O Tanya – parte 32

A guerra interna entre a alma Divina e a alma animalesca pelo domínio sobre o corpo e todos seus órgãos é comparada a dois reis guerreando por uma cidade que cada um deseja conquistar e governar. Como conseqüência da prolongada batalha, cada um desses "reis" tem chance de ser ferido ou enfraquecido.

No capítulo nove do Tanya, Rabi Shneur Zalman analisa esta guerra interna dentro do judeu. No entanto, em vez de examinar as estratégias de batalha e as táticas de ambos os lados, o Alter Rebe explora o assunto de uma perspectiva mais ampla. Ele examina as aspirações e objetivos de cada um deles como fatores decisivos na batalha espiritual interna. Esta análise produz alguns resultados inesperados. Os objetivos de cada uma das alma belicosas não são como aparecem no campo de batalha. Estes objetivos também não são equivalentes, pois cada uma das duas almas tem seus próprios objetivos e metas.

Os objetivos da alma Divina

"A vontade da alma Divina é que somente ela governe e oriente a pessoa" para que o corpo e todos seus membros se sujeitem à sua disciplina. Ao receberem sobre si mesmos o jugo da soberania, o corpo e os membros cumprirão tudo que a alma decreta – incluindo aquelas coisas que a pessoa não entende completamente.

A alma Divina não está satisfeita somente com o cumprimento físico das mitsvot. Ela espera também algum tipo de reação positiva a si mesma por parte da pessoa. Nas palavras do Tanya: a alma Divina deseja que o corpo e seus membros "se rendam completamente a ela", anulando sua vontade em favor da vontade de D’us, e tomando a firme decisão de qualquer que seja a vontade de D’us, essa será também a vontade dela. Num estágio mais avançado a alma Divina encoraja a pessoa se tornar uma "carruagem" para ela. Isso implica que a pessoa é tão tímida, e entregou sua vontade de tal forma que tornou-se simplesmente um veículo reagindo voluntariamente a todos os comandos de seu condutor, assim como uma carruagem seguindo as direções de quem a dirige, sem qualquer vontade própria.

Além disso, a alma Divina não oculta seus objetivos, os quais são que somente seus poderes sejam envolvidos dentro da pessoa, para que seu corpo inteiro seja permeado somente com eles, e nada que seja alheio possa passar por eles. Onde a alma Divina governa exclusivamente, poderia jamais surgir a situação de às vezes uma pessoa abrigar os poderes de santidade e em outras vezes os poderes da impureza.

Ao contrário, o pensamento, fala e ações de uma pessoa seriam apenas aqueles pertinentes a D’us e Sua Torá, e seus 248 membros se ocupariam totalmente com as mitsvot. As três partes do cérebro estariam permeadas com chochmá (sabedoria), biná (entendimento) e da’at (conhecimento) da alma Divina através de "ponderar a insondável e infinita grandeza" do Criador. Desta forma reverência e amor por D’us brotariam na pessoa.

Refinando a alma animalesca

No capítulo nove do Tanya, Rabi Shneur Zalman revela um novo campo de ação na estrutura geral do serviço espiritual que todo judeu é obrigado a aceitar sobre si mesmo. Este é o trabalho de refinar e elevar a alma animalesca, "mudar e transformá-la de [uma ânsia por] prazeres mundanos em amor por D’us." Nossos Sábios expressaram esta idéia ems eu comentário sobre o versículo: "E amarás a D’us… com todo seu coração." A forma dual da palavra para coração, levavecha (implicando com todos seus corações, no plural), em vez de levach (coração no singular), sugere que ambas as inclinações – o yetser tov (a boa inclinação) e o yetser hará (a má inclinação) – devem vir a amar a D’us. Mas como é possível para a má inclinação amar a D’us? A Chassidut explica que isso é alcançado por meio do redirecionamento do poder do desejo da alma animalesca, que inerentemente anseia pelo prazer físico, rumo a metas positivas, rumo ao amor a D’us.

De maneira geral, a alma Divina influencia e refina a alma animalesca em estágios sucessivos, usando o amor de D’us como um instrumento, por assim dizer. A princípio, por meio de assuntos de meditação apropriados, uma pessoa desperta em si mesma "um amor poderoso, como lampejos ardentes." Este amor em si engloba diversos níveis, começando com o amor de D’us com todo seu(s) coração(ões), no qual o coração inteiro está repleto de amor, como foi explicado acima. O próximo estágio é chegar a amar a D’us "com toda sua alma", no qual o amor cresce e se espalha até mesmo aos poderes físicos e órgãos que, eles próprios, não são propriamente "recipientes" bem adequados para conter o amor a D’us. O estágio final é amar a D’us "com toda sua força", que é um amor ilimitado por meio do qual o homem é elevado além de seus poderes e sentidos limitados.

No início de seu serviço, o coração de uma pessoa está apenas incrustado com amor por dentro", o que equivale a dizer que somente uma fina camada de amor pavimenta o ventrículo direito do coração, por assim dizer, onde reside a alma Divina. Porém, num estágio posterior, o lado direito de seu coração torna-se tão repleto de amor que este se derrama também para o lado esquerdo, onde habita a alma animalesca. Então a alma Divina é elevada a um nível mais alto de amor a D’us. Assim, do nível anterior, chamado "um amor poderoso como lampejos de fogo", a alma passa ao nível de "deleite amoroso", conhecido nas Escrituras como "ahavá beta’anugim." Este amor tem o poder de finalmente efetuar a transformação esperada do poder de desejo da alma animalesca, que inerentemente anseia pelo prazer físico, em amor a D’us.

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