Yud Tet Kislev – A história de Yud Tet Kislev – Parte III

 

O Báal Shem Tov e o Maguid visitam o Rebe na prisão

Conta-se que o Báal Shem Tov e o Maguid de Mezritch (já falecidos) apareceram ao Alter Rebe enquanto este estava na prisão.

O Rebe perguntou-lhes pela causa do sofrimento: "Por que isto está acontecendo comigo? O que querem de mim? Qual meu crime, e o que fiz de errado?"

"Você ensina e revela Chassidut demais," responderam.

"E quando, com a ajuda de D’us, serei libertado," continuou a perguntar, "devo parar de ensinar Chassidut?"

"Pelo contrário," veio a resposta, "conquanto você a começou, deve continuar, bem mais que antes."

E assim foi. Até sua prisão, o Rebe costumava falar em público apenas uma vez por mês; porém após ser libertado começou a expor Chassidut todo Shabat, mais extensamente, e com explanações elaboradas, para torná-las compreensíveis até às pessoas comuns.

Rabi Shneur Zalman implorou ao Báal Shem Tov e ao Maguid que intercedessem por ele. Alegou que os ensinamentos que propagava não eram dele mesmo, mas meramente os que deles recebera.

O Báal Shem Tov pediu para o Rebe falar uma explanação. Ele então proferiu o discurso que começava com "Mar’ehêm Umaassehêm" (mais tarde publicado no Torá Or). Em seguida, o Báal Shem Tov comentou com o Maguid:

"O que ele acaba de dizer é correto, palavra por palavra, conforme você recebeu de mim. Você as transmitiu a ele com muita propriedade."

Aconselharam o Rebe a responder a todas as perguntas do julgamento, pois as respostas seriam bem recebidas, e abençoaram-no.

Atividades secretas

A detenção do Rebe teve fortes efeitos sobre a saúde dos membros de sua família. Não obstante, sua esposa, filhos e filhas, e mesmo seu neto de nove anos, Menachem Mendel (o mais tarde famoso "Tsemach Tsêdec"), não se importaram com a exaustão física e jejuavam todo dia, recitavam Salmos e visitavam o túmulo da filha do Rebe, Devora Lea.

Rivca, a mãe do Rebe, mulher de espírito forte, apesar de muito fraca e abalada, foi a única a encorajar a todos com seu otimismo infalível, sua calma e clareza de idéias. Em Shabat da parashá Vayishlach, Dov Ber, o filho do Rebe, desmaiou duas vezes de exaustão e angústia; porém a avó lhe disse: "Juro por minha vida que será exatamente como meu pai me contou. Esta semana seu pai será redimido da prisão."

O filho mais novo do Rebe, Rabi Moshê, ficou mais consternado que todos. Pediu permissão para viajar a Petersburgo, sentindo-se confiante de que com suas justas alegações conseguiria tirar o pai da prisão.

"Posso forçar meu caminho até o próprio Czar," declarou, "e estou certo de que superarei todos os obstáculos." Contudo, havia uma rígida ordem do Rebe que, exceto seu cunhado, ninguém da família deveria ir a Petersburgo. Esta ordem também se aplicava aos chassidim, exceto os designados para o comitê especial.

Conforme já foi mencionado, um homem tinha sido enviado a Vilna, a pedido do Alter Rebe. Ao chegar ao destino, este homem fingiu ser um mitnagued (oponente), residiu no Bet Hamidrash, estudando e escutando tudo o que se estudava e falava. Assim, descobriu sobre a resposta que o Rebe escrevera, e que fora enviada a Vilna para ser traduzida; compreendendo agora muito bem o propósito de sua missão. Foi imediatamente à casa do tradutor, implorando-lhe para que levasse em consideração a vida do Rebe e de seus seguidores, e que traduzisse o escrito adequadamente, sem acrescentar, modificar ou subtrair qualquer coisa que fosse. O censor do governo, cuja tarefa era traduzir o artigo do Rebe, replicou que o pedido de não modificar a tradução de seu original era bastante supérfluo. Explicou que era seu dever e obrigação exercer seu trabalho honestamente, a despeito de quaisquer intervenções; pois estava sob juramento do governo, que proibia qualquer falsidade. Além disso, continuou, os mesmos papéis também haviam sido enviados a outro censor, de forma que ambas as traduções deveriam coincidir, o que só seria possível se os dois tradutores fossem honestos. E mais, as palavras do Rebe eram tão claras e auto-explicativas que a pessoa possivelmente não poderia fingir ter entendido mal o significado original.

"O Rabi é um santo homem," replicou o emissário, "e ao me enviar até você, estou certo de que não foi em vão. Portanto, não posso lhe deixar até que prometa com palavra de honra que traduzirá exatamente como o Rebe escreveu. Então, e só então, poderei ficar satisfeito, e saberei que levei a cabo minha missão."

"Que o Rebe é um santo homem," disse o censor, "posso perceber por estes papéis. A fim de explicar em russo apenas uma de suas palavras, há necessidade de extensas elaborações. Dou-lhe minha palavra de honra de que minha tradução será fiel e correta. Por coincidência, talvez lhe interesse saber que os inimigos do Rebe estão aqui, exigem que eu traduza de acordo com o que ditam, garantindo assim sua condenação. Recusei-me categoricamente, porque a verdade é mais importante para mim que qualquer outra coisa. Eu lhes disse para voltarem amanhã ao meio-dia. Venha uma hora antes. Esconderei você em outro aposento e poderá ouvir o que eles desejam me falar."

O emissário foi embora, e no dia seguinte, às onze em ponto, voltou à casa do censor. Durante uma hora, conversaram acerca da grandeza do Rebe, sua piedade e nobreza. Perto de meio-dia o anfitrião olhou pela janela e disse:

"Corra para o quarto contíguo. Os traidores estão chegando."

Ele entrou no outro quarto e o censor trancou a porta. Logo depois o emissário escutou os traidores entrando. Informaram ao censor que trouxeram uma recompensa de três mil rublos pelo favor que estava prestes a realizar, ajudando a erradicar "o mal de nosso seio." Explicaram que este dinheiro é tão somente fruto de ato tão bom, enquanto a recompensa de verdade estaria reservada a ele no mundo vindouro. "Ao remover deste mundo inimigo de Israel tão vil como este Rebe chassídico, você com certeza está adquirindo uma grande porção no Mundo Vindouro. "Portanto," argumentaram, "você tem de alterar a tradução, como lhe orientaremos."

"Como posso fazer tal coisa?" – perguntou o censor. "Uma cópia destes manuscritos está sendo enviada a outro censor. Ao descobrirem que modifiquei o significado do original, serei humilhado."

"Não se preocupe!" – tranqüilizaram-no. "O hebraico é um idioma muito flexível. Uma vez que você é o censor chefe, confiarão mais em você que no outro, e pode alegar que compreendeu melhor. Portanto, pedimos-lhe que aceite estes três mil rublos, e faça a tradução agora. Esperaremos aqui, para que possamos vê-la com os próprios olhos."

"Não aceitarei dinheiro algum de vocês," retrucou o censor, "e farei a tradução, como pediram. Amanhã, quando estiver terminada, poderão mandar um de vocês para verificar que a tradução ficou como queriam, e ainda mais rigorosa."

Os traidores saíram, satisfeitos. O censor abriu a porta, e o emissário dos chassidim, cheio de medo, entrou chorando e implorando misericórdia pelo Rebe, sua família e seguidores, pedindo nada mais que uma tradução fiel.

O censor tranqüilizou-o, dizendo que cumpriria a promessa do dia anterior: "Se tivesse outras intenções não o teria convidado para vir e escutar a conversa traiçoeira. No que tange ao Mundo Vindouro, acredito que a recompensa pela verdade com certeza é maior."

Com o intuito de se livrar dos mitnagdim, decidiu fazer duas traduções, a verdadeira e fiel, a ser enviada a Petersburgo; e uma falsa, para mostrar a pretensos aliciadores, mas que não será enviada. Prometeu entregar a tradução a seu empregado em presença do chassid, que poderia supervisionar pessoalmente a postagem do documento a Petersburgo.

Na manhã seguinte, o censor mostrou-lhe a tradução correta. Acrescentara suas próprias notas, expressando a opinião de que o Rebe não apenas era inocente, como era um verdadeiro patriota, que merece honra do governo por ensinar a seus chassidim lealdade ao Czar e a seu país.

Este documento foi lacrado num envelope, e o mensageiro do Rebe foi ao correio junto com o empregado, testemunhando como este o postava. Voltou ao censor e agradeceu-lhe efusivamente. Ficou em Vilna um pouco mais. Relatou a Rabi Mordechai Liepler tudo o que ouvira e observara, até que ouviu boatos de que o Rebe estava para ser libertado em breve. Alugou uma carruagem e apressou-se até Petersburgo para informar aos chassidim as boas novas, e para relatar como o Todo Poderoso ajudou-o a levar a cabo sua missão em Vilna da melhor maneira.

 

 

Fonte: http://www.chabad.org.br/

 

 

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