O Tanya – parte 38

O Rasha e o bem em seu interior

Já foi explicado que o homem possui faculdades tais como intelecto e emoções, e também três "vestes" – pensamento, fala e ação, que dão expressão às ações de sua alma. Um tsadic não somente fortalece as ações de sua alma Divina ao purificar suas "vestes", como também o estado interno de sua alma. Em contraste, a pessoa má, o rasha, está na posição oposta. A alma animalesca de um rasha o domina. Este domínio não é apenas no que se refere às obras interiores de seu coração, mas também a ação prática, ou a expressão de sua alma animalesca por meio de suas "vestes" do pensamento, palavra e ação. Ou seja, ele está propenso a realmente transgredir um mandamento.

Para ser chamado de rasha não é necessário que uma pessoa seja um criminoso renomado.
Basta que seja uma pessoa simplesmente passível de transgredir. Na verdade, o fato de que um rasha possa cumprir uma mitsvá não o impede de errar mais tarde. De modo paralelo, alguém que tenha cometido uma transgressão, mesmo que ainda não tenha se arrependido, é completamente capaz de continuar a cumprir todas as mitsvot. (Além disso, é o que se exige dele, embora tenha transgredido previamente). Na hierarquia dos níveis, não é impossível, portanto, encontrar aqueles que são classificados como perversos, e que estão muito distantes do Judaísmo, lado a lado com aqueles que têm reverência a D’us, e que cumprem todos os preceitos, do menor ao mais importante, pois o potencial para o pecado ainda existe dentro deles.

O rasha completo

No capítulo 11 do Tanya, Rabi Shneur Zalman divide os perversos em duas categorias gerais. O "o rasha no qual existe o bem" – e o "rasha que possui apenas o mal".

O "rasha que possui apenas o mal", ou um rasha completo, é uma pessoa que nunca sente remorso por seus atos impróprios. Além disso, ele nem ao menos pensa em arrependimento. Todos os fatores espirituais que levam uma pessoa a teshuvá, como sentimentos de remorso que brotam da natureza inerente de uma alma judaica que não pode e não deseja ser separada da Divindade, são desconhecidos para uma pessoa como esta.

Pode ocorrer que uma pessoa assim geralmente cumpre os preceitos e estuda Torá, ou que tenha feito isso em numerosas ocasiões. Nossos Sábios declaram: "Os pecadores de Israel estão tão repletos de mitsvot como uma romã está repleta de sementes." Ou seja, embora eles possam estar repletos de mitsvot, são considerados pecadores! Uma pessoa ssim decidiu que não há necessidade de que suas transgressões perturbem sua vida ou incomodem sua serenidade. Alguém nessa situação é chamado um completo rasha.

A radiância da bondade Divina não ilumina a alma de uma pessoa assim por dentro. Quando cumpre os preceitos que exigem ação física, estas são realizadas apenas com seus membros, mas sua alma não irradia seu ser interior. Quando ele cumpre um mandamento, este não ilumina sua alma.

No entanto, deve-se destacar que ao contrário de um tsadic, que é capaz de remover completamente o mal dentro de si, e até mesmo transformá-lo em bem, o rasha não está apto a remover completamente o bem de dentro de si. O Eterno bendito seja, concedeu esta grande gentileza ao rasha, portanto mesmo quando o bem está completamente oculto dele, mesmo assim permanece com ele, de maneira externa e distante.

Por virtude do bem

Existem muitas e variadas ramificações do fato de que algum aspecto do bem sempre permanece com um judeu. Uma dessas conseqüências é elucidada numa declaração de Nossos Sábios: "A Shechiná habita em cada grupo de dez homens judeus."

Há vários aspectos e níveis da revelação da Shechiná. A Shechiná paira sobre uma pessoa quando esta estuda Torá, como declaram Nossos Sábios no Tratado Berachot: "A Shechiná repousa até mesmo sobre um único indivíduo que senta-se e se ocupa com Torá." O Capítulo 35 do Tanya explica que este nível de revelação da Shechiná diz respeito à alma Divina de um indivíduo, quando distinta de seu corpo e alma animalesca. Há um outro nível de repouso da Shechiná, que é atraído através do cumprimento de mandamentos práticos. Além de iluminar a alma Divina, esta morada da Shechiná também envolve o corpo da pessoa e sua alma animalesca. Um aspecto mais completo do repouso da Shechiná é aquele que é atraído em todo local onde dez homens judeus estão reunidos. Este nível de morada da Shechiná é muito mais elevado que aquele que paira sobre um indivíduo, embora este seja um perfeito tsadic. Porém, apesar disso, a Shechiná somente repousa sobre um grupo de uma maneira externa, em vez de ser revelada internamente. Portanto, embora a alma de uma pessoa possa estar distante dela, como no caso do rasha, a Shechiná pode pairar sobre ele em virtude do grupo do qual ele faz parte.

A Shechiná repousa também sobre um grupo de dez homens judeus, mesmo que eles não se ocupem com Torá e mitsvot, ou qualquer outro tema relacionado à santidade. Além disso, este ainda é o caso, embora todos os dez homens sejam completamente maus. A Shechiná virá habitar sobre eles.

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