Pessach

Descrição da festa

Pessach, vem de passach – saltar, pular, lembrando a passagem de D’us sobre as casas dos judeus no Egito, poupandoos

das pragas que lançou sobre os egípcios.

Pessach é uma festa ligada à formação do povo de Israel – de “bnei Israel”,

tornamo-nos “

am Israel”, tendo à frente o líder Moisés. Um dos valores característicos de Pessach, importante ressaltar,

é o valor da liberdade para um grupo de pessoas que vivia sob o jugo do Faraó no Egito, e que continua sendo atual,

valor tanto particular como universal.

A festa de

Pessach – celebrada por 8 dias, quando fora de Israel, e 7, em Israel – possui, como ponto central, a realização

do seder, jantar especial que, pela simbologia, conta toda a história da escravidão e da conquista da liberdade. A

realização do

seder; que significa ordem, é um jantar que segue uma ordem determinada, contando a história da saída

do povo judeu do Egito, atende à máxima da

hagada, “vehigadeta levincha” – e contarás ao seu filho. As crianças têm

papel importante e cabe a elas a realização das

kushiot, as perguntas que constam da Hagada.

Apesar do seder ser geralmente longo, se comparado a outras refeições familiares, vários costumes realizados neste

fazem com que as crianças fiquem atentas e não durmam: mostrando e abençoando os alimentos simbólicos da

keara de

Pessach

, bebendo os quatro copos de vinho, separando mais um para Eliahu Hanavi, entoando canções alegres, procurando

o

afikoman, escondido durante o seder e lendo nas hagadot, geralmente ilustradas e coloridas.

Em Israel

Pessach

em Israel, acontece na estação da primavera,

já que a festa é comemorada no mês de

nissan. Saímos

do Egito, em

nissan – é esta a estação do ano, que traz

a renovação e o renascimento das flores, combinando

com o renascimento de um povo, que sai da escravidão

para a liberdade. Este é o mês que abre a temporada

agrícola em Israel, acentuando a ligação do homem com

a terra, do povo judeu com a terra de Israel e do povo

judeu com D’us.

Mensagens das escolas

A energia do

seder

Ao comemorar nosso êxodo do Egito,

Pessach reflete

a libertação da alma das coerções psicológicas e emocionais

representadas pelo “Egito”. Aliás, a palavra hebraica

para Egito,

Mitzraim, pode ser também traduzida por

“inibições” ou “restrições”:

metzarim. Todos nós combatemos

inibições interiores e exteriores, que reprimem

nosso crescimento e impedem que utilizemos ao máximo

o nosso potencial. Podemos ficar paralisados pelo medo,

vergonha, culpa, ressentimento, vícios. Podemos carecer

da habilidade de amar, sonhar, chorar e relaxar nossas

defesas, ou ficar escravizados por impulsos e sentimentos

doentios de inveja, animosidade e amargura. Neste

sentido, todos nós nos encontramos num ou noutro

tipo de “Egito”, e o

seder nos oferece a oportunidade de

abandonar nosso Egito pessoal e caminhar em direção à

Redenção. Abrimos nossos corações e acolhemos cordialmente

em nossas vidas a energia Divina da libertação.

Extraído do Chabad News – Nissan 5763 (Gani TT)

Conceitos importantes

seder Pessach

: refeição de Pessach

kearat haPessach: prato de Pessach

leil hasseder

: noite da comemoração

iain: vinho

Chag HaPessach: festa de Pessach

kos Eliahu Hanavi: taça do Profeta Elias

Chag Haaviv: festa da primavera

arba kossot: quatro taças

Chag Hamatzot: festa de pães ázimos

matza/ot: pão/ães ázimo(s)

Chag Hacherut: festa da liberdade

afikoman: matza escondida

chag sameach: Boas festas!

beitza/im: ovo(s)

Hagada shel Pessach: livro de rezas de Pessach

charosset: purê – maçã e nozes

kushiot: perguntas de Pessach

zroa: osso

kasher lePessach: kasher

karpas: salsão

*

bdikat e *biur chametz: Verificação de fermentados

maror: raiz forte

esser hamakot: 10 pragas

chazeret: erva amarga

eved/avadim: escravo(s)

egozim: noz/es

teva: cesto de Moisés

sne boer (baesh veenenu ukal:

sarça ardente (que não queima)

A busca da Liberdade

Moacyr Scliar

O Êxodo do Egito é uma passagem dramática na história

bíblica, uma verdadeira inflexão na trajetória do

povo judeu, que, neste momento, se mostra digno da

denominação de “povo eleito”. E isto acontece não porque

ele será o objeto de uma eleição. Não se trata de

uma eleição nos moldes de hoje, com campanhas e voto

eletrônico; não, trata-se de uma opção silenciosa, mas

nem por isso menos eloqüente. Uma eleição em que,

parafraseando uma expressão moderna, o povo votará

com os pés, em que ele mostrará sua vontade, a sua esmagadora

vontade, com uma grande marcha – a marcha

rumo a uma terra, e rumo também a uma consciência

grupal. Eloqüente instante em que a palavra “liberdade”

adquirirá um significado concreto. A liberdade tem um

mote –

deixe meu povo sair

– e tem um gesto: é preciso

atravessar o mar, e depois o deserto, para ir em busca

do sonho.

O relato do Êxodo envolve elementos míticos (ou uma

interpretação mítica de fenômenos naturais), mas não se

esgota nisso. De fato, a saída é relativamente rápida. Longo,

porém, será o período em que os hebreus vagarão

pelo deserto: quatro décadas, o tempo necessário para

que uma geração dê lugar a outra. Também nisto – talvez

muito mais nisto – o texto bíblico se revele educativo. A

liberdade não depende apenas do arroubo de um líder

ou de um governante. A liberdade resulta de um processo

de amadurecimento. É significativo que, para os

hebreus, esta fase tenha tido como cenário o deserto,

um lugar árido, de poucos acidentes naturais, e onde as

pessoas estão constantemente vendo-se umas às outras.

Esta convivência sem barreiras é uma condição essencial

para o pacto social que consolidará a liberdade. A libertação

pode ser instantânea; a incorporação da idéia de

liberdade tarda mais tempo. Mas é irreversível.

Mais do que uma celebração judaica, o

Pessach é universal.

Porque a liberdade continua sendo um bem relativamente

escasso em nosso planeta. Não se trata apenas

dos regimes totalitários que vigem em grande número

de países; trata-se também de outros tipos de liberdades.

Trata-se de livrar o ser humano da miséria, da doença,

da exploração.

Deixe meu povo sairé um brado que continua ecoando

em nosso tempo. O direito à liberdade precisa ser

constantemente reafirmado. E

Pessach é uma grande

ocasião para isto.

(Bialik)

Nomes da festa

Chag HaPessach

Nome principal, usual e freqüente, vem do hebraico

e quer dizer ‘pulou, passou’, pois D’us “passou” pelas

casas dos judeus no Egito, para que não morressem seus

primogênitos, uma das dez pragas do Egito (

Shmot,

capítulo

XII, versículo 23).

Chag Haaviv

A festa da primavera.

Chag Hamatzot

A festa das matzot, ou pães ázimos, único alimento

dos judeus, ao saírem do Egito.

Chag Hacherut

A festa da liberdade.

Símbolos e motivos, usos e costumes

Matza/ot

Pão ázimo, confeccionado sem levedura, que se come durante a semana

na qual se comemora a festa de

Pessach, como lembrança à massa que

não fermentou quando os judeus saíram, com pressa, do Egito.

Hagada shel Pessach

O livro que conta a história da saída do Egito, pelos mais velhos às

crianças, durante o

seder de Pessach, com recitações em coro, canções e

trechos para serem declamados por crianças e adultos.

Leil hasseder

(noite a celebração de Pessach)

Ponto culminante da celebração de

Pessach, inclui a leitura da Hagada,

que se traduz na narração da escravidão e do Êxodo de Egito, contada

pelos membros da família e pelos convidados ao redor da mesa festiva.

Neste seder, realizado na primeira noite de

Pessach em Israel e nas duas

primeiras noites de Pessach fora de Israel, a família se reúne para saborear

os alimentos tradicionais da festa, adequados ao trecho da história que

está sendo contado.

* É

mitzva recitar no seder as três palavras: Pessach, matza e maror.

Kearat haPessach

Bandeja, prato especial, com lugares designados para os alimentos

simbólicos de

Pessach, que a compõem: charosset, maror, zroa, beitza,

karpas, chazeret, cada qual com seu significado e ligação a Pessach. Kearat

haPessach

tornou-se, com o passar dos anos, um objeto onde a arte

judaica se pode manifestar, expressando o encontro entre os motivos

judaicos típicos da festa com a expressão artística do artesão/ artista, que

usou materiais e instrumentos que se achavam à sua volta.

                         prato-de-pessach

1.

zroa, osso, é o símbolo do sacrifício pascal, que ocorria na época do Beit Hamikdash. Utiliza-se um osso de frango, queimado na brasa, ave que nunca foi ofertada

como sacrifício.

2.

beitza, ovo, representa a oferenda da festa, mas também é símbolo de luto. É colocado cozido, inteiro, com a casca. Antes de ser servido na refeição, é descascado

e saboreado, após mergulhado em água salgada.

3. e 6.

maror e chazeret, raiz forte e erva amarga. São ingeridas, em lembrança aos tempos amargos sofridos por bnei Israel, enquanto escravos. Coloca-se alface

romana e raiz forte.

4.

charosset, um purê de maçãs raladas, tâmaras e/ou passas, misturado com nozes, canela e/ou gengibre, com um pouco de vinho, que se assemelha à argamassa

na qual trabalhavam nossos antepassados.

5.

karpas, salsão (podendo ser substituído por cebola, rabanete ou batata cozida). É mergulhado em água salgada antes de ser saboreado, para simbolizar as

lágrimas derramadas na época da escravidão.

Afikoman

O maior pedaço da

matza, que fica no meio das três

matzot

colocadas juntas, e que representam a junção das

tribos do povo judeu: Cohen, Levi e Israel. Outra explicação

para as três

matzot lembra os patriarcas Avraham,

Itzchak

e Iaakov, aludindo às mitzvot de hospitalidade

(hachnassat orchim), como está descrito no episódio de

Avraham

, com os três visitantes que vieram anunciar a

gravidez de sua esposa (

Bereshit, 18:6).

É costume esconder o

afikoman, para as crianças o

procurarem, fazendo-as ficarem acordadas durante o

longo

seder. Ao final, costuma-se também presenteá-las.

*É costume/mitzva não comermos mais nada após o

afikoman

, para ficarmos com o gosto deste na boca.

Arba kossot

São os quatro copos de vinho, bebidos durante o seder.

Muitas são as explicações para os

arba kossot, entre

elas, as quatro expressões de “redenção”, mencionadas

na

Tora, com relação à saída do povo judeu de Egito, ou

os méritos de bnei Israel no Egito, que mantiveram seus

nomes hebraicos, permaneceram leais a D’us, falaram a

língua hebraica e levaram uma vida moral.

Kos Eliahu Hanavi

É costume tradicional de

Pessach, num determinado

momento do

seder, encher um copo de vinho para o

profeta Eliahu. Abre-se a porta, para que ele possa entrar,

simbolizando, com este costume, a chegada de uma

nova era de paz e compreensão entre os povos.

Kushiot

São as perguntas feitas na canção

Ma nishtana?, que

consta da Hagada, constituída de perguntas retóricas,

cantadas pelas crianças e respondidas, em coro, pelos

participantes no

seder de Pessach, cumprindo, assim, o

costume de contar, para as crianças, a história da saída

de Egito.

Egozim

Brincar com

egozim (nozes) é um costume antigo, que

remonta aos tempos de

Rabi Akiva.

*Bdikat e biur chametz

É a verificação do

chametz por toda a casa e pertences

pessoais, buscando por todo produto fermentado,

na noite anterior a

Pessach (salvo se for Shabat, quando

é antecipada para a noite anterior), pois este tipo de

alimento (cujos ingredientes sejam grãos de trigo, centeio,

cevada e aveia e, portanto, sujeitos a um processo

de fermentação ao entrarem em contato com a água) é

proibido durante a festa.

É costume espalhar dez pedaços de pão seco, embrulhados,

em diferentes lugares da casa para serem achados

durante a vistoria, à luz de vela. Na manhã anterior

a

Pessach, após às 9h30, não mais é permitido comer

chametz

, e sua posse é proibida após às 10h30. O que

for encontrado deve ser embrulhado e isolado para ser

queimado na manhã seguinte. Alimentos usados durante

o ano e não

kasherizados devem ser guardados em armários

trancados e, por procuração entregue a um Rabino,

devem ser vendidos a um não judeu, caso não tenham

sido queimados. Antes da busca recita-se a

bracha:

Baruch Ata Ad-nai Elokenu melech haolam, asher

kidshanu bemitzvotav vetzivanu al biur chametz.

Quando a busca estiver terminada recita-se: “Todo fermento

ou qualquer produto fermentado em meu poder

que não vi ou removi, e de que não tenho consciência,

seja considerado sem valor e sem dono, como o pó da

terra.”

Durante a semana de

Pessach, troca-se o pão, que é

chametz pela matza, que é kasher lePessach, e apenas

comem-se alimentos kasher lePessach.

*Maot chitim

Antigo costume de contribuir com dinheiro para, posteriormente,

ser distribuído entre os pobres, para que

pudessem comprar

matzot e outros alimentos necessários

para

Pessach.

 

 

 

 

 

 

 

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