Leitura da Torá – Porção Semanal: Parashá Vayechi (10/01)

 
 

 
Bereshit 47:28 – 49:26
Genesis 47:28-50:26
 
 

A Parashat Vaychi, a Porção final do primeiro livro da Torá, descreve as últimas ações de Yaacov antes de sua morte no Egito. Ele faz Yossef jurar que o enterrará na Terra de Israel. Yaacov então dá aos dois filhos de Yossef, Menashe e Ephraim, uma bênção especial que lhes confere o elevado status de serem duas tribos separadas dentre os filhos de Israel.

Apesar do protesto de Yossef, Yaacov insiste em conceder a Ephraim, o mais jovem, o direito de primazia de ficar à direita durante a bênção, declarando que Ephraim seria mais notável. Yaacov então dá a cada um de seus outros filhos uma bênção individual, apropriada a seus particulares traços de caráter e suas missões. Yaacov morre com a idade de 147 anos, e é levado pelos filhos, acompanhado por um grande séquito da realeza egípcia à Terra de Israel, onde é enterrado em M’arat HaMachpelá, onde já se encontram sua esposa Lea, seus pais Yitschac e Rivca, e os avós Avraham e Sara.

Ao retornarem ao Egito, os irmãos de Yossef temem que ele finalmente buscará vingança, agora que o pai está morto. Yossef lhes assegura que não nutre sentimentos de vingança, declarando que o fato de ter sido vendido como escravo foi parte do plano Divino. A porção conclui com a morte de Yossef, e o povo judeu promete carregar seus ossos com eles para Israel, quando serão finalmente redimidos.

Mensagem da Parashá

 

O rei leão

Por Rabi Chaim Goldberger

Quando Yaacov abençoa cada um de seus filhos na Porção da Torá desta semana, refere-se a Yehudá como um leão. Por que um leão?

Podemos assumir que assim como um leão é o rei dos animais, assim também Yehudá é o rei do povo judeu. Na verdade, o rei David descendia da tribo de Yehudá, assim como Mashiach, que também será rei do povo.

Porém, este é o único significado da metáfora do leão? Nem todos os reis são chamados de leões. Na verdade, Reuven, o irmão mais velho, deveria ter sido rei, até que perdeu o privilégio após um mau julgamento na Parashat Vayishlach. Sua realeza foi descrita com o termo no qual
Pirkê Avot (Ética dos Pais) descreve ser a qualidade do leopardo, não do leão. Então de que maneira Yehudá é como um leão?

Meu mentor, Rabi Yochanan Zweig, gosta de explicar esse ponto referindo-se a uma passagem no Talmud ao final do Tratado Kidushin. Rabi Shimon ben Eleazar disse: "Por toda minha vida, jamais havia visto um cervo trabalhando como fazendeiro, nem uma raposa como comerciante ou um leão trabalhando como porteiro, mesmo assim ganham a vida sem dificuldades, e foram criados apenas para me servir! Eu (homem), que fui criado para servir ao Todo Poderoso, deveria ganhar minha vida com menos dor, exceto pelo fato de que me comprometi ao pecar (i.e., Adam, pecando no Jardim do Éden, tornou o ganho do sustento uma questão de batalhas e labutas)."

Das três ocupações que aparecem nesta passagem, todas menos uma parecem fazer sentido. O trabalho de comerciante aparentemente precisaria de cérebro, o de porteiro precisaria de força muscular e o de fazendeiro, de uma combinação dos dois. Então, se a raposa tiver um emprego, sugere o Talmud, seria o de cuidar de uma loja, pois a raposa é conhecida por sua astúcia. E se o cervo tivesse de trabalhar, faria sentido que fosse um fazendeiro, pois o cervo tem força corporal para trabalhar os campos, e o intelecto para gerir eficazmente sua propriedade. Mas por que o leão seria o porteiro? O urrante e majestoso rei dos animais deveria ser relegado a um simples trabalhador, arrebentando as costas de trabalhar, se tivesse de labutar para ganhar a vida? Como podemos entender isso?

Rabi Zweig enfatiza que o leão não seria um porteiro para os outros animais – permaneceria como rei deles. Ao contrário, seria um porteiro para o homem. O que há de tão nobre em ser um "serviçal" para o homem? Porque o serviço de um porteiro é ser de total e absoluta servidão para seu cliente. As vendas do comerciante e as estruturas de preço do fazendeiro no atacado servem tanto a ele como trazem benefícios para o consumidor. Seu trabalho é simplesmente agradar o freguês.

O rei dos animais é aquele que percebe que sua função mais nobre e notável é permitir-se ser completamente usado pelo homem, seu superior. Este é Yehudá, o homem que seria rei, é aquele que admite sua absoluta inferioridade perante o Rei de todos os reis, e desta maneira sua realeza seria de governo poderoso e forte do povo, e ao mesmo tempo de serviço humilde e devotado ao Todo Poderoso.

Este foi o Rei David, um soberano poderoso e forte, mas também um homem humilde, servo devoto e doce cantor para D’us. Esta será também a qualidade de Mashiach (Messias): tanto um rei majestoso acima do homem, quanto um humilde servo do Criador.

Mau Hábito

Por Benyamin Cohen

Da mesma forma, rezar para D’us não é uma tarefa diária, mas uma chance de comunicação com o Divino.

O ser humano muitas vezes enxerga a vida através dos olhos do hábito. Muitas de nossas transgressões não brotam de um desejo consciente de errar, mas sim de uma falta de apreciação interna por uma ação em particular.

Rabi Chaim Shmulevitz descreve esta monotonia espiritual como "tardeimat hahergel". Esta inabilidade no homem de mudar sua perspectiva pode ter trágicas conseqüências, como fica evidente no Midrash da porção desta semana da Torá, que descreve com detalhes a história do funeral de Yaacov.

Chegando ao M’arat Hamachpelah, Esaú abordou os filhos de Yaacov e reivindicou o direito ao túmulo que estava sendo usado para Yaacov. Seguiu-se uma discussão e os irmãos enviaram Naphtali, que era famoso por sua fala, correr ao Egito para conseguir os documentos apropriados. Durante a confusão, Chushim, o filho surdo de Dan, exclamou: "Ficaremos aqui esperando até Naphtali voltar, enquanto meu avô jaz num estado de desgraça?" Imediatamente, Chushim tomou da espada e cortou fora a cabeça de Esaú.

Rabi Shmulewitz considera por que os outros descendentes de Yaacov, seus próprios filhos, não se sentiram tão incomodados pelos acontecimentos como Chushim. Ele explica que os filhos de Yaacov ficaram tão hipnotizados pela discussão com Esaú que no ínterim acabaram se esquecendo da desgraça que eram os restos mortais insepultos de Yaacov. Os filhos de Yaacov foram importunados com tédio espiritual, "tardeimat hahergel", que os deixou insensíveis aos assuntos mais urgentes que estavam bem à vista – o funeral do pai. Apenas Chushim, cuja incapacidade de ouvir o impedia de participar ativamente na discussão, pôde conservar a clareza de mente e uma renovada perspectiva que precipitou sua reação.

A habilidade de mudar nossa perspectiva pode remediar muito de nossa indisposição. O jugo das mitsvot pode ser visto como um fardo, uma carga de pedras a ser arrastada durante a vida, ou uma bolsa de diamantes, que quando carregada até seu destino trará enorme recompensa. Um bem conhecido motivacionista contemporâneo comenta que um despertador é, na verdade, um relógio de oportunidades, alertando-nos a respeito das muitas horas potencialmente construtivas do dia. Da mesma forma, rezar para D’us não é uma tarefa diária, mas uma chance de comunicação com o Divino.

Seleções do Midrash

 

Yaacov pede a Yossef que o enterre em Êrets Yisrael

Após muitos anos de dificuldades, Yaacov passou seus últimos anos no Egito, em paz e felicidade imperturbáveis. Viu Yossef soberano, e todos os filhos, sem exceção, tsadikim que seguiram sua senda.

A Torá define seus últimos dezessete anos como "Anos de Vida", pois o Espírito Divino pairava sobre Yaacov. D’us compensou-o desta forma pelos vinte e dois anos que passara enlutado por Yossef. A Yaacov aplica-se o dito: "Tudo está bem, se termina bem."

Yaacov vivia com os filhos e netos no Egito, numa localidade chamada Goshen. Somente seu filho Yossef vivia na capital, porque era o governante.

Aos poucos, envelheceu e ficou mais fraco, até sentir que a morte se aproximava. Yaacov então pediu a Yossef que fosse visitá-lo. Disse a Yossef: "Quero que me faça uma promessa. Após minha morte, certifique-se de que eu não seja enterrado aqui no Egito! Leve meu corpo para Êrets Yisrael, a Terra Santa, e sepulte-me na Gruta de Machpelá onde estão meus pais, Avraham e Yitschac."

Yaacov ordenou isto a Yossef em vez de fazê-lo a qualquer dos outros filhos, porque sabia que não possuíam poder para realizar seu desejo. Apenas Yossef, o governador, poderia obter permissão do Faraó para deixar o Egito a fim de levar os restos mortais de seu pai a Êrets Yisrael. Yaacov fez Yossef jurar que faria isso por ele, e Yossef jurou.

Yaacov ficou feliz. Virou-se para a Presença Divina que pairava sobre sua cama (uma vez que a Divindade está presente sobre a cama de um enfermo) e curvou-se, agradecendo a D’us por seu desejo ter sido concedido.

O Midrash explica: Por que Yaacov pediu para não ser sepultado no Egito, mas apenas em Êrets Yisrael

Yaacov tinha várias razões pelas quais não queria ser enterrado no Egito:

  • Com seu dom profético previu que, um dia, D’us enviaria dez pragas sobre os egípcios, e uma delas seria a praga dos piolhos. Os piolhos cobririam a terra do Egito e Yaacov não queria que seu corpo fosse coberto de piolhos.
  • Yaacov temia que se fosse enterrado lá, seus descendentes considerariam o Egito sua pátria e terra natal. Ponderariam: "Se não fosse uma terra sagrada, não teria sido enterrado aqui." Queria que seus descendentes estivessem sempre conscientes do fato de que estavam no Egito apenas temporariamente.

    Yaacov também tinha uma razão para desejar especificamente ser enterrado em Êrets Yisrael:

  • Nossos sábios ensinam que aqueles que são enterrados em Êrets Yisrael serão os primeiros a levantar-se em Techiyat Hametim (ressurreição dos mortos).

Qual o destino de um judeu enterrado fora de Êrets Yisrael? D’us criará túneis subterrâneos especiais. Através desses, o corpo irá revolvendo-se até Êrets Yisrael. Então reviverá na Terra Santa. Portanto, Yaacov instruiu Yossef: "Não me enterre no Egito. Gostaria de ser poupado de revolver-me até Êrets Yisrael na ressurreição dos mortos."

Pediu também a Yossef: "Quero descansar junto com meus pais, e levantar em boa companhia quando chegar a hora certa."

Um judeu deve fazer os arranjos necessários para ser enterrado perto de tsadikim, justos, a fim de estar perto deles na hora da ressurreição.

Yaacov foi o primeiro homem a ficar doente antes de morrer

Até a época de Yaacov, as pessoas estavam bem, e então, quando chegava a hora de seu falecimento, morriam subitamente. Ao final da vida, a pessoa espirrava uma vez, e com este espirro a alma deixava o corpo. (Por isso, quando alguém espirra, é costume desejar-lhe "Saúde!", para nos lembrar que certa vez, há muito tempo, o espirro era fatal, e agora, graças a D’us, não é mais.)

Yaacov rezou a D’us: "Se uma pessoa morre subitamente, não tem tempo de abençoar os filhos e dar-lhes instruções, nem resolver seus assuntos. Por favor, D’us, permita que haja um tempo preparatório de doença antes da morte, para que seja possível cuidar da minha família e fazer todos os arranjos necessários."

D’us aceitou a prece de Yaacov. Quando este ficou doente, sabia que estava na hora de abençoar os filhos e dar-lhes seus últimos ensinamentos.

Todos os nossos patriarcas formularam pedidos semelhantes a D’us:

  • Antes da época de Avraham, todas as pessoas tinham aparência jovem até falecerem. Avraham pediu a D’us que lhe conferisse sinais de idade, argumentando: "Se pai e filho têm a mesma aparência, como as pessoas saberão qual honrar ao adentrarem juntos um recinto? Distinga um homem idoso através de sinais como cabelos brancos e rugas. Então as pessoas saberão a quem respeitar."

    D’us respondeu-lhe: "Você pediu algo bom! Por isso, começarei com você." Então Avraham começou a parecer-se com um idoso, e depois dele, toda a humanidade começou a apresentar sinais externos da idade.

  • Antes de Yitschac, ninguém jamais sentira dor. Veio então Yitschac e pediu dor e sofrimento. Disse a D’us: "Se alguém morrer sem a vivência da dor, ser-lhe-á aplicada toda a rigorosidade do julgamento Celestial. Dores neste mundo poupá-la-ão da punição no Mundo Vindouro."
    D’us respondeu: "Você pediu algo bom! Começarei por você!" Em seguida, Yitschac ficou cego.
    o Yaacov pediu por doenças antes da morte.

    D’us disse: "Você pediu algo bom! Começarei com você!" Conseqüentemente, Yaacov tornou-se o primeiro homem a adoecer antes de falecer.

  • Antes da época do rei Chizkiyáhu, ninguém se recuperava de uma doença fatal. Chizkiyáhu rezou a D’us: "Se um homem permanecer saudável até sua morte, esquecerá de fazer teshuvá. Mas se alguém ficar gravemente enfermo, fará teshuvá, na esperança de recuperar-se."

    D’us disse: "Você pediu algo bom! Começarei com você!" Chizkiyáhu ficou gravemente doente, mas recuperou-se.

Este Midrash é um surpreendente guia para nossos dias e época. Se pudéssemos formular um desejo a D’us, qual seria? Certamente, expressaríamos nosso desejo de juventude eterna, saúde, felicidade, e assim por diante. O Midrash nos conta que os patriarcas pediram justamente o contrário! Pediram para parecerem velhos, para terem dor e sofrimentos!

Por que reagiram de maneira diferente? A resposta é que atribuímos grande importância ao bem-estar neste mundo. Nossos patriarcas, contudo, estavam sempre cônscios de que o objetivo da existência é o Mundo Vindouro. Portanto, pediram o que quer que promovesse o bem-estar espiritual e rejeitaram tudo o que pudesse ser obstáculo ao bem-estar da alma.

Yaacov abençoa Efráyim e Menashê

Pouco depois, Yossef recebeu uma mensagem que dizia: "Seu pai está gravemente doente!" Esta notícia lhe foi trazida através de seu filho Efráyim, que freqüentava a casa de Yaacov em Goshen, a fim de estudar Torá. Foi à capital egípcia para relatar a seu pai acerca da condição crítica de Yaacov.

Osnat, esposa de Yossef, aconselhou-o: "Receber uma bênção de um tsadic equivale a receber uma bênção de D’us. Leve nossos filhos a Yaacov, a fim de que os abençoe!" Chamou imediatamente seus dois filhos, Efráyim e Menashê, e viajou com eles a Goshen.

Yaacov, debilitado pela doença, estava na cama quando o informaram: "Seu filho Yossef chegou." Fortaleceu-se e sentou na cama. Disse: "Apesar da pessoa que chegou ser meu filho, é também um rei." Yaacov também esforçou-se para sentar-se ereto, pois queria evitar que suas palavras pudessem ser consideradas as de um homem senil. Temia que, mais tarde, alguém alegasse:
"Yaacov deu suas bênçãos quando sua mente já não estava mais clara."

Yaacov prometeu a Yossef: "A você, Yossef, estou concedendo um presente especial. Tratarei você como um primogênito que recebe uma porção dupla. Não será contado apenas como uma tribo, mas seus filhos Efráyim e Menashê serão contados como duas tribos separadas!"

Yaacov aproveitou este momento para esclarecer a seu filho, porque estava incumbindo-o de levar seu corpo para ser enterrado em Êrets Yisrael sendo que não havia feito o mesmo com a mãe de Yossef. Ao contrário de todas outras matriarcas, Rachel fora enterrada no meio do caminho, em Bet Lêchem.

"Quando vim de Padan Aram, Rachel morreu. Sua morte me foi mais penosa que qualquer outra tribulação pela qual passei. Enterrei-a à beira da estrada. Sei que você se ressente disso desde que pedi-te para fazer o que falhei em realizar para sua mãe. Contudo, acredite-me, desejava tanto quanto você que ela fosse enterrada comigo na Gruta de Machpelá."

"Apenas diga uma palavra, pai, e ela será levada à Gruta de Machpelá," disse Yossef.

"Você não pode fazer isto, meu filho," retrucou Yaacov, "pois foi pela ordem de D’us que enterrei-a em Bet Lêchem. D’us revelou-me que, no futuro, Benê Yisrael serão exilados por Nevuchadnêtsar, (Nabucodonosor) o rei da Babilônia e em seu caminho passarão pelo túmulo de Rachel. Então sua mãe Rachel suplicará a D’us que tenha misericórdia deles, e Ele aceitará a oração dela."

Quando Yossef entrou com seus dois filhos, Yaacov perguntou: "Quem são esses?" Yaacov não podia enxergar bem devido à idade avançada e não os reconheceu.

"Estes são meus filhos," respondeu Yossef.

"Traga-os mais perto e eu os abençoarei," Yaacov disse.

Yossef colocou Menashê, o filho mais velho, à direita de Yaacov, e o filho mais novo, Efráyim, à sua esquerda.

Yaacov pousou as mãos sobre a cabeça dos netos – mas de maneira estranha: ao invés de colocar a mão direita sobre a cabeça de Menashê, que estava à sua direita, e a mão esquerda sobre Efráyim, Yaacov cruzou os braços. Sua mão direita ficou sobre a cabeça de Efráyim e a esquerda, sobre Menashê.

Antes que Yossef pudesse protestar, seu pai iniciou a bênção:

"Que D’us, que sempre enviou Seu anjo para proteger-me, envie também Seu anjo para abençoar estes rapazes. Que eles sempre mereçam ser chamados de filhos de Avraham, Yitschac e Yaacov. E assim como o peixe se multiplica nas águas, possam os filhos de Yossef tornar-se fortes e se multiplicarem na Terra (de Êrets Yisrael)."

Yossef pensou que seu pai confundira as idades dos seus filhos. Pegou a mão do pai para colocá-la sobre a cabeça de Menashê. "Não é assim, meu pai," explicou Yossef. "Este é que é o primogênito! Coloque a mão direita sobre sua cabeça!"

Yaacov retrucou: "Yossef, você acha que não estou consciente de um fato tão óbvio para você? O meu dom profético me revela coisas que você nunca me disse. Sei que você foi vendido. Sei dos motivos de Reuven, quando pecou. Sei dos pensamentos de Yehudá quando aproximou-se de Tamar. E você pensou que eu não saberia qual de seus filhos é o mais velho?

"Troquei as mãos de propósito," explicou ele. "Tanto Menashê como Efráyim terão descendentes notáveis. Mas Efráyim, o mais jovem de seus filhos, será mais famoso. Terá um descendente, o grande líder Yehoshua, que trará os judeus até Êrets Yisrael e um dia fará com que o sol fique parado no firmamento enquanto luta contra seus inimigos. Coloquei minha mão direita sobre Efráyim
porque sei que a tribo de Efráyim tornar-se-á mais importante."

"A bênção de Efráyim e Menashê servirá de modelo a todos os pais judeus ao abençoarem seus filhos: ‘Possa D’us torná-los como Efráyim e Menashê!’"

Porque Efráyim e Menashê foram escolhidos como exemplos para todas bênçãos futuras concedidas de pais para filhos, em vez de Avraham, Yitschac e Yaacov? A resposta é que os primeiros judeus nascidos e educados no exílio e que permaneceram leais à Torá, a despeito do ambiente egípcio foram Efráyim e Menashê. Por isso, são os nossos modelos.

Após abençoar os filhos de Yossef, Yaacov anunciou: "Estou prestes a morrer, mas D’us estará com vocês, e enviar-lhe-á Seu redentor, para libertá-los do exílio egípcio. Revelarei a vocês sinais através dos quais poderão identificar o verdadeiro redentor: ele pronunciará a expressão ‘pacod yifcod’ (‘Eu Me lembrei’)."

(Antes do seu próprio falecimento, Yossef, transmitiu esta mensagem de Yaacov a Serach, a filha de Asher, neta de Yaacov, que sobrevivera a todos os outros membros de sua geração. Ela ainda estava viva na época em que Moshê chegou ao Egito. Revelou a Benê Yisrael: "Se ele pronunciar as palavras pacod yifcod, é o verdadeiro mensageiro de D’us!" Por isso, assim que o povo ouviu estas palavras da boca de Moshê, acreditaram nele e em sua missão.)

Yaacov prometeu a Yossef: "Como recompensa por você ter tido o trabalho de levar-me a Êrets Yisrael para enterrar-me, eis que te concedo a cidade de Shechem como teu local de sepultura (além da porção de terra que receberá com teus irmãos). Tomei Shechem das mãos do emoritas na época em que levantei-me com arco e flecha para ajudar Shimon e Levi, após terem aniquilado Shechem."

Yaacov abençoa seus doze filhos


Yaacov reuniu todos os doze filhos a fim de dar-lhes a bênção de despedida. Rezou para que D’us ouvisse as orações de seus filhos em tempos de necessidade. Então profetizou: "Vocês serão reunidos na época da redenção do Egito, e sairão de lá eretos e de cabeça erguida. Purifiquem-se, para que minhas bênçãos tenham efeito! Permaneçam juntos e unidos, então serão merecedores da definitiva redenção, através de Mashiach!"

Quando todos os filhos estavam ao redor do leito paterno, ele anunciou-lhes: "Agora revelarei um
segredo a vocês. Contarei quando Mashiach virá ao final do exílio."

Mas quando Yaacov quis continuar falando, não pôde. D’us não lhe permitiu, porque não queria que os judeus soubessem a data da chegada de Mashiach.

Yaacov ficou preocupado. "Por que D’us tirou de mim a profecia, para que eu não pudesse falar
mais?" – pensou ele. Talvez seja porque um de meus filhos não seja um tsadic?! Talvez um ou alguns deles adorem ídolos, como seu antepassado ou seu avô Lavan fez?"

Yaacov perguntou aos filhos: "Vocês servem apenas a D’us?"

Todos responderam juntos: "Shemá Yisrael Hashem Elokênu Hashem Echad – Ouve, ó Israel (Yaacov), D’us é nosso Senhor, D’us é um!"

Yaacov inclinou-se para agradecer D’us e respondeu em voz baixa: "Baruch Shem Kevod Malchutô
Leolam Vaed – Bendito seja o nome da glória de Seu reino para toda a eternidade -Louvado seja D’us! Meus filhos são todos tsadikim que servem a Ele!"

Então Yaacov abençoou seus doze filhos: repreendeu os que mereciam repreensão, mas não na presença dos outros, para que não se envergonhassem. Os elogios e as bênçãos foram ditos na presença de todos, pois Yaacov desejava alegrar seus corações.

Suas palavras foram proféticas. Quase todas já se cumprido, e algumas tornar-se-ão verdadeiras na era de Mashiach.

A bênção de Reuven

A Reuven, Yaacov disse:

"Reuven, você é meu primogênito. É um primogênito muito especial, que merece ser louvado!
Diferente da maioria dos primogênitos, que são ladrões e assaltantes. Essav estava preparado para trazer animais a seu pai, mesmo que tivesse que roubá-los; mas você foi zeloso em não tocar no que não te pertence. Quando saiu ao campo, na época da colheita, certificou-se em trazer para sua mãe apenas flores silvestres, sem dono.

"A maioria dos primogênitos odeia os irmãos: Cáyin odiava Hêvel, Yishmael odiava Yitschac, Essav odiava Yaacov. Mas você foi bondoso, dizendo a seus irmãos que não derramem o sangue de Yossef. Normalmente o primogênito da família está encarregado do serviço de D’us, merece honras, e recebe uma porção dupla dos pertences do pai.

"Porém você, Reuven, não receberá nada disso, porque pecou. Agiu de maneira muito precipitada, como um rio de corredeira. Devido à tua pressa, explodindo de raiva como água que se apressa em seu curso, você não será elevado a nenhuma dessas posições superiores. Desde quando demonstrou zelo por tua mãe, e desarrumou ambos os leitos, o de teu pai e o da Divindade. (Yaacov refere-se aqui ao episódio ocorrido na parashá de Vayishlach, quando Reuven interferiu nos arranjos matrimoniais de seu pai).

"Por isso, os cohanim, que realizam o serviço de D’us, não virão de sua tribo (mas de Levi), e os reis não descenderão de você (mas de Yehudá) e você não receberá duas porções como um primogênito. (Em vez disso, os filhos de Yossef tornaram-se duas tribos.)

"Não cometa mais pecados no futuro, e então D’us o perdoará!"

A bênção de Shimon e Levi

A Shimon e Levi, Yaacov disse:

"Vocês dois, Shimon e Levi são irmãos (agiram como irmãos em relação a Dina, mas não a Yossef). Vocês têm personalidades semelhantes, e gostam de fazer as coisas juntos. Ambos destruíram Shechem, e ambos quiseram matar Yossef.

"Mas prestem atenção: Vocês geralmente ficam furiosos e exaltados, e por isso cometem erros. Suas armas são roubadas de Essav, pois ingressaram numa profissão que não era deles, quando aniquilaram o povo de Shechem. A arte bélica e o uso de espadas é próprio de Essav, não de nossa família.

"Além disso, o povo judeu luta de maneira diferente que os não-judeus; nossas principais armas são nosso estudo de Torá e preces.

"Será muito perigoso se as tribos de Shimon e Levi permanecerem juntas; portanto, eu as separarei uma da outra quando se estabelecerem em Êrets Yisrael. A terra de Shimon será bem no meio da terra de Yehudá, e a tribo de Levi será dispersa por toda Êrets Yisrael, em quarenta e oito cidades diferentes."

(No futuro, a maioria dos pobres, escribas e professores descenderiam da tribo de Shimon. Assim, a profecia de Yaacov que esta tribo se manteria dispersa seria realizada desta maneira: estes indivíduos seriam obrigados a perambular para angariar tsedacá ou para procurar o seu sustento. Também a tribo de Levi estará dispersa, em conseqüência de terem que viajar para coletar seus proventos de outros. Mas pelo menos para a tribo de Levi esta dispersão se concretizou de maneira mais honrosa: viajavam para coletar os dízimo e presentes, que lhe eram devidos.)

Quando as outras tribos ouviram as severas palavras de Yaacov, começaram a retirar-se uma a uma, esperando um sermão similar. Mas Yaacov chamou Yehudá e elogiou-o.

"Yehudá, você agiu corretamente, admitindo sua culpa no caso de Tamar."

A bênção de Yehudá

Yaacov abençoou Yehudá:

"Yehudá, todos seus irmãos admitem que você é o rei e líder entre eles. A nação inteira portará teu nome. Não serão chamados de Reuvenim ou Shimonim, mas de Yehudim – judeus!

"A princípio, será comparado a um jovem leão, porém mais tarde será comparado a um grande e poderoso leão, de quem todos sentem medo."

Yaacov comparou Yehudá primeiro a um leão pequeno e jovem, e depois a um leão adulto. Yaacov previu que a tribo de Yehudá ficaria cada vez mais forte, como um filhote de leão que se desenvolve até ficar adulto. A tribo de Yehudá começaria a se fortalecer durante os quarenta anos no deserto. O estandarte de Yehudá viajava na frente de todas as outras. E mais, quando os judeus chegassem a Êrets Yisrael, Yehuda seria o primeiro a lutar contra os canaanitas. O primeiro juiz, Otniel ben Kenaz, viria também da tribo de Yehudá. Mas tudo isso era apenas o começo da força de Yehudá.
Yehudá finalmente seria como "um jovem leão" na época de David, o poderoso rei, que sobrepujaria seus inimigos com a coragem e força de um leão.

Tanto o "jovem leão" como o "leão adulto" podem ser interpretados como descrições do próprio Rei David. No início, David seria apenas um general e ainda não muito poderoso, como um "jovem leão." Mais tarde seria coroado rei e tornar-se-ia poderoso como um grande leão.

Yaacov continuou a abençoar Yehuda: "De você, Yehuda, descenderão os líderes ao povo judeu até a época de Mashiach, chamado de Shilô. Mashiach também será descendente de Yehudá.

As colinas de Yehudá em Êrets Yisrael ficarão tão repletas de vinhas com uvas vermelhas que as colinas parecerão rubras, e seus campos parecerão brancos por causa do cereal abundante e das inúmeras ovelhas."

A bênção de Zevulun

Yaacov abençoou Zevulun:

"Quando Êrets Yisrael for dividida entre as tribos, você receberá uma porção ao longo da costa. Viajará em navios cruzando os mares para negociar com as outras nações."

A tribo de Zevulun fez um acordo com a tribo de Yissachar: os homens de Zevulun viajariam a negócios, enquanto que os membros de Yissachar estudariam Torá o dia inteiro. Os mercadores de Zevulun dividiriam seus ganhos com os estudiosos de Torá de Yissachar. Em troca, D’us daria uma parte da recompensa do aprendizado de Torá de Yissachar para Zevulun.

Uma história: A recompensa por fazer caridade

Nos tempos antigos, viajar pelo oceano era muito perigoso. Muitos navios afundavam.
Um judeu que costumava fazer muita caridade certa vez viajou de navio.

Rabi Akiva estava caminhando pela praia quando viu o homem embarcar no navio. Quando Rabi Akiva olhou para o oceano uma terrível tempestade estava se formando. Logo o navio não poderia mais enfrentar as fortes ondas. A água começou a inundar o convés, e muito lentamente, o navio começou a afundar, até que finalmente desapareceu dentro da água.

"Que pena que este maravilhoso judeu tenha se afogado!" – pensou Rabi Akiva. "Irei aos rabinos do Beit Din e informá-los-ei de que este homem está morto. Então permitirão que sua esposa se case com outra pessoa."

Quando Rabi Akiva entrou no edifício onde os sábios do Tribunal Rabínico costumavam se reunir, outro homem também entrou. Rabi Akiva não pôde acreditar em seus próprios olhos. O homem se parecia exatamente com aquele que havia visto embarcar no navio que acabara de afundar!
"Desculpe-me," Rabi Akiva disse surpreso, "mas não vi o senhor a bordo daquele navio que acabou de naufragar?"

"Sim," disse o homem.

"Como foi então que se salvou do afogamento naquele mar terrível e furioso?" – perguntou Rabi Akiva.
"Foi o fato de doar dinheiro para caridade que me salvou," replicou o homem.

"Como sabe disso?" – inquiriu Rabi Akiva.

"Quando eu já estava no fundo da água," disse o homem, "ouvi o anjo do mar chamando: ‘Rápido, ajude-nos a levar este homem para cima! Ele deu dinheiro para caridade durante toda a vida!’ Senti-me sendo levantado e empurrado para a terra seca."

"Que maravilha!" – exclamou Rabi Akiva. "Que maravilhosa demonstração de como a caridade salva uma pessoa da morte!"

Um dos melhores tipos de caridade é sustentar estudiosos da Torá sem recursos. Ao oferecer-lhes dinheiro, permitimos que continuem seus estudos. Assim fazendo, ganhamos também um quinhão em seu aprendizado de Torá.

A bênção de Yissachar

Yaacov abençoou Yissachar.

"Yissachar é comparado a um jumento ossudo que carrega o fardo colocado às suas costas pelo amo. Assim também, os membros de Yissachar aceitam as provações e fardos para estudarem diligentemente a Torá. Muitos deles tornar-se-ão membros do Supremo Tribunal, e decidirão as questões da Lei Judaica."

(Por que Yissachar é comparado a um burro? Acaso os elogios a Yissachar não se destacariam ainda mais se Yaacov o tivesse descrito como leão ou pantera, em vez de burro? A resposta é que o caráter do burro difere do dos outros animais. O burro não se rebela contra seu dono quando este impõe-lhe uma carga, mas suporta-a pacientemente. A mesma característica é verdadeira para Yissachar. Ele aceita de boa vontade o jugo da Torá. Como o burro não se importa com seu próprio prestígio, mas com a honra de seu dono, assim também Yissachar, o estudante da Torá, desconsidera sua própria honra, e vive para glorificar o Nome de D’us.)

"Ao contrário de Zevulun, os membros de Yissachar não viajaram ao exterior para negociar. Ficaram sentados na quietude de suas casas de estudo, a fim de adquirir um conhecimento vasto e profundo da Torá. Saberão então como ensinar e orientar outros judeus. Como as costelas do burro são salientes e claramente visíveis, assim é a Torá de Yissachar, de magna clareza.

Como o burro, que não tem estábulo, mas deita-se para dormir entre as fronteiras de qualquer cidade aonde carregue mercadorias, assim é Yissachar, preparado para sacrificar as comodidades da vida em prol do seu estudo.

"A terra de Yissachar em Êrets Yisrael será abençoada e produtiva. Os membros de Yissachar não precisarão passar muito tempo trabalhando a terra. Ao contrário, poderão ocupar-se com o estudo de Torá, sem ter que investir muito tempo nos negócios."

Os frutos da porção de Yissachar eram tão gigantescos que quando eram vendidos à outras nações, estas ficavam perplexas com seu tamanho. Os judeus lhes diziam: "Vocês se surpreendem com esses frutos? Se vissem seus donos, que estudam Torá dia e noite sem parar, então entenderiam! D’us deu-lhes enormes frutos, proporcionais aos tremendos esforços que investem no estudo da Torá!"

Em conseqüência, muitos não-judeus se converteram ao judaísmo.

A bênção de Dan

Yaacov abençoou Dan:

"Dan é comparável a uma serpente, de duas formas:

1 – Quando os judeus viajarem pelo deserto, a tribo de Dan viajará atrás de todas as outras tribos. Como cobras, os homens de Dan lutarão contra os inimigos atacando-os pela retaguarda.

2 – Yaacov comparou o juiz Shimshon, em particular, a uma cobra. Yaacov previu: "O forte e poderoso Shimshon ficará de tocaia ao lado da estrada, e então saltará subitamente e atacará os inimigos dos judeus, os pelishtim. Matará os soldados mais fortes entre os pelishtim, mesmo os que tem cavalos.

Yaacov visualizou também a queda e morte de Shimshon. Por isso, exclamou: "Lishuatechá kivíti D’us – ainda teremos que esperar pelo redentor final para trazer-nos a salvação definitiva!"
Por que Yaacov comparou Yehuda a um leão e Dan a uma cobra?

O leão e a cobra têm métodos de luta diferentes. O leão é o mais forte de todos os animais, e nada teme. Por isso, ataca e luta abertamente. A serpente, porém, fica na espreita enquanto aguarda. Ataca de repente, furtivamente, para derrubar sua vítima. Yaacov previu: "A tribo de Yehuda lutará como um leão – em campo aberto. A tribo de Dan, porém – especialmente Shimshon, o juiz oriundo da tribo de Dan, usará os métodos da serpente; seus membros atacarão os inimigos de surpresa e os dominará fazendo movimentos falsos e inesperados."

A bênção de Gad

Yaacov abençoou Gad:

"Os homens de Gad serão fortes heróis de guerra. Marcharão na frente quando os judeus conquistarem Êrets Yisrael na época de Yehoshua. Depois, os homens de Gad retornarão em paz para sua própria terra, na margem leste do Jordão, e nenhum deles faltará. Será perigoso para eles ali viverem, porque estão cercados de inimigos. Porém, derrotarão os adversários e os perseguirão de volta até seus países, e lá, se apropriarão dos despojos."

A bênção de Asher

Yaacov abençoou Asher:

"A terra de Asher produzirá ricos frutos. Muitas oliveiras crescerão na porção de Asher em Êrets Yisrael, fazendo o azeite fluir do solo como água. Judeus de todas as partes virão até ele para comprar azeite de oliva. Asher suprirá óleo para o serviço do Bet Hamicdash."

A bênção de Naftali

Yaacov abençoou Naftali:

"Naftali é comparado a uma gazela."

Havia duas razões para Yaacov comparar Naftali a uma gazela:

1 – Assim como a gazela corre rápido, assim os frutos na parte de Êrets Yisrael pertencente a Naftali amadurecerão mais rapidamente que em qualquer outro lugar. O povo de Naftali será o primeiro a fazer a bênção "Shehecheyánu" sobre uma nova fruta.

2 – O próprio Naftali, e mais tarde muitas pessoas de sua tribo, serão ligeiros e rápidos como a gazela. Quando os judeus precisarem de um mensageiro ágil para levar as notícias a qualquer lugar, enviarão um homem de Naftali.

A bênção de Yossef

Yaacov abençoou Yossef:

"Yossef é um filho gracioso, um filho que encontra graça aos olhos de quem o vê."

Yossef mereceu esta bênção relacionada com o olhar, por ter protegido sua mãe do olhar de Essav. Na parashá de Vayishlach, quando Essav veio ao encontro de Yaacov, Yossef pensou: "Talvez este perverso fixe seus olhos em minha mãe e a cobiçará". Então, resolveu posicionar-se em frente dela, aumentando sua estatura para encobri-la. Por isso, foi abençoado por Yaacov: "Você cresceu para bloquear a visão de Essav, portanto merecerá grandeza"

Yaacov, continuou exclamando:" Moças, ficaram de pé para vê-lo sobre os muros do Egito, atirando-lhe jóias".

As palavras de Yaacov referem-se ao episódio ocorrido quando Yossef tornou-se vice-rei. Foi conduzido pelo Egito inteiro, e todas as mulheres egípcias, até as nobres, subiram ao topo dos telhados, atirando suas jóias sobre Yossef, a fim de atrair sua atenção. Contudo, ele não deu sequer uma olhada.

"Yossef foi amargurado, odiado mas permaneceu firme (resistindo à esposa de Potifar). Controlou-se e não pecou. Portanto, mereceu ornamentos de ouro em seus braços (dados por Faraó). Conseguiu resistir ao pecado, pois teve uma visão de seu pai Yaacov.

"Por isso, D’us te abençoará, dando-lhe uma região abençoada com o orvalho dos céus e água da terra num local privilegiado.

"Bendita é a mãe cujos seios amamentaram um filho tão grande, e o útero que deu à luz um filho tão sábio!"

(Yaacov amava tanto Rachel que mesmo abençoando Yossef, seu filho, mostrava preferência por Rachel, atribuindo ao seu filho qualidades dela. Reconhecia que a virtude de Yossef era resultado de ter nascido de Rachel, a tsadeket.)

"Sejam as mulheres da tribo abençoadas para que não percam seus bebês, e para que não lhes falte leite para alimentá-los".

"Você, Yossef, será abençoado com bênçãos ainda maiores que aquelas que meus pais Avraham e Yitschac me concederam: a bênção sem limites, englobando o mundo inteiro. Que todas minhas bênçãos se tornem realidade para você, Yossef, que tornou-se um governante no Egito e mesmo assim não se descuidou da honra de seus irmãos."

A bênção de Binyamin

Yaacov abençoou Binyamin:

"A tribo de Binyamin será forte como um lobo que despedaça sua presa. O Beit Hamicdash será construído na porção de Binyamin em Êrets Yisrael, e ali D’us deixará Sua Divindade repousar."
Quando o rei Salomão estava prestes a construir o Bet Hamicdash, as tribos começaram a brigar entre si. Cada uma dizia: "O Bet Hamicdash deve ser construído na minha porção." D’us exclamou: "Tribos, todas vocês são tsadikim! Contudo, são todas sócias na venda de Yossef; com exceção de Binyamin, que não participou. Portanto, desejo habitar nessa porção."

Por que Yaacov comparou a força de Yehuda àquela de um leão e a força de Binyamin à de um lobo?

Depois que um lobo despedaça um animal, não permanece no lugar, mas abocanha alguma carne e foge correndo. Um leão, porém, não tem medo de ficar perto do animal abatido e banquetear-se com ele. Binyamin foi comparado a um leão porque o rei da tribo de Binyamin, Shaul, governou apenas por um curto período de tempo. Yehuda, porém, foi comparado a um leão porque o reino de David perdurou por muitos anos, e então o governo foi transmitido para sempre aos filhos de David.

Por que Yaacov comparou seus filhos a animais?

Por que Yaacov utilizou-se de animais e feras como meio de comparação ao abençoar seu filhos?
Desejava, desta forma, indicar traços louváveis a seus descendentes. Quando um não-judeu quer obrigar o judeu a abandonar a Torá e mitsvot, Benê Yisrael tornam-se teimosos e ferozes como feras, recusando-se a obedecer. D’us, por outro lado, sempre Se refere a seu povo como a uma pomba, pois quando Ele ordena, seguem-No mansos como uma pomba.

Apesar de Yaacov abençoar cada filho com um atributo específico; como por exemplo: Yehudá com a força de um leão, Naftali com a rapidez da gazela, e Binyamin com a força de compreensão de um lobo; também deu a cada um as qualidades de todos os irmãos, combinadas. Todos poderiam ter a força de leões e a rapidez da gazela, e assim por diante. Mas cada tribo se destacava por uma qualidade especial.

Analogamente, apesar de Yaacov Ter dado uma bênção especial a cada porção de terra em especial, incluiu todas as bênçãos na porção de cada um.

Quando Yaacov abençoou os filhos, invocou D’us para realizar suas bênçãos. D’us ouviu o pedido de Yaacov e concedeu a cada tribo as bênçãos que Yaacov pronunciou.

Yaacov morre e é sepultado na Gruta de Machpelá

Quando Yaacov terminou de abençoar todos os filhos, ordenou-lhes: "Certifiquem de não me enterrar no Egito. Levem-me de volta a Êrets Yisrael, à Gruta de Machpelá."

Yaacov faleceu aos 147 anos. Foi pranteado não apenas pelos filhos, mas também todos os habitantes do Egito participaram do luto por Yaacov, porque em conseqüência de sua bênção, o Nilo avolumou-se novamente e transbordou, irrigando a terra e pondo fim à fome. Assim que Yaacov morreu, essa bênção cessou; e a fome atacou novamente.

Yossef enviou uma mensagem ao Faraó: "Meu pai fez-me jurar antes de sua morte que eu levaria seu corpo para ser enterrado na Gruta de Machpelá, na terra de Canaan. Permita-me cumprir meu juramento, e depois regressarei ao Egito."

O Faraó retrucou: "Peça para que os sábios anulem teu juramento."

Yossef replicou: "Se você quiser que eu invalide este juramento, eles anularão simultaneamente outro juramento meu. Uma vez jurei a você que jamais revelaria a ninguém o fato de saber uma língua a mais. Até agora, mantive minha palavra."

"Não o impedirei de ir," respondeu Faraó. "Vá e o enterre como teu pai lhe ordenou."

Yossef colocara seu pai num caixão de ouro puro, cravejado de diamantes. Estendido sobre este havia um pálio tecido de fios de ouro, apoiado sobre esteios adornados de pérolas.

Quando Yossef e os irmãos partiram para Canaan na procissão do funeral, o Faraó promulgou um edito solicitando a todos os súditos que acompanhassem Yaacov, prestando-lhe as últimas honras. O féretro foi carregado pelas tribos, que andavam descalças e choravam, seguidas por uma enorme delegação de egípcios. Yaacov removeu sua coroa e pendurou-a no caixão de seu pai.

Contudo, quando viram a grande pompa prestada a Yaacov, e a coroa de Yossef sobre o caixão, juntaram-se à eles. Os reis de Canaan também penduraram as coroas sobre o caixão. Assim foi Yaacov conduzido até a Gruta da Machpelá, num caixão adornado com trinta e seis coroas.

As tribos então se prepararam para enterrar Yaacov ao lado de Lea, mas Essav interferiu: "O espaço restante na caverna está reservado para mim, não para Yaacov," bradou.

"Como pode ser?" – responderam-lhe as tribos." Você vendeu a Gruta de Machpelá para seu irmão!"

"Mostrem o contrato," exigiu Essav.

Os irmãos replicaram: "Nós o temos, porém está no Egito."

"Sem a escritura, não há provas," argüiu Essav.

"Naftali a trará," disseram.

Naftali, que era ligeiro, correu velozmente para o Egito. Enquanto isso, o enterro atrasava-se.

Chushim, filho de Dan, era surdo e não acompanhava a conversa. Contudo, percebera que Essav era o único que impedia o enterro de seu avô. Golpeou Essav na cabeça com muita força. Essav tombou morto, seu sangue jorrando sobre o caixão de Yaacov. A cabeça de Essav rolou para dentro da Gruta de Machpelá, enquanto seu corpo foi levado ao Monte Seir para ser enterrado.

Os irmãos pedem perdão a Yossef

Antes que Yaacov morresse, Yossef freqüentemente convidava os irmãos para fazerem refeições em seu palácio. Após a morte de Yaacov, porém, não mais os convidou.

Os irmãos ficaram preocupados: "Yossef deve odiar-nos porque vendemos ele como escravo. Enquanto nosso pai estava vivo ele nada demonstrou, para não causar-lhe sofrimento, mas agora não quer mais convidar-nos.’

Os irmãos enviaram uma mensageiro para dizer a Yossef: "Por favor, perdoe-nos por termos feito mal a você."

Então os próprios irmãos o procuraram e curvaram-se perante Yossef, pedindo-lhe perdão.

Yossef ficou magoado pelos irmãos pensarem que os odiava, e chorou. Então, confortou os irmãos: "Não tenham medo! Não os convidei por outro motivo. Enquanto nosso pai era vivo, ele me fazia sentar à cabeceira da mesa. Mas agora que morreu, não desejo continuar sentando à cabeceira da mesa. Reuven é mais velho que eu, e Yehuda é o rei; a cabeceira pertence a um dos dois. Por outro lado, não posso sentar-me ao pé da mesa porque sou o governante do Egito. Como não sei de que forma proceder, parei de convidá-los."

Yossef, o tsadic, falou palavras bondosas a seus irmãos, e fez com que se sentissem bem.

A morte de Yossef

Yossef governou o Egito por mais 54 anos. Era um homem justo, e um bom governante.

Quando Yossef sentiu que seu fim se aproximava, disse a seus irmãos: "Estou prestes a morrer, mas o Todo Poderoso certamente os redimirá do Egito. Meu pai revelou-me que o redentor que proferirá as palavras pacod yifcod será o mensageiro de D’us, que os tirará do Egito!"

Yossef fez seus irmãos jurarem que ao deixar o Egito, levariam com eles seus ossos para Shechem, o lugar de onde viera. Disse-lhes: "Sei, por tradição, que apenas quatro casais serão enterrados na Gruta. Antes de morrer, chamou seus irmãos e lhes disse: "Não deixem o Egito antes que D’us envie Seu mensageiro para tirá-los daqui. Ao sair, deixem que seus filhos levem o caixão com meus ossos para Êrets Yisrael, e enterrem-me lá. Eles juraram que assim fariam.

Igualmente, D’us queria que as tribos enterrassem Yossef em Shechem, dizendo: "Vocês venderam Yossef. Tragam seus restos mortais de volta a Shechem, ao lugar onde o venderam!"

Yossef faleceu com a idade de cento e dez anos. O falecimento de um tsadic da magnitude de Yossef deixou sua marca sobre o Egito inteiro. Todos os poços secaram, e os irmãos começaram a sentir as agruras do exílio.

Os mágicos egípcios colocaram o corpo de Yossef num caixão de ferro, que afundaram nas profundezas do Nilo, acreditando que traria bênção para o rio.

Um após outro, os filhos de Yaacov faleceram, sendo que Levi gozou de maior longevidade. Ao final de sua vida, Binyamin ainda não tinha pecados. Era um tsadic perfeito. Não obstante, chegara o momento de seu falecimento.

O exílio egípcio abateu-se sobre os judeus em quatro estágios:

  • Enquanto Yaacov vivia, Benê Yisrael eram homens livres no Egito (e sua única dificuldade é que eram estrangeiros lá).
  • Assim que faleceu, os egípcios impuseram impostos sobre os judeus.
  • Após a morte de Levi, a última das tribos, os egípcios escravizaram os judeus, forçando-os a trabalhar na construção.
  • Quando Miriam, irmã de Moshê, nasceu, os egípcios amarguraram as vidas de Benê Yisrael, intensificando a escravidão.

 

Fonte: http://www.chabad.org.br/

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