O Tanya – parte 30

O Homem e Seu Sustento

O homem e o alimento que ingere têm um relacionamento recíproco. O homem tem poderes da alma, e o alimento que consome está permeado com vitalidade espiritual, como está explicado no sétimo e oitavo capítulos do Tanya. Cada um afeta e influencia o outro.

A comida casher está imbuída de vitalidade que deriva de kelipa noga, uma kelipa parcialmente impura compreendendo uma mistura de bem e mal. O homem possui a capacidade de elevar este alimento ao âmbito da santidade, se for ingerido pelo mérito do Céu. E mesmo se ele tropeçar e devorar a comida para satisfazer seus apetites corporais, arrastando assim a vitalidade dentro dela às três kelipot completamente impuras, mesmo assim ele tem a capacidade de extrair a vitalidade das três kelipot completamente impuras, e elevá-la ao domínio da santidade. Isso ocorre quando ele retorna ao serviço de D’us e à Sua Torá, e se ocupa com teshuvá "que traz cura ao mundo", embora seu arrependimento seja motivado pelo medo e não por amor.

No entanto, se uma pessoa erra e consome alimentos proibidos, que fazem a vitalidade dos três completamente impuros ser absorvida em sua carne e sangue, ele requer um nível muito mais profundo de teshuvá para curar-se e ficar livre da substância estranha que se infiltrou em seu corpo. O nível comum de teshuvá, que brota do medo, é insuficiente – ele deve atingir o nível de teshuvá motivado por grande amor a D’us, que transforma seus pecados em virtudes. Até que ele atinja este nível de arrependimento, a vitalidade que adquiriu do alimento proibido não subirá ao domínio da santidade, embora ele utilize a energia que deriva dele para rezar e estudar Torá.

Seduzindo a Alma

A partir de uma perspectiva mais profunda, podemos dizer que, como a vitalidade que permeia a comida casher é essencialmente diferente daquela que vitaliza alimentos proibidos, os poderes da alma que são atraídos a estes dois tipos de vitalidade também são essencialmente diferentes.
Como declara o Zohar: o yetser hará (mal instinto ou má inclinação) para um judeu é a força ardente que anseia por coisas permissíveis.

O desejo natural por alimentos proibidos, no entanto, é característico do mau impulso de uma pessoa, em geral, pois tanto sua alma quanto o alimento que deseja derivam da mesma fonte – as três kelipot completamente impuras. Em contraste, a aspiração por comida casher, embora a motivação para consumi-la não brote da aspiração de sua alma Divina de elevar a comida ao âmbito da santidade, mas sim dos desejos animalescos da pessoa, flui de um yetser hará judaico que deriva de kelipa noga.

O Declínio do Yetser Hará

Dados os princípios acima, surge uma questão. Como o yetser hará e a força que anseia por coisas proibidas, que não são oriundas de um judeu pois emanam de outra fonte, entra no domínio e possessão de um judeu?

A Chassidut explica que há uma diferença entre os apetites inatos naturais do yetser hará do judeu, e os desejos e anseios que tomam conta dele depois que já degenerou. O apetite natural inerente do yetser hará de todo judeu é satisfazer-se com coisas permitidas. No entanto, ao consentir em coisas permissíveis, a fim de satisfazer apetites corporais, o yetser hará é arrastado para as três kelipot completamente impuras, juntamente com a vitalidade da comida que ele devorou para satisfazer seus desejos. E então ele é facilmente tentado a transgredir e condescender em assuntos proibidos.

Em sua famosa obra, Sha’arei Teshuvá, Rabeinu Yona escreve que para evitar cair em uma medida de coisas proibidas, a pessoa deve guardar-se em cem medidas de coisas permitidas, pois a partir das coisas permitidas ele pode ser desviado a coisas proibidas! Nossos Sábios mantêm o princípio idêntico: "Este é o jeito do yetser hará. Hoje ele diz: ‘Faça assim.’ E amanhã ele dirá:
‘Faça assim e assado.’ E por fim ele lhe dirá para adorar ídolos." Inicialmente, o mau impulso seduz a pessoa a pequenas transgressões. Em seguida, quando a pessoa já está em seu poder, o mau impulso o convence a transgressões mais sérias, e assim por diante.

Na Chassidut Chabad isso é explicado da seguinte maneira: Antes de um judeu condescender em coisas permitidas, seu yetser hará estava desconectado com as más ações. Uma vez que ele tenha passado a apetites por coisas permissíveis, desse modo "fazendo uma visita" às três kelipot completamente impuras, o próprio yetser hará torna-se profanado e degradado. Assim ele se torna capaz de ansiar também por coisas proibidas, coisas que inerentemente eram proibidas a ele.

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