O calendário judaico

 
Por Rabi Yitschak Ginsburg
 
O calendário judaico existe há mais de 3300 anos, quando D’us mostrou a Moisés a Lua Nova, no mês de Nissan, duas semanas antes da libertação dos filhos de Israel do Egito, no ano 2448 após a Criação do Mundo. A partir dessa época, o povo judeu recebeu um calendário especial, diferente dos outros já existentes: é lunissolar – os meses seguem as fases da lua, porém leva-se em consideração as estações do ano.

 

Para começar, por que precisamos de um calendário? Isto é fácil: para lembrar as datas importantes das festividades, saber com antecedência o dia de nosso aniversário e, especialmente, para indicar o dia do bar e bat mitsvá, e ter um sistema para datar correspondências, cheques, contas e muitas outras coisas.

O calendário judaico é mais antigo que o gregoriano; existe há mais de 3300 anos, quando D’us mostrou a Moisés a Lua Nova, no mês de Nissan, duas semanas antes da libertação dos filhos de Israel do Egito, no ano 2448 após a Criação do mundo. A partir dessa época, o povo judeu recebeu um calendário especial, diferente dos outros já existentes.

De que modo este calendário se distingue? O calendário judaico é lunissolar, i.e., os meses seguem as fases da Lua, porém leva-se em conta as estações do ano.

O mês lunar compreende o tempo que decorre de um Novilúnio até o próximo, consistindo de 29 dias, 12 horas, 44 minutos e 3,33 segundos. Como é impossível incluir num mês períodos fracionados como meios dias, horas e minutos, calculamos normalmente os meses de 29 e 30 dias, alternadamente. Desta forma resolve-se o problema das 12 horas excedentes que, uma vez são abatidas do mês de 29 dias e outra vez acrescidas no mês de 30 dias.

Mas conforme já verificamos, os períodos lunares abrangem além das 12 horas referidas, também uma fração de cerca de 44 minutos. Surge então a necessidade de resolver este problema adicional. Além disso, seria muito complicado que o dia santificado de Yom Kipur caísse no dia antes ou depois do Shabat; se o Yom Kipur fosse na sexta-feira ou no domingo, teríamos dois dias consecutivos proibindo qualquer tipo de trabalho, inclusive a preparação dos alimentos e, em caso de morte, não haveria enterro por dois dias e de acordo com a Lei Judaica, não poderíamos retardar o funeral.

Para solucionar essas questões, adiciona ou subtrai-se um dia em determinados anos, para Yom Kipur nunca cair numa sexta-feira ou num domingo, e que outras festividades também não caiam em certos dias da semana. Deste modo fica resolvido o problema dos 44 minutos que sobram.

Chamamos sua atenção para o fato de que é possível saber se qualquer um dos meses será completo (com 30 dias) ou incompleto (com 29 dias), observando-se a data de Rosh Chôdesh do mês seguinte. Se houver dois dias de Rosh Chôdesh, significa que o mês que termina é completo; assim sendo o trigésimo dia é sempre o primeiro dia de Rosh Chôdesh do próximo mês. Quando um só dia é Rosh Chôdesh, o mês que acaba tem somente 29 dias.

Quando tudo parece resolvido satisfatória e acertadamente, ainda é preciso da matemática, pois as dúvidas continuam.

Como já mencionamos, o calendário judaico baseia-se nas fases da Lua, diferente do calendário gregoriano que segue a rotação do Sol. Afirmamos também que podemos ter 29 ou 30 dias em cada mês do calendário judaico, mas nunca menos ou mais.

Um ano no calendário judaico tem 354 dias; ou seja, o ano lunar tem onze dias menos do que o ano solar, que tem aproximadamente 365 dias.

Se por acaso nos ocorre perguntar: qual é a importância disto? Aconteceria o seguinte: as festividades, neste caso, caminhariam para trás, cerca de onze dias em cada ano, até que a festa de Pêssach, que deveria ser celebrada na primavera (considerando as estações em Israel), cairia no meio do inverno; e Sucot que é no outono, seria em pleno verão, etc. Porém a Torá nos exige comemorar cada festividade na respectiva estação; por isso não ignoramos o sistema solar que determina as quatro estações do ano e não podemos deixar os onze dias e as frações para trás.

A solução é fazer com que estes se acumulem até inteirar um mês, quando então adicionamos esse mês ao ano lunar. Assim é que nestes referidos anos temos dois meses de Adar: Adar I e Adar II. Este ano é denominado embolísmico.

Até aqui expusemos de um modo simples o mecanismo do calendário judaico, mas ainda há algumas informações suplementares.

O ano do calendário judaico se compõe de 354 dias dividido em doze meses de 29 e 30 dias alternadamente. Tal ano é denominado "regular". Mas como já explicamos acima, em alguns anos deve-se acrescentar ou subtrair um dia de um dos meses. Este dia é adicionado ao mês de Cheshvan (30 no lugar dos costumeiros 29); então o ano é chamado de "completo". Quando o dia é subtraído, é retirado do mês de Kislev (29 dias no lugar do normal 30) e o ano é chamado de "incompleto". Assim, o ano normal de 12 meses poderá ter 353, 354 ou 355 dias, enquanto o ano embolísmico teria 383, 384 ou 385 dias. Veja a seguinte tabela:

 

 

 

 

Normal
incompleto

Norma
lregular

Normal
completo

Embolísmico
incompleto

Embolísmico
regular

Embolísmico
completo

Mês

Dias

Dias

Dias

Dias

Dias

Dias

Nissan

30

30

30

30

30

30

Iyar

29

29

29

29

29

29

Sivan

30

30

30

30

30

30

Tamuz

29

29

29

29

29

29

Av

30

30

30

30

30

30

Elul

29

29

29

29

29

29

Tishrei

30

30

30

30

30

30

Cheshvan

29

29

30

29

29

30

Kislev

29

30

30

29

30

30

Tevet

29

29

29

29

29

29

Shevat

30

30

30

30

30

30

Adar I

30

30

30

Adar II*

29

29

29

29

29

29

353 dias

354 dias

355 dias

383 dias

384 dias

385 dias

 

(*) No ano "normal", este mês é denominado simplesmente "Adar".

 

O calendário judaico é reorganizado em pequenos ciclos de dezenove anos, cujas datas se coincidem com as do calendário gregoriano. Os anos embolísmicos são formados no terceiro, sexto, oitavo, décimo-primeiro, décimo-quarto, décimo-sétimo e décimo-nono anos desse ciclo.

Há mais de 1600 anos, nossos sábios do Talmud, que não contavam com o auxílio de computadores, calculadoras ou outros aparelhos sofisticados, deixaram por escrito o cálculo das datas do calendário judaico até o ano 6000 da Criação do mundo, que corresponde a 30 de setembro de 2239.

Os meses

A contagem dos anos no calendário judaico estabeleceu-se a partir da Criação do mundo.

Quando o povo judeu estava prestes a sair do Egito, D’us ensinou a Moshê Rabênu as leis de Rosh Chôdesh (início do mês, que geralmente coincide com o Novilúnio), e chamou aquele mês, Nissan (o mês da primavera em Israel) de primeiro mês, pois foi quando o povo judeu se formou como povo.

Assim sendo, o calendário judaico é, ao mesmo tempo, lunar e solar. O mês é sempre lunar. Para compensar os onze dias anuais de diferença entre o ano lunar e solar, um mês (Adar I) é acrescentado no 3º, 6º, 8º, 11º, 14º, 17º e 19º ano, a cada ciclo de dezenove anos. Nestes anos o calendário judaico tem treze meses, com o mês anterior a Nissan duplicado (Adar I e Adar II), para que Nissan ocorra sempre na primavera.

Ano Embolísmico

O calendário judaico é baseado na Lua. Ela aparece no céu no início de cada mês judaico como um crescente estreito, que gradualmente se torna mais pleno a cada noite, até ficar perfeitamente cheio e redondo, no meio do mês. Então a Lua "encolhe" até desaparecer totalmente por volta do fim do mês, apenas para reaparecer no começo do novo mês. Quando a Lua surge primeiramente como um estreito crescente, é chamada de "novilúnio" (em
hebraico Molad – "nascimento da Lua"). No Shabat antes da Lua nova, anunciamos e abençoamos o novo mês (exceto o mês de Tishrei, que é abençoado unicamente pelo próprio D’us).

De um novilúnio ao seguinte passam-se pouco mais de vinte e nove dias e meio. Esta é a duração do mês. Mas, uma vez que não podemos ter metade do dia pertencendo a um mês e a outra metade ao seguinte, o calendário foi construído de maneira a termos, às vezes, vinte e nove dias, e outras vezes, trinta dias no mês judaico; nunca mais, nem menos.

É por isso que às vezes temos um dia de Rosh Chôdesh (início do mês) e às vezes dois. Quando temos um dia de Rosh Chôdesh, significa que o mês que se finda tem 29 dias; se temos dois dias de Rosh Chôdesh, o primeiro pertence ao mês anterior (ou seja, é o 30º dia do mês que finda), enquanto o segundo dia de Rosh Chôdesh é o primeiro dia do novo mês. Assim, quando anunciamos o novilúnio de Adar I (este ano), dizemos: "Rosh Chôdesh de Adar Rishon será no domingo e na segunda-feira; que nos venha para o bem".

Esta proclamação informa-nos imediatamente que o mês de Shevat, que se finda, teve trinta dias, enquanto o primeiro dia de Adar I cairá na segunda-feira seguinte.

Num ano "comum" temos seis meses "cheios" (ou "completos") de 30 dias cada, e seis meses "curtos" de 29 dias, seguindo-se um ao outro (30, 29, 30, 29, etc). Isso nos dá um total de 354 dias no ano judaico. (Em certos anos "perdemos" um dia, e em outros "ganhamos" um, fazendo com que o número total de dias num ano seja de 353, 354, ou 355, conforme o caso. Há boas razões para isso como, por exemplo, evitar que Yom Kipur caia numa sexta-feira, ou num domingo, para não se seguirem dois dias de Shabat.

Naturalmente, é importante que conheçamos o calendário judaico, pois precisamos saber quando observar as nossas festas religiosas. Rosh Hashaná é o primeiro e segundo dia de Tishrei, Yom Kipur é o décimo, e Sucot começa no décimo quinto dia de Tishrei ; Pêssach começa no décimo quinto de Nissan, e Shavuot é no qüinquagésimo dia seguinte, (i.e., 6 e 7 de Sivan). E então, há Chanucá e Purim, e ainda os dias de jejum. O próprio Rosh Chôdesh é como se fosse um pequeno feriado, ocasião em que fazemos orações especiais.

A Torá nos fala do mês e do dia da celebração de uma festa, como também da estação do ano em que deve ser comemorada. Por exemplo, a Torá nos diz que Pêssach deve ser na primavera (considerando-se as estações do
hemisfério norte) – a estação em que nossos antepassados saíram do Egito – e Sucot deve ser no outono. Portanto, não devemos ignorar o sistema solar que determina as quatro estações do ano ("Tecufot").

O Ano Solar tem pouco menos de 365 dias e meio, enquanto o Ano Lunar tem cerca de onze dias a menos! Portanto, se ignorassemos inteiramente o Ano Solar, nossas festas não seriam na mesma época a cada ano com
relação à estação do ano, e iriam atrasar onze dias. Em cerca de três anos, sairiam fora de sua respectiva estação por aproximadamente um mês; em nove anos, por cerca de três meses. Pêssach não seria mais na primavera, e sim no inverno!

Por essa razão, não devemos permitir que o Ano Lunar se distancie do Ano Solar; e sempre devemos aproximá-los. É por isso que o calendário judaico tem um mês a mais a cada três anos, enquanto os onze dias de diferença formam cerca de um mês.

Adicionamos este mês após Shevat, empurrando Nissan para frente, para o seu lugar apropriado na primavera. Uma vez que o mês de Nissan está de volta, todas as outras festas cairão na época certa e nas estações adequadas.

O calendário judaico é de fato maravilhoso. Nossos sábios, que construíram um calendário para todos os tempos, eram realmente sábios nas ciências da Astronomia e da Matemática.

É preciso um período de 19 anos para "ajustar" o Ano Lunar e o Ano Solar, para que ambos comecem exatamente ao mesmo tempo, sem defasagem. Portanto, o calendário judaico está dividido em períodos (ou ciclos) de dezenove anos. Em cada período, ou ciclo, há sete anos embolísmicos: o 3º, 6º, 8º, 11º, 14º, 17º e 19º.

Assim, torna-se fácil descobrir se um ano judaico qualquer é embolísmico. Divide-se o ano judaico por 19; se o resto for 3, 6, 11, 14, 17 ou 19 (no último caso, não sobrará resto), este será um Ano Embolísmico. Por exemplo, este ano – 5765 – dividido por 19, deixa um resto de 6 (303 vezes 19, mais 6, é igual a 5765). Isto significa que estamos agora no 6º ano do 304º ciclo (desde a Criação do mundo), e este é um Ano Embolísmico.

 

Extraído do livro "O Guia", do Rabino Avraham Steinmetz

 

Fonte: http://www.chabad.org.br/

 

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