MASHIACH – Mashiach: Real ou virtual?

 

 

Um judeu volta da sinagoga para casa e diz à mulher: "Dizem que Mashiach está para chegar a qualquer hora, e nos levará a todos para Israel."

A esposa torna-se histérica. "Oh, não! Isso seria terrível. Demorou anos até finalmente conseguirmos nos mudar para este bairro e comprar a casa de nossos sonhos. Logo agora que gastamos uma fortuna para reformá-la. Não quero que Mashiach nos leve embora."

"Tudo bem, não se preocupe," diz o marido. "Sobrevivemos ao faraó, sobrevivemos a Haman. Com a ajuda de D’us, sobreviveremos a Mashiach também!"

Muitos pensam sobre Mashiach como um anjo descendo do céu – que mudará drasticamente a vida como a conhecemos. Tememos perder nossa posição na vida. Anos de labuta, suor e lágrimas, em nossa imaginação, serão transformados em nada. O trabalho de nossa vida será neutralizado. Os médicos não serão mais necessários, e todas as funções adquiridas, cargos e atividades com as quais estamos acostumados e apreciamos tanto, não mais existirão.

Mashiach implica fazer o bem, ser mais caridoso, mais amoroso, realizando atos de bondade desinibidos, corajosos e irrestritos.

Nada poderia estar mais longe da verdade. A Era de Mashiach não é algo separado de nosso tempo. Está relacionado com tudo que fazemos no presente, e tudo aquilo que conhecemos permanecerá. Apenas a negatividade se esvairá, e a Divindade inerente em cada coisa se tornará óbvia para que a possamos enxergar.

O mundo permanecerá o mesmo; nossa perspectiva é que mudará. Nossa nova consciência e sensibilidade ao que há de bom e Divino dentro de nós e toda a criação nos permitirá perceber e apreciar as coisas que nem ao menos percebemos antes.

Temor do desconhecido

Mashiach, mesmo para o judeu instruído e interessado, em grande parte ainda está na esfera do desconhecido. Há muito mistério sobre a vinda de Mashiach porque é um evento que jamais aconteceu antes no passado. Nenhuma pessoa jamais esteve lá. E apesar de toda a transformação fornecida na Torá, no Talmud e outras fontes judaicas, ainda há uma grande lacuna no entendimento sobre como isso ocorrerá exatamente.

Soma-se a isso o fato de que a maioria das pessoas que devotou sua vida ao estudo de Torá, dedicou menos tempo analisando o material que existe a respeito de Mashiach. O temor ao desconhecido pode ser facilmente remediado pelo estudo sobre Mashiach. De fato, aprender sobre este assunto de fontes autorizadas aliviará a ansiedade da pessoa por vários motivos:primeiramente, o medo origina-se da falta de conhecimento e familiaridade com um determinado assunto. Um conhecimento acurado do tema, portanto, tirará Mashiach do reino do desconhecimento. Além disso, estar bem informado ajudará a descartar distorções que proliferam sobre este assunto.

Não podemos sobreviver sem Mashiach?

"Os judeus têm sobrevivido no exílio sem Mashiach, por que razão não podemos continuar por mais 2000 anos sem ele?"

Esta declaração grosseira é nada menos que um total desrespeito por D’us, Israel e a Torá, os três nós que estão intimamente ligados. Isso pode ser comparado a alguém cujo pai, mãe, irmãos e irmãs, filhos e filhas estão todos doentes, em estado comatoso. Ele comenta: "Eles sobreviveram por tantos meses, podem continuar assim por mais alguns meses!"

O Rambam declara em termos bem definidos que não haverá outra atividade, exceto o conhecimento de D’us. De que maneira isso pode se reconciliar com a reafirmação de que nossa vida não sofrerá ruptura?

Embora existam, talvez, mais coisas que jamais existiram antes pelas quais devemos ser agradecidos, mesmo assim o mundo está em frangalhos.

Somos testemunhas hoje de milhões de pessoas morrendo de fome; milhões morrendo de Aids e outras doenças terríveis; grandes catástrofes naturais; tensão racial, violência sem precedentes; desastres financeiros e insegurança; imoralidade e decadência; drogas e alcoolismo, famílias desfeitas, instabilidade emocional e psicológica.

Sob a ótica judaica, vemos um crescente anti-semitismo; o aumento do terrorismo em Israel; taxas recordes de casamentos mistos; apatia e corrupção. Como poderia alguém que verdadeiramente acredita que D’us poderia trazer Mashiach acalentar a idéia de que poderíamos continuar por mais 2000 anos sem Mashiach? Como pode uma pessoa imbuída com um sentimento judaico de auto-respeito acalentar o pensamento de continuar no Galut, Exílio, onde nossa própria existência depende da boa vontade de nações caprichosas?

Como pode um judeu espiritualmente inclinado, tolerar uma existência onde a presença de D’us é tão escondida, onde a espiritualidade está tão oculta? Como podemos viver uma vida na qual nossa habilidade de servir a D’us está comprometida porque não temos um Bet Hamicdash, Templo Sagrado? Como podemos nos sentir bem, em um mundo onde há sofrimento, os judeus estão dispersos, ou alheios, e o próprio D’us também está sofrendo?

Mashiach:
Um rei nos tempos modernos?

"Por que deveríamos querer um monarca ditatorial e considerar isso uma utopia?"

A preocupação subjacente desta questão é que a crença na restauração da monarquia aparenta ser uma regressão ao invés de progresso. Em outras palavras, como apresentamos a idéia de um monarca, embora benigno, a pessoas que cresceram na última parte do século vinte, uma época na qual mesmo o papel cerimonial da Rainha da Inglaterra tem sido severamente denegrido?

Para responder a este desafio não será suficiente dizer (como fizemos anteriormente), que esta é a crença judaica e que os judeus sempre acreditaram em líderes, porque o assunto aqui é palpabilidade, não um dogma. Se alguém está preparado para aceitar Mashiach do modo que a Torá o apresenta, seja ou não entendido, não haveria necessidade para a discussão que se segue, que é dirigida àqueles que estão genuinamente preocupados pela noção de um rei em suas vidas no futuro.

Para iniciar esta discussão, devemos estabelecer que no Judaísmo, a idéia de um monarca é totalmente diferente de seu correlativo secular. Mashiach certamente não é um déspota, um rei ditatorial e autoritário, preocupado apenas com sua própria glória e que pode satisfazer qualquer capricho ou desejo. Um rei, tanto quanto, e até mais que qualquer pessoa, deve obedecer à Torá. Um rei deve portar um Sêfer Torá consigo o tempo todo.

Um rei tem mais restrições que um plebeu, em termos de suas posses. Além disso, um rei deve ser a pessoa mais humilde em seu reino. Apenas o monarca tinha que prostrar-se durante a Amidá inteira (Prece Silenciosa).

A promessa de Mashiach é que ele será tudo aquilo que um rei deve ser. Mashiach viverá em uma época quando a maior parte do mal já terá sido removida do mundo; este estará refinado, exceto por alguns poucos traços do mal, que Mashiach eliminará.

Porém isso, claro, não será o suficiente. Não basta estabelecer que Mashiach será um bom monarca, porque um rei é uma autoridade absoluta que ordena o que será e o que não será feito. Isto é algo totalmente estranho ao pensamento moderno. D’us nos prometeu, entretanto, que o reinado de Mashiach terá todos os benefícios de uma monarquia sem nada de seu potencial abuso, apenas agirá no melhor interesse de todas as pessoas.

Mashiach, como todos os verdadeiros líderes judeus do passado, é mais que um modelo a seguir. Mashiach é a "cabeça" de todos os judeus. Sua alma tem o mesmo papel em relação a todos os judeus, como faz a cabeça em relação a todo o restante do corpo. Quando o cérebro envia um comando para que o braço se erga, não se pode dizer que o braço foi forçado a fazer algo contra sua vontade. Pelo contrário, quando o braço faz algo contra a vontade do cérebro, dizemos que há uma séria deficiência impedindo o braço de conectar-se ao cérebro. Um membro sadio faz exatamente o que lhe foi ordenado pelo cérebro, e esta é sua verdadeira vontade.

De maneira similar, Mashiach coordenará as pessoas para que façam o que realmente desejam fazer. Mesmo na Galut, Exílio, o "cabeça" da geração fornece energia a todos, embora não se perceba. Na Galut somos como membros que nem sempre funcionam em consonância com as ordens do cérebro. Com a plena revelação de Mashiach todos agiremos em harmonia com nossos verdadeiros desejos.

Para aqueles menos propensos a aceitar a analogia precedente, pode-se empregar a seguinte abordagem: alguns têm dificuldade com o conceito de um monarca, pois presume-se a privação da liberdade. Analisemos que tipo de liberdade desfrutamos hoje. Vivemos em um mundo no qual assimilamos apenas uma fração do que o cérebro é capaz. Por definição, então, não temos livre arbítrio, pois nossas escolhas são bastante limitadas. Imagine uma pessoa a quem dizem que pode comer uma laranja ou uma maçã. O fato de que milhares de outros alimentos lhe são negados, ou que não os conheça, torna a escolha entre uma laranja e uma maça totalmente sem sentido. Não se poderia chamar isso de escolha.

Por outro lado, expandir todas as escolhas a todos tornaria a escolha por demais complexa. Resumindo, quanto mais limitadas as opções que temos, embora facilite escolher, não proporciona livre escolha. Quando Mashiach introduzir a Era Messiânica, seremos expostos a dimensões de existência espiritual e percepção de D’us, que alargarão nossos horizontes e nos dará infinitamente mais opções. Equipados com este conhecimento recém-adquirido, nossas escolhas serão bem diferentes.

Mashiach então deve ser visto, entre outras coisas, como o líder que nos introduzirá a um maior leque de opções, e como resultado, possibilitará que façamos escolhas mais bem fundamentadas e sofisticadas. Aquilo que temos hoje dificilmente se poderia chamar de liberdade, pois a maioria das experiências da vida, bem como o entendimento da verdade, são tirados de nós.

Com a Gueulá, Redenção, introduzida por Mashiach, teremos muito mais escolhas. As poucas limitações impostas sobre nós pela Torá e Mashiach, que será nossa autoridade em assuntos de lei judaica e comportamento, tornarão possível para nós ter todas aquelas novas opções das quais fomos privados antes de sua vinda.

Num nível ainda mais profundo, a Chassidut explica como Mashiach, que é a yechidá, encontro geral de todas as almas, nos exporá à yechidá de nossa própria alma, um nível desembaraçado e não influenciado por quaisquer forças externas ou mesmo interiores.

A yechidá faz escolhas que se originam da essência da pessoa, independente de critérios externos. Portanto, é a suprema experiência de liberdade, que apenas Mashiach pode revelar. Todas as outras escolhas "livres" não são realmente livres, mas produtos do condicionamento. A habilidade que temos para acessar nossa essência será introduzida por este "monarca absoluto" – Mashiach.

A crença em Mashiach – para quê?

"A crença em Mashiach torna o mundo um lugar melhor? Se a vinda de Mashiach trará mudanças para melhor, vamos esperar e ver. Que vantagem há na preocupação com Mashiach agora?"

Aquele que questiona não está buscando uma fonte bíblica para sua crença em Mashiach. Está interessado em entender como esta crença melhorará sua vida. Quando alguém professa sua crença em Mashiach, está, na essência, proclamando a si e ao mundo à sua volta um senso de otimismo sobre a vida, e uma esperança para o futuro.

A crença em Mashiach não é simplesmente uma esperança de um estado de felicidade, utopia sem preocupações. Pelo contrário, é uma crença num mundo que realiza seu potencial recebido de D’us, no qual seremos capazes de nos esforçar para maiores elevações espirituais. Como o advento de Mashiach é a culminância de um processo e o início de uma nova e mais elevada dimensão do serviço Divino, todo esforço que fizermos agora é parte do processo messiânico.

Sentimos Mashiach hoje ao viver aquele tipo de vida hoje. A crença em Mashiach vincula um senso de responsabilidade agora, para fazer apenas coisas responsáveis. Uma pessoa que, por exemplo, negar uma refeição a um pobre, argumentando: "A vinda de Mashiach é iminente, e ele providenciará para você uma excelente refeição," estará fazendo um pronunciamento totalmente anti- Mashiach! Mashiach implica fazer o bem, ser mais caridoso, mais amoroso, realizando atos de bondade desinibidos, corajosos e irrestritos.

A negação da caridade por causa de Mashiach é o equivalente a dizer a um estudante para não aprender matérias elementares porque quando chegar ao segundo grau terá um grau muito mais alto de entendimento. Obviamente, não podemos chegar à escola mais adiantada se não passarmos pelos níveis elementares de aprendizado.

O Bet Hamicdash e os sacrifícios

"Por que devemos desejar, esperar e rezar pela restauração do Templo em Jerusalém com sua ênfase nos ritos de sacrifícios? Não é uma crença anacrônica?"

Precisamos entender melhor o papel do Bet Hamicdash. Por que tanta agitação por causa de sua destruição e restauração iminente? Afinal, um prédio é um prédio. E não é verdade que o Judaísmo nunca coloca tanta ênfase em santuários? Além disso, por que choramos a destruição do Templo quando seria mais apropriado prantear a perda de milhões de vidas de judeus através da história? E se D’us está em toda parte, por que Ele precisa de um Templo?

O Bet Hamicdash obviamente foi mais que apenas uma construção. Foi o local na terra através do qual a presença de D’us era irradiada para o mundo inteiro, tanto quanto o cérebro é o gerador da energia para todo o corpo. Quando o Bet Hamicdash foi destruído, isso representou a retirada da presença de D’us da consciência do mundo inteiro. Como resultado, as pessoas tornaram-se espiritualmente menos sensíveis. Esta perda de sensibilidade fez com que as pessoas cometessem mais crimes. A morte de milhões e a degradação foram o resultado inevitável da remoção do meio pelo qual a Divindade era canalizada para este mundo.

Nossa esperança para a restauração do Templo Sagrado e incidentalmente a razão pela qual não podemos construí-lo nós mesmos, sem Mashiach, não é a mera reconstrução de um magnífico edifício, mas para facilitar o "retorno" de D’us à consciência deste mundo.

Um animal (como tudo o mais que existe), está aqui para ser alçado a uma esfera mais elevada da vida. Utilizar o animal para um propósito espiritual mais elevado pode realizar isso. O consumo de carne pelos seres humanos, embora seja um ato e um processo físico, visa um maior vigor e saúde, e nossa capacidade de realizar boas ações, ajudam a elevar o animal a uma esfera Divina mais alta. Entretanto, os efeitos são limitados àquele animal em particular, a hora e o grau de espiritualidade do indivíduo que ingere a carne. A oferenda de um sacrifício no Templo, o local onde a energia Divina é dispersada para o mundo inteiro e onde a energia Divina é mais potente, é o supremo ato de elevação, por meio do qual todo animal no mundo é elevado ao nível Divino mais alto e mais sublime.

Ruptura da vida

O temor do dilaceramento de nossa vida é talvez a maior preocupação que encontramos. As pessoas resistem aos prospectos da vinda de Mashiach porque sentem que perderão seu padrão de vida. Anos de labuta, suor e lágrimas, em nossa imaginação, serão transformados em nada. O trabalho de nossa vida será neutralizado. Os médicos não serão mais necessários, e todas as funções adquiridas, cargos e atividades com as quais estamos acostumados e apreciamos tanto, não mais existirão. Porém o que é mais preocupante e difícil de articular é que na mente daqueles que têm este problema, Mashiach invalidará tudo aquilo pelo qual eles lutam. Não pode haver pensamento mais aterrorizante que a invalidação da pessoa.

A resposta a este medo, explica o Rebe, está na análise de duas palavras, Galut (Exílio) e Gueulá (Redenção), que compartilham as mesmas letras no alfabeto hebraico, exceto pela letra alef , a primeira do alfabeto hebraico, na palavra Gueulá. Isso, declara o Rebe, nos ensina que a Gueulá não eliminará nada de valor do Galut, apenas introduzirá o alef, ou a unicidade de D’us na equação. Portanto, pelo contrário, tudo que fazemos no presente se tornará mais completo, não descontinuado ou destruído. Em outras palavras, não devemos ver a relação entre o exílio e a redenção como antagônicos. Ao contrário, o Galut é o caminho para a Gueulá. Os milhares de anos de existência do mundo não foram apenas um tempo de espera para um mundo melhor, mas um tempo em que criamos um mundo melhor através de nossas ações.

Quando Mashiach for plenamente percebido, todas as funções do Galut serão vistas e sentidas pelo que realmente são. "O próprio Exílio," nas palavras do Rebe, "será elevado até a Redenção." "Todas nossas atividades continuarão, mas seremos mais puros, mais gratificantes, mais significativos, porque veremos seu valor verdadeiro – o alef, a unicidade de D’us".

Talvez alguns de vocês tenham visto as palavras conclusivas do Mishnê Torá do Rambam, no qual é declarado que a ocupação definitiva do mundo será apenas conhecer D’us. O Rambam declara em termos bem definidos que não haverá outra atividade, exceto o conhecimento de D’us. De que maneira isso pode se reconciliar com a reafirmação de que nossa vida não sofrerá ruptura?

Para solucionar este problema, seria bom citar a analogia de Chinuch – a educação de um filho.
Não dizemos à criança para estudar Torá porque é a mais sublime sabedoria Divina, mas porque se o fizer, será recompensada, como aconselha Rambam. Finalmente, a criança, que agora é um adulto amadurecido, avaliará que sua ânsia pela Torá tem um raciocínio muito mais sofisticado.
Agora, analisando o conselho pedagógico do Rambam, poderíamos refletir se a Torá aprova o uso de suborno para uma boa causa. Os fins justificam os meios?

Talvez, se refletirmos profundamente, diremos que não é um suborno, mas sim um genuíno incentivo. Embora não seja este o objetivo primário, a Torá resulta até em deleites físicos. Quando o pai dá ao filho uma bala ou um brinquedo, está fornecendo ao filho uma recompensa gerada pela Torá. Ao nível da criança, a Torá gera as guloseimas que recebe. Quando o nível da pessoa se eleva, a Torá fornece prazeres mais sofisticados. Quando Mashiach chegar, a princípio apreciaremos as revelações de Mashiach em nosso nível primitivo e imaturo. Então cresceremos passo a passo até o ponto no qual não mais desejaremos a bala, porque perceberemos o valor infinito da revelação de Mashiach.

O adulto, que não mais recebe um brinquedo por estudar a Torá, sente que sua vida como criança foi perturbada e destruída? Obviamente não! Similarmente, ao crescermos e nos desenvolvermos não mais sentiremos qualquer ruptura.

Para concluir, quando Mashiach chegar, ele elevará cada um de nós de nossos respectivos níveis, e nos introduzirá a revelações Divinas, de um modo que nos seja bom e satisfatório. Em nenhum momento Mashiach nos fará sentir que estamos perdendo alguma coisa.

Acreditar em Mashiach…é real!

"Certo, a crença em Mashiach é parte do Judaísmo, mas não é a parte central, e não deveria ser por demais enfatizada. Por que, então, devemos nos concentrar em Mashiach?"

Acreditar em sua vinda faz parte dos Treze Princípios de Fé de Rambam; nossos pedidos somam 25 mil anualmente; o Cadish, o Shemá Israel, Lechá Dodi, Aleinu, são baseados em Mashiach; judeus têm morrido com a canção "Ani Ma’amin", "Eu acredito", em seus lábios.

A Chassidut explica que Mashiach é um princípio de fé, sem o qual a estrutura do Judaísmo não pode persistir, porque Mashiach representa o próprio objetivo pelo qual o mundo foi criado. É o cumprimento da Torá. É o que legitima nossa existência. É o que dá validade à nossa crença em D’us, porque demonstra que Seu projeto funciona. Encerra todo o Judaísmo, porque Mashiach significa que a Torá e as mitsvot podem e serão completadas, inflexíveis, coesas e coordenadas.
A fim de nos preparar para isso, devemos nos elevar acima das restrições do Galut , Exílio. Na verdade, a vinda de Mashiach e a preparação para a sua vinda envolve todo o Judaísmo, aprofunda-o, e o torna mais relevante para nós e para toda a humanidade.

 

 

Leite ou groselha?

 
Por Rabino David Azulay
 

"Este é o estatuto da Lei que ordenou o Eterno: ‘Fala aos filhos de Israel que tomem uma vaca vermelha perfeita, na qual não haja defeito…’ (Bamidbar XIX:1)."

O que é esta "vaca vermelha"?

A lei da vaca vermelha desperta enorme curiosidade. Os ouvintes se espantam, exclamando: "Vaca vermelha? Como ela ficou vermelha? Impossível! É lenda!"

Em primeiro lugar, vamos explicar do que se trata: na Torá há 613 mitsvot (preceitos); 248 positivas e 365 proibitivas. Dividem-se em três categorias:

a) Mishpatim: preceitos lógicos, como não matar, não roubar, honrar os pais, etc.

b) Edut (literalmente, "testemunha"): mandamentos que lembram fatos históricos, como Shabat, festas judaicas, etc.

c) Chukim: leis ilógicas, como a proibição de vestir roupa que contenha mistura de lã e linho (shaatnez), de ingerir crustáceos, etc.

A purificação ritual de uma pessoa que se encontrava em estado de impureza máxima, aspergindo as cinzas da vaca vermelha, é um preceito totalmente ilógico. Abatia-se a vaca, queimava-se o couro e a carne; suas cinzas, misturadas à água eram aspergidas sobre quem desejava purificar-se. Shoen (pronto), a pessoa tornava-se pura.

Qual é a lógica? Nenhuma.

Porém, existe um objetivo nos preceitos ilógicos de nos educar a cumprir os mandamentos Divinos não somente porque os entendemos, mas sim porque Ele assim deseja que façamos. E desta maneira, cumpriremos Sua Vontade pura e sinceramente.

Se você é daqueles que entendem de tudo, certamente não compreende como é possível a matriarca Sara gerar um filho em idade tão avançada. Mas não é algo tão fora do comum já que a ciência avança e permite a uma romena de 66 anos dar à luz em Bucareste.

Porém, resta um problema: "Será que existe ou existirá tal vaca?"

"Sim" – responderam nossos sábios. Dizem que até agora já surgiram nove vacas vermelhas e a décima virá na Era Messiânica.

Lembram anos atrás que foi publicado artigo com foto na imprensa sobre o nascimento de uma vaca vermelha em Israel? Isto só para nos demonstrar que devemos sempre acreditar na Torá e em nossos sábios… por mais que a razão não permita.

 

Redenção: Concretizando o sonho

 

Nos dias de semana, a Amidá consiste de dezenove bênçãos, das quais nada menos que sete são explicitamente relacionadas à Redenção messiânica.

Esta preocupação com Mashiach não está limitada somente a místicos ou chassidim, mas faz parte do Judaísmo há muito tempo. É um dos 13 Princípios de Fé de Maimônides, o Rambam, dirigido a todos os judeus, em todas as partes do mundo.

Mas o que pessoas bem-sucedidas, que levam vidas realizadas, seguras e confortáveis têm a ver com Mashiach? Por que deveria um cirurgião, um produtor de cinema, ou um astro do basquete ansiar pela Redenção? A obsessão por Mashiach era compreensível na Europa. Quem, ou o quê mais poderia livrar o povo judeu da incessante opressão, pobreza, humilhação e perigo físico que fizeram parte da vida diária do Judaísmo europeu pelos últimos mil anos?

Porém os tempos mudaram. Estamos, na grande maioria, a salvo, livres para levar o estilo de vida e perseguir as metas que desejarmos. Podemos chamar isto de exílio? Por que, então, precisamos de Mashiach? Do que ele deverá nos salvar? Além disso, qualquer pessoa que anseie por Israel pode satisfazer seu desejo simplesmente comprando uma passagem aérea, ir se deliciar com um shwarma ou falafel na Dizengof, escalar Massada, chegar em Jerusalém e depositar seus pedidos em mensagem no Cotel. O aspecto mais perturbador desta amarga galut é que estamos alegremente inconscientes de estar num amargo exílio. Não reconhecemos onde realmente estamos, ou em que tipo de condição nos encontramos.

Embora a galut esteja freqüentemente associada ao sofrimento físico, esta não é a sua principal característica. O aspecto definitivo da galut é, ao contrário, a falta de um propósito unificador central para a existência. A vida das pessoas parece ser determinada por forças aleatórias: econômicas, políticas, físicas, etc.

Numa escala mais ampla, tentativas de definir e resolver os problemas do mundo estão fadados ao insucesso, pois não há um padrão consistente na história e nenhuma estrutura racional estável subjacente aos eventos mundiais. A solução do dia de hoje evolui na crise de amanhã transportada para as manchetes dos jornais do "dia seguinte". A única presunção confiável na vida é que as coisas mudarão de forma imprevisível. As pessoas podem tentar desesperadamente impor algum significado na vida, mas como não há qualquer propósito intrínseco ou absoluto, estes esforços simplesmente refletem os caprichos subjetivos do momento.

Surpreendentemente, do ponto de vista do sonhador, o mundo dos sonhos parece bastante real. A distorção surrealista que fica tão aparente ao despertar é totalmente aceitável e natural no contexto do sonho. O sonhador considera futilidades como sendo importantes, ao passo que verdadeiros lampejos de criatividade ou gênio podem ser ignorados. Sua visão, sentimentos, prioridades e planos são todos adaptados às circunstâncias no mundo dos sonhos, no qual ele acredita realmente estar vivendo.

Assim, um componente indispensável do mundo do exílio semelhante ao sonho é a ilusão da realidade. As pessoas sentem-se à vontade e bem familiarizadas com a loucura que descreve a vida moderna. É considerado normal e saudável para milhares de pessoas empurrar e abrir caminho aos gritos num estádio de futebol descarregar a fúria na torcida do time adversário ou sair pichando ruas e residências, extravasando sonhos frustrados no final do placar. Revistas de notícias discutem os efeitos especiais de um filme popular, cujo tema é o canibalismo e sadismo.
Isso é diversão normal para muitos seres humanos. Ninguém vê nada de anormal ou perturbador no fato de milhões de pessoas se sentarem horas a fio na frente dos aparelhos de TV, apreciando assassinatos, rebeliões em prisões, falsidades e perversão. Assassinos são vistos como vítimas da sociedade, e devem ser entendidos em vez de castigados. A lista vai por aí afora. Perceber isso é um sonho.

A metáfora do sonho é intrigante… se somos todos produtos do sonho da Galut, como podemos avaliar objetivamente nossas circunstâncias de forma a ficarmos conscientes do pavoroso estado em que estamos? Como podemos esperar que um mundo que está cego à sua própria loucura anseie pela redenção?

A resposta é que a escuridão da Galut não é absoluta. Os esforços periódicos e mal dirigidos de muitos judeus para aliviar a angústia da Galut por meio da acomodação e assimilação não fazem mais sentido do que faria para um psiquiatra aceitar as perspectivas e opiniões de seus pacientes e assumir seus padrões de comportamento simplesmente porque eles o superam em número.
Mas existem aqueles para quem a densa escuridão do exílio é apenas parcial. Eles são como sonhadores que sabem que estão sonhando, e assim são capazes de ficar de certa forma distantes do sonho e perceber a verdade. Possuem a percepção da alma Divina que habita dentro deles. Da mesma forma que seus antepassados preservaram seus nomes, hábitos e vestimentas no Egito (galut), continuam preservando suas convicções, não pensamentos, mas ações, ao longo de todo o tempo transcorrido desde lá e levando esta mesma bagagem a todos os exílios onde hoje, temporariamente, se encontram.

Como judeus somos responsáveis por trazer a Redenção não como sonhadores, ou conformistas, mas como personagens reais vivendo objetivamente o esforço em concretizar as mesmas metas e objetivos que nos foram confiados há mais de três mil anos. Não apenas a nós, mas também a todos os povos que testemunharam a Presença Divina na Terra e que anseiam pela Sua volta, em nossos dias.

Que possamos juntos atingir a meta suprema trazendo a paz e união em todos os cantos do mundo.

 

 

Fonte: http://www.chabad.org.br/


 

 

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