O Tanya – parte 28

O Permitido e o Proibido

Como o corpo humano é um recipiente para a alma dentro dele, e a alma age e se expressa através do corpo, a Torá nos proíbe de consumir aqueles tipos de comida e bebida que têm efeitos negativos sobre o corpo. Por exemplo, comer carne e leite juntos naturalmente proporciona uma disposição de crueldade; beber o sangue de animais cultiva tendências animalescas; outros tipos de alimentos proibidos causam embotamento e insensibilidade do coração e da mente. Em termos mais familiares – ‘você é aquilo que come.’ Esta é a maneira comum de explicar a superioridade da comida e bebida casher.

Nos capítulos sete e oito do Tanya, Rabi Shneur Zalman analisa os efeitos negativos da comida não-casher. O princípio central que o autor elucida nestes capítulos é que a vitalidade contida no alimento casher é essencialmente diferente da vitalidade que anima a comida não-casher.

Proibido significa atado

Do ponto de vista semântico a palavra assur, proibido, significa literalmente "atado" ou "acorrentado", e a palavra muter, permissível, literalmente, significa "desatado" ou "liberado". Além do fato de que comida casher recebe sua vitalidade de kelipat noga, ao passo que comida não-casher recebe sua força de vida de três kelipot completamente impuras, a vitalidade da última é também "acorrentada" firmemente às "forças alheias" – i.e., às kelipot. De forma contrária a vitalidade da comida casher, "desatada" não é "acorrentada" às kelipot, embora possa ter alguma conexão com elas. Esta doutrina tem grande importância no serviço de "extração e elevação das centelhas de santidade" encontradas em todas as coisas, e esta é a missão sagrada de todo judeu.

Um exemplo prático que serve para ilustrar mais claramente esta diferença. Quando uma pessoa ingere comida casher com a intenção adequada, i.e., usa a energia que extrai do alimento para servir a D’us, eleva a vitalidade daquele alimento de seu status original derivando de kelipa noga ao âmbito da santidade. Assim, através da intenção adequada ele provoca uma mudança fundamental na energia residindo dentro daquele alimento. No entanto, se uma pessoa involuntariamente consome alimento que não seja casher, porém sua intenção é servir a D’us com a energia que recebe daquela comida, e ademais isso é de fato o que ele faz – reza e estuda Torá com a energia que adquiriu de sua refeição – mesmo assim, a vitalidade naquela comida não é elevada. A razão para isso é que a obra de elevar as coisas desse mundo ao âmbito da santidade é possível somente com aqueles objetos que derivam sua vitalidade de kelipa noga. Em contraste, aquelas coisas que derivam sua vitalidade das três kelipot impuras, não podem ser elevadas – sua vitalidade permanece atada e acorrentada à "forças estranhas".

Um receptáculo para Santidade

Este assunto precisa de maiores esclarecimentos. Quando uma pessoa fortalece seu corpo ingerindo determinados tipos de comida, e utiliza esta força e energia para servir a D’us, que diferença faz que tipo de alimento ele comeu? Por que o alimento casher pode ser elevado e o não-casher não pode?

Para entender esse ponto, examinemos outro exemplo. Quando uma pessoa pondera sobre algum assunto intelectual e transpõe seus pensamentos para o papel, diríamos que os conceitos que ele ponderou têm o mesmo efeito na mão que escreve como têm no cérebro que pensou neles?
Obviamente não! A mão de fato serve como um instrumento para expressar uma idéia. Porém, nenhuma mudança ocorre na mão em si, como resultado de expressar essa idéia. O motivo para isso é que a mão não é o "receptáculo" adequado para o intelecto, e portanto não é elevada ou alterada de nenhuma forma ao ser usada como um instrumento para expressar idéias. Este não é o caso com o cérebro, que é um "recipiente" para o intelecto. Portanto, quando o cérebro é utilizado para pensar e estudar assuntos intelectuais, é afetado por aqueles assuntos. Torna-se mais refinado, mais astuto, etc., como se evidencia claramente pela experiência diária.

Assim como há uma diferença entre o cérebro e a mão no que tange a assuntos intelectuais, assim também há uma diferença entre aquilo que é permitido e aquilo que é proibido a respeito de sua habilidade de absorver ou conter santidade. A comida casher é não apenas um produto que se tem permissão para comer. É também uma substância que tem o potencial de ser elevada ao âmbito da santidade. De modo contrário, alimentos não-casher não podem ser elevados ao reino da santidade. Eles simplesmente não têm este potencial. E portanto, no que diz respeito aos alimentos, é irrelevante se a pessoa come comida não-casher involuntariamente ou de propósito.
Mesmo com a melhor das intenções, a vitalidade da comida não-casher não pode ser revestida nas palavras da Torá e de prece e ser elevada com elas.

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