Breve História do Povo Judeu – Parte 3

 

Na Alemanha estabeleceram-se judeus desde tempos muito antigos. O primeiro documento de uma comunidade judaica na Colônia data do ano 321. Até a época dos últimos Carolíngios sua situação era muito boa. Floresceram escolas em Metz e Mogúncia, onde ensinou o célebre rabi Guershon ben Judá, chamado "Luz da Diáspora". Quando começaram as Cruzadas e uma onda de fanatismo se apoderou dos homens, caiu sobre os judeus a espada de Damocles. Comunidades inteiras como as de Espira, Worms, Mogúncia e Colônia foram assassinadas. Mais tarde, ao estalar da Peste Negra, o cólera (1340-1351), mais de 340 comunidades foram quase que totalmente exterminadas, quando os judeus foram acusados de envenenar os poços de água.

Na Áustria-Hungria, a história do povo judeu apresenta vicissitudes mais complexas que em outras nações. Os reis magiares serviam-se dos judeus como preceptores, tesoureiros e administradores de suas fazendas e de seus investimentos industriais. Mesmo quando a Santa Sé romana interveio várias vezes para impedir estas relações, os soberanos voltaram atrás depois de haver acatado temporariamente as prescrições da cúria romana. os séculos XIV e XV foram nefastos para os judeus austríacos. Durante o tempo em que o cólera açoitou aquelas regiões, os judeus foram expulsos da Hungria e, ainda que os tenham chamado depois, não recobraram jamais seu primitivo prestígio, não puderam mais ter cargos públicos e foram obrigados a usar um capuz como distintivo de sua religião. Em 1386, foram vítimas de ultrajes horrorosos em Praga e outras cidades. A situação moral e material dos judeus da Áustria e Hungria melhorou, todavia, graças aos esforços de Mordechai Meisel, o primeiro milionário alemão, e de Lipman Heller, rabino de Viena.

Na Europa oriental, os judeus haviam se estabelecido desde a destruição do primeiro Templo. Na Polônia, eles chegaram por volta do século IX, procedentes da Alemanha e Boemia. Ali gozavam de uma hospitalidade liberal, crescendo notavelmente a população judaica durante os dois séculos seguintes.

O duque de Kalisz e de Guesen, assim como Casimiro, o Grande, outorgaram-lhes uma liberdade ilimitada no comércio. Os judeus poloneses tinham por inimigos o clero e os negociantes alemães, e, na Ucrânia e na Rússia européia, além dos já citados, tinham como inimigos os cossacos de rito grego, oprimidos pelos ricos da Polônia, cujos intendentes eram judeus. O judaísmo desapareceu da Ucrânia e, nas outras regiões, sofreu muito em virtude das prolongadas guerras entre russos, suecos e polacos.

Na Criméia e na costa do Mar Negro existiam algumas comunidades antes da era cristã; para lá dirigiram-se muitos judeus, depois da destruição do Templo. Assim difundiu-se o judaísmo nesses lugares e, devido à sua influência, registrou-se a conversão do rei dos cazares no ano 740 (e.C.). Muitos judeus do império bizantino foram para lá mas, quando o reino cazar ou cuzarí foi destruído (969), eles emigraram para a Rússia, onde, até o século XV, parece que levaram uma vida bastante tranqüila.

Na Inglaterra havia judeus desde o século VII (e.C.), mas notícias exatas só há a partir do século XI. Até o século XII a situação foi bastante boa, mas sob o reinado de Ricardo Coração de Leão começou em Londres e noutras localidades uma série de perseguições que se agravaram durante o reinado de João sem Terra. No ano de 1264 houve uma verdadeira matança e, por um decreto do ano de 1290, os judeus foram expulsos da Inglaterra, encontrando refúgio em Flandres, França, Alemanha e Espanha setentrional. Só puderam retornar no período de Oliver Cromwell, quase quatro séculos mais tarde.

Os judeus da Ásia e da África que viviam nos países muçulmanos puderam gozar de certa tranqüilidade durante um determinado período de tempo. Porém, depois da batalha de Rodas (624), começaram nos territórios muçulmanos graves perseguições. Omar expulsou-os da península arábica, admitindo-os novamente mais tarde.

Sob o domínio árabe, foi muito importante o desenvolvimento do judaísmo egípcio, sobretudo em Fostat, antigo nome do Cairo, capital do Egito.

Também em outras localidades da África setentrional foram-se formando comunidades judaicas muito importantes.

A descrição da situação do judaísmo nos principais estados europeus até fins da Idade Média é suficiente para se ter uma idéia de sua verdadeira orientação político-social.

Os judeus, que sob certos aspectos são considerados como um dos povos que tem vivido mais recolhido dentro de si mesmo e que, apesar das perseguições, conservaram incólume sua doutrina, viveram durante os tempos medievais e uma parte da idade moderna encerrados numa espécie de "círculo de ferro" chamado gueto.

A Reforma, a partir de 1517, num primeiro momento foi favorável aos judeus, pois o protestantismo modificou em parte a psicologia da época ao promover um maior interesse pelos estudos bíblicos, contribuindo assim para fazer luz sobre o passado e afirmando que a fé repousava sobre o Antigo Testamento. Observam alguns autores que Lutero com isso esperava poder converter os judeus para sua nova igreja. Depois de duas décadas, entretanto, vendo que não tinha conseguido seu intento, ele mudou de tática e passou a atacá-los violentamente. Vieram então os dias amargos pelos quais os fez passar o fundador do protestantismo. Ele tornou-lhes a vida extremamente sombria com seus escritos e suas publicações nos quais pregava que os judeus deviam ser mortos queimados ateando-se fogo às sinagogas enquanto rezavam. Quinhentos e poucos anos mais tarde, essas pregações foram utilizadas pelos nazistas para embasar sua tentativa de extermínio do povo judeu.

Os judeus voltaram à França no século XVI com a anexação da Alsácia e Lorena e com a formação de colônias de Anussim (judeus convertidos ao cristianismo à força) na França meridional. A Revolução os encontrou na guarda nacional. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, ao estabelecer o princípio de liberdade religiosa e de igualdade, produziu praticamente a emancipação dos judeus. Napoleão, apoiando este movimento nos anos de 1806-1807, convocou em Paris o grande Sanedrim.

Apesar da ótima situação judeu-francesa e apesar de ter sido a França a primeira a proclamar a liberdade dos judeus, ainda assim não pôde o francês eximir-se do anti-semitismo. Um exemplo disto foi o célebre processo André Dreyfuss, que comoveu o mundo inteiro e desencadeou, ao terminar seu julgamento, uma verdadeira onda anti-semita. Este episódio teve sua repercussão, nos últimos tempos, manifestada na atitude do governo de Vichy para com os judeus, desde o colapso da França em 1940. Há quem acredite que com esta atitude, o marechal Pétain quis desforrar-se da afronta que o militarismo francês sofreu com a reabilitação do capitão Dreyfuss.

Mas o caso Dreyfuss também foi um dos fatores que ajudaram a catalisar o surgimento do Sionismo, idealizado por Theodor Hertzl, um médico austríaco que se tornou escritor e jornalista e foi escalado pelo jornal em que trabalhava para cobrir o caso do capitão judeu francês acusado de alta traição e que mais tarde se revelou um dos maiores erros judiciários da História. A seqüência do julgamento e suas conseqüências levaram Herzl a escrever a obra "O Estado Judeu", organizando suas idéias e lançando as bases do Sionismo moderno.

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