O Tanya – parte 39

O Rasha no qual existe D’us

O título "um rasha no qual existe D’us" descreve uma situação onde o bem na alma Divina da pessoa (que se manifesta no cérebro e no ventrículo direito de seu coração) é subserviente e é
anulado pelo mal que deriva da kelipá (o qual é manifestado no ventrículo esquerdo de seu coração).

Obviamente, podem existir vários graus e formas de subjugação e anulação do bem para o mal.
Dessa maneira, a descrição "um rasha no qual existe o bem" pode ser subdividida em miríades de diferentes níveis, segundo a quantidade e grau de sua anulação ao mal. No capítulo 11 do Tanya, Rabi Shneur Zalman descreve duas situações extremas. O nível mais elevado de "um rasha no qual existe o bem" é aquele em quem a subserviência e anulação do bem de sua alma Divina ao mal dentro dele é apenas na menor proporção. Se ele de fato transgride, será apenas em assuntos menos importantes, e muito esporadicamente. Além disso, a transgressão afetará apenas uma das vestes de sua alma – pensamento, ou fala, ou ação. No outro lado do espectro está "um rasha que possui somente o mal." Nele o mal domina a tal ponto que ele peca a intervalos próximos, transgredindo proibições severas. Além disso, ele não é avesso a contaminar todas as vestes de sua alma, pensamento, fala e ação.

Deve-se destacar que mesmo numa situação onde o bem consegue adquirir supremacia e prevalecer sobre o mal, ainda há uma diferença entre estas várias categorias de "rasha no qual existe o bem". Quando os níveis mais elevados de alguém que é denominado "rasha no qual existe o bem" (i.e., no qual o bem é subserviente ao mal em minúscula proporção) e que se arrepende de sua conduta pecaminosa, e "ele se arrepende com a penitência apropriada… D’us de fato o perdoará." No entanto, quando os níveis inferiores do "rasha no qual existe o bem" (cujo bem é subserviente ao mal em grandes proporções), "sente remorso, e o arrependimento entra em sua mente… o bem em seu interior não se fortalece o suficiente para afastar o mal" e ele não tem a força moral para livrar-se inteiramente do pecado.

O arrependimento apropriado

No tratado Yoma, Rabi Yishmael descreve três formas de perdão para três tipos diferentes de pecado. Se uma pessoa negligenciou um preceito positivo e se arrepende, é perdoada de imediato. Se alguém viola uma proibição e se arrepende, Yom Kipur junto com seu arrependimento expiam o pecado. Se sua transgressão é tão grave que incorre em afastamento espiritual ou execução nas mãos da Corte Rabínica, o arrependimento e Yom Kipur, junto com o sofrimento, completam sua expiação.

O rasha de nível mais elevado "no qual existe o bem" cumpre as exigências fundamentais de arrependimento por abandonar o pecado e melhorar seus caminhos no futuro. Além disso, ele também se ocupa com elevados aspectos de arrependimento que expiam, purificam e retificam seu passado. Apesar disso, segundo o Tanya, ele ainda é chamado de rasha. A razão para isso é que seu arrependimento ainda não curou o enfraquecimento ou mancha que causou em sua alma por causa do pecado. Ele ainda não possui a fortaleza de alma que garante com certeza que ele jamais pecará novamente.

Cheios de remorso

Quanto ao "rasha no qual existe o bem" no nível inferior, Nossos Sábios declaram: "Os perversos estão cheios de remorso." Entre um pecado e outro, ele se sente arrependido de suas ações. Até na hora da transgressão ele talvez sinta angústia, mas não tem a força para se distanciar do pecado.

Os pensamentos de arrependimento que este rasha tem não podem ser classificados como verdadeiro arrependimento. Embora ele possa ter um profundo arrependimento por seus atos, não pode impedir-se de pecar, admitir que está errado e abandonar completamente o pecado. Ele não tem a força para completar nem sequer o primeiro estágio da mitsvá do arrependimento. Seus sentimentos de remorso não afetam sua futura conduta. E mais ainda, ele é incapaz de retificar seu passado. Mesmo assim, para seu crédito, devemos dizer que o bem dentro dele não está adormecido, pois ele não é classificado como um "rasha no qual existe somente o mal" – alguém que não tem qualquer bem dentro de si.

Seria útil esclarecer, a esta altura, as razões para os pensamentos de arrependimento surgirem na mente.

Seria lógico dizer que o despertar destes pensamentos é importante em si mesmo, embora eles não sejam absolutamente genuínos e eficazes. Conta-se que um dos grandes chassidim, Rabi Yitschac, o Masmid, (alguém que é particularmente diligente e assíduo), ou Reb Itche, como era comumente chamado, era considerado por seu colegas como sendo um benoni. Sendo um homem extremamente humilde, ele era inconsciente de seu status espiritual superior. Quando Reb Itche comparecia a reuniões chassídicas, ou farbrenguens, ele costumava se censurar com lágrimas nos olhos, dizendo: "Itche, Itche, olhe como você é terrível, pior que um rasha no qual não existe o bem, e que nunca sente remorso por seus atos! Ele nunca estudou os ensinamentos chassídicos, mas você, que imergiu na Chassidut, por que não tem pensamentos de arrependimento? Por que não tem sentimentos de remorso?"

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