Alívio para a ansiedade – parte 5

Reprimindo a ansiedade

A primeira e mais básica instrução expressa no versículo de Mishlê (12:25):

Se houver ansiedade no coração de um homem, deixe que ele a reprima,

E transforme-a em alegria com uma palavra boa.

é reprimir a ansiedade que perturba o coração, o que quer dizer desinflá-la ou reduzi-la.

Isso pode ser feito de duas maneiras:

A primeira é pela auto-anulação. Quando a pessoa está perturbada por alguma coisa, sua tendência natural é concentrar-se naquilo, até que a ansiedade a respeito disso começa a dominar todo seu ser. Sua preocupação o incomoda dia e noite, aborrece-o, e finalmente começa a definir-se em termos de seu medo. Em sua imaginação, o medo assume proporções imensas; está convencido de que ninguém pode imaginar a extensão de seus problemas. Sua ansiedade, dessa maneira, serve para inflar seu ego, que se tornou baseado e identificado com seu medo.

Se, entretanto, parar por um momento para contemplar a infinita grandeza de D’us e a insignificância do homem em comparação, seu ego imediatamente desinflará. Quando uma pessoa assim renuncia a seu ego, suas preocupações sofrem uma perda equivalente em magnitude; se ele nada é, seus problemas certamente também nada serão.

Não estamos sugerindo que a pessoa diminua seu ego rebaixando sua auto-imagem. Ficar repisando os erros e falhas levará à depressão e à tristeza. A inferioridade que a pessoa deveria procurar cultivar é do tipo existencial, uma conclusão natural extraída de sua conscientização da natureza de sua existência a qual, naturalmente, é apenas o jeito de ser das coisas, não uma falha sua. D’us é infinito e o homem finito, e mesmo o maior número finito que se possa imaginar nada é, comparado ao infinito.

A segunda maneira de reprimir a ansiedade é através da prece sincera. Quando alguém está envolvido num problema e certamente tem uma ansiedade de alguma espécie, deveria implorar a D’us para resolvê-la por ele. A crença na onipotência e misericórdia de D’us implica que somente Ele pode e providenciará a solução de qualquer problema. Seja através das palavras inspiradoras da liturgia ou do Livro dos Salmos, seja através da verbalização espontânea dos desejos do coração, uma pessoa deveria sempre tirar proveito do interesse benevolente de D’us em sua vida.

A pessoa não deveria cair na armadilha de pensar que, como D’us é compassivo por natureza, não há necessidade de rezar, ou que se D’us está fazendo a pessoa sofrer apesar de Sua compaixão, isso deve significar que é para seu próprio bem. Embora isso certamente seja verdadeiro, é apenas parte da coisa. D’us deseja que reconheçamos nossa impotência diante D’Ele e que estejamos cônscios de que podemos e devemos voltar-nos para Ele em todas as situações. Portanto, mesmo se o sofrimento da pessoa é uma expiação por seus pecados ou uma retificação por uma prévia encarnação, a sentença sempre poderá ser comutada através da prece.

O ato de rezar serve para desinflar o ego, pois ao invocar a misericórdia de D’us a pessoa está admitindo que algumas coisas na vida simplesmente são grandes demais para ela, que não possui necessariamente todos os meios para sua própria salvação. Como foi dito acima, assim que o ego é desinflado, suas ansiedades são desinfladas juntamente com ele. São esvaziados, e não mais representam a horrível ameaça de antes.

Seja isso conseguido através da contemplação ou da prece, o resultado de reprimir a ansiedade é o sentimento libertador de que nem tudo está perdido. O problema pode ainda estar lá, mas foi reduzido e não mais ameaça esmagar a pessoa sob seu peso como antes. Agora que foi libertado de seu peso, pode passar para a próxima fase de sua terapia.

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