Leitura da Torá – Porção Semanal: Parashá Shemot (17/01)- Parte II

 
Perguntas e Respostas
 
Circuncisão
 
O que é?
 
O que é berit milá e como é realizado?
 
 

RESPOSTA:

Berit milá é circuncisão. É a mitsvá positiva de nº 215. Um recém-nascido judeu do sexo masculino junta-se ao povo judeu através do berit milá, realizado em seu oitavo dia de vida.

"Berit" significa "pacto." A fé de nosso patriarca Avraham (Abraão) foi testada dez vezes por D’us, após o quê D’us estava certo de que suas convicções eram inabaláveis. A nona provação foi remover o excesso de pele de seu órgão masculino, denotando o domínio espiritual sobre a compulsão primitiva. Depois de todas as dez, Avraham entrou em um pacto de fé mútua com D’us, que vive para sempre.

Enquanto a Torá estabelece a data do berit milá para o oitavo dia, se o bebê está doente, com icterícia ou é prematuro, o berit milá é adiado até que esteja preparado.

Como se realiza o berit milá?

1. Cirurgia na sala de estar!

O nascimento em casa não é o único procedimento médico realizado em casa atualmente – os judeus têm realizado circuncisões no conforto e conveniência de seus lares por milênios. Na companhia de amigos e da família, o berit milá é realizado por um mohel, um especialista em circuncisão, que assegura o mínimo de desconforto para o recém-nascido. Entretanto, devido a problemas de espaço e o fato de que a maioria das circuncisões é feita pela manhã, geralmente faz-se em sinagogas, imediatamente após os serviços as preces de Shacharit.

2. Detalhes

Era isso que você queria, não era? Um berit milá na verdade é bastante higiênico: o bebê é trazido sobre uma almofada em meio a pompa e circunstância, e colocado no colo de alguém, geralmente o avô ou o parente mais idoso. Aquele que traz o bebê é chamado cvater; o que o segura no colo é chamado sandec. São recitados versículos do sidur, e a pele acima da coroa é puxada levemente em um utensílio de aço para proteção, e com uma lâmina afiada, o mohel a remove com um rápido golpe cirúrgico.

É claro que o bebê chora bastante, mas 80% da dor é o choque, e dos 20% de dor, a maior parte deve-se ao frio do metal. A pele em si é muito tenra, e o corte leva menos que um piscar de olhos para ser feito, e o processo de cicatrização começa imediatamente. A maioria das crianças não demonstra sinais de dor após um ou dois dias. Logo após a circuncisão, o mohel ajuda o processo de cura, aplicando bandagens e pomadas.

O bebê recém-circuncidado, juntamente com a almofada, é levantado do colo do sandec e colocado nos braços de outro dignitário da família, intitulado sandec meumad. Um parente próximo escolhido pelo orgulhoso papai, geralmente seu próprio pai, recita versículos adicionais do sidur, e proclama em hebraico: "… e que seu nome em Israel seja chamado [aqui vai o nome]…" Depois de receber o nome, o bebê é passado para a mãe, e a família e amigos sentam-se para uma festiva refeição matinal, pois o berit milá geralmente é realizado pela manhã, tão cedo quanto possível, denotando entusiasmo pela mitsvá.

Avraham tinha 99 anos quando ele próprio fez sua circuncisão – teve o autocontrole de um Mestre jedi. Sua mente era poderosa – ele entendia o que estava fazendo e, conhecendo a importância crucial do pacto, circuncidou seu primeiro filho, Yishmael, aos treze anos. Naquele estágio, Yishmael era capaz de fazer perguntas inteligentes. Seu relacionamento com D’us, portanto, teve início com o intelecto.

O pequeno Yitschac contava apenas oito dias quando foi circuncidado. Oito é um passo adiante do natural. Sete simboliza a natureza: a interminável rotina de dias comuns e fins de semana, alvorada, pôr-do-sol, dia após dia. O oito além disso, simboliza o sobrenatural. Como um bebê de oito dias, Yitschac não tinha intelecto – apenas uma percepção vaga e permanente de D’us, gravada em seu subconsciente desde os primeiros dias. Seu relacionamento com D’us foi iniciado de maneira sobrenatural.

A sobrevivência do povo judeu é sobrenatural. Ninguém pode explicá-la. E a própria natureza da nação judaica é sobrenatural, porque descende não de Yishmael, o racionalista, mas de Yitschac, o humilde aceitador. Por esta razão, o berit milá é realizado no Dia Número Oito – o dia que simboliza a eterna sobrenatureza da Nação Judaica.

Porque torna-se necessária

Como explico o ritual judaico da circuncisão aos pais judeus?

Por Rabino Tzvi Freeman

RESPOSTA:

Uma forma é olhá-la sob uma perspectiva espiritual. Há muito sobre este assunto escrito na Cabalá e na Chassidut. É difícil ler no original, mas basicamente, o que todos estão dizendo é que o corpo deve estar sintonizado para receber a energia de D’us, e ligar-se com ela tornando-se uma só entidade: corpo/alma.

O efeito de toda mitsvá (preceito da Torá) é pegar uma porção do mundo físico e torná-la espiritual. Isso poderia ser a comida que comemos, o dinheiro que damos para tsedacá (caridade), a cama que fornecemos aos viajantes exaustos – mas tudo começa com nosso próprio corpo.

Nem tudo que está a nosso alcance pode ser elevado ao espiritual. Uma vaca que foi abatida segundo as leis da shechitá pode ser elevada ao se ingerir sua carne numa refeição de Shabat, e usando sua pele para fazer um Rolo da Torá. Um porco, não importa de que forma seja abatido, não pode tornar-se algo espiritual ao ser ingerido. Quanto ao que nos concerne, este assunto está estagnado e somente poderemos encontrar uma resposta em outra era, quando sua impureza será removida (há uma opinião dos Sábios de que os porcos se tornarão casher na Era Vindoura). Na forma atual, a carne de porco não é adequada para receber aquela energia Divina. Eis por que é chamado "assur", traduzido como "proibido", mas literalmente significa "atado". Está ligado e atado aqui embaixo, e não pode ser elevado ao alto.

Quando se trata de nosso próprio corpo, ele também precisa uma "hachshará" – uma preparação para torná-lo adequado a receber a Divindade. Dessa maneira, o corpo físico pode, por si mesmo, tornar-se um artigo de D’us, assim como um Rolo da Torá. Devemos comer alimentos casher. E devemos ter um Berit Milá (circuncisão). Até então, a alma pode ser pura e integral, mas o corpo permanece desafinado e estranho para poder tornar-se um recipiente à conexão com a Divindade. Sua porta está fechada, e a Divindade apenas pode pairar ao seu redor, incapaz de entrar.

E quanto às mulheres? Como seu corpo se torna apropriado? Diversos rabinos respondem que, segundo a tradição, Adam (Adão) foi criado tanto homem quanto mulher, e então separado. Portanto, cada homem e mulher é apenas metade de um corpo. Isso significa que toda mulher judia tem um Berit Milá – pelo menos potencialmente – na carne da outra metade de seu corpo, onde quer que ele esteja.

Amor ao próximo

 

Em uma sociedade competitiva

Como é possível compatibilizar o preceito "Ame o próximo como a ti mesmo" dentro de uma sociedade competitiva onde cada um procura sempre se superar frente aos demais?

RESPOSTA:

As leis da Torá foram dadas para refinar o ser humano. Se D’us tivesse nos dado leis fáceis de cumprir, não teria nenhuma graça, nem mereceríamos nenhuma recompensa. De fato, a mitsvá de amar o próximo como a si mesmo é muito difícil. Como a Torá pode exigir isto?

Quando me doi o dedinho do pé, sinto isso muito mais do que ler no jornal que um terremoto acabou com a vida de milhares de pessoas! Portanto, no caso desta mitsvá, a palavra chave é "como" – deve se amar o próximo da mesma maneira como se ama a si; i.e., assim como uma pessoa não enxerga normalmente seus próprios erros, e quando já os percebe, vai justificando suas falhas, é desta maneira que devemos agir com o próximo; procurar justificar seus atos e atitudes que nos incomodam e irritam. Esta é a maneira mais elevada de cumprir esta mitsvá.

Como foi dito acima, esta é uma mitsvá difícil e pode se perceber isso pelo dito do Sábio Hilel que disse ao homem que queria conhecer toda a Torá num pé só: "Não faça ao próximo aquilo que não quer que os outros lhe façam." (Esta é a mitsvá de amor ao próximo, expressa de maneira negativa ou proibitiva.)

Depois Hilel ainda acrescentou: "Esta é toda a Torá (i.e.: ‘Você acabou de estudar a Torá inteira num pé só; e se quer conhecer os detalhes, agora vá estudar’)." Faz-se a pergunta, como Hilel comparou a mitsvá de amor ao próximo à "toda a Torá"? À primeira vista, é apenas metade da Torá, pois a Torá é composta de leis entre a pessoa e D’us e outras leis entre a pessoa e seu semelhante. Enquanto o amor ao próximo pode englobar as leis entre a pessoa e seu semelhante, como pode também incluir as leis entre a pessoa e D’us?

A resposta para esta pergunta é a seguinte: Como mencionado acima, é impossível ter um amor ao próximo igual a si mesmo. Para chegar a isto, para alcançar este nível de sentir pelo próximo e pensar nele igual ao que se sente e pensa sobre si, a pessoa tem que elevar-se de seu nível físico.

Normalmente eu sou eu e ele é ele; como pode ele ser como eu? Somente quando considero o outro um verdadeiro irmão ou parente próximo, posso chegar a pensar e sentir por ele como por mim, pois irmãos são unidos por laços além do físico apenas. É uma ligação inata, natural e inexplicável somente de maneira racional. Quando uma pessoa pode considerar o próximo como um verdadeiro irmão, realmente conseguirá cumprir esta mitsvá.

Mas como é possível considerar seu semelhante, um estranho, come se fosse um irmão? Somente quando a pessoa se eleva além do plano físico e material e considera o próximo um irmão de alma, pois pelas almas somos todos irmãos; somos almas de um só Pai (trata-se da alma Divina). Quem chegou neste nível – de considerar o próximo um verdadeiro irmão – está dando prioridade à alma sobre o corpo, pois de outro jeito nunca sentirá que o próximo é um verdadeiro irmão.

Quando a pessoa chegou neste nível de dar prioridade à alma, isto é verdadeiramente "toda a Torá", como disse Hilel. Somente com esta explicação chassídica da mitsvá de amar o próximo, é possível entender o que Hilel disse. Sem esta interpretação, continuamos com a dúvida original.

Realmente, o mundo está repleto de competição, cada um querendo mostrar que possui mais ou que consegue mais ou que é maior e melhor em termos sociais, financeiros, etc. E é difícil (porém não impossível) viver uma vida correta no meio de tudo isso. Porém nossos Sábios explicaram por que D’us fez as coisas desta maneira. Se não fosse pelo instinto (yêtser hará) de querer superar o próximo, ter mais do que o próximo, ser o maior, etc., o mundo não teria ido para a frente. O que impulsiona o desenvolvimento é justamente esta corrida onde cada um quer buscar e atingir mais. E D’us quer um mundo habitável e não um deserto. Por isso Ele criou o ser humano com esta natureza.

Nossos antigos Sábios queriam abolir o "yêtser hará". Assim sendo se reuniram, rezaram a D’us e pediram e com seu poder espiritual e sobrenatural finalmente conseguiram afastar o instinto mal do homem. No dia seguinte ninguém sentiu nenhuma vontade, paixão, inveja, etc. Parecia um mundo perfeito. Mas por outro lado, ninguém estava com vontade de trabalhar, construir, realizar projetos, etc.; até a galinha não quis botar mais ovos. Então os Sábios entenderam que esta não é a maneira certa de fazer as coisas e que realmente D’us tinha razão em fazer o ser humano ter todas as características humanas, inclusive as de cobiçar as coisas do próximo.

Isto (o fato que D’us deu ao ser humano uma natureza com instintos baixos) é em termos gerais. Mas cada um em particular deve se esforçar para viver sua vida dentro dos parâmetros da Torá e direcionar estes instintos naturais para o bem do próximo. Existe muita gente boa nesta multidão que se dedica ao bem estar do próximo, se ocupa com os pobres, os abandonados, os miseráveis, etc.

Nossos Sábios nos aconselharam a olhar para cima, para quem tem mais em termos espirituais e tentar imitá-lo; e olhar para baixo para quem tem menos em termos materiais e ficar feliz e satisfeito com o nosso quinhão. Sempre tem aquele que encontra tempo para estudar, participar de uma aula de Torá, ligar para a mãe mais freqüentemente, fazer um favor mesmo não tendo sido solicitado, e assim por diante. Devemos tomar isso como um exemplo e tentar imitar tal comportamento. Isto significa usar a competição de maneira positiva.

Por outro lado em vez de querer mais para si, vejamos quantas pessoas têm muito menos do que nós. A felicidade não depende da quantidade de dinheiro ou tempo que a pessoa tem e sim da maneira como os aplica para uma boa causa.

Escravos

 

No judaísmo

Se D’us criou o homen livre e com livre arbítrio, porque Ele, segundo a Torá, permitiu aos judeus terem escravos? (Devarim 15:12)

RESPOSTA:

Escravos são mencionados pela primeira vez na Torá logo após o Dilúvio. Nôach amaldiçoou seu neto Canaã, dizendo que os canaanitas seriam escravos dos seus próprios irmãos. Nos tempos de Avraham, a escravidão era comum. Mesmo Avraham tinha escravos, mas eram "escravos" somente no nome; eram mais como membros da casa.

Os filhos de Israel haviam provado a amarga experiência da servidão quando foram escravizados pelos faraós do Egito por vários séculos. Jamais imporiam semelhante destino a qualquer outro ser humano. Aliás, a Torá prescreveu severas leis para a proteção dos escravos. Tantas eram as obrigações impostas ao amo, que havia entre os judeus o dito: "Aquele que compra um escravo, adquire um amo sobre si mesmo".

A possibilidade do judeu tornar-se escravo surgia no caso de roubo, quando o ladrão não pudesse restituir o bem roubado. O tribunal podia então vendê-lo como escravo. Outra possibilidade podia ocorrer quando um pobre se vendesse voluntariamente como escravo para pagar uma dívida com seu trabalho. Esta era justamente uma forma de regeneração: ao invés de ser mandado para a prisão, o ladrão era vendido como escravo para que desta forma convivesse com seu dono, reparasse seu erro e aprendesse a viver uma vida honesta.

Em cada um desses casos, quando chegava shemitá (o ano sabático, que ocorre a cada sete anos), o "escravo" tinha que ser libertado. A Torá, no entanto, garante ao escravo o "privilégio" de continuar na servidão, se assim o desejasse e estivesse muito afeiçoado ao seu senhor. Mesmo assim ele teria que sair livre no ano de jubileu. Desta forma, a Torá provê para que não exista nada semelhante a uma classe permanente de escravos na sociedade judaica, como era uma prática comum em todo o mundo e ainda persiste em alguns países. Até mesmo nos Estados Unidos, a escravidão foi abolida somente em 1865 (pela 13ª Emenda Constitucional).

A escravidão a qual se refere a Torá é totalmente diferente ao conceito de escravidão que conhecemos. Há uma série de leis sobre como deve ser tratado um escravo, muitas das quais estabelece que, suas necessidades devem ser supridas antes do dono. Por exemplo: a pessoa que tivesse um só travesseiro, é o escravo que o recebia para dormir, e não seu amo; o escravo deveria descansar no Shabat; deveria receber uma quantia em valores ou bens quando partisse em liberdade, etc. Um escravo fugido, por exemplo, que viesse a um judeu procurar asilo não deveria ser entregue ao seu senhor, mas sim receber refúgio e proteção, ao contrário de qualquer outra propriedade que um judeu tem a obrigação de devolver ao seu legítimo dono.

No ano de shemitá (sabático) os donos deviam libertar seus escravos. Caso o escravo não desejasse partir em liberdade, mas permanecer trabalhando na casa de seu senhor, sua orelha deveria ser furada.

Qual é o motivo desta lei? Explicam nossos Sábios: aquela orelha que ouviu os Dez Mandamentos e sabe que seu Único Senhor é D’us, mas mesmo assim deseja continuar submissa a um senhor de carne e osso, deve ser furada. Daqui vemos que a escravidão não é o estado natural do homem, e a Torá diz isso claramente.

Brachot Hashachar

Costumamos diariamente recitar nas Preces matinais a bênção ".Bendito seja D’us..que não me fez um servo".

Isto se refere ao escravo canaanita e a recitamos para agradecer a D’us pela liberdade de serví-Lo sem restrições de cumprir todos os mandamentos da Torá, não apenas alguns, como é o caso do servo. Num sentido mais profundo, essa bênção nos lembra que somos livres não só da servidão a outros, mas também da servidão à nosso própria natureza. Pois ninguém é mais escravo que aquele que é servo de suas próprias paixões e hábitos. Mas D’us nos concedeu a sabedoria e a capacidade de sermos verdadeiramente livres e isto depende somente da nossa própria vontade e determinação.

Assim como o dono, o escravo estava obrigado a cumprir as leis da Torá – o fato de ser escravo não o isentava de tal, e portanto, não tirava dele o livre arbítrio.

 

Lashon Hará

 

Quando alguém percebe de quem se trata

Se não se pode falar lashon hara, maledicência, mas uma pessoa fala mal de você e você guarda rancor, poderá se abrir para alguém e contar o assunto, sabendo que mesmo que você não cite nomes, a pessoa perceberá de quem está se tratando?

RESPOSTA:

O Chafets Chaim, grande sábio e escritor do famoso livro sobre lashon hara, refere-se a um caso como o que você descreveu (Chafets Chaim 3:4).

Se uma pessoa conta uma história sem especificar nomes, porém o ouvinte entenderá sozinho de quem se trata, também esta transgredindo a proibição de lashon hara. Mais do que isto, mesmo que em sua história a pessoa não contou nada negativo por si só, porém sabia que o ouvinte iria enxergar com olhos negativos o que estava contando, também é lashon hara. Este tipo de lashon hara é chamado por nossos Sábios de "lashon hara betsina" – "lashon hara encoberto".

 

Mágoa e rancor

 

Como dominá-los

Qual a visão da Torá sobre guardar mágoa ou rancor de alguém que nos prejudicou anteriormente?

RESPOSTA:

Esta pergunta é fácil de ser respondida, porém é algo muito difícil de ser cumprida e por isto achamos interessante acrescentar alguns esclarecimentos, além da resposta direta que consta na Torá (Vayicrá19:18): "Não se vingue nem guarde rancor… ame a teu próximo como a si mesmo."

Como pode uma pessoa realmente não guardar mágoa ou rancor? A primeira reação natural depois de ser prejudicado, ofendido ou envergonhado por alguém é de querer devolver na mesma medida para o outro provar o que acabamos de sentir, na melhor das hipóteses; ou querer se vingar e machucá-lo, na pior das hipóteses. Mesmo assim a Torá exige um comportamento ideal e exemplar – não somente não se vingar mas também não guardar rancor, nem sentir raiva, desejo de vingança, etc. no coração. E todo mundo acha que isto é algo impossível!

Basicamente a explicação vem de nossos Sábios no Talmud que fazem a seguinte afirmação: "Todo aquele que fica com raiva é considerado como que estivesse servindo ídolos."

Este dito é muito difícil de entender. Como se pode comparar os dois assuntos? Servir ídolos significa não acreditar em D’us Único, enquanto que ficar irado ou bravo é apenas uma emoção negativa.

O assunto foi explicado pelo Báal Shem Tov (fundador do Movimento Chassídico) e a explicação encontra-se no sagrado livro Tanya (Parte 4, cap. 25) do qual citaremos alguns trechos.

A pessoa que acredita que tudo vem de D’us sabe que Ele está ciente de tudo que ocorre no mundo. Estar ciente não significa que Ele é apenas um espectador, observando as coisas de longe ou de perto. Significa que o que acontece é porque assim D’us quis.

Embora o indivíduo que amaldiçoou, machucou ou prejudicou tem o livre arbítrio (opção de fazer o bem ou o mal), e optou pelo pecado de machucar seu semelhante, por causa desta escolha (errada) será punido pela justiça (humana e/ou celestial). Porém, aquele que apanhou foi prejudicado, porque assim foi decretado nos Céus. E se o primeiro tivesse usado seu livre arbítrio de maneira correta (declarando para D’us: "Não quero fazer este ato negativo"), D’us teria muitos outros meios e "emissários" pelos quais poderia trazer o que foi decretado para o segundo.

Em outras palavras, na hora que alguém nos prejudica devemos saber e acreditar que ele é apenas um "mensageiro", um office-boy Divino. Se a pessoa não pensa assim, na verdade não acredita em D’us! Pois se D’us não quisesse que tal coisa nos atingisse, aquele que quer nos machucar ou danificar não conseguiria atingir seu intento. E se ele conseguiu é porque esta é a vontade de D’us. Logicamente ele não poderá alegar que "merece uma recompensa por cumprir a vontade de D’us", porque como explicado acima, ele poderia muito bem dizer: "Não quero fazer isso".

Se a pessoa que foi prejudicada não pensa desta maneira (que isso foi decretado para ela e aquele que "executou" o decreto foi "usado") então esta pessoa realmente não acredita em D’us. E não acreditar em D’us é semelhante a servir ídolos. Agora é possível entender o dito dos nossos Sábios já mencionado.

Tudo isso é ótimo na teoria; na prática é muito difícil. Por isso exige um treino constante e um estudo profundo para poder assimilar este tipo de pensamento até que finalmente será possível aceitá-lo e incorporá-lo em nossas relações diárias.

Mesmo uma pessoa que já tenha estudado muito e tenha adquirido muito conhecimento de Torá também é apenas um ser humano com sentimentos, instintos e reações naturais que dificultam acatar este raciocínio. Porém "malhando" pode-se chegar lá. Não falamos que é fácil, mas tampouco impossível.

 

Fonte: http://www.chabad.org.br/

 

 

 

 
 
 
 
 
Anúncios
Esse post foi publicado em BEIT CHABAD. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s