O Tanya – parte 35

Entre um Tsadic e outro

O mal "do lado esquerdo de seu coração" foi banido e eliminado. Seu yetser hará está inativo, e emoções más não são provocadas. O conflito de vontades dentro dele não ocorre, e somente a vontade de D’us ecoa dentro dele. Estes são os picos aos quais o serviço Divino do tsadic imperfeito pode elevá-lo, até que ele consiga remover completamente as "vestes imundas" dos deleites mundanos, e transforme o "poder do desejo" de sua alma animalesca em santidade, como o perfeito tsadic consegue fazer.

Um conhecido ditado chassídico declara que as trevas não podem ser afastadas com um bastão, somente com luz. Remover o prazer pelas coisas deste mundo, que profanam as vestes da alma animalesca de um judeu, não pode ser feito à força bruta, por meio de diversas formas de auto-aflição. Remover o prazer pelas coisas deste mundo somente é possível através do amor a D’us. De fato, o grau de amor a D’us é o critério pelo qual os tsadikim podem ser classificados em vários níveis.

Amor a D’us e ódio ao mal

Um perfeito tsadic mereceu o nível de amor chamado ahavah b’ta’anugim – "deleite amoroso" ou "amor bem-aventurado". Este é o nível de amor no qual um tsadic vivencia "deleite na Divindade que é um prenúncio do Mundo Vindouro". Por causa de seu intenso amor a D’us o tsadic despreza assuntos mundanos que não são pertinentes à santidade. Similar à maneira que uma pessoa acha as expressões de afeição e estima insuficientes para refletir o amor que tem por um amigo muito querido, porém sente que deve também odiar aqueles que se opõem a seu amigo, assim também no que diz respeito ao amor do perfeito tsadic por D’us. Devido a seu intenso amor por D’us, ele tem desprezo absoluto pelo "outro lado", o oposto da santidade. Além disso, este ódio ao mal é absoluto, como disse o Rei David nos Salmos: "Eu os odeio com um ódio consumado. Eles tornaram-se meus inimigos." No entanto, o tsadic incompleto ainda não atingiu este nível de amor, e de modo correspondente, ainda não chegou ao mesmo nível de ódio ao mal que o perfeito tsadic. Nas profundezas de sua alma, pode-se encontrar "algum vestígio de amor e prazer com ele" – com o mal.

De fato, a diferença entre a absoluta abominação do mal e a abominação incompleta do mal não é simplesmente uma questão de quantidade – onde um tsadic despreza mais o mal que o outro. Ao contrário, esta diferença é qualitativa. O perfeito tsadic, cujo amor a D’us é daquele nível chamado "deleite amoroso", e cujo deleite na vida está apenas em assuntos de santidade, tem desprezo absoluto com as coisas do mundo material que não estejam conectadas ao reino da santidade.
Este ódio é análogo à abominação natural das pessoas por coisas desprezíveis que elas não podem tolerar fisicamente. Em contraste, o tsadic imperfeito, cujo amor a D’us não é tão grande quanto o do tsadic perfeito, não considera as coisas mundanas tão repulsivas fisicamente como o faria uma pessoa comum. Em vez disso, ele simplesmente as considera como algo a evitar, pois perturbariam seu Divino serviço.

Transformando o mal em bem

Somente quando os prazeres deste mundo foram completamente erradicados, como ocorre com um tsadic perfeito, o "poder do desejo" pode ser redimido e transformado em verdadeiro bem. No entanto, se o tsadic tem alguma conexão com as "vestes imundas", o "poder do desejo" de sua alma animalesca não pode ser transformado completamente, embora em geral ele esteja ocupado em afastar o mal e transformá-lo em bem. E portanto, ele é incapaz de utilizar este poder para objetivos positivos e benéficos.

De modo geral, o banimento do mal e sua conversão ao bem pelo tsadic incompleto é comparável a transformar água salobra em potável diluindo-a em água boa, doce. Quanto mais se adiciona água doce, menos se sentirá o gosto ruim da água salobra. Mesmo assim, embora o gosto da água não seja mais perceptível, não se pode dizer que ele não existe. Pelo contrário, o sabor da água salobra chega a afetar de algum modo o sabor da água potável. Uma analogia diferente aplica-se ao perfeito tsadic que transformou o mal em bem. Isso é comparável à melhoria da água por Moshê em Marah, onde "D’us mostrou a ele uma determinada árvore, que ele jogou dentro da água, e a água se tornou doce." Neste caso, o sabor ruim se transformou em doçura.

Quanto ao tsadic imperfeito, em quem a menor quantidade de mal é apenas anulada no bem, o mal poderia vir a ser despertado. Em contraste, o mal que o completo tsadic erradicou completamente jamais pode ser re-despertado!

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