ÉTICA E SABEDORIA

 

praga

1 – Aprenda com eles.

Os insetos ensinam alguma coisa sobre escala: aquilo que para nós é um pedaço de grama é uma imensa floresta para eles. Lembrar que existem coisas que estão igualmente além de nosso âmbito (e Um que está infinitamente além dele) nos ajuda a manter as coisas nas devidas proporções.

Os insetos também enfatizam a lição de que "D’us não criou nada sem um propósito." Muitos insetos são perniciosos, mas uma investigação mais acurada sempre revelará uma utilidade para eles. As abelhas nos fornecem o mel, o bicho-da-seda nos dá a seda.

O Midrash relata que o rei David certa vez se perguntou que utilidade tinha a aranha. Então, certa vez, enquanto fugia para não ser morto pelos soldados do Rei Saul, ele se refugiou numa caverna. Logo depois, um aranha teceu uma teia tomando toda a boca da caverna, portanto quando os perseguidores passaram pela entrada da caverna, não entraram para procurar lá dentro, raciocinando que há muito tempo ninguém passava por ali.


Embora não haja proibição de matar insetos que nos causam dor ou desconforto, a Torá proíbe toda destruição injustificada da vida, ou infligir sofrimento desnecessário a qualquer animal.


Um outro Midrash relata como o gigante bíblico Og arrancou uma montanha, segurou-a no alto, e esperou numa emboscada para atirá-la sobre os Filhos de Israel. Uma enorme quantidade de formigas saiu de dentro da montanha e cada qual carregou um grão de terra e jogou-o fora, até que a montanha se desintegrou sobre a cabeça do gigante perverso.

2 – Não os coma

Embora repletos de significado e propósito, praticamente todos os insetos (com exceção de quatro tipos de gafanhotos comestíveis especificados pela Torá), são proibidos para consumo do judeu, segundo as leis de Cashrut da Torá. Todos os tipos de cereais, frutas e vegetais que são propensos a infiltração de insetos devem ser cuidadosamente examinados antes de comer ou cozinhar (vegetais cultivados sob condições especiais e com certificado de que são livres de insetos por supervisores rabínicos de Cashrut estão disponíveis atualmente em muitos estabelecimentos de produtos casher).

3 – Respeite todo tipo de vida

Embora não haja proibição de matar insetos que nos causam dor ou desconforto, a Torá proíbe toda destruição injustificada da vida, ou infligir sofrimento desnecessário a qualquer animal.

Conta-se que Rabi Sholom DovBer de Lubavitch (1860-1920) nunca tirava a vida de qualquer coisa viva, nem sequer um mosquito, e simplesmente afastava com um gesto de mão um inseto ameaçador. (Seu filho, Rabi Yossef Yitschac, também relata que o pai certa vez o censurou por ter distraidamente arrancado a folha de uma árvore enquanto passavam por um bosque).

protecao

O judaísmo proíbe o sofrimento de animais. Podemos ver isto refletido em váriospreceitos. Por exemplo, existe a proibição de "tsaar baalei chaim" – provocar um animal, causando-lhe sofrimento. Mas nossas leis vão além disto.

A Torá nos ensina que o dono de um animal deve alimentá-lo e lhe dar de beber antes que o próprio dono tenha sua refeição. As próprias leis de shechitá – o procedimento do abate do animal, sem o qual estamos proibidos de comê-lo, visam causar o mínimo de sofrimento para o animal.

Uma vez que deixamos claro este ponto, podemos partir para o ponto principal. Tudo o que existe de material neste mundo pode ser elevado para um nível espiritual. Quando recitamos a bênção sobre o alimento, e usamos a energia que ele nos fornece para o trabalho divino em nosso dia-a-dia, estamos o elevando para um nível espiritual. Quando usamos um certo membro de nosso corpo para cumprir uma mitsvá, estamos elevando-o para um nível espiritual.

Você não sabia que leões comem zebras, que leopardos comem antílopes, tigres comem tudo que podem matar? E na maioria das vezes, os mortos são os indefesos filhotes, os velhos e doentes. Portanto, quem criou estas criaturas e esta ordem da natureza?

Se você estiver pensando nos sacrifícios no Templo Sagrado, lhe pergunto: O que torna os sacrifícios do templo mais cruéis que isso? Na verdade, a crueldade da selva é cruel apenas a nossos olhos. Para os animais, ela não existe. Como disse o sapo ao Rei David (Midrash, Perek Shira): "Eu tenho uma mitsvá maior que qualquer uma sua. Pois existe um pássaro que vive no pântano e tem fome. E eu me sacrifico para alimentá-lo."

Para os animais, ser comido é apenas ser transformado, de um ser para outro, num ciclo interminável de metamorfoses. As folhas se tornam um cervo, o cervo numa pantera, ou num ser humano. A pantera ou o ser humano retorna à terra e alimenta as árvores que produzem folhas. E esta é sua realização, sua mitsvá da vida.

A Torá acrescenta outra dimensão, uma dimensão sobrenatural à ordem da natureza. A grama se transforma em vaca, a vaca torna-se parte do ser humano e o humano desempenha um ato Divino. Melhor ainda, a vaca entra diretamente no mundo do Divino, engolida pelo fogo do altar e consumida pelos anjos Acima que são alimentados, segundo a Cabalá, pelos sacrifícios no Templo. E então aqueles seres angélicos respondem, devolvendo vida e santidade a todas as vacas aqui embaixo neste mundo.

Se até mesmo um pedaço de peixe que é consumido por uma pessoa, que usara sua energia para fazer uma mitsvá, torna-se elevado, imagine a elevação de um animal que é sacrificado no Templo Sagrado, o local mais sagrado do mundo todo. E mais ainda no caso da vaca vermelha, que é usada para a purificação das pessoas!


A grama se transforma em vaca, a vaca torna-se parte do ser humano e o humano desempenha um ato Divino.


O sacrifício de um animal no Templo Sagrado não era um ato de crueldade, nem um desprezo a um ser vivo, já que isto contradiz toda a essência do local.

Quando um animal é sacrificado no Templo, contribuindo para a purificação das pessoas, este recebe um significado eterno.

Isso pede uma história como explicação (Baba Metzia 85a):

Rabi Yehuda HaNassi era um perfeito tsadic, porém passou por grandes sofrimentos. Como isso começou? Por intermédio de algo que ele fez.

Ele estava caminhando pela praça quando um bezerro sendo levado ao matadouro correu para ele e escondeu-se sob sua capa. Ele disse ao animal: "Vá! Para isso você foi criado." E foi aí que seu sofrimento começou.

E terminou com outra ação. Sua criada estava varrendo o chão e encontrou os filhotes de uma fuinha aninhados entre as tábuas do piso. Ela começou a varrê-los, quando ele a fez parar. "Está escrito" – disse ele – "que Sua compaixão está sobre todas as Suas obras." Foi então que seu sofrimento cessou.

Não podemos mesmo entender, porque o fato de não entendermos é que nos permite ter compaixão.

O Báal Shem Tov, durante os anos em que era um místico oculto, ganhava seu sustento abatendo galinhas e outros animais para as comunidades judaicas antes das Festas. Quando deixou esta profissão, um novo abatedor tomou seu lugar. Certo dia, o gentio ajudante de um dos aldeões judeus levou uma galinha ao novo abatedor. Quando o homem começou a afiar sua faca, o gentio olhou e começou a rir. "Você molha sua faca com água antes de afiá-la!" exclamou ele. "E então você simplesmente começa a cortar?"

"O que mais poderia ser?" perguntou o abatedor.

"Yisroelik (o Báal Shem Tov) chorava até que tivesse lágrimas suficientes para molhar a faca. Depois chorava enquanto afiava o instrumento. Somente então ele cortava!"

A Torá nos ordena não causar dor desnecessária a qualquer ser vivo. Nenhuma distinção é feita se o ser vivo é uma vaca, um lagarto ou uma mosca.

Rabi Sholom DovBer de Lubavitch certa vez repreendeu seu filho por ter arrancado a folha de uma árvore, dizendo: "O que o faz pensar que o "Eu" da árvore vale menos que o seu "Eu"?

Mesmo quando parece necessário consumir a vida de outro, existem regras.


A Torá nos ordena não causar dor desnecessária a qualquer ser vivo. Nenhuma distinção é feita se o ser vivo é uma vaca, um lagarto ou uma mosca.


Uma pessoa com a mente vazia, ensinaram os Sábios, não tem o direito de comer carne. Eles disseram também para jamais comer carne com fome – primeiro satisfaça a fome com pão. Uma pessoa que ingere carne somente para agradar o paladar e seu estômago degrada tanto a si mesmo quanto o animal. Mas se ele "come conscientemente" – para domar aquelas energias animais a fazer o bem; comer para elevar o animal a um novo reino da existência; comer para pelo menos dar ao animal aquilo que ele nos dá – então isso se torna uma maneira de conectar-se com o Divino e elevar nosso universo.

Quanto aos anjos e sua parte na história: "Uma vez que o Templo foi destruído" – declara o Talmud – "a mesa de todo homem expia por ele." Sua mesa é um altar. Os anjos são convidados. Coma com humildade e com compaixão, e conscientemente. Faça sua parte no Divino ciclo da vida.

 

Fonte: http://www.chabad.org.br/

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