Yud Tet Kislev – A história de Yud Tet Kislev – Parte V

 

Rosh Hashaná do chassidismo

Em 5694, numa de suas palestras, disse Rabi Yossef Yitschac:

"O dia dezenove de Kislev é a Festa da Libertação, celebrada por muitas dezenas de milhares de famílias. Yud Tet Kislev é um ‘Yom Tov’ para muitos judeus ao redor do mundo. É uma festividade universal.

"Hoje faz cento e trinta e cinco anos que o judaísmo mundial tem esta Festa. A Comemoração de Yud Tet Kislev celebra a libertação do cárcere do primeiro Rebe dos chassidim de Chabad. Ficou preso por 52 a 53 dias. Neste dia de Yud Tet Kislev de 5559 foi libertado.

"O aprisionamento e libertação do Rebe – além de serem uma manifestação da Providência Divina específica – certamente também são uma indicação geral no que concerne às maneiras de Avodá. Com certeza, além de qualquer sombra de dúvida, está claramente compreendido por toda pessoa sensata que a prisão e libertação do Rebe fazem parte daqueles eventos Divinos maravilhosos que ocorrem aos judeus, em decorrência dos quais a boa sorte sorri a todo Yisrael.

"Faz cento e cinqüenta e oito anos que, com a Graça de D’us, os ensinamentos do chassidismo Chabad foram revelados. A essência dos ensinamentos do chassidismo Chabad é a dominação da matéria, por meio da mente prevalecendo sobre o coração. O intelecto canaliza e corrige as emoções, i. e., os traços do coração. Esta é confessamente uma tarefa árdua. Não obstante, a Chassidut Chabad oferece todo o material necessário para conseguir isto; primeiro e principal deles é observar tudo com razão e conhecimento, independentemente de quaisquer inclinações emocionais. Este modo dos chassidim de servir Hashem, pelos últimos cento e cinqüenta anos conseguiu que a própria matéria prima do cérebro e do coração se tornassem de tal maneira condicionadas que permitiam ajudarem-se um ao outro.

"Os detalhes relativos à ascensão da alma do Báal Shem Tov, em Rosh Hashaná 5507 são bem conhecidos. À época, ele informou a seus santos discípulos que o mundo seria iluminado por duas luzes – ‘Shenê-Or’ – a luz de niglê (a parte revelada da Torá) e a luz do chassidismo. De acordo com uma tradição em nossa família, o Rebe tinha 68 anos de idade na época de seu falecimento – (o indício é Chayim [vida], cujo valor numérico equivale a 68); assim, na época da ascensão do Báal Shem Tov ele (isto é, o Rebe) deveria ter três anos de idade. E o Báal Shem Tov disse então que contemplara a fonte da qual as duas luzes irradiavam. Este grande sábio, o Alter Rebe, estava apenas no começo de seus vinte anos quando o grande Maguid já o escolhera para compor um Shulchan Aruch, e disse sobre ele que ‘as questões da Lei Judaica serão decididas de acordo com Rav – cujo Shulchan Aruch será aceito por todo Yisrael.’ Imagine só: exatamente este mesmo Rebe está na prisão! O Rebe propaga os ensinamentos do Báal Shem Tov, viaja e estabelece centros de chassidismo, milhares de judeus se tornam chassidim, e numerosas cidades são atraídas para os ensinamentos do chassidismo. Contudo, a Divina Providência faz com que o Rebe esteja na prisão.

O aprisionamento do Rebe foi com o intuito de que ele trilhasse um caminho de auto-sacrifício em prol de servir Hashem de acordo com os ensinamentos do chassidismo. Este homem, escolhido das alturas para promulgar os ensinamentos do Báal Shem Tov nas sendas de Chabad, abençoado com uma habilidade Divina de revelar em outros seus potenciais da alma: sabedoria, compreensão, conhecimento, – a fim de fazê-los recipientes para a Divindade, – ele precisava passar por tudo. Para conseguir abrir os portões de Chabad de maneira que irradiassem o coração que venera, a pessoa necessita de verdadeiro auto-sacrifício, do tipo que está explicado detalhadamente no chassidismo: sacrifício da alma, isto é, sacrifício da vontade. O Rebe abriu o canal, possibilitando isso."

Rabi Shalom Dov Ber de Lubavitch escreve em uma de suas cartas enviadas ao filho, Rabi Yossef Yitschac:

"…Com o dia de Yud Tet Kislev aproximando-se para o bem, todos os estudantes, seus conselheiros, professores e supervisores devem se reunir e celebrar com júbilo a festividade na qual fomos libertados em paz, e na qual nos foram dadas vitalidade e iluminação a nossas almas. Este dia é o Rosh Hashaná para os ensinamentos do chassidismo, que nos foi legado como herança por nossos santos ancestrais [possa a memória desses justos serem bênção perpétua, e possa seu mérito refletir sobre nós] ou seja, os ensinamentos do Báal Shem Tov, de abençoada memória.

"’Este dia é o princípio de Suas obras,’ o verdadeiro e definitivo fim da criação do homem sobre a terra, para concretizar a revelação da intrínseca irradiação de nossa sagrada Torá, que nesses dias é trazida a um nível de irradiação geral que se estende para o ano inteiro. Depende de nós, nesta data, despertar nossos corações para uma vontade interior absolutamente verdadeira e sincera e desejarmos que nossas almas sejam iluminadas pela fulgência da interioridade de Sua Torá.

"Das profundezas eu O chamo, ó Eterno, para fazer emanar do nível de interioridade e essência da Luz do Infinito, abençoado seja Ele, a profundidade e interioridade da Divina Torá e Seus mandamentos, para irradiar a interioridade de nossas almas, de modo que nós (nosso próprio ser em sua totalidade) volte-se apenas a Ele, e que seja de nós removido cada traço negativo e indigno de nossas inclinações naturais. Todos os nossos atos e envolvimentos [em matéria de Avodá – como oração, Torá e cumprimento dos mandamentos, bem como em assuntos necessários para o sustento do corpo] devem ser com sincera intenção para seu Divino propósito, como desejado por D’us, etc. E que possa o Eterno, abençoado seja Ele, o Pai misericordioso, conceder-nos Sua graça e guiar-nos através do caminho bom e apropriado, prontamente Sua face será contemplada, etc."

Em um de seus discursos, Rabi Shalom Dov Ber disse:

"’Ouçam e escutem, ó Yisrael, este dia vocês se tornaram numa nação’ – neste dia foi dado o chassidismo; este dia é o dia de júbilo do Rebe; 19 de Kislev e 20 de Kislev, ambos são um.

"O chassidismo realmente começou no ano de 5538 (1778), e este evento ocorreu em 5559; é quando o chassidismo sagrou-se vitorioso, e todos reconheceram isso. Originalmente, o chassidismo foi denunciado, mais tarde, porém, sua existência foi aceita por todos. O evento inteiro (de 19 de Kislev) foi, na verdade, um assunto espiritual, pois havia uma denúncia sobre os ensinamentos do Báal Shem Tov. O próprio Rebe disse numa carta, e de acordo com isso eu certa vez escrevi que Yud Tet Kislev é o Rosh Hashaná do chassidismo."

Muitos anos depois seu filho Rabi Yossef Yitschac acrescentou:

"Desde aquela época, isto é, Kislev 5662, quando meu santo pai nos concedeu o privilégio de sua sagrada carta, dizendo que nossa festa de Yud Tet Kislev é o ‘Rosh Hashaná do chassidismo,’ os ‘Temimim’ (estudantes da yeshivá de Lubavitch) tomaram sobre si fazer com que essa diretriz influenciasse seus modos e caminhos de Avodá. Resolveu-se que antes da festa do ‘Rosh Hashaná do chassidismo’ seria apropriado haver dias preparatórios, correspondentes aos dias de Selichot e ao mês de Elul."

Em outra ocasião também disse:

"O dia dez de Kislev – o dia no qual o Miteler Rebe foi libertado – é o dia do nascimento do chassid, enquanto Yud Tet Kislev é o dia do berit milá. Os dias 10 a 19 de Kislev são o nascimento, começando no dia 10. Um ‘Farbrenguen’ chassídico é o nascimento de um chassid."

No dia de Yud Tet Kislev os chassidim costumam cumprimentar-se uns aos outros: "Gut Yom Tov. Que sejas inscrito e selado para um bom ano no estudo do chassidismo e em seus caminhos."

No primeiro aniversário da Festa da Libertação, Yud Tet Kislev 5560, um grande número de chassidim – muitos dos quais eram antigos mitnagdim – reuniram-se em Liozna, e o Alter Rebe proferiu um discurso sobre "Baruch Sheassá Nissim Laavotênu." (Há uma versão mais precisa que, no início da dissertação do Rebe, diz: "’Baruch’ – bendito é Ele Que realizou milagres a nossos ancestrais, o Báal Shem Tov e nosso mestre o Maguid, naqueles dias – Purim e Chanucá; nestes tempos – Yud Tet Kislev.")

Em seu discurso, o Rebe exalta a maneira intelectual de Avodá, e critica o tipo de Avodá baseado sobre emoção e êxtase. Isto foi, contudo, uma diretriz apenas para seu tempo presente, pois durante todo o ano precedente os chassidim estiveram em estado de grande emoção e êxtase, por causa da misericordiosa graça que D’us abertamente lhes concedera, ao salvar os ensinamentos do Báal Shem Tov.

Pelo mérito do Tanya

Em um de seus discursos, Rebe Yossef Yitschac relatou:

"Percebe-se que o número de dias de detenção do Alter Rebe (ou seja, quase 53) corresponde ao número de capítulos do Tanya – um dia para cada capítulo. Em Yud Tet Kislev de 5592, Rabi Menachem Mendel, o Tsemach Tsêdec, disse:

"Nosso patriarca Avraham sabia que estava destinado a ter um filho, cujos descendentes viriam a ser o ‘Povo Escolhido.’ Também conhecia o poder de Nimrod, poderoso caçador, isto é, capaz de ‘capturar’ pessoas e fazê-las se rebelarem contra o Todo Poderoso. Avraham estava cônscio do perigo de que Nimrod, com o apoio de Satan e seu bando, poderia sobrepujá-lo e matá-lo. Não obstante, com consciente auto-sacrifício, colocou-se em perigo.

"Avraham não agiu assim por causa da força de sua fé em D’us, mas por verdadeiro auto-sacrifício, desconsiderando totalmente sua própria vida, expondo-a a perigos ameaçadores, a fim de disseminar o conhecimento de D’us através do mundo, sem racionalizar sobre o futuro potencial.

"Assim também foi com meu avô, o Alter Rebe. Ele sabia muito bem da força de Satan, obstruindo sua senda e opondo-se aos caminhos e maneiras do Báal Shem Tov e do Maguid. Sabia que, a partir do primeiro momento em que começou a proferir publicamente aqueles Maamarim que formam o conteúdo do Tanya (isto é, do ano 5542 em diante), a oposição se tornaria ainda mais forte. Quando assim o fez novamente em 5550, a resistência tornou-se ainda mais intensa e contínua, até que, três anos depois, minha mãe, Devora Lea, deu sua vida por isso, e faleceu a três de Tishrê.

"Não obstante, o Rebe não se preocupou consigo, expondo-se a grandes riscos; e preparou o Tanya, a ‘Torá Escrita da Chassidut Chabad.’ Permaneceu sob essa ameaça de perigo até o ano de 5559, quando até seu corpo físico ficou em perigo. Durante 53 dias, que correspondem aos 53 capítulos do Tanya, sofreu dores excruciantes. Todavia, graças a seu sagrado trabalho, mereceu que o Tanya – letras com as quais também se escreve Etan (forte) – despertasse o ‘Etan’ (firmeza, condição original) na alma de cada um que estuda aquele sagrado livro, levando a um serviço a D’us mais firme e intenso."

Numa de suas cartas, Rabi Yossef Yitschac menciona algo que ouvira do chassid Rabi Chanoch Hendel, que por usa vez o ouvira de Rabi Yaacov Smilianer:

"O Alter Rebe desejava firmemente que o Tanya fosse impresso e publicado no começo de Kislev 5557, de modo que os chassidim pudessem estudá-lo em Yud Tet Kislev daquele ano, ou seja, no aniversário do passamento de seu mestre, o Maguid de Mezritch.

"Em meados de Cheshvan, contudo, tornou-se óbvio que a publicação não seria possível para a data determinada, o que causou ao Rebe grande sofrimento. No dia de Yud Tet Kislev, podia-se discernir na face do Alter Rebe um sentimento de profunda pesar. No segundo dia de Chanucá, o 26º de Kislev, um mensageiro especial chegou de Slavita (onde foi impressa a primeira edição do Tanya), trazendo consigo as primeiras 200 cópias do livro, que haviam sido terminadas na terça-feira anterior, 20 de Kislev. Quando um dos exemplares foi levado ao Rebe, contemplou o conteúdo do livro por uns instantes e disse:

"’Muitos são os pensamentos do homem’ – queria que esse livro estivesse pronto no começo de Kislev, para que pudessem estudá-lo no aniversário de falecimento de meu mestre, ‘mas o plano de D’us prevalecerá,’ a impressão ficou pronta dia vinte."

"O Rebe repetiu muitas vezes ‘vinte de Kislev, vinte de Kislev,’ e concluiu: ‘O que o Eterno faz é para o melhor!’

"Ninguém, nem ao menos os filhos do Rebe entenderam sua aflição, causada pelo atraso da publicação, tampouco o motivo pelo qual repetiu a data do término do livro.

"Em 5559, contudo, quando o Rebe deixou a prisão, na terça-feira, 19 de Kislev, e entrou por engano na residência do mitnagued – e foi libertado deste inimigo somente tarde naquela noite, (a noite que precedia a quarta-feira, 20 de Kislev), foi então lembrado como o Rebe repetira a data de 20 de Kislev. Rabi Dov Ber, o Miteler Rebe, disse em nome de seu pai que a vitalidade para Torá e Avodá, que seu livro conseguiu injetar em seus chassidim durante os anos precedentes, foi o que salvou o Rebe da morte certa. Os milhares e centenas de milhares de anjos criados pelas letras e palavras dos ditos sagrados de seus mestres intervieram em seu favor, e no de seus mestres, para provar sua retidão."

Conclusão

A Festa de Yud Tet Kislev é um memorial ao espírito e auto-sacrifício em prol dos ensinamentos chassídicos, e auto-sacrifício pelos mais elevados e nobres traços do caráter judaico, tais como união, afeição, fraternidade, paz e companherismo. Nesta ocasião nós, chassidim de Chabad, somos incumbidos a lembrarmo-nos de que o grande e santo Rebe legou-nos uma sagrada herança e um maravilhoso presente, sob a forma de ensinamentos chassídicos e padrões morais.

O Alter Rebe e todos os seus sucessores exigem em seus ensinamentos que todos os chassidim de Chabad devem considerar a si mesmos como uma família, e interessarem-se em ajudar-se mutuamente.

Nos tempos atuais, de angústia física e mental experimentada pelos chassidim de Chabad e por todos os judeus, é nosso dever nos unirmos por uma causa – o fortalecimento da fé e da religião, e o revigoramento de nossas forças espirituais através da organização de grupos de estudo para estudar os sagrados ensinamentos de nossos santos Rebes.

Que possam os infinitos méritos de nosso santo Rebe, o herói da celebração deste dia, bem como os méritos de nossos Rebes e Tsadikim, proteger-nos e a todo Yisrael, e evocar a misericórdia de D’us sobre nós e sobre Yisrael; e que Ele nos envie breve seu justo Redentor para reunir nossos exilados de todos os quatro cantos da terra, e levar-nos de cabeça erguida à Terra Santa. Amen.

 

Fonte: http://www.chabad.org.br/

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