Golpe na credibilidade

 
 

Fraudes de Madoff podem chegar a US$50 bilhões / AP

 

por Osias Wurman

A maior das falhas que faz balançar o mundo financeiro não é a inadimplência de pobres e esperançosos adquirentes da casa própria nos EUA. Esta conversa é pura enganação imediatista. O problema é muito mais sério e repugnante.

Folias, orgias, esbulho, enganação e gastança são ingredientes da indignidade que permeou o universo dos investimentos, até atingir a crise atual.

Nada pior do que a decepção com o ser humano em quem depositamos a confiança e os valores do suor do trabalho, patrimônio amealhado, poupança e herança de gerações.

O exemplo maior da indignidade humana é o golpe de Bernard Madoff, denunciado ao FBI pelos próprios filhos, e que arrasou impiedosamente fundos de idosos aposentados, instituições de caridade, fundações educativas, institutos de pesquisa e um grande grupo de amigos perfumados e afins.

Madoff teve a ganância ou a ingenuidade dos investidores como parceiros da diabólica trama.

E onde estavam os “gerentes” deste grande cassino em que foi transformado o mercado de derivativos ?

Em qualquer cassino de respeito- se é que qualquer deles merece este elogio- existem regras rígidas que limitam os ganhos ou as perdas dos jogadores.

Dobrar, triplicar ou quadruplicar a aposta, só até o limite em que não signifique risco de quebrar a banca ou levar o jogador à insolvência. Jogar a crédito, só para quem dá sólidas garantias de pagamento.

Madoff construiu um castelo de cartas, chamado de “pirâmide financeira”, que cresceu alimentado pela conivência de captadores- malignos ou benignos- espalhados pelo mundo, mas indiferentes à lógica da relação risco x rendimento.

O estrago total de 50 bilhões de dólares é histórico. Excede todos os golpes na poupança popular ou institucional de que se tem registro.

Duro é ver a lista de vítimas crescendo a cada dia, enquanto o responsável maior desta catástrofe financeira andando solto à procura de fiadores para garantir os 10 milhões de dólares exigidos para sua fiança.

Certamente outras aberrações e estrepolias virão à tona nos próximos meses. É só ligar a luz e abrir os livros dos “blindados” e desregulados hedge funds.

A perda de credibilidade no sistema é geral.

Osias Wurman-é jornalista. owurman@globo.com

 
Fonte: EXTRA-RUA JUDAICA-ARTIGO EM O GLOBO (osiaswurman@owurman.com)

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