Origens históricas do conflito árabe-israelense

 

O estudo do passado é extremamente imporante na área do conhecimento humano, particularmente na político-social. É impossivel saber onde estamos, para onde vamos, sem conhecer história. Imaginar que o presente imediato, do já hoje, para fazer logo amanhã, é uma falácia colossal, por que não se pode enxergar um retrato de carteirinha tirada hoje como a história de todo o individuo.
Há de se conhecer o presente pelo estudo a movimentação mais profunda do passado, a que realmente conduz o mundo.
Já se disse que os homens são rebeldes por natureza, porque nenhum é idêntico ao outro. Suas diferenças pessoais, seus estudos, sua tradição seus objetivos, seus interesses, os leva a agir politicamente, pois, homem nenhum pode realizar solitariamente os seus fins. As regras autoritárias que pretendem suprir as diferenças, suprimem a ação politica democrática. É a própria negação da democracia. A supressão da nosso modo de ser é a supressão de nossa singularidade, de nossa capacidade de pensar e debater, impondo-se como limite o respeito a pessoa do outro. Entendido como ofensas pessoais. Por isso, volto ao debate, por pensar ser imprescindível à luta em defesa lidima de Israel e do povo judeu.

1. O momento decisivo da história do conflito árabe-israelense se situa na decisão da ONU de 29-novembro de 1947- Resolução 181, qual seja, a de cassar o mandato britânico na Palestina, terminando com a tutela imposta à região desde 1920, ofertando à população árabe (1,2 milhão de habitantes) e à população judaica (700 mil habitantes) a possibilidade do exercício de direito à autodeterminação.

2. O comportamento de judeus e árabes diante à Resolução 181 traz à luz, o conflito latente que estava nos subterrâneos da história da Terra Santa. Surgiu ai duas vertentes antagônicas nitidas: Se os judeus a aplaudiram, tratando logo de construir o seu Estado, Israel, já o mundo árabe, orientado pelo Islã radical, a repudiou em peso, prometendo impedir à força de uma invasão militar a criação do Estado judeu ( o que acabou ocorrendo em maio de 1948). Exigia uma Palestina exclusivamente árabe e islâmica, negando o direito à autodeterminação dos habitantes judeus, tornando o conflito inevitável.

3. Os motivos mais profundos do movimento sionista ter apoiado a decisão estavam intimamente relacionados com os avanços da civilização européia, criando princípios e valores, a partir das sementes lançadas na Revolução Francesa e Industrial, que estavam desaguando no planeta, exatamente da partilha da Palestina, no rastro do término da derrota do nazi-fascimo na II Guerra Mundial. Neste período, ficou consagrada a legitimidade da conquista do Estado-nação democrático para todos os povos, desde que respeitasse as liberdades democráticas, os direitos humanos, os direitos dos povos- a autodeterminação, etc. Destas conquistas, a participação do povo judeu foi tão relevante, que na Conferência Islâmica da Malásia, outubro de 2003, democracia, direitos humanos foram tachados como invenções satânicas dos judeus…..

4. Assim, reação do mundo árabe e do mundo islâmico diante à Resolução 181 da ONU foi de absoluta repugnância. Por que tamanha repulsa ao direito de autodeterminação do povo judeu na Palestina?

5. A história do Islã nos explica a intolerância. Quem sucedeu a Maomé, morto em 8 de junho de 632, foi Abu Bakr, um dos primeiros convertidos pelo Profeta. O título que usou como líder, segundo a tradição historiográfica foi de “califa”, termo que combina a idéia dele ser um sucessor terreno do poder do Profeta na terra, chefe de um Estado muçulmano que promulga leis, dispensou justiça, arrecadou impostos, dirigiu a diplomacia, fez a guerra, fez a paz, com a idéia de Apostolo de Deus, trouxe e ensinou uma revelação religiosa. O Islã foi criado, pois, na união indissoluvel entre o Estado e a religião, na forma de regime autocrático do califado. Ao longo do tempo, entrou em decadência, entrando em colapso com tomada de Bagdá pelos mongóis em 1258. A autoridade foi, então transferida para os chefes vitoriosos nas guerras da expansão do Islã, que assumiriam o poder político e militar com o novo título, o de sultão. Como acentua o especialista no Islã, Bernard Lewis, não se pode aplicar aqui os termos poderes secular e religioso, por que tal divisão para tinham sentido no mundo muçulmano. O sultanato é a forma de governo com o Império Otomano dominou o Oriente Médio, e a Terra Santa por 400 anos, de 1515 a 1918. A decadência do império otomano culminou derrota da Turquia, centro do império otomano, na I Guerra Mundial. Logo após a derrota, eclode uma revolução nacionalista liderada por Mustafá Kemal, (Atarturk), quando é promovida a modernização e ocidentalização do país, com a abolição do sultanato, do califado, da poligamia, substituição das práticas muçulmanas por código civil de modelo ocidental, imposição do casamento civil, etc. É exatamente isso, que conforma as raízes intrinscecamente amistosas entre a Turquia e Israel. Algumas manifestações antiisraelenses por grupos islamicos não tem o condão de reveter o quadro geral turco. Será preciso uma contra-revolução muçulmana muito profunda. O que não está ainda no horizonte.

6. Contudo, ao revés da Turquia, o mundo árabe continuou o mesmo, com idéias básicas do Islã da indissolubilidade das relações entre o Estado e a religião. É com essa cultura que praticamente os povos árabes atravessam o século XX, sofrendo, claro, alguns desgastes no contacto com o mundo ocidental, como é o caso do Egito, da Jordânia, não por mero acaso os primeiros países a fazerem as pazes com Israel. Mas os avanços são lentos. Idéias do tempo do califado persistem no Islã-terrorista. O sonho de Bin Laden é a restauração do califado sobre todos os continentes, sobre todos os povos, pela Jihad-a Guerra Santa. É em nome desta restauração do primado absoluto do Corão e ensinamentos do Profeta é que matam e assassinam infiéis, seres inocentes, em todo o mundo, particularmente em Israel, em pavorosos atentados terroristas.

7. Entre os palestinos parece estar engatinhando um processo de ocidentalização, a exigir a separação do Estado e o Islã, instituição de uma democracia constitucional, e que se opõe tanto ao terror dos homens-bombas do Hamas e &, que enxergam, corretamente, serem mais nocivos à autodeterminação palestina do que a Israel, quanto se opõe à corrupção de Arafat.

8. O conflito na Palestina chega assim em nossos dias. Não é, pois, uma guerra entre Bush e Sharon com os palestinos, como alguns teimam em reduzir o embate, queimando a história, mas, isso sim, um choque impetuoso entre o direito da autodeterminação dos povos e a rejeição total e sua absoluta pelo Islã terrorista. O Islã tendo como aliado paradoxal as esquerdas radicais. No Brasil, é PSTU que puxa o bloco do “fim de Israel”, distribuindo propaganda violentamente antiisraelense, e sumamente simpática aos grupos terroristas do Hamas e &, que chegou ao nosso debate, tornando nosso dever denunciá-lo, sem ofensas pessoais, mas com todos os erres e efes…

9. Como se vê, na luta contra o anti-semitismo, na defesa de Israel, Estado e povo, é preciso distinguir o passado, apurar as causas dos conflitos, o sentido da movimentação de nossos inimigos, etc. Isso, só a história pode ensinar.

 

 

Por: Marx Golgher

www.visaojudaica.com.br

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