Alívio para a ansiedade – parte 26

Permissividade versus Simplificação

A psicologia secular não possui a Torá, e portanto não tem uma definição clara do que é permitido e do que é proibido. Por isso, tende instintivamente para a permissividade, a atitude de que tudo é essencialmente permitido. (Isso é especialmente evidente a respeito da sexualidade, cuja ausência de restrições aparentemente não é prejudicial à sociedade). Segundo o ponto de vista secular, a melhor forma de resolver problemas psicológicos é ser tão livre e sem restrições quanto possível, e permitir que a luxúria natural do ser humano reine livre para procurar sua realização.

De forma oposta, a permissividade atingida na terceira fase da terapia de suavização conforme orientada pela Torá, que é feita somente depois das fases preliminares de submissão e separação, não se constitui numa liberação de nenhuma das proibições legisladas na Torá. Isso, apesar do fato de que a pessoa entra no domínio das trevas a fim de transformá-las em luz.

(A verdade é que há casos extremamente excepcionais, na qual a própria Torá prescreve que o indivíduo realize temporariamente um ato normalmente proibido, ou abstenha-se de realizar um ato normalmente permitido. Nas palavras do Tehilim (119:126): É tempo de agir para D’us; anule a Torá! Estes casos, entretanto, são bastante raros, e portanto fora do escopo desta discussão.)

O contrário que ocorre, então, entre as fases da separação e suavização dos processos definidos da Torá de terapia psicológica é o seguinte:

Durante o tempo em que a pessoa está passando pela fase da separação de sua reforma espiritual, deve abster-se de condescender com quaisquer prazeres mundanos para seus próprios objetivos particulares. Certo, a Torá permite que a pessoa aproveite os prazeres mundanos, desde que ao fazê-lo não transgrida nenhuma de suas proibições. Entretanto, neste estágio, o indivíduo ainda não está suficientemente maduro espiritualmente para permitir-se este luxo. Deve, ao contrário, seguir o conselho de nossos Sábios para pessoas neste estágio de consciência: "Santifique-se [até mesmo] com respeito àquilo que [de outra forma] é permitido a você." Deve abster-se de qualquer prazer sensual que este mundo lhe ofereça, a menos que forme uma parte essencial do cumprimento de algum mandamento Divino. Um exemplo seria a melhor comida e bebida em honra ao Shabat. Mas mesmo aqui, como ele ainda não atingiu a completa maturidade espiritual, é aconselhado a exercitar a abstenção até o máximo que lhe for possível.

Em contraste, quando uma pessoa atingiu o estágio de suavização e livrou-se da auto-orientação de seu ego não retificado, pode de fato começar a saborear os deleites que D’us colocou no mundo para nosso proveito. Neste contexto, recém-mencionado conselho de nossos Sábios teria o significado de: "Infunda sua santa atitude para com a vida em tudo que os prazeres lhe permitem." Esta é a interpretação do chassidismo da diretiva do Rei Salomão: "Conheça-O em todos os seus caminhos" (Mishlê 3:6) e a afirmação de nossos Sábios de que o homem será chamado ao final para prestar contas por todos os prazeres que poderia ter usufruído neste mundo e absteve-se de fazê-lo. Todos os atos de uma pessoa neste nível são verdadeiramente por amor aos céus.

Esta suavização da vida sancionada pela Torá é descrita como dando grande prazer a D’us, por assim dizer, pois Ele criou este mundo como um veículo através do qual proporciona prazer a Suas criaturas. Mesmo assim, deve-se ter em mente que é impossível apreciar o mundo na maneira que D’us pretendeu, a menos que mantenhamos uma constante consciência e percepção de Sua presença em nossa vida.

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