CÂNCER DE PRÓSTATA DE A Z

 

PROF. DR. UBIRAJARA FERREIRA

Professor Titular de Urologia Oncológica da UNICAMP e Presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, seccional de São Paulo

 

1. Qual é o tratamento quando o PSA se eleva rapidamente após o tratamento curativo?

Como a suspeita nesta situação é de que haja doença em outros lugares do corpo, novo tratamento curativo torna-se inviável. A alternativa é a instituição de terapia que bloqueia a ação do hormônio masculino (a testosterona).

2. Qual é a relação entre o hormônio masculino (testosterona) e o câncer da próstata?

O crescimento e a multiplicação das células cancerígenas da próstata depende intimamente do estímulo advindo da testosterona. Portanto, o bloqueio da ação deste hormônio ajuda a controlar a progressão da doença. Porém, nem todas as células cancerígenas são dependentes da testosterona para sua sobrevivência. Existe um pequeno percentual delas que resiste mesmo na ausência deste hormônio e irá crescer de maneira autônoma após um período de tempo. É este o fato determinante da não possibilidade de cura dos pacientes com doença disseminada pelo corpo e submetido ao bloqueio da ação da testosterona.

3. Quais são as possibilidades de se bloquear a ação do hormônio masculino (testosterona)?

Este bloqueio pode ser conseguido através de cirurgia ou de medicamentos. Como a principal fonte produtora de testosterona são os testículos, a retirada destes órgãos (orquiectomia bilateral) é uma alternativa. É considerada uma cirurgia simples que demora em torno de 1h necessitando em média de 24h de internação. O bloqueio medicamentoso do hormônio masculino pode ser conseguido através de injeções mensais ou trimestrais (dependendo da dosagem utilizada) de drogas que bloqueiam centralmente as substâncias que estimulam a testosterona (goserelina, na dose de 3,6 mg ao mês ou leuprolide, na dose de 7,5 mg ao mês) ou através de medicação via oral diária de bloqueadores periféricos da testosterona (acetato de ciproterona, bicalutamida ou flutamida).

4. Quais são os efeitos indesejáveis do bloqueio da testosterona?

A testosterona desempenha um papel importante na função sexual do homem. Com sua inibição o desejo sexual (libido) e a potência ficam comprometidos. Existem alguns bloqueadores hormonais usados por via oral que ocasionam um menor índice deste tipo de transtorno, no entanto apresentam um custo de tratamento mais elevado. Outro efeito indesejável que pode ocorrer com o passar do tempo são os transtornos ósseos, como a osteoporose.

5. Uma vez que o câncer da próstata é sensível ao bloqueio hormonal, por que não utilizá-lo desde o momento do diagnóstico e assim evitar a cirurgia ou a radioterapia?

A idéia é atraente, porém o bloqueio hormonal não é um tratamento curativo. Ele ajuda a controlar o crescimento das células malignas hormônio-sensíveis. Porém, normalmente há clones de células hormônio-independentes e estes vão evoluir de maneira autônoma. Além disso, não se deve desprezar os efeitos colaterais do bloqueio hormonal, que muitas vezes traz grande impacto na qualidade de vida.

6. Como avaliar se o bloqueio hormonal está surtindo efeito?

Normalmente, na fase precoce de aumento do PSA pós-tratamento curativo o paciente é assintomático e o único fator positivo de resposta ao tratamento é a diminuição deste marcador.

7. O bloqueio da testosterona só funciona quando o PSA começa a aumentar após o tratamento curativo?

Não. Existem situações em que o paciente procura o médico quando a doença já não é mais localizada, apresentando invasão de outros órgãos ou doença sistêmica (metástases). Nesta situação o primeiro tratamento a se realizar, de maneira geral, é também o bloqueio hormonal.

8. O que vem a ser metástase?

Uma das características da evolução dos tumores malignos (cânceres) é o risco de crescer e alguma porção dele desprender-se do sítio original e se fixar num outro local do corpo e lá se desenvolver, caracterizando assim a metástase.

9. Aonde se localizam e como se detectam as metástases do câncer da próstata?

Na maioria das vezes elas se situam nos gânglios, ossos (costelas, coluna, bacia, etc), pulmões e fígado. A detecção das metástases pode ser feita através da cintilografia óssea. Nem sempre este exame permite o diagnóstico definitivo de lesão metastática. Certas alterações ósseas benignas, podem simular câncer. Nestas situações, a ressonância magnética e até a biópsia do osso podem ser úteis.

10. Qual é o resultado esperado quando o bloqueio hormonal é instituído na doença avançada (com metástases)?

O efeito que se deseja, e que ocorre em boa parte dos casos, é uma diminuição do número e do tamanho das metástases e com isso, uma melhora dos sintomas dolorosos acarretados por elas. Não se espera cura do câncer prostático, uma vez que, como regra são várias as regiões acometidas pelas metástases, mesmo que por um lapso de tempo muitas delas não sejam detectadas.

ALERTA

Segundo o National Cancer Institute, instituição americana voltada para estimular pesquisas relacionadas ao câncer, a incidência de morte por doenças cardíacas está em declínio, enquanto que o óbito secundário aos tumores malignos está cada vez mais freqüente. Outro dado que merece atenção é o aumento da longevidade no Brasil, fenômeno que apresenta tendência de se manter. O câncer da próstata é a neoplasia maligna que mais incide no homem. Tem seu pico de desenvolvimento clínico entre 60 e 70 anos, mostrando casos mais graves à medida que são diagnosticados em idades mais avançadas, representando um dos maiores custos financeiros para a saúde pública do país.

Aliado a estes fatos, os homens, de maneira geral são desatenciosos com sua própria saúde. Quando o problema é cuidar da saúde prostática, o comportamento se complica ainda mais. O desconhecimento involuntário ou irresponsável dos riscos que representam a negligência do diagnóstico do câncer da próstata associado ao temor místico quanto ao exame de toque retal, imprescindível para a sua detecção precoce, são fatores que, sem dúvida incrementam os riscos inerentes a esta grave doença.

Neste sentido, muitos estudos têm sido desenvolvidos com o intuito de conhecer o comportamento psicológico do homem quando o assunto é “cuidar da próstata”.

Na Unicamp – Universidade Estadual de Campinas – estamos na fase final de um estudo epidemiológico de homens que procuram pela primeira vez um urologista para checar as condições de sua próstata. O objetivo é avaliar aspectos e percepções do homem antes, durante e após a consulta médica. Já foi analisado o perfil de aproximadamente 200 homens e dados interessantes podem ser extraídos deste contingente.

Os resultados mostram que cerca de 60% procuram o atendimento médico por indicação de terceiros e não conta própria. Além disso, boa parte das consultas(quase 30% delas) também são agendadas por terceiros. Estes números falam por si só, denotando a falta de iniciativa quanto à procura espontânea a atendimento médico especializado. A esposa ou companheira é a grande responsável pelo “incentivo” na maioria dos casos.

Cerca de 60% acharam o toque melhor do que imaginavam e apenas 7% acharam pior do que supunham e cerca de 90% estão dispostos a realizar o exame regularmente. Boa parte dos pacientes conseguiu informações novas durante a consulta médica.

Além de não possuir conhecimentos essências relacionados a este tipo de doença, estes números nos mostram que o homem, de maneira geral, tem um comportamento patife com relação ao toque retal, elaborando todo tipo de mito decorrente do exame, desde o medo da dor até o receio da perda da masculinidade.

Homens de diversas camadas sociais, educacionais e econômicas foram estudados, não havendo grandes diferenças de comportamento segundo estes itens.

Na atualidade, o homem pode escolher entre viver ou morrer quando o assunto é câncer da próstata. Este alerta se faz necessário uma vez que a doença é curável em praticamente todos os casos, quando detectada no seu início, ao passo que diagnosticada tardiamente o que resta ao médico fazer é tentar o controle de sua evolução e impedir que a qualidade de vida seja gravemente comprometida.

Prezado leitor, transforme o seu urologista num amigo e conselheiro para os assuntos relacionados aos transtornos urinários e sexuais, principalmente relacionados à saúde de sua próstata. Saiba que ele, e não o amigo mais próximo, vizinho, internet, blog, chat… é o profissional preparado para informá-lo de maneira adequada sobre as dúvidas e aflições comuns decorrentes das alterações prostáticas.


NOTA – Matéria extraída do livro “Câncer de Próstata – Tire suas Dúvidas: 99 Respostas e Um Alerta”, lançado em 2007 pela Âmbito Editores.

Fonte: http://www.glorinhacohen.com.br/

 

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