O toque do Shofar e seus simbolismos – Parte II

Quando se toca o shofar – seja durante o mês de Elul, em Rosh Hashaná ou em Yom Kipur, o número de toques ou o tipo de combinações de sons usados depende de interpretações e considerações sobre a Halachá, a Lei Judaica, e os costumes de cada comunidade. Várias comunidades, por exemplo, têm o costume de tocá-lo todo dia de manhã, após as orações matinais, durante o mês de Elul.

Nos dois dias de Rosh Hashaná, na maioria das comunidades, o shofar é tocado em grupos de três toques, repetindo-se cada grupo três vezes, totalizando trinta toques. A ordem é a seguinte: o primeiro grupo é composto por Tekiyá – Shevarim – Teruá – Tekiyá; a seguir,Tekiyá – Shevarim – Tekiyá ; e, finalmente, Tekiyá – Teruá – Tekiyá. Somando-os, são noventa toques; e, no final, toca-se mais uma vez o grupo de dez, perfazendo cem toques.

Nas congregações judaicas de origem síria costuma-se acrescentar ainda mais um toque de Tekiyá, antes da prece de Aleinu Leshabê’a, ao término do serviço de Rosh Hashaná. Com isto, chega-se ao total de cento e um toques, equivalendo ao valor numérico do nome de Michael, o Arcanjo de Israel, conhecido como Sar Israel, Príncipe de Israel. Assim, na hora em que rogamos para ser inclusos no Livro da Vida, oferecemos mais um toque de shofar para pedir ao Arcanjo Michael que venha em nossa defesa perante a Corte Celestial.

Nas Grandes Festas

Em Rosh Hashaná, o papel do shofar é tão fundamental que a festa é também chamada de Yom Teruá, o Dia do Toque. Pois é o seu chamado, o simples toque de uma trombeta, o que anuncia que "o Povo Eleito por D’us está coroando-O como seu Rei, anunciando a todos os seres vivos que… O Eterno, D’us de Israel, é Rei Majestoso e Seu Reino a tudo domina".

Um dos mandamentos do dia, como vimos acima, é ouvir o som do shofar, cem vezes em cada um dos dois dias do Chag. Somente quando o primeiro dia cai em Shabat, não poderá ser tocado. O segundo dia nunca cai no Shabat.

Antes dos toques, recita-se sete vezes o Salmo 47. Segundo nossos sábios, este salmo não se refere somente ao Grande Shofar que será tocado pelo Mashiach, mas também ao tocado em cada Rosh Hashaná e que simboliza a redenção dos pecados da alma de cada ser humano. No texto do salmo, dois conceitos estão entrelaçados: o poder do shofar de inspirar os homens e o de despertar a Misericórdia Divina.

Aparece também no texto, por sete vezes, a palavra Elo-kim, que se refere à manifestação de D’us como o Dispensário da Justiça Severa.

Portanto, antes de tocar o shofar pronunciamos quarenta e nove vezes o nome de D’us em Seu atributo de Justiça. Explicam os sábios que assim como há quarenta e nove níveis de impureza espiritual antes do nível mais baixo – a partir do qual nenhuma redenção é possível – há também quarenta e nove níveis ascendentes de santidade que podem ser alcançados pelo homem. E o Salmo 47 tem o poder de transformar os quarenta e nove níveis de impureza espiritual em quarenta e nove níveis de santidade – isto porque quando Israel almeja a purificação e o aperfeiçoamento, de forma tão intensa, a Justiça Divina se transforma em Misericórdia.

Em Yom Kipur, no final do serviço, antes do ‘Titkabel’ da oração do Kadish, toca-se novamente o shofar. Pelo costume asquenazita, ouve-se uma longa Tekiyá, enquanto que entre os sefaraditas toca-se dez vezes a Tekyiá, seguida por uma Teruá final. Se o serviço da Neilá e os versos que a seguem forem concluídos antes do aparecimento das estrelas, a congregação deve aguardar seu surgimento para fazer soar o último shofar. E depois de ouvi-lo, algumas comunidades dizem: "Leshaná haba’á bi’Yerushalayim!", o próximo ano em Jerusalém!

Há diversas explicações para o toque do shofar no Dia do Perdão. Uma delas é que na Antiga Israel se tocava o shofar no Yom Kipur do ano de "Yovel", o Ano do Jubileu, para anunciar que a partir daquele momento todos os escravos seriam libertados e as dívidas, canceladas.

Portanto, em cada Dia do Perdão tocamos o shofar, símbolo de nossa esperança de que logo chegue o dia em que o Grande Shofar anuncie a vinda do Mashiach e, com ela, a nossa verdadeira liberdade.

Rabi Saadyá Gaon: dez razões simbólicas para o toque do shofar

1) Rosh Hashaná marca o início da Criação e, por conseguinte, o do reinado de D`us sobre o mundo. Quando um novo rei sobe ao trono, soam as trombetas. Anualmente saúda-se essa efeméride com os mesmos sons jubilosos e solenes. Da mesma forma, reafirmamos o poder Divino e Seu Reinado sobre todos os homens, ano após ano, com o toque do shofar.

2) Os Dez Dias de Teshuvá (Penitência) se iniciam em Rosh Hashaná. Este anúncio é feito pelo shofar, da mesma forma como quando qualquer decreto é proclamado. Seus sons nos advertem: "Aperfeiçoa-te!"

3) O som do shofar remete-nos à Revelação, nas encostas do Monte Sinai, quando seu estrondo encheu os ares, com respeito e temor. Ouvir estes sons novamente, em Rosh Hashaná, leva-nos a reafirmar o compromisso de nossos antepassados: nossa vida será dedicada à Torá e a Seus ensinamentos.

4) As palavras de advertência de nossos Profetas vinham fortes, como os toques do shofar. Ainda hoje, ecoam em nossos ouvidos, fazendo-nos despertar da letargia para uma vida melhor.

5) Como recordação das trombetas inimigas ao atacar Jerusalém e destruir o Templo Sagrado. Ao ouvir os sons do shofar, rogamos pela pronta reconstrução do Bet Hamicdash e pelo perdão de nossos pecados.

6) Para nos lembrar do compromisso de Itzhak, que acatou a ordem Divina e aceitou ser oferecido em sacrifício, sendo, no último instante, substituído por um carneiro. Em Rosh Hashaná, tocamos o shofar porque oferecemos nossa vida pela santificação de Seu Nome Sagrado.

7) "Poderá o shofar soar na cidade sem que o povo trema de medo?", perguntou o profeta Amós. Com efeito, seu som solene nos estremece pelo temor do julgamento Divino. Humilhemo-nos, pois, diante do Criador, aos sons de Teshuvá.

8) Para nos remeter ao Dia do Julgamento Final, pois… "próximo está o dia do julgamento de D’us; muito próximo e brevemente ouviremos o troar do shofar e de nosso júbilo…"

9) O toque do shofar reafirma nossa fé na reunião de todos os dispersos de nosso povo, fazendo despertar anseio por esse dia grandioso. Como disse Isaías,… "E será naquele dia, e soará o Grande Shofar, e voltarão aqueles que pereceram na Terra de Ashur, e aqueles que foram dispersos na terra do Egito…".

10) Reafirmaremos, ao majestoso toque do shofar, nossa fé na chegada, em breve, do Mashiach – orando para que não tarde. Poderemos, então, reunir todos os desgarrados de nosso povo, mundo afora. E, juntos, testemunharemos a Ressurreição dos Mortos, que se levantarão de seu sono "… quando o Grande Shofar do Mashiach for ouvido".

Bibliografia:

O Livro dos Salmos Comentado, Editora Mayanot

Rabi Kitov, Eliyahu, "The Book of Our Heritage, 1st volume, Feldheim Publishers

Werblowsky , R. J. Zwi e Wigoder, G. "The Oxford Dictionary of the Jewish Religion" – Oxford University Press

Fonte:www.chabad.org.br

www.morasha.com.br/Edição 56 – abril de 2007

 

Anúncios
Esse post foi publicado em CALENDÁRIO JUDAICO. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s