O Tanya – parte 31

Guerra Mundial

"O Homem é um pequeno mundo, um microcosmo" – declara o Talmud. Daí conclui-se que a guerra entre a alma Divina e a alma animalesca que irrompe dentro de um judeu pode ser considerada como uma guerra mundial. As duas almas que habitam todo judeu não vivem em paz e fraternidade. A batalha entre elas não é uma briga ideológica ou desentendimento similar à discórdia que existe entre duas pessoas com interesses diferentes. É simplesmente guerra. Este assunto é discutido no capítulo nove do Tanya. Rabi Shneur Zalman o descreve como uma batalha entre dois reis "que entraram em guerra por uma cidade, que cada qual deseja capturar." Assim como na guerra cada lado tem seus objetivos militares e suas próprias táticas e estratégias, e seus próprios quartéis de onde parte para lutar, assim também com cada uma dessas duas almas.

A morada de cada alma

Cada uma dessas duas almas reside numa parte diferente do corpo. A alma animalesca, que é predominantemente emocional, mora no coração, a base das emoções. A alma Divina, que é essencialmente racional, reside no cérebro, a morada do intelecto.

Mais especificamente, no próprio coração, a morada da alma animalesca é o ventrículo que está cheio de sangue, o esquerdo. E "assim como o sangue tem sua fonte no coração, e a partir do coração circula até cada órgão, subindo também ao cérebro"– assim também é com a alma animalesca oculta no sangue. É no coração que as paixões animalescas, que incitam o homem a desejos corporais e à fúria, e a sentimentos semelhantes, são geradas e desenvolvidas. E a partir do coração estas emoções se espalham e invadem todo o corpo. Se elas requerem ajuda e orientação estas emoções sobem até o cérebro, que serve simplesmente como uma ferramenta para realizar as paixões do coração.

A morada da alma Divina é essencialmente no cérebro, e a partir daí estende-se ao ventrículo direito do coração. O último serve como uma segunda morada da alma Divina. O ventrículo direito do coração não contém sangue como tal. Ao contrário, o sangue passa através de suas câmaras. O lado direito do coração é o receptáculo da força de vida da pessoa (é onde o oxigênio que sustenta a vida é adicionado ao sangue). Além disso, é a base do yetser tov, a boa inclinação, como declara o versículo de Cohêlet: "O coração do homem sábio está à sua direita" (oposto ao "coração do tolo" que está à esquerda). A revelação do amor ardente do homem para com D’us reside neste lado do coração, e aqui é sentida "a alegria do coração na beleza de D’us e a majestade de Sua glória" quando o homem sábio contempla e percebe intelectualmente a glória e grandeza de D’us. A alma Divina também afeta o corpo como um todo, com o qual se comunica por meio das três "vestes" da alma – pensamento, fala e ação.

Uma nação prevalecerá sobre a outra

O versículo "Uma nação prevalecerá sobre a outra" refere-se a um conflito entre Yaacov e Essav. Em termos de vida espiritual judaica, este versículo é entendido como uma alusão à alma Divina e à alma animalesca que estão constantemente lutando uma com a outra. Além disso, esta batalha não está confinada às respectivas moradas das almas Divina e animalesca. A frente de batalha está em todo o corpo, e cada alma lança constantemente sua força contra a outra.

Rabi Shneur Zalman compara o corpo a uma cidade, seus membros a cidadãos, e as duas almas a reis. Numa guerra entre dois reis, cada um tenta conquistar uma cidade estratégica, e depois governá-la. (Conquistar uma cidade implica que o povo pode ser forçado a agir segundo os desejos do rei, contra os desejos do povo, ao passo que governar a cidade implica que o domínio do rei sobre eles é expresso de tal maneira que eles obedecem voluntariamente seus comandos, como declara o versículo: "E Seu domínio eles aceitaram de bom grado sobre si mesmos.")

As mesmas idéias aplicam-se ao âmbito das almas. A alma Divina e a alma animalesca empreendem guerra uma com a outra numa tentativa de governar o corpo e todos os seus órgãos, para que a conduta geral da pessoa seja segundo a vontade da alma vitoriosa. Além disso, o corpo e todos os seus membros obedecerão o vencedor em tudo que este decretar, mesmo que não entendam as razões para os editos do rei, pois o rei vitorioso assim o decretou.

Deve ser enfatizado que esta guerra interna não é algo que veremos ocasionalmente. A guerra é constante. E como o homem é recriado diariamente como uma nova criatura, esta guerra toma dimensões diferentes a cada e todo dia de sua vida.

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