O Tanya – parte 16

Amor e Reverência a D’us

No Sefer haMitsvot do Rambam, os mandamentos de amar e temer a D’us vêm logo em seguida aos dois mandamentos a respeito da crença em D’us. Colocá-los nesta ordem nos ensina que as mitsvot de amor a reverência a D’us são de fundamental importância em todo o esquema das mitsvot, pois não são apenas dois dos 613 mandamentos que animam e enriquecem todos os outros.

Amor e reverência a D’us são dois assuntos centrais na Chassidut Chabad, que às vezes são tratados como temas paralelos mas diferentes, e outras vezes como uma única idéia, duplamente facetada. Muitos aspectos e níveis destas duas emoções podem ser distinguidos, e cada qual encontra sua própria forma de expressão. Assim, seria muito útil se pudéssemos dar uma idéia do assunto para ajudar a determinar qual o aspecto e qual o nível aos quais se refere o ensinamento específico.

A Reverência a D’us

Como exemplo, examinemos a emoção do temor: Quando a Torá declara: "Tema o Eterno, teu D’us" – a Halachá exige "que temamos sempre o castigo". Este é o nível mínimo de temor exigido de uma pessoa. Ele intimida a pessoa o suficiente para impedi-la de pecar. No entanto, no capítulo três do Tanya somos apresentados a um nível muito mais profundo de temor – a reverência pela Divina Majestade de D’us, de modo que a pessoa ficará "reverente e humilde perante Sua bendita grandeza, que não tem fim ou limite." Da mesma forma que alguém deveria sentir-se envergonhado por agir de maneira inadequada perante uma pessoa importante e distinta a quem respeita muito, deveria ficar envergonhado de fazer o mal na presença de D’us. Quando uma pessoa se vê como estando perto do Rei, está consciente de que D’us está à sua frente, por assim dizer, e se coloca perante D’us. Ele ficará, portanto, extremamente envergonhado de fazer algo contra a vontade de D’us.

De maneira ainda mais profunda, se desejamos identificar os fatores psíquicos que provocam estas emoções, talvez fiquemos surpresos de saber que o medo da punição deriva da kelipá nogá, pois esta está permeada com preocupações pessoais. Por outro lado, a reverência pela majestade de D’us é produzida pelos esforços da alma Divina ao contemplar a grandeza do Eterno, bendito seja.

O Amor a D’us

As exigências da Halachá para cumprir o mandamento "Amarás o Senhor teu D’us" são apenas para a pessoa avaliar os mandamentos do Criador e Suas obras, até que atinja um nível de entendimento deles que desperte o deleite. Rabi Shneur Zalman, no entanto, nos leva a um nível mais profundo de amor, meditando sobre aqueles temas que fazem brotar em seu coração "um amor intenso, como chamas ardentes… rumo à grandeza do Infinito." Este amor é comparado a um fogo ardente, pois quando a pessoa contempla como está distante de D’us, é despertado em sua alma uma sede e uma ânsia por D’us.

O intenso amor a D’us deve ser como o Tanya o descreve: com um "amor apaixonado" que o imerge unicamente em seu Amado; e com um "desejo ansioso" que é a expressão do deleite de sua alma e do entusiasmo nos assuntos sagrados pelos quais ele anseia; e com "saudade" que é comparado ao amor de uma mulher por seu marido (ao contrário do amor de um filho pelo pai); e com uma "alma ansiosa" que aspira a unir-se com seu Criador. Esta ânsia é tão poderosa que nenhuma barreira pode impedi-la de procurar o objeto de seu desejo. Este é o elevado estado de arrebatamento e a paixão consumidora da alma por D’us, à qual o Rei David se refere nos versículos em Tehilim: "Minha alma anseia [por Ti]; de fato, ela desmaia…" E: "Minha alma está sedenta por D’us…" E novamente: "Minha alma tem sede de Ti…"

Em termos do temperamento da alma "esta sede é derivada do elemento do Fogo na alma Divina." Como explicamos anteriormente, as quatro qualidades elementares da alma – Fogo, Água, Ar e Terra – aplicam-se tanto à alma Divina quanto à alma animalesca. As obras cabalistas explicam que o assento do elemento do Fogo está no coração, ao passo que a fonte do elemento da Água e umidade está no cérebro. Quando uma pessoa está com muita sede faz grandes esforços para encontrar água para matar a sede; da mesma forma, quando a alma anseia por Divindade, não pode ser satisfeita somente com este amor ansioso – sua sede pode ser saciada somente com "água". E Nossos Sábios declaram: "Não há água [para a alma] que não seja a Torá." Ou, como está expresso na Cabalá, o elemento do fogo em seu coração pode ser resfriado apenas pelo elemento da Água no cérebro.

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