, 1977
Rodrigues, Roberto – Fundamentos da Logoterapia, 2 volumes, Editora Vozes, 1991.
Rohden, Huberto – Educação Cósmica, Martin Claret

 

Fonte: http://www.glorinhacohen.com.br/

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