O Tanya – parte 18

"Vestindo" e Revelando

Quando uma pessoa faz uma aparição pública, veste-se adequadamente para a ocasião. Similarmente, quando os poderes interiores ocultos da alma são revelados, é apenas por meio de suas "vestes" – pensamento, fala e ação.

Porém as vestes devem ser apropriadas; somente quando são ativos em assuntos sagrados, o pensamento, fala e ação podem revelar os poderes da alma Divina.

No início do capítulo quatro do Tanya, Rabi Shneur Zalman enfatiza que os "613 ‘órgãos’ de sua alma estão revestidos nos 613 mandamentos da Torá." Disso deduzimos que ao observar todos os mandamentos, todas as 613 faculdades da alma tornam-se reveladas – cada faculdade da alma através de sua correspondente "veste"-mitsvá. Este processo de vestir a alma em suas roupas adequadas, revelando assim seus poderes, é conduzido por toda a gama de atividades espirituais humanas. Mais especificamente, uma pessoa emprega a veste da ação ao cumprir aqueles mandamentos que estão no âmbito da ação. Quando ele "ocupa-se em explicar os 613 mandamentos e as leis que governam seu cumprimento", ele usa a veste da fala. E quando ele mergulha na compreensão dos quatro níveis de Pardes da Torá (um acróstico das quatro palavras hebraicas, Peshat, Remes, Drash e Sod, que significam: o sentido simples, intimação, explicação homilética e o significado esotérico, respectivamente. Estes são os quatro níveis da interpretação escritural) ele utiliza a veste do pensamento. Em outras palavras, por meio de compreender a Torá, basicamente as faculdades intelectuais da alma são reveladas; através do cumprimento dos preceitos, principalmente as emoções são reveladas. Ao cumprir os preceitos positivos, o amor de um homem a D’us é revelado, e ao observar os mandamentos negativos sua reverência ao Criador se expressa.

O Intelecto e Compreendendo a Torá

Há muitos e variados objetivos para se aprender Torá, como está explicado nos escritos de Nossos Sábios. Dentre estes objetivos estão: aprender para saber o que fazer, como cumprir os preceitos, e como comportar-se como judeu em todos os aspectos da vida diária. Há também o estudo de Torá que visa a conhecer toda a Torá – dos vinte e quatro livros das Escrituras até a completa lei Oral.

No início do quarto capítulo do Tanya, como um prefácio a sua explanação das vantagens de estudar Torá, Rabi Shneur Zalman nos presenteia com uma breve descrição do efeito do estudo de Torá sobre a alma. Quando um judeu faz esforços intelectuais para entender um determinado assunto na Torá, suas faculdades mentais, i.e., sua Chochmá (sabedoria), Biná (entendimento) e Da’at (conhecimento) são revestidos em pensamentos de Torá – uma elevada realização à qual deveria se conferir grande importância.

Amor e Reverência como a Raiz da Observância dos Preceitos

Rabi Shneur Zalman explica detalhadamente que as emoções do amor e temor a D’us são ativadas principalmente no cumprimento dos preceitos. Há muitos fatores que motivam um homem a agir segundo os desejos de seu Criador. Talvez ele aja pelo hábito, e sua observação dos preceitos seja mera rotina. Ou talvez ele aja por um senso de dever. Talvez seja uma pessoa de caráter espiritualmente refinado que não poderia agir de outra forma. Ou talvez ele cumpra os mandamentos para livrar-se de uma obrigação, ou receber uma recompensa. Mas o cumprimento das mitsvot da maneira mais ideal é quando elas estão imbuídas de amor e temor a D’us.

Assim, o amor a D’us é a raiz da observância judaica de todos os 248 mandamentos positivos, pois aquele que realmente ama o Todo Poderoso anseia por apegar-se a Ele. E como alguém não pode realmente apegar-se a Ele, exceto por intermédio dos 248 mandamentos positivos, é isso que ele faz. Seu amor a D’us e seu desejo de apegar-se a Ele exige que cumpra os mandamentos, pois esta é a única maneira de satisfazer seu anseio.

Similarmente, o temor a D’us é a raiz da observância das 365 proibições da Torá. A transgressão constitui um motim contra a autoridade de D’us, e aquele que implantou o temor em seu coração fará todos os esforços para não se rebelar contra o Rei dos Reis, o Eterno, bendito seja. Aquele que atingiu um nível ainda mais profundo de reverência – e "ele se sente envergonhado perante a grandeza de D’us, portanto não se rebelará à vista de Sua glória fazendo o que é mal a Seus olhos, ou seja, todas as coisas abomináveis odiadas por D’us", certamente não tropeçará nem cometerá pecado.

O cumprimento dos preceitos permeados com amor e reverência não é externo e superficial. Pelo contrário, é repleto de vitalidade e ansioso deleite. Uma pessoa nessa posição é cuidadosa em observar todo limite e cerca ao redor da lei. Embeleza seu cumprimento dos preceitos da melhor maneira possível, e faz tudo que esteja relacionado à Torá com grande devoção. Uma pessoa que tem amor intenso e ânseia pela Divindade vivencia grande deleite ao cumprir os mandamentos. E Acima, também, há deleite em seu serviço, e a luz Divina o ilumina.

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