O Tanya – parte 48

O Amor a D’us

O amor a D’us é uma das mais maravilhosas expressões de proximidade do homem com seu Criador. Nos ensinamentos da Chassidut de Chabad o amor a D’us não somente é um ideal encantador, como também um tema amplo que pode ser estudado e tornado real. Se isso for feito, todos os aspectos da vida judaica adquirem um significado novo e mais elevado.

Existem muitos níveis e gradações diferentes no amor a D’us. A diferença entre eles é distinguível tanto na qualidade e aspiração desse amor, quanto nos vários fatores causativos pelos quais a pessoa é despertada ao amar a D’us. De maneira geral, todos os aspectos do amor podem ser divididos em duas categorias. Um tipo de amor é: amor "como um fogo ardente" que a pessoa atinge por meio de seu próprio serviço Divino. Este amor é comparado ao fogo, pois a natureza do fogo é elevar-se, de baixo para cima. O segundo tipo de amor, o amor "como água" é o amor a D’us que é concedido como um presente do Alto. É derramado do Alto exatamente como água que flui para baixo.

"Fogo Ardente" e "Deleites"

Nos primeiros catorze capítulos do Tanya, Rabi Shneur Zalman examina três tipos de amor. Estes são chamados "amor como uma chama ardente" (ahavá k’rishpei eish), "deleite amoroso" (ahavá beta’anugim), e "amor oculto ou escondido" (ahavá mesuteret), ao qual se refere também como "inato" ou amor "natural".

Uma pessoa atinge o nível de "amor como uma chama ardente" como resultado de meditar sobre sua distância de D’us. Como alguém que anseia pela água que está a uma grande distância, esta contemplação desperta na pessoa uma grande sede, e uma ânsia da alma em busca de D’us e por toda questão pertinente ao sagrado. Este nível de amor não é apenas de um afortunado punhado de santos e justos tsadikim, mas é atingível por todas as pessoas. Especialmente durante a prece – a hora auspiciosa em que toda pessoa pode conectar os poderes de sua mente a seu Criador, meditando sobre a grandeza do Eterno, bendito seja – que este amor pode ser vivenciado.

Como bem sabemos, em cada judeu habitam duas almas, duas fontes de consciência e motivação. Estas são chamadas de alma Divina e alma animalesca. O amor "como uma chama ardente" é uma das emoções da alma Divina. Quando este amor arde na alma de um homem, efetua uma subjugação da alma animalesca, mas não sua transformação. Um pouco do amor a D’us da alma Divina passa para a alma animalesca, colocando seus poderes do mal para dormir, mas não consegue causar uma mudança fundamental na alma animalesca.

O nível de "amor como uma chama ardente" está ao alcance do benoni, e além disso é particularmente apropriado a seu Divino serviço. O nível de "deleite amoroso" é o presente que é concedido aos tsadikim. Com este amor, um tsadic merece chegar ao nível de deleite em D’us, que é similar àquele que será vivido no Mundo Vindouro. Como um homem sedento que encontra água e se delicia ao matar sua sede, assim é este "deleite amoroso" do tsadic. Sentindo-se próximo do Criador, ele sente grande deleite e um elevado júbilo da alma. Quando o tsadic atinge este nível de amor, ele consegue livrar-se das vestes maculadas pelos prazeres materiais do mundo com as quais estava vestido. Além disso, está em seu poder transformar a força do desejo de sua alma animalesca em bem, e ele a domina e a direciona somente para os assuntos sagrados.

O Amor oculto

Uma das qualidades superiores inerentes no coração de todo judeu é o tipo de amor denominado "amor oculto". Este amor não é criado pelo serviço Divino do homem. Também não é formado por seus esforços intelectuais de contemplação. É simplesmente inato no coração de todo judeu em virtude de ser um herdeiro dos Patriarcas Avraham, Yitschac e Yaacov. No entanto, como está oculto, às vezes é necessário despertá-lo por meio do tipo apropriado de meditação.

Este "amor oculto" não pode ser extinto por preocupações financeiras (ou outras). Além disso, uma abundância de fartura física e prazeres materiais não podem influenciá-lo na direção do mal, nem enfraquecê-lo. Assim como o amor de uma pessoa por si mesma não é um produto de seu intelecto, assim também este amor oculto é inato e natural, e está acima da lógica e do intelecto racional. Através do poder deste amor, todo judeu deseja naturalmente apegar-se a D’us, e passará até mesmo pelo martírio para santificar o nome de D’us, se for forçado a separar-se de seu Criador.

Este amor e o poder do auto-sacrifício que ele acarreta é encontrado igualmente em todo judeu. É este amor que ajuda e apóia o benoni no decorrer do dia, mesmo quando ele não está envolvido no serviço da prece. Este amor o ajuda a sobrepujar o yetser hará que o perturba, e ele consegue afastá-lo de si. Até o judeu com menos mérito e os pecadores de Israel, cujo amor natural e inato por D’us foi escondido e coberto pelo espírito de tolice a ponto de este fazê-lo tropeçar e cair em pecado – até mesmo nestas pessoas este amor existe de maneira oculta, e reside dentro delas num estado potencial. A prova disso é que se forem forçados a fazer algo que claramente os separa de seu Judaísmo, imediatamente sacrificarão a própria vida para evitar fazê-lo.

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